Do desemprego à servitude e/ou à revolta social

A CRISE ESCONDIDA (e o que aí virá...)

        Quem não tem já nada a perder, pode levar à perdição toda a sociedade.

    A crise actual é uma bomba ao retardador que ainda não mostrou, sequer, todos os seus efeitos sobre o emprego e o nível de vida das famílias. Na verdade, as repercussões da profunda recessão, em que vamos mergulhando, sobre o emprego fazem-se, sempre, sentir com um certo desfasamento no tempo. De igual modo, existe também um lapso de tempo, maior ou menor, entre o aumento do desemprego e o crescimento do número de necessitados de prestações sociais.

    Ora, é de prever que a situação dos desempregados vá tornar-se cada vez mais crítica à medida que se prolonga a crise e é, por isso, urgente reagir, desde já, a esta tragédia social que abalará cada vez mais a sociedade pois, sem novas medidas de solidariedade, é a própria coesão da sociedade, no seu conjunto, que vai ficar ainda mais fragilizada, podendo, mesmo, vir a ser a pólvora que detonará a revolta social e as suas imprevisíveis consequências políticas.

    Perder o emprego é perder os rendimentos da actividade que lhe está associada (e é perder a dignidade de Cidadão, de Pessoa, é perder a família o corpo o coração e a razão). E mesmo que o sistema de protecção social preveja redes de segurança, esses rendimentos de substituição não permitirão manter o mesmo nível de vida. Além de que não são eternos.

    Os tão apregoados “brandos costumes” dos portugueses não se manterão, decerto, ao chegar mais exclusão social, e, até, a fome. Ora já estão reunidas todas as condições para que, mais dia, menos dia, tal momento aconteça. Seria bom, pois, que os responsáveis políticos não ignorassem, nas suas decisões, que, quem não tem já nada a perder, pode levar à perdição toda a sociedade.

    Vivemos numa sociedade que é essencialmente consumista, que transferiu os seus valores de ideais para objectos, para o imediato, para o virtual. E não é fácil – mas é necessário – voltar atrás, à vida honesta (viver de acordo com as nossas possibilidades), ao respeito pelos outros (não lucrando gananciosamente à custa dos nossos semelhantes), à justiça (na distribuição dos rendimentos, na sua taxação e nos sacrifícios que são pedidos pelo Estado).

    É puramente ilusório acreditar que alguém nos virá tirar do atoleiro em que estamos. Mais realista, de resto, será pensar que muitos dos nossos parceiros, na União Europeia e fora dela, anseiam pela continuação da crise portuguesa (e de outros países) com o que vão ganhando fortunas. Sublinhe-se, no transe, que entre os “remédios” que os nossos “amigos” da “troika” nos impuseram tão generosamente está a alienação (/saldo dos nossos melhores recursos e) do capital das nossas maiores empresas públicas, com o que, no final, nos deixarão como servos de gleba do século XXI.

    A saída da crise é dificílima, ninguém o ignora.

(-por António Vilar)


Publicado por Xa2 às 08:01 de 11.10.11 | link do post | comentar |

5 comentários:
De . menos classe média, nova pobreza. a 13 de Outubro de 2011 às 15:45
13 de Outubro de 2011 |
OE2012:
Austeridade vai levar a uma «nova pobreza» - STE

O presidente do STE afirmou hoje que as medidas aplicadas pelo Governo no âmbito do Orçamento do Estado para 2012 vão conduzir à «construção de uma nova pobreza» em Portugal.

«O problema não é só um problema de redução de remunerações, é um futuro, mesmo, de construção de uma nova pobreza para os portugueses sem quaisquer perspetivas», disse à Lusa o presidente do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), Bettencourt Picanço.

O dirigente do sindicato revelou que aquela entidade vai apresentar nova queixa junto do Tribunal Constitucional por ser «perfeitamente incompreensível» que «um conjunto de trabalhadores pague aquilo que pode caber a todos os portugueses», tal como já foi apresentado e rejeitado pelo tribunal em relação ao Orçamento do Estado para 2011.

Diário Digital / Lusa


De Governo não informa... atemoriza. a 13 de Outubro de 2011 às 18:37
Função Pública:
Frente Comum boicota reunião de 6ª-feira

A Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública anunciou hoje que vai faltar à reunião negocial de sexta-feira no Ministério das Finanças em protesto contra a falta de uma contra-proposta do Governo.

«Não vamos comparecer à reunião de amanhã porque não estamos disponíveis para fazer figura de faz de conta.
O Governo não está a cumprir a lei negocial porque ainda não nos enviou a contra-proposta que ficou de enviar até ontem para ser discutida na reunião», disse a cordenadora da Frente Comum, Ana Avoila, aos jornalistas.

Diário Digital / Lusa


De Anónimo a 12 de Outubro de 2011 às 02:11
outro? mas qual?
Soluções...venham elas. O país precisa é de soluções concretas.
O guarda ABEL deve ter imensas. Vomite-as.


De Melhor Ser /estar e melhor País. a 12 de Outubro de 2011 às 09:52
Soluções para o país (dívida, crise, administração pública, estado, economia, política, ...):

1- Auditoria pública e transparente da dívida, diferenciando/identificando pública da privada, credores e devedores, divida justa e juros agiotas, ...

2- Renegociação da dívida (reescalonando-a e pagando apenas a componente justa, não a da agiotagem... - havendo um ''perdão'' parcial da dívida, tal como agora vão fazer à Grécia para 50% da dívida global...)

3- Controlar e dar transparência total às contas públicas e de entidades isentadas, subsidiadas ou participadas pelo erário público;
responsabilizar civil e criminalmente os gestores/administradores e financeiramente os accionistas.

4- Cortar nas mordomias e gastos dos administradores (e governantes, deputados, presidentes, conselheiros, vereadores, diplomatas, generais, coroneis, ...),
cortar na acumulação de 'tachos' e reformas ''dourados'' (acima de 5 mil euros),
cortar o número de dirigentes e sub-unidades orgánicas,
cortar gastos com armamento e nº de militares (estamos em paz, com vizinhos aliados...),
cortar em viaturas (compradas ou em leasing..., combustível, seguros, oficina),
cortar em arrendamentos exorbitantes de edificios/instalações para serviços públicos,
cortar em serviços de 'outsourcing', assessoria e consultoria externa,
cortar em viagens e subsídios de representação, de habitação/deslocamento, ...
cortar em festas inaugurações presentes,
cortar em publicações, publicidade, imagem, decoração ...

5- Exigir/pressionar a UE (, G20 e organismos internacionais) para acabar com o segredo bancário, as offshores, a tributação diferenciada (dentro da eurozona);
impedir/condicionar a importação de bens e serviços de países com preços 'dumping' devido as (más/não condições) laborais, ambientais, sociais, ... ;
exigir da UE/ BCE uma diferente política monetária (massa, juros, eurobonds, ...) e cambial.

6- Simplificar reduzir e standardizar:
procedimentos administrativos (e implementar criação/actualização e uso de manuais), legislação e regulamentos, impostos e taxas, licenças e alvarás, ...
introduzir/expandir 'open software' (reduzir pagamentos de royalties, licenças)...

7- Valorizar a cidadania (comportamentos e actos a premiar - participação cívica e política, defesa da Justiça e da igualdade de acesso, acompanhamento e defesa da família, crianças, ..., apoio/incentivo à educação, saúde higiene e segurança, estudo, investigação, trabalho, poupança, menos consumismo, RRR reduzir reciclar reutilizar, ... - ou a criticar/penalizar socialmente),
valorizar o património público, comum e ambiental...
e o respeito pela pessoa humana, a liberdade de ser estar e fazer, desde que tal não colidada com a liberdade de outros.


Zé T.


De Na via sem saída. a 11 de Outubro de 2011 às 14:14
"Este orçamento é o mais difícil de fechar" (- diz o PM)

Pois é... é querer meter o Rossio na rua da Betesga - como diz o velho ditado.

E o governo não vai conseguir fazer isso. Para o ano vai ter de encontrar mais uns fundos de pensões. E o povo português cada vez mais pobre com tantos impostos e tantos cortes em coisas essenciais.

Austeridade sem rumo e sem visão leva a mais austeridade e o problema é que se vai morrer da cura.

Não acredito, é impossível que sem uma renegociação com a troica em termos de medidas e de prazo se chegue a algum lugar.

Na Grécia este tipo de políticas já demonstrou a que leva.

Portugal vai pelo mesmo caminho.

O rumo tem de ser outro quer a nível europeu quer nacional.

# posted by Joao Abel de Freitas, PuxaPalavra


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