3 comentários:
De .nova direcção da CGTP em 2012. a 11 de Outubro de 2011 às 16:38
SINDICALISMO PORTUGUÊS:
O congresso da CGTP ! (I)

A maior central sindical portuguesa já começou a preparar o próximo Congresso confederal que se realizará em Janeiro próximo (2012).
O contexto político e social em que se vai realizar este Congresso é particularmente difícil e lembra o histórico congresso de todos os sindicatos em 1977,onde ficou definido o modelo unitário da actual confederação.

Nessa altura ficou definida uma central sindical em que a maioria comunista partilharia o poder com quase todas as correntes sindicais de esquerda, incluindo uma parte da corrente socialista que não foi para a UGT.
Essa partilha tinha fundamento na unidade na acção e nos objectivos estratégicos de defesa dos interesses dos trabalhadores portugueses.
Agora neste Congresso algo de importante vai acontecer também ao nível da estrutura de poder e da renovação geracional.
As saídas do actual secretário geral Manuel Carvalho da Silva e dos últimos quadros sindicais mais antigos vai necessariamente dar uma nova fisionomia à CGTP.

Carvalho da Silva é, sem dúvida, o mais prestigiado sindicalista português. Ele foi muitas vezes decisivo na caminhada da Central em aspectos muito importantes como a entrada na CES e em todo o relacionamento internacional com sindicatos não comunistas.
Por outro lado geriu quase sempre com muita sabedoria os equilíbrios das correntes no interior da Central.
Homem de estudo é hoje uma das pessoas que mais investiga na área da sociologia do trabalho e do sindicalismo estando já ligado ao Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.
Ele pode ainda dar muito aos trabalhadores portugueses e ao próprio país!

Sem Carvalho da Silva e com a saída de muitos históricos da Central, a CGTP que sair do próximo Congresso poderá estranhamente ser mais monolítica do que tem sido nos últimos anos e com um discurso mais partidarizado!
Existem indícios que poderão levar a essa situação o que seria grave neste momento.
Todavia, também pode sair do próximo Congresso uma CGTP reivindicativa, capaz de gerar consensos, aberta a outras correntes e movimentos sociais e com um discurso que seja expressão de uma análise politica e social plural.
Para que este último objectivo seja possível é fundamental um empenhamento de todas as correntes na preparação do Congresso; uma posição da corrente comunista de consenso e não de ruptura com as outras correntes e um novo secretário geral inteligente, estratega e aglutinador.

(-por A.Brandão Guedes, 10.10.2011, http://bestrabalho.blogspot.com/ )


De . Cuidado com o anti-Sindicalismo !. a 28 de Setembro de 2011 às 08:54
A IDEOLOGIA ANTI-SINDICAL !
Assiste-se nos últimos tempos a um recrudescimento da retórica anti-sindical e de acções concretas de ataque aos sindicalistas e à sua acção nas empresas !
Este antisindicalismo está estreitamente ligado a velhas teorias económicas ensinadas em algumas universidades que consideram os sindicatos um entrave à gestão e a uma mais rápida acumulação do capital.
Este Governo é a expressão em parte dessa ideologia!

Estas teorias espalharam-se depois por algumas redacções de jornais económicos onde proliferam os jornalistas que papagueiam as teorias das agências financeiras e dos «mercados» como se fossem sacerdotes de uma nova religião !
Nos últimos tempos alguns jornais de referência (?) em Portugal escrevinham editoriais dizendo que o Governo não deve ouvir os sindicatos e que estes defendem sempre o mesmo e que é preciso decidir sem ter alguém a atrapalhar e, enfim, muitas outras diatribes deste teor autoritário !

Mas, o mais grave é ouvirmos depois várias pessoas que, por escutarem apenas os papagaios, repetem também um conjunto de teses antisindicais tais como:
os sindicalistas não conhecem a realidade,
estão há muito tempo fora do trabalho,
só defendem os que têm trabalho,
obedecem mais aos partidos do que aos trabalhadores,
enfim e outros mimos que não valerá muito a pena inventariar.

Ora, a cultura e informação sindical em Portugal é muito fraca, inclusive nos trabalhadores sindicalizados.
Não se estuda sindicalismo nas escolas, com excepção de um ou outro curso.
Nas escolas de gestão o sindicalismo é em geral, abordado de uma forma superficial e sob um ângulo empresarial.
Esta matéria também não faz parte das leituras da maioria das pessoas... logo o que a maioria sabe são ideias feitas formatadas pela ideologia anti-sindical !

Significa isto que as práticas sindicais e os sindicalistas estão isentos de defeitos e de erros? De modo algum!
Existe sectarismo, oportunismo, partidarismo e carreirismo na vida sindical !
Apenas na vida sindical? Significa isto que o sindicalismo não se deve renovar ?
Claro que se deve renovar, mas ele está estreitamente ligado ao futuro do capitalismo !

O tipo de críticas que, por vezes fazemos servem apenas para desculpar o nosso não empenhamento na vida da empresa e de não ligarmos pevide ao sindicato.
Todavia, todos beneficiamos das lutas sindicais antes da democracia e agora em democracia !
Quando fazemos um contrato de trabalho, o salário que nos pagam, os horários, o seguro de acidentes, a categoria, as horas extra, enfim quase tudo passou pelos sindicatos e ainda passará se continuarmos num sistema democrático
!Eles são fundamentais para se construir uma sociedade mais justa !

Sendo assim é preciso sermos muitos mais críticos, estarmos mais informados e compreendermos que os sindicatos são fundamentais numa democracia !
A expansão da ideologia anti-sindical é um sintoma de que algo está a correr mal no sistema democrático e de que existem sinais de autoritarismo !
Foi assim nos anos imediatamente anteriores à ditadura de 1926 !
Cuidado portanto!

(- por A.Brandão Guedes, Bestrabalho, 27.9.2011)


De .patrões vs 'chico-espertos' anti-sindic a 28 de Setembro de 2011 às 09:19
Há uns anos atrás (?1986-1990?), aqui em Portugal, um velho empresário voltou à sua empresa (que nos últimos anos deixara entregue a outros para gerir ...) pois esta estava com uma crise devido a uma greve selvagem ...
Ele reune os administradores/directores e pede-lhes para chamarem os representantes sindicais pois gostaria de falar com eles.
Respondem os admistradores/directores que não existiam, podiam até «orgulhar-se de terem ''quebrado a espinha'' aos sindicalistas na empresa»...

O empresário, furioso, desancou neles ...pois agora não tinham ninguém com quem dialogar e resolver o problema da greve selvagem.!
De seguida mandou os directores dizer a todos os trabalhadores que fossem de imediato inscrever-se no sindicato (da escolha deles) que a empresa pagaria o valor das quotas ... e que elegessem uma comissão de trabalhadores, pois o patrão queria dialogar com eles com vista à resolução do conflito laboral.

Entretanto, o esclarecido patrão ainda 'martelou' os administradores/directores, dizendo-lhes: seus burros armados em chicos espertos, antes quando havia um problema na empresa eu chamava os delegados sindicais, discutiamos enquanto almoçávamos e por altura do café já tinhamos chegado a um acordo, que era confirmado com um aperto de mão, e no dia seguinte estava tudo bem na empresa ...
agora, com a vossa asneirada de querer acabar com os sindicalistas, estão há dias e semanas com problemas, a produtividade a baixar, os fornecedores e clientes a protestar e a empresa a perder milhões ...
vocês é que mereciam ser despedidos !


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