4 comentários:
De . contra Empobrecimento / Austeridade... a 3 de Outubro de 2011 às 14:26
A Democracia Contra a Crise...

Ontem, 1 de Outubro, o povo saiu à rua, em Lisboa e no Porto, em nome da luta contra o empobrecimento!

A manifestação, cuja mobilização foi sintomática em relação ao sentir generalizado das pessoas que, entre informação, contra-informação, medos e preconceitos, não reconhecem alternativas execuíveis e credíveis ao poder instituído mas sabem que a estratégia em curso é demolidora para as suas condições de vida,
foi, contudo, reduzida às "manchetes" com que a comunicação social classificou a iniciativa, relevando não o facto em si mas, isso sim,
o dispositivo policial preparado pelas autoridades para enfrentar a contestação social, suscitando o medo de manifestação popular, sob a capa de uma ameaça velada... é pena!

Neste momento, Governos, Populações e Comunicação Social deviam unir-se para pressionar a mudança económica e política,
ao invés de assumirem a subserviência temerosa que de nada adianta e apenas reforça a ineficácia das lógicas contemporâneas do poder dominante...

esperariamos outra coisa? Talvez... uma vez que, para além do movimento de indignação que correu o mundo europeu e médio-oriental ao longo do ano em curso (e voltará a ter expressão, entre nós, no próximo dia 15 de Outubro),
até em Wall Street são mais de 2.000 (entre eles Noam Chomsky, Susan Sharandon e Michael Moore) os
que se manifestam contra a austeridade enquanto resposta à crise (ler AQUI)...

Paula Fitas, ANossaCandeia



De Contra o EMPOBRECIMENTO e as INJUSTIÇAS a 3 de Outubro de 2011 às 14:35
. Contra o Empobrecimento... (e as injustiças )

Mais do que nunca -ou talvez como sempre!, os dias que correm, justificam as causas... para que as vozes se não calem perante a descrença e o ritmo inexorável das dinâmicas que os poderes imprimem à realidade!...
Não, não se trata de corporativismo ou de uma persistência em actos de fé que, por vezes, parece associada à regular manifestação das forças mobilizadoras das massas;
trata-se de uma forma de exercício de cidadania - a mesma que tem dado corpo e expressão às exigências sociais e aos direitos das pessoas.

Hoje, Outubro de 2011, no contexto das crises internacional, europeia e nacional, face à evidência do descalabro de reformas e contra-reformas assentes na repetição cega do mesmo princípio (o da austeridade),
não será demais a afirmação colectiva da consciência cívica e política dos caminhos a que conduzem os processos, os fins e os meios que as forças dominantes continuam a adoptar... como se não houvesse alternativas!
E há!... houvesse a coragem política de por elas se optar e a força social capaz de as exigir!

"Contra o Empobrecimento!" é uma causa justa, nacional, europeia e internacional que devemos entender como apelo desinteressado (independentemente do uso que dele possa ser feito!) à participação, à unidade e à solidariedade, sem fronteiras ou preconceitos!... antes que seja tarde demais!

(-por Ana Paula Fitas, ANossaCandeia http://anapaulafitas.blogspot.com/2011/10/contra-o-empobrecimento.html#comments )


De Podia ter sido pior !?-desenganem-se. a 3 de Outubro de 2011 às 11:42
Podia ter sido pior


A cultura portuguesa gosta da fórmula: Podia ter sido pior!

Uma pessoa é atropelada numa passadeira, perde um olho, três dentes e uma perna e não faltará alguém para dizer:
Podia ter sido pior!
Uma outra perde o emprego, não consegue pagar a prestação da casa, mas ainda assim consegue não ir dormir para baixo de uma ponte e haverá sempre alguém que diga:
Podia ter sido pior!
Outra espatifa um automóvel, morre-lhe a família toda menos um e alguém lhe dirá: Podia ter sido pior!

A isto acresce o complemento:
Resigne-se, tenha paciência!

É com base neste caldo de cultura que se faz saber que a electricidade vai aumentar 30% e vai ser mais cara 17% de IVA,
para depois, usando a fórmula do engano, se informar que não, que não será nada disso e que, embora o país esteja em recessão,
os ordenados não tenham tido aumentos e nalguns casos até tenham baixado, a inflação seja a mais alta dos últimos anos e que a Eléctrica portuguesa continua a gerar lucros chorudos,
o aumento da electricidade vai ser só de 5% mais os tais 17% de IVA, coisa de nada, coisa para resignação e paciência, até porque podia ter sido pior.

LNT, [0.415/2011]


De (in)Justiça, Fisco, Corrupção, Políticos a 4 de Outubro de 2011 às 11:37

Os incorruptíveis contra os políticos

(-por Sérgio Lavos, Arrastão)

Nos anos 20 e 30, o crime organizado tomou conta de Chicago e de outras cidades americanas, aproveitando, inicialmente, a lei seca, e depois o clima de instabilidade provocado pela Grande Depressão.
Os grandes chefes da Máfia viveram durante anos a fio em impunidade, estabelecendo um reino de medo e corrupção onde a lei não conseguia chegar.

Setenta anos depois, estamos em Portugal.
O país embarcou numa crise perpétua - económica, financeira, moral.

As instituições que deveriam ser os pilares da democracia - a Assembleia e o Governo, a Justiça e a Presidência da República -
foram corroídas até à medula por jogos de interesses, num corropio de políticos,
ora lutando pelo melhor lugar numa empresa dependente do Estado,
ora beneficiando novos e velhos amigos em negócios que envolvem decisões governamentais.

Autarcas condenados pela Justiça não acabam na prisão.
Empresários corruptos e corrompidos contam com a cumplicidade de advogados e de um sistema judicial lento e apodrecido para ir adiando ad nauseam julgamentos e execuções de sentenças.

O povo esse, está sereno.
Está sereno porque tem medo de perder tudo o que comprou com os créditos concedidos durante os bonançosos anos 90.
Um medo que não nasce da violência bruta, como acontecia na América das décadas 20 e 30, mas de uma vontade de manter um nível de vida que se vê ameaçado. (o MEDO de perder o emprego)

O Governo ajuda, veiculando através da polícia ameças menos do que vagas aos prováveis contestários deste estado de coisas.

Os media vivem estrangulados pelo poder económico que os detém;
a liberdade de imprensa foi substituída por um simulacro.
Vivemos num mundo em que os jornais e as televisões parecem dizer toda a verdade, quando apenas são correntes de transmissão de poderes mais altos do que eles.
Os poucos jornalistas independentes definham nas redacções, incapazes de contornar aquilo que lhes é mais imediato:
a necessidade de manterem os seus empregos.

Um cenário de catástrofe?
Não, a profecia Maia diz que apenas para o ano a brincadeira acaba, e não há razões para achar o contrário.
Mas quando chegamos ao ponto de criminosos condenados pedirem o afastamento de um juiz inconveniente ao processo em que estão envolvidos, chegámos a Chicago.
Quando loucos quase diagnosticados continuam a estrebuchar contra tudo e todos e ninguém os cala, chegámos aos tempos da lei seca.
Relembre-se:
(o famoso mafioso Al Capone não foi apanhado pela Justiça americana em décadas de banditismo, corrupção, assassínios, extorsão, terror, ...)
Al Capone acabou por ser apanhado e condenado por fuga ao fisco (pelos todo-poderosos inspectores do ''IRS'', o fisco americano).
Não é um acaso:
qualquer Estado chega mais depressa ao dinheiro dos impostos do que a tudo o resto.
Contudo, nem isso podemos esperar de Portugal.
A decadência deste povo peninsular não é um estado de espírito.


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