4 comentários:
De Podia ter sido pior !?-desenganem-se. a 3 de Outubro de 2011 às 11:42
Podia ter sido pior


A cultura portuguesa gosta da fórmula: Podia ter sido pior!

Uma pessoa é atropelada numa passadeira, perde um olho, três dentes e uma perna e não faltará alguém para dizer:
Podia ter sido pior!
Uma outra perde o emprego, não consegue pagar a prestação da casa, mas ainda assim consegue não ir dormir para baixo de uma ponte e haverá sempre alguém que diga:
Podia ter sido pior!
Outra espatifa um automóvel, morre-lhe a família toda menos um e alguém lhe dirá: Podia ter sido pior!

A isto acresce o complemento:
Resigne-se, tenha paciência!

É com base neste caldo de cultura que se faz saber que a electricidade vai aumentar 30% e vai ser mais cara 17% de IVA,
para depois, usando a fórmula do engano, se informar que não, que não será nada disso e que, embora o país esteja em recessão,
os ordenados não tenham tido aumentos e nalguns casos até tenham baixado, a inflação seja a mais alta dos últimos anos e que a Eléctrica portuguesa continua a gerar lucros chorudos,
o aumento da electricidade vai ser só de 5% mais os tais 17% de IVA, coisa de nada, coisa para resignação e paciência, até porque podia ter sido pior.

LNT, [0.415/2011]


De (in)Justiça, Fisco, Corrupção, Políticos a 4 de Outubro de 2011 às 11:37

Os incorruptíveis contra os políticos

(-por Sérgio Lavos, Arrastão)

Nos anos 20 e 30, o crime organizado tomou conta de Chicago e de outras cidades americanas, aproveitando, inicialmente, a lei seca, e depois o clima de instabilidade provocado pela Grande Depressão.
Os grandes chefes da Máfia viveram durante anos a fio em impunidade, estabelecendo um reino de medo e corrupção onde a lei não conseguia chegar.

Setenta anos depois, estamos em Portugal.
O país embarcou numa crise perpétua - económica, financeira, moral.

As instituições que deveriam ser os pilares da democracia - a Assembleia e o Governo, a Justiça e a Presidência da República -
foram corroídas até à medula por jogos de interesses, num corropio de políticos,
ora lutando pelo melhor lugar numa empresa dependente do Estado,
ora beneficiando novos e velhos amigos em negócios que envolvem decisões governamentais.

Autarcas condenados pela Justiça não acabam na prisão.
Empresários corruptos e corrompidos contam com a cumplicidade de advogados e de um sistema judicial lento e apodrecido para ir adiando ad nauseam julgamentos e execuções de sentenças.

O povo esse, está sereno.
Está sereno porque tem medo de perder tudo o que comprou com os créditos concedidos durante os bonançosos anos 90.
Um medo que não nasce da violência bruta, como acontecia na América das décadas 20 e 30, mas de uma vontade de manter um nível de vida que se vê ameaçado. (o MEDO de perder o emprego)

O Governo ajuda, veiculando através da polícia ameças menos do que vagas aos prováveis contestários deste estado de coisas.

Os media vivem estrangulados pelo poder económico que os detém;
a liberdade de imprensa foi substituída por um simulacro.
Vivemos num mundo em que os jornais e as televisões parecem dizer toda a verdade, quando apenas são correntes de transmissão de poderes mais altos do que eles.
Os poucos jornalistas independentes definham nas redacções, incapazes de contornar aquilo que lhes é mais imediato:
a necessidade de manterem os seus empregos.

Um cenário de catástrofe?
Não, a profecia Maia diz que apenas para o ano a brincadeira acaba, e não há razões para achar o contrário.
Mas quando chegamos ao ponto de criminosos condenados pedirem o afastamento de um juiz inconveniente ao processo em que estão envolvidos, chegámos a Chicago.
Quando loucos quase diagnosticados continuam a estrebuchar contra tudo e todos e ninguém os cala, chegámos aos tempos da lei seca.
Relembre-se:
(o famoso mafioso Al Capone não foi apanhado pela Justiça americana em décadas de banditismo, corrupção, assassínios, extorsão, terror, ...)
Al Capone acabou por ser apanhado e condenado por fuga ao fisco (pelos todo-poderosos inspectores do ''IRS'', o fisco americano).
Não é um acaso:
qualquer Estado chega mais depressa ao dinheiro dos impostos do que a tudo o resto.
Contudo, nem isso podemos esperar de Portugal.
A decadência deste povo peninsular não é um estado de espírito.


Comentar post