Política é para levar a sério ... ou pagamos a factura da brincadeira

Começa tudo de novo

(-por Daniel Oliveira)

         Uns meses depois, lá me apareceu um polícia à porta de casa. Chamado para me apresentar às autoridades por causa do quarto processo de Alberto João Jardim contra mim. No dia 28 de Setembro volto à Madeira, por outras e melhores razões. E apesar dos processos de Jardim (em que usa os dinheiros públicos para processos privados), lá direi o que penso sobre o que se passou nas últimas semanas. Mais processo, menos processo, Jardim nunca me levará mais dinheiro que já nos levou a todos.
          Em cima, a t-shirt do cão azul que levarei a tribunal, se o processo lá chegar.
 
      Merecemos pagar cada cêntimo gasto por Jardim
     A dívida astronómica do governo regional da Madeira, que nem o imposto extraordinário de Natal chega para pagar, não é novidade. Há anos que sabemos que Alberto João Jardim se eterniza no poder por não ter de fazer contas. As suas campanhas resumem-se a uma sucessão de inaugurações de obras sobre obras, não havendo na ilha já quase espaço para tanto betão e asfalto.
    A forma despudorada como nos rouba e ainda goza também não é novidade. Quando o País se comovia e aceitava, como gesto natural de solidariedade com os compatriotas madeirenses, que, em tempo de crise, fossem canalizados para a ilha milhões, com vista à reconstrução depois da tragédia, o cacique madeirense não hesitou em gastar o dinheiro em outras obras e despesas. Perante a austeridade geral, riu-se de nós e explicou que tencionava continuar a esbanjar. Porque nada podemos fazer para o impedir.
    A violação descarada das leis da República, de que troça, por conhecer o seu estatuto de inimputável, também não é novidade. O senhor absoluto da Madeira persegue opositores, cala jornalistas, insulta detentores de cargos públicos e ainda usa as forças de segurança para impedir protestos e os tribunais para calar criticas, incluindo de deputados que, em princípio, têm imunidade parlamentar. Financia imprensa que lhe faça propaganda, esmaga a que faça jornalismo, distribui negócios por amigos e empregos por familiares, impede deputados eleitos pelo povo de entrar na Assembleia Regional e recusa-se a aprovar a lei de incompatibilidades que vigora no resto do País.
    A cumplicidade com que sempre foi contando também não é novidade. Quando o Presidente da República se deslocou à Madeira, foi impedindo de ir ao parlamento regional e aceitou receber deputados da oposição num quarto de hotel, como se estivesse numa qualquer ditadura do terceiro mundo. Deixou que assim fosse, porque a democracia e o Estado de Direito têm um offshore na Madeira, aceite por todos.
    Durante anos o País sorriu com as alarvidades deste déspota local. Durante anos achou o seu desprezo pela lei, pela democracia, pelo Estado e por todos nós "politicamente incorrecto" e sinal de "rebeldia". Agora ele explica, com todas as palavras, que rebentou com centenas de milhões, violou a lei e nos mentiu para não ser apanhado. E ainda se diverte com isso. Queixamo-nos? Não sei porquê. Merecemos pagar cada cêntimo que nos roubou.
    Achámos que não era para o levar a sério. Agora pagamos a brincadeira. Muitos madeirenses corajosos, que há quase quatro décadas fazem frente ao Presidente num ambiente político sufocante, têm pago um preço bem mais alto pela sua ousadia. Nunca quisemos saber deles. Vem agora a fatura. É bem feita.


Publicado por Xa2 às 07:30 de 21.09.11 | link do post | comentar |

3 comentários:
De Q.Governe sem €€ q. escondeu em offshore a 23 de Setembro de 2011 às 10:11
Maria Rita

Esperem pel resultado eleitoral.Vai ter valores superiores ao das ultimas eleiçoes.
Eu se vivesse na Madeira,votava no jj. Tudo do bom e do melhor a custa dos cubanos qual o problema.

O sistema que permitiu este buraco éque deve ir a tribunal.
Jardim diz que nao enriqueceu na politica, o outro diz o mesmo ....
porque tem a massa em porto seguro no estrangeiro.

