Mobilização em todo o mundo marcada para sábado
O movimento Occupy Wall Street que começou em Nova Iorque entrou neste domingo na sua quarta semana de vida e não esmorece. Ao mesmo tempo que alastra a revolta contra o capitalismo (financeiro e agiota) a muitas cidades norte-americanas e europeias (: Bélgica, Espanha, Portugal, ...), o movimento também toma conta do Facebook, do Twitter, numa auto-organização virtual sem líderes.
Os manifestantes indignados gritavam: “Nós somos os 99 por cento”, reportava neste sábado o New York Times. A expressão refere-se aos 99% da população norte-americana versus os 1% que detêm uma fatia de 40% da riqueza do país, e contra o qual os protestos vão ganhando uma voz cada vez maior.
Rumo à maior manifestação internacional: dia 15 de outubro, este próximo sábado.
15 O. – Unidos por uma mudança global
No dia 15 de outubro 2011, gente de todo o mundo tomará as ruas e praças. Da América à Asia, da África à Europa, as pessoas estão-se levantando para reclamar seus direitos e pedir uma autêntica democracia. Agora chegou o momento de nos unirmos todos em um protesto mundial não-violento.
Os poderes estabelecidos atuam em beneficio de uns poucos, ignorando a vontade da grande maioria sem que se importem do custo humano ou ecológico que tenhamos que pagar. Esta intolerável situação deve terminar. Unidos em uma só voz, faremos saber aos políticos, e às elites financeiras a quem eles servem, que agora somos nós, as pessoas, quem decidiremos nosso futuro. Não somos mercadorias nas mãos de políticos e banqueiros que não nos representam.
Em 15 de outubro nos encontraremos nas ruas para pôr em ação a mudança global que queremos. Nos manifestaremos pacificamente, debateremos e nos organizaremos até o conseguir. É a hora de nos unirmos. É a hora de nos ouvirem. Povos do mundo, levantem-se !
Saiamos às ruas do mundo no dia 15 de outubro !
Pela Democracia, «Convergência e Alternativa», contra a austeridade e capitalismo selvagem, a Cidadania sai à rua.
De €$£ Esmagam classe média. Hora de Lutar a 14 de Outubro de 2011 às 13:51
Entre as brumas da memória:
«As concentrações de indignados são apenas um sinal dos tempos. Não é por ali que o mundo vai mudar, retomando os valores da liberdade e justiça. Mas pode ser por ali que alguma coisa nova comece.»
João Paulo Guerra, Indignação
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«Se há uma coisa que sei, é que o 1% adora uma crise.
Quando as pessoas estão desesperadas e em pânico, e ninguém parece saber o que fazer: eis aí o momento ideal para nos empurrar goela abaixo a lista de políticas pró-corporações:
privatizar a educação e a segurança social, cortar os serviços públicos, livrar-se dos últimos controles sobre o poder corporativo.
Com a crise económica, isso está a acontecer em todo o mundo.
Só existe uma coisa que pode bloquear essa táctica e, felizmente, é algo bastante grande: os 99%.
Esses 99% estão a tomar as ruas, de Madison a Madrid, para dizer:
“Não. Nós não vamos pagar pela vossa crise”. (…)
Estou a falar de mudar os valores que governam a nossa sociedade.
Essa mudança é difícil de encaixar numa única reivindicação digerível para os média, e é difícil descobrir como realizá-la.
Mas ela não é menos urgente por ser difícil.»
Naomi Klein, Occupy Wall Street é o movimento mais importante do mundo hoje
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De ... mijam fora do penico... a 14 de Outubro de 2011 às 13:58
No dia 15 de outubro lá estarei.
Há muita gente que se dá mal com fenómenos sociais ou políticos novos. Já há quem reaja ao «perigo» dos resultados eleitorais obtidos pelo PAN – Partido pelos Animais e pela Natureza. Este partido apresentou-se pela primeira vez aos eleitores nas eleições legislativas de 5 de Junho, onde foi o segundo partido mais votado entre os que não elegeram deputados. Ontem, na Madeira, ultrapassou o BE, tendo eleito um deputado.
