Desvalorização do Trabalho + Precários, Abusos e Desemprego

FUNDO DE (DES)COMPENSAÇÃO DO TRABALHO !

    O Governo procura a todo o custo fazer aprovar um diploma sobre o Fundo de Compensação do Trabalho (FCT). Na sua sanha (neo/ultra) liberal este Governo procura mil maneiras de tornar o trabalho mais barato para assim proporcionar mais ganhos ás empresas e atrair o capital estrangeiro!
Neste sentido aproveitou a estrada aberta pelo anterior Governo que tinha feito aprovar o Acordo Tripartido para a Competitividade e Emprego, um arranjinho entre o patronato (/empregadores) e a UGT (união de sindicatos dominada/ligada aos partidos do centrão de interesses) realizado em Março passado, que já previa a diminuição drástica das indemnizações por despedimento dos trabalhadores.
    Num novo impulso o actual Governo quer que este Fundo seja privado e e as empresas façam um desconto mensal para o mesmo. O trabalhador apenas vai receber as indemnizações por despedimento na base de 20 dias e não de 30 como estipula a actual lei, para além de fazer obrigatriamente uma poupança para o seu futuro despedimento!
Para além da gravidade de diminuir bastante as indemnizações por despedimento o Governo quer criar um Fundo que nem patronato nem sindicatos querem porque acarreta mais encargos. Por outro lado, um organismo destes deveria ser tripartido e nunca privado.
    Na base de todo este recambolesco processo está a filosofia ultra liberal de desvalorização do trabalho. Este é apenas visto como um custo, um factor de produção, um encargo para as empresas. Ora o trabalho, a valorização do trabalhador e a sua motivação é um elemento fundamental para a recuperação económica!

    O escandalo é mais visível na Administração pública onde o Governo não sabe o que fazer aos funcionários (colocados na mobilidade, a BEP-bolsa de emprego pública 'funciona' mal e pouco; os centros de emprego do IEFP nas grandes áreas urbanas estão muito longe de dar resposta cabal, as empresas de trabalho temporário são uma praga, etc)... triste destino o nosso com esta gente que nos governa!

    (-por A.Brandão Guedes, Bestrabalho)

                                                           Finalmente seremos todos precários
    Durante a campanha, chocado, Passos Coelho disse que era falso que pretendesse liberalizar os despedimentos e acabar com o conceito de justa causa. Isto apesar disso resultar como evidente da revisão constitucional que apresentou ao País. Essa revisão dificilmente se fará - até porque, sem muito para dizer, o PS fez do combate a estas propostas o seu cavalo de batalha. Mas não é necessário. As novas propostas do governo para alterar o código de trabalho resultam na mesmíssima coisa.
    Quando se diz que é razão para despedimento por justa causa a redução de quantidade e qualidade da produção de um determinado trabalhador está a dizer-se o quê? Querem conceito mais genérico e arbitrário do que a redução da qualidade do que se produz? Se um patrão quiser mesmo despedir alguém, precisa de alguma coisa que não seja a sua opinião?
    Muitos jovens e menos jovens sem qualquer vínculo contratual - já são uma parte muito razoável do mercado de trabalho -, para quem não há lei, acreditam que os direitos de quem tem contrato são seu inimigo. Tendo a legitimidade de fazer parte dessa geração - quase toda a minha vida profissional foi feita em precariedade absoluta -, não podia discordar mais.
    Os direitos não serão distribuídos com maior equidade. O que acontecerá é exactamente o oposto: a perda de direitos de quem os tem apenas fragiliza ainda mais quem nunca os teve. Porque se todos os trabalhadores estiverem dependentes dos caprichos e humores do empregador ninguém poderá resistir aos abusos. E o primeiro efeito será a perda de poder negocial de quem vive do seu trabalho. O que resultará dessa fraqueza generalizada: uma distribuição ainda mais desigual dos rendimentos entre trabalho e capital.
    A segurança no emprego não é um privilégio. É a condição para o mínimo de justiça social. Se o exército de precários aumenta os principais prejudicados serão os precários de sempre. Saberão finalmente que melhor do que têm nunca conseguirão.    (por Daniel Oliveira, Expresso online)


Publicado por Xa2 às 07:07 de 22.09.11 | link do post | comentar |

13 comentários:
De .Cidadãos--» servos--» escravos ?!..NÃO a 23 de Setembro de 2011 às 09:21
« os trabalhadores que paguem a crise !! ?? »

Proposta do mandaretes PSD/CDS no Governo da direita :
«... "Dispensar" (leia-se DESPEDIR) os trabalhadores "menos produtivos" e que não cumpram "objectivos ..." »
i.e., objectivos impostos pela INCOMPETÊNCIA, desorganização e GANÂNCIA de chefes e patrões/empresários "MAMÕES-dependentes" do ESTADO, medíocres e neo-ESCLAVAGISTAS ...

Será que estes des-governantes já estão a fartar-se de estar no Poder/"pote-quase-vazio" e querem provocar a queda e eleições antecipadas?

este é o início da DESCONCERTAÇÂO social e... a Hora de LUTAR
(dia 1 Outubro há manifestação da CGTP)

------------


Carlos Barbosa de Oliveira disse... (em A Barbearia do sr.Luis):

Partindo do princípio que na generalidade as pessoas decrescem de rendimento a partir dos 50/60 anos,
admitamos que esta é a versão laranja ( revista e actualizada) da injecção atrás da orelha
criada pelos comunistas que, recordo, também comiam criancinhas ao pequeno almoço...


De .Trabalhadores Precários e Abusados.. a 23 de Setembro de 2011 às 13:43
Finalmente seremos todos precários
(-por Daniel Oliveira, Arrastão, 23.9.2011)

Durante a campanha, chocado, Passos Coelho disse que era falso que pretendesse liberalizar os despedimentos e acabar com o conceito de justa causa.
Isto apesar disso resultar como evidente da revisão constitucional que apresentou ao País.
Essa revisão dificilmente se fará - até porque, sem muito para dizer, o PS fez do combate a estas propostas o seu cavalo de batalha.
Mas não é necessário.
As novas propostas do governo para alterar o código de trabalho resultam na mesmíssima coisa.

Quando se diz que é razão para despedimento por justa causa a redução de quantidade e qualidade da produção de um determinado trabalhador está a dizer-se o quê?
Querem conceito mais genérico e arbitrário do que a redução da qualidade do que se produz?
Se um patrão quiser mesmo despedir alguém, precisa de alguma coisa que não seja a sua opinião?

Muitos jovens e menos jovens sem qualquer vínculo contratual - já são uma parte muito razoável do mercado de trabalho -, para quem não há lei, acreditam que os direitos de quem tem contrato são seu inimigo.
Tendo a legitimidade de fazer parte dessa geração - quase toda a minha vida profissional foi feita em precariedade absoluta -, não podia discordar mais.

Os direitos não serão distribuídos com maior equidade.
O que acontecerá é exactamente o oposto:
a perda de direitos de quem os tem apenas fragiliza ainda mais quem nunca os teve.

Porque se todos os trabalhadores estiverem dependentes dos caprichos e humores do empregador ninguém poderá resistir aos abusos.

E o primeiro efeito será a perda de poder negocial de quem vive do seu trabalho.
O que resultará dessa fraqueza generalizada:
uma distribuição ainda mais desigual dos rendimentos entre trabalho e capital.

A segurança no emprego não é um privilégio. É a condição para o mínimo de justiça social.
Se o exército de precários aumenta os principais prejudicados serão os precários de sempre.
Saberão finalmente que melhor do que têm nunca conseguirão.


De Trabalhadores Descartáveis... números. a 23 de Setembro de 2011 às 13:47
(- Nightwish, em Arrastão)

O problema é que não é uma questão de competência ou incompetência.
É uma questão de que agora podem-lhe apresentar objectivos completamente absurdos para ver se se vai embora e é substituído
por alguém sem obrigações familiares,
com mais energia e disposto a fazer horas extraordinárias sem receber (não que agora não passem a preço de saldo).

Em termos de efeitos sociais, pode-se pensar que qualquer empresa pode continuar a substituir sem grandes problemas todos trabalhadores que não são de topo à procura de cada vez melhor, enfiando 50% ou 60% (estime cada um como quiser) das pessoas na precariedade permanente.

E mal tenham uma baixa de produtividade por problemas de saúde ou qualquer coisa, adeusinho que foi bom.
...
Se achar que consegue alguém igual na china;
se achar que consegue alguém a sair da faculdade com conhecimentos actualizados por muito menos dinheiro;
ou em trabalho não especializado porque são mais rápidos
e nunca têm problemas familiares, faltam menos por doença, fazem mais ordens extraordinárias de graça...

Quando substituir um empregado permite descer ordenados, é o que se passa.

Pode apresentar a ideologia que quiser, mas a realidade é só uma.


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