Os paraisos fiscais, permitem que haja estes pobres servidores da causa publica...

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ana

Cá por mim, reeleja-se a criatura e deixe-se que governe a ilha em tempo de vacas magras,
com o aumento de impostos e demais cortes financeiros que se esperam ver, legitimamente, aplicados.

De contrário vai continuar vociferar que se transformou em mártir!
Que governe sem dinheiro!
Será a verdadeira "DESMAmadeira". E a frio.

P'ra ele e p´ró povo madeirense e continental aprender de vez, que a democracia tem de ser exercício de cidadania consciente e responsável

e passa, sem se esgotar, pelo momento em que, livremente, se fazem escolhas e se depositam boletins de voto.


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 21 de Setembro de 2011 às 14:37
Hoje recebi uma anedota por email.
A anedota não era nova, bem velhinha até... Mas desta vez li essa anedota e desta vez esta lembrou-me factos recentes da política nacional...
Porque há pessoas na política e no comentário político que parecem que não ter memória... ou então chegam sempre a conclusões extraordinárias...
Vou contar a anedota, e depois fazer uma pergunta, tá?

«Três amigos conversam sobre ter sorte e um diz:
- Tive sorte porque acabava de atravessar um túnel e este caiu... ainda levei com umas pedras em cima, por pouco não fiquei soterrado.
Diz o outro:
- Eu ia de carro, atravessei a passagem de nível sem guarda e surgiu o comboio que me levou a traseira da viatura... por sorte não fui esmagado.
Diz o terceiro:
- Sorte?! Sorte tive eu! Ontem fui às putas, a minha mulher estava lá e não me viu!...»

Sabem o que Sócrates, Alberto João e Oliveira e Costa têm em comum?
Pois é, têm isso mesmo que pensaram. Podiam ser estes ou outros nomes, mas estes servem perfeitamente para ilustrar o que sinto!
Vêm que sorte que temos em agora termos o Passos e o Cavaco?


De País do burro a 21 de Setembro de 2011 às 12:31
A máfia também sabia de tudo

O Presidente da República, que [continua em silêncio e] hoje analisa com o primeiro-ministro o caso das "dívidas ocultas" da Madeira, inteirou-se da situação financeira da região durante as audiências concedidas aos partidos no final de Julho, antes de marcar a data das eleições regionais.

A "grave" omissão de dívidas, que a Procuradoria-Geral da República vai mandar analisar, era também do conhecimento dos representantes do Ministério Público junto da secção regional do Tribunal de Contas (TC) da Madeira. (daqui)

Qualquer semelhança com a Grécia será mera coincidência.
O poder em Portugal não está nas mãos de uma associação de malfeitores.
Somos governados por exemplos impolutos de responsabilidade, que gozam de total governabilidade e exercem o poder com o maior sentido de Estado.

O povo vota e paga. E eles mandam.
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Um país feliz: "se o burro não puxa, a carroça não anda"

1. O Tribunal de Contas está a investigar um novo buraco de 220 milhões de euros nas contas da Madeira. Esse é o montante de um recente empréstimo contraído pela Empresa de Electricidade que o governo de Alberto João Jardim desviou para pagar despesas de funcionamento.

2. O Primeiro-Ministro mantém toda a confiança política em Alberto João Jardim e o Presidente da República, que interrompe férias para fazer comunicações ao país sobre as suas paranóias de perseguição, não o faz para tomar posição sobre os desvarios confessados pelo homem de confiança do primeiro e seu Conselheiro de Estado.

3. O processo cível do BPN contra vários ex-administradores do antigo Grupo BPN/SLN sofreu um revés no início deste mês: a juíza do processo considerou que a acção é da competência dos tribunais do comércio, argumento que fora apresentado pela defesa dos réus, e absolveu na primeira instância Oliveira Costa, Dias Loureiro e outros antigos responsáveis do Grupo BPN/SLN.

4. A economia portuguesa deverá ter o segundo pior desempenho da Europa neste ano e no próximo, sendo também, a par da Grécia, a única que o Fundo Monetário Internacional espera estar em recessão nestes dois anos.
...


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