O mesmo acontece com a manifestação convocada para o próximo sábado, 15 de Outubro, sobretudo através das redes sociais.
Ontem, a SIC transmitiu uma peça onde fez referência à manifestação de 12 de Março, como uma das maiores dos últimos tempos e entrevistou uma das organizadoras da anterior e da próxima.
Contudo, a peça televisiva terminou assim: «A polícia teme que esta movimentação social possa provocar tumultos, os maiores desde 1975».
O mundo está a ficar perigoso, os senhores do dinheiro põem e dispõem; a Europa está de rastos e quem paga a factura dos desmandos financeiros são sempre os mesmos, mas quando cidadãos querem mostrar o seu desagrado e «mijam fora do penico» ficam todos em pânico.
Compreender os fenómenos sociais e políticos novos em vez de os atacar com caçadeira de canos cerrados é a melhor maneira de contribuir para uma sociedade mais justa e igualitária que cada vez se afasta mais do nosso horizonte.
Tal como fui à manifestação de 12 de Março, também estarei presente na Avenida da Liberdade a 15 de Outubro.
A 12 de Março vi por lá a direcção da JSD a distribuir «notas» de 100 euros com a fotografia do Sócrates.
Espero, no sábado, vê-los por lá, solidários, mesmo que não distribuam «notas».
Se não os encontrar fico a pensar que estão todos nos gabinetes ministeriais e que o facto de terem participado na manifestação de 12 de Março só tinha esse objectivo.
Se assim for, não se admirem de cada vez mais pessoas votarem no PAN e de participarem em manifestações fora do colete de forças estabelecido.
-Por Tomás Vasques, Hoje há conquilhas...
De . Manifesto dos INDIGNADOS : a 14 de Outubro de 2011 às 15:01
manifesto - 15 de Outubro - Porto
Em adesão ao protesto internacional convocado pelos movimentos 'indignados' e 'democracia real ya', em Espanha, ocorrerá, no Porto, uma manifestação sob o tema 'a democracia sai à rua', no dia 15 de Outubro de 2011.
As razões que nos levam para a rua são muitas e diferentes, de pessoa para pessoa, de país para país -
não querendo fechar o protesto a outras exigências de liberdade e de democracia, mas para que se saiba porque saimos para a rua, tentámos, entre os que estão a ajudar na organização e na divulgação do 15 de outubro, encontrar as reivindicações que nos são comuns - entre nós e relativamente aos outros gritos das outras praças, nas ruas de todo o mundo:
Dos EUA a Bruxelas, da Grécia à Bolívia, da Espanha à Tunísia, a crise do capitalismo acentua-se.
Os causadores da crise impõem as receitas para a sua superação:
transferir fundos públicos para entidades financeiras privadas e, enquanto isso, fazer-nos pagar a factura através de planos de pretenso resgate.
Na UE, os ataques dos mercados financeiros sobre as dívidas soberanas chantageiam governos cobardes e sequestram parlamentos, que adoptam medidas injustas, de costas voltadas para os seus povos.
As instituições europeias, longe de tomar decisões políticas firmes frente aos ataques dos mercados financeiros, alinham com eles.
Desde o começo desta crise assistimos à tentativa de conversão de dívida privada em dívida pública, num exemplo de nacionalização dos prejuízos, após terem sido privatizados os lucros.
Os altos juros impostos ao financiamento dos nossos países não derivam de nenhuma dúvida sobre a nossa solvência, mas sim das manobras especulativas que as grandes corporações financeiras, em conivência com as agências de rating, realizam para se enriquecerem.
Os cortes económicos vêm acompanhados de restrições às liberdades democráticas - entre elas, as medidas de controlo sobre a livre circulação dos europeus na UE e a expulsão das populações migrantes.
Apenas os capitais especulativos têm as fronteiras abertas.
Estamos submetidos a uma mentira colectiva.
A dívida privada é bem maior que a dívida pública (em Portugal é apenas 11,3%) e a crise deve-se a um processo de desindustrialização e de políticas irresponsáveis dos sucessivos governos e não a um povo que "vive acima das suas possibilidades"
– o povo, esse, vê diariamente os seus direitos e património agredidos.
Pelo contrário, o sector privado financeiro - maior beneficiário da especulação - em vez de lhe aplicarem medidas de austeridade, vê o seu regime de excepção erigido.
As políticas de ajuste estrutural que se estão a implementar não nos vão tirar da crise – vão aprofundá-la.
Arrastam-nos a uma situação limite que implica resgates aos bancos credores, resgates esses que são na realidade sequestros da nossa liberdade e dos nossos direitos, das nossas economias familiares e do nosso património público e comum.
É preciso indignarmo-nos e revoltarmo-nos ante semelhantes abusos de poder.
Em Portugal, foi imposto como única saída o memorando da troika – têm-nos dito que os cortes, a austeridade e os novos impostos à população são sacrifícios necessários para fazer o país sair da crise e para fazer diminuir a dívida.
Estão a mentir !
A cada dia tomam novas medidas, cortam ou congelam salários, o desemprego dispara, as pessoas emigram.
E a dívida não pára de aumentar, porque os novos empréstimos destinam-se a pagar os enormes juros aos credores – o déficit dos países do sul europeu torna-se o lucro dos bancos dos países ricos do norte.
Destroem a nossa economia para vender a terra e os bens públicos a preço de saldo.
Não são os salários e as pensões os responsáveis pelo crescer da dívida.
Os responsáveis são as transferências de capital público para o sector financeiro, a especulação bolsista e as grandes corporações e empresas que não pagam impostos.
Precisamos de incentivos à criação de emprego e da subida do salário mínimo (em Portugal o salário mínimo são 485€, e desde 2006 duplicou o número de trabalhadores que ganham apenas o salário mínimo) para sairmos do ciclo recessivo.
Por isso, nós dizemos:
...
De ... a 14 de Outubro de 2011 às 15:04
manifesto - 15 de Outubro - Porto
...
Por isso, nós dizemos:
- retirem o memorando. vão embora. não queremos o governo do FMI e da troika!
- nacionalização da banca – com os planos de resgate, o estado tem pago à banca para especular
- abram as contas da dívida – queremos saber para onde foi o dinheiro
- não ao pagamento da dívida ilegítima. esta dívida não é nossa – não devemos nada, não vendemos nada, não vamos pagar nada!
- queremos ver redistribuídas radicalmente as riquezas e a política fiscal mudada, para fazer pagar mais a quem mais tem: aos banqueiros, ao capital e aos que não pagam impostos.
- queremos o controlo popular democrático sobre a economia e a produção.
- não queremos a privatização da água, nem os aumentos nos preços dos transportes públicos, nem o aumento do IVA na electricidade e no gás.
- queremos trabalho com direitos, zero precários na função pública (em Portugal o maior contratador de precários é o estado), a fiscalização efectiva do cumprimento das leis laborais e o aumento do salário mínimo.
- queremos ver assegurados gratuitamente e com qualidade os direitos fundamentais: saúde, educação, justiça.
- queremos o fim dos ajustes directos na administração pública e transparência nos concursos para admissão de pessoal, bem como nas obras e aquisições do estado.
- queremos mais democracia:
- queremos a eleição directa de todos os representantes cargos públicos, políticos e económicos: dos responsáveis pelo Banco de Portugal ao Banco Central Europeu, da Comissão Europeia ao Procurador Geral da República
- queremos mais transparência no processo democrático: que os partidos apresentem a eleições, não somente os programas mas também as equipas governativas propostas à votação.
- queremos mandatos revogáveis nos cargos públicos - os representantes são eleitos para cumprirem um programa, pelo que queremos que seja criada uma forma democrática para revogação de mandato em caso de incumprimento do mesmo programa;
Partilha esta informação, participa na divulgação do protesto.
(http://15out-porto.blogspot.com/ - material de divulgação, discussão aberta dos vários manifestos do protesto internacional e espaço para registares as tuas próprias propostas e reivindicações).
Vem para a rua fazer ouvir a tua voz. Dia 15, às 15h, na Batalha, no Porto.
(-por gui castro felga )
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15O, auditoria, austeridade, banca, capitalismo, contra-hegemonia, cortes, crise, dívida, economia, grécia, política, precariedade, trabalho, união europeia
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