Genial cinismo para além da troica ...

Cinismo [ III ]

Vitor Gaspar

   As contas do cinismo são fáceis de fazer. Só não se apresentam em Euros porque, se nem o próprio Governo sabe quantos são os trabalhadores do Estado nem quanto ganham, como poderia saber um miserável barbeiro.
   Mas vamos por salários para que se entendam as contas que o cínico-mor fez (possivelmente ajudado pelo matemático da Educação) e como se chega aos 100.000 trabalhadores da Administração Pública que eles vão despedir.
  Tudo parte da afirmação do Ministro dos Impostos quando fala de 50 /100.000 trabalhadores do Estado para justificar o número de despedimentos que não fará no próximo ano justificando assim o roubo dos 13º e 14º mês e informando que não avançou para o despedimento porque não tinha dinheiro para pagar as indemnizações.

Contas por alto, para não me diferenciar muito das contas do Governo:
   Há 700.000 trabalhadores do Estado (central, local e empresarial)
   Retirando dois meses de salário a esta gente poupa-se em 2012:
700.000 X 2 = 1.400.000 salários que a dividir por 14 meses dá 100.000, logo o equivalente ao vencimento de 100.000 trabalhadores do Estado. Imaginando que a indemnização para despedir um trabalhador do Estado barato anda por dois anos de salários, em Janeiro de 2013 já se conseguem despedir 50.000 trabalhadores.
   Aplique a regra em 2013 e teremos o Governo, com o dinheiro retido aos trabalhadores do Estado, a conseguir os montantes necessários para despedir 100.000 trabalhadores do Estado.
   É verdade que ele disse que eram entre 50 e 100.000 trabalhadores e isso dependerá certamente de despedir só em 2013, poupando 2014 para que em 2015 não tenham uma derrota mais que certa nas eleições.

[...Gaspar, pretende financiar-se com estas reduções dos vencimentos da Administração Pública para ... passar a dispor de meios financeiros que lhe proporcionem pagar as indemnizações dos despedimentos que quer fazer.
Despedir funcionários públicos usando para o efeito o dinheiro que lhes retirou do vencimento durante dois anos é o cúmulo do cinismo, não é?  ]
    Esta malta é genial, muito para além da troika, não é?
LNT , [0.474/2011]
 
Valha-nos Deus
... É esta religião por si (Passos Coelho) mal compreendida que o levou a evocar Deus quando soube que o seu mestre-escola declarou que ele praticava a iniquidade. É essa moral mal captada que não lhe mete a mão na consciência quando ele pratica o contrário do mandamento que diz: Não roubarás.
   É que Passos Coelho e Paulo Portas e pelos vistos também a senhora do banco alimentar, Isabel Jonet, que melhor faria em estar calada para evitar más vontades que levem o Banco Alimentar a não ter os sucessos do passado, não conseguem entender que os vencimentos são calculados anualmente e que os 13º e 14º mês, ao contrário do que se pretende quando os designam como "subsídios", entram nesse cálculo. Não é o facto desse vencimento ser dividido por 14 e não por 12, como deveria ser, que faz deles um suplemento. Se ela assim entendesse, facilmente teria percebido que o que se está a passar é um abuso ilegal por parte do patrão-estado, uma vez não se tratar de um imposto (se o fosse tinha de ser aplicado a todos os trabalhadores independentemente da entidade patronal para quem trabalham), e que a aplicação desta medida escancara a possibilidade de, a partir de agora, o Governo poder unilateralmente decidir que também não pagará o mês de Janeiro, Fevereiro ou qualquer outro que lhe venha a passar pela cabeça.
   Valha-nos Deus, porque quem entrevista esta gente nunca é capaz de nos fazer esse favor. Valha-nos Deus, porque quem é entrevistado não faz a mínima ideia de que as relações de trabalho têm regras de conduta legais.
LNT

Surdinas [ XII ] (baixinho para que ninguém nos ouça)

Se as pensões tivessem tecto, o Estado gastava menos cumprindo à mesma o seu papel social. Isto porque se sabe que não é verdade que aquilo que se desconta é aquilo que se recebe de pensão. Também se sabe que quem mais tem deve pagar mais para que os que menos têm, possam ter mais qualquer coisa.
   De mansinho: o valor dos descontos X o valor de meses em que se fizeram + uns pozinhos que esses capitais renderam ao longo do tempo + muito boa vontade, é igual a uma data de dinheiro do Orçamento de Estado para cobrir os muitos anos de pensões que estão para além dos descontos efectuados.
   Guterres diria sobre isto: "façam as contas" e eu acrescento que tem mesmo de se estabelecer um tecto máximo para as pensões (únicas e acumuladas, a pagar pelo Estado). (já para não falar das muitas pensões que nem sequer têm por suporte o tempo necessário de descontos suficiente para que sejam pagas; nem das ultrajantes pensões douradas de nababos da élite caseira)
LNT , [0.470/2011]


Publicado por Xa2 às 07:21 de 24.10.11 | link do post | comentar |

6 comentários:
De Governo submisso aos Bancos e Ricos. a 24 de Outubro de 2011 às 14:39
Accionista silencioso

«Ainda assim, o primeiro-ministro adiantou que no caso de isso acontecer, ou seja se os bancos decidirem recorrer ao fundo de resgate de 12 mil milhões de euros, o Estado será um "accionista silencioso".»
[Jornal de Negócios]
Parecer do Jumento:

Os banqueiros fazem o que quiserem com o dinheiro e Passos Coelho fica calado.

«Pergunte-se a Passos Coelho porque razão só é silencioso com o dinheiro dos mais ricos.»


De Medo e sodomia. a 24 de Outubro de 2011 às 15:44

Atrás dos tempos, novos tempos vêm
(por Sérgio Lavos, Arrastão)

É de artista. José Manuel Fernandes, um dos donáles habituais do regime de ventríloquos que tomou conta da choldra,
vem comparar os generais de Marcello Caetano que aquiesceram e recusaram participar no 25 de Abril com Vasco Lourenço, um dos "capitães" e uma das figuras da revolução,
a quem continuamos a dever mais do que alguma vez deveremos a qualquer político que nos governa (ou a JMF, já agora).
Ou, dito de outro modo, faz uma analogia entre o regime apodrecido que Marcello Caetano ainda julgava controlar e a democracia que nasceu da revolução que fez cair este mesmo Caetano.
Duas questões:
os militares portugueses estão a responder ao chamamento do dever e da responsabilidade, perante o verdadeiro assalto à liberdade conquistada que o Governo PSD/CDS tenta ensaiar;
e José Manuel Fernandes, e quem pensa por ele, tem medo.
Não é preciso acrescentar mais nada.

tags: crise, fascismo
--------------------------------

Novas formas de fazer o amor
(por Sérgio Lavos)

Passaram-se dez dias desde que o Orçamento de Estado foi anunciado em directo nos telejornais por Pedro Passos Coelho.
Duas horas antes, Ricardo Salgado tinha passado pela reunião do Governo que discutia esse Orçamento.
Dez dias - precisamente o tempo que levou a minha profecia a concretizar-se.
E não é preciso ser nenhum Professor Karamba para se saber destas coisas tão simples.

Os bancos precisam dos nossos subsídios de férias e de Natal, dos nossos impostos, da nossa meia-hora a mais de trabalho.

Agora digam comigo:
"é um prazer ajudar os nossos bancos,
a sodomia passiva é a quintessência do capitalismo financeiro".
E depois repetir até que não doa.

tags: abaixo de cão, capitalismo selvagem


De .Marionetes de Direita ultra-liberal. a 24 de Outubro de 2011 às 14:27

Finalmente a direita a sério
(a governar escondida atrás das marionetes ministeriais...)

À falta de qualquer outro mérito, o governo de direita de Pedro Passos Coelho tem o de acabar com alguma podridão ideológica em que o país tem vivido, ...
Para que tudo parecesse perfeito só faltaria o PSD deixar uma designação que o transforma em travesti ideológico e adoptar uma designação compatível com os seus princípios, por exemplo, partido conservador ou aliança popular.
Pela primeira vez a direita governa sem complexos de esquerda, assume claramente uma política que sacrifica os pobres e protege os ricos,
tem um ministro da Saúde que não é adepto do SNS,
um ministro da Educação que subsidia turmas no privado com uma dúzia de alunos e exige que as do público cheguem aos trinta,
um ministro dos Assuntos Sociais que adopta a caridade como objectivo político,
um ministro da Economia tão avesso à intervenção do Estado na Economia que parece ter ocupado a pasta com o objectivo de não fazer nada.

Finalmente os portugueses têm a oportunidade de conhecer um governo de direita que governa mesmo à direita, que
em vez de dialogar avisa contra tumultos e que adopta como única excepção à austeridade o financiamento das polícias, necessárias para reprimir os tumultos receados pelo primeiro-ministro.
...
Os eleitores portugueses desconhecem o que é uma política de direita, os governos de Sá Carneiro, Pinto Balsemão, Durão Barroso, e Santana Lopes não o foram de uma forma clara,
nenhum deles questionou o SNS, a escola pública ou direitos constitucionalmente estabelecidos.

Com Passos Coelho o país tem o primeiro governo de direita eleito em democracia,
um governo bem mais à direita do que os governos da direita espanhola ou mesmo das novas direitas dos países de Leste.


De Entre a tragédia Grega e boys de Pinohet a 24 de Outubro de 2011 às 14:55
Marco António apela à cardidade

«O secretário de Estado da Solidariedade Social, Marco António Costa, reafirmou hoje que o Governo não consegue sozinho “resolver o problema social do país”, apelando por isso à ajuda da própria sociedade portuguesa.» [Público]

Parecer do Jumento:
Pois, o governo só tem capacidade para
ajudar o ensino privado,
comprar cassetetes para a polícia,
financiar o Mira Amaral e
subsidiar os ministros que moram em Lisboa mas no momento de pedir o subsídio dizem que moram no Porto ou em Braga.
------------
Semanada

Cavaco Silva pauta a sua presidência por discursos monótonos, bitaites no Facebook e os famosos a avisos e esta semana ficará para a história do seu mandato por mais um aviso, sendo certo e sabido que daqui a uns tempos ele voltará para dizer “eu bem avisei”.
Pouco crente na receita do Gaspar com sotaque a Augusto Pinochet , Cavaco está como muitos economistas de que o orçamento terá maus resultados não só no plano social como no económico e, pelo sim, pelo não fez o seu aviso.

Quem é um político muito pouco avisado é o Miguel Macedo, um ministro que mais do que da Administração Interna parece estar a assumir o papel de ministro da repressão, levando à letra as ameaças de Passos Coelho a eventuais tumultos.
Miguel Macedo é um espertalhão à antiga portuguesa, tendo casa em Lisboa e no Porto recorreu ao esquema da residência para efeitos legais e sacou mais uns trocos aos contribuintes portugueses.

O homem ainda não percebeu que num tempo em que se cortas subsídios de férias usar esse argumento é gozar com a inteligência alheia.

O governo deixou de ter esperança e de falar em economia, o Álvaro há muito que não aparece com aquela cara de cabra espantada e até a ministra da Agricultura deixou de apelar aos