A crise, o Orçamento e os autarcas a rejeitarem cortes

Lá se vão, por água abaixo, perdão, para o buraco da crise, as viagens dos autarcas e sequitos “oposicionistas” municipais em romarias germinadoras com congéneres dos confins do mundo.

Não é, por isso de estranhar a reacção ao, inevitável, corte em despesas de representação e de gastos imprecisos e de vantagens energúmenas para os autarcas e municípios esbanjadores e de proveito próprio a quem apresenta as respectivas facturas, que o dinheiro dos contribuintes tem sido forçado a cobrir quando não ficam a arder aqueles que adiantaram os bens e benefícios fornecidos.

Uma dessas autarquias ainda no ultimo fim-de-semana teve honras de visita de sua Ex.ª o Presidente da republica onde apelou à contenção de gastos. Incompreensíveis(?) contradições. Ninguém dos seus assessores foi capaz de informar o primeiro responsável da nação sobre a real situação económica e financeira da autarquia que se propôs visitar numa desbragada inauguração de obra por pagar e onde os pagamentos são feitos a mais de 600 dias de prazo.

A lei 29/87 determina no nº 4 do artigo 6º que as despesas de representação são 30 e 20 por cento da remuneração para, respectivamente, presidente e vereadores. Para as facturas de despesas não há limites.

Os desvarios foram de tal monta e os abusos tão exagerados no uso do dinheiro de todos nós, dos que que pagamos impostos, em viagens de geminações cuja utilidade apenas servia a quem as realizava, os respectivos déspotas autarcas. Essas geminações irão agora ver-se diluídas na fundição de freguesias e concelhos que terá de ser implementada pela reforma autárquica exigida pela troika nos veio atarraxar a desgovernança dos desvarios de muitos dos eleitos. Não deveriam, tais autarcas, repor as verbas gastas em tais passeios?

Idêntica incoerência se pode referir a propósito da desonestidade política e do “varrer” de responsabilidades de orientação estratégica que os diversos responsáveis políticos (incluindo o agora Presidente da Republica) tiveram ao longo dos últimos vinte anos na gestão suicida das empresas públicas. Muito concretamente as empresas dos transportes foram usadas como marionetas desorçamentais e em eleitoralismo imbecil a custo de descomunal endividamento das mesmas. Agora dizem, enchem a boca e enviam papagaios à comunicação social apregoar que a culpa é dos trabalhadores e das suas míseras regalias.

Como diz o povo “quando é preciso fazer sangue a corda quebra sempre pelo sítio mais frágil”. Aí estão, os boys de Chicago, de faca e alguidar na mão.



Publicado por DC às 10:58 de 11.10.11 | link do post | comentar |

1 comentário:
De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 12 de Outubro de 2011 às 11:45
Este País não tem futuro.
Governantes, autarcas, patrões, sindicatos, trabalhadores, reformados ou aposentados, sejam eles quais forem, são todos muito bons nas soluções para a «crise», desde que não lhes toque a eles...
Como diria um amigo meu - vivemos em regime de proletariado - o povo está no poder.... porque nada distingue governantes de governados. Todos eles não têm visão estratégica nem a curto nem a médio prazo. Só pensam no «hoje» e «amanhã» logo se vê... Para não dizer - «quanto me toca a mim...» Todos «sabem» de tudo e para todos, mas não se reveem na sua mediocridade. Têm quase todos uma coisa em comum - o primeiro nome. Todos eles se chamam de «doutor» fulano ou sicrano.
Este País não tem futuro, não porque não haja excepções e não porque não exista gente que pensa para os outros em vez de pensar em si..., não porque não exista gente competente e até com soluções para fazer deste «cantinho» um país melhor, mais justo e mais equilibrado, quer política quer economicamente.
Este País não tem futuro, porque as poucas pessoas que poderiam fazer a diferença neste país, não estão disponíveis nem para aí viradas. Não querem ser achicalhadas e insultadas pelo próprio país, e porque não são «tontas» nem «suicídas».
E mesmo que fossem «loucas» e o tentassem, o «sistema», a «democracia» ou qualquer outra «porra» qualquer, não os deixava.
É por isso que eu julgo que este país não tem futuro, como País, claro!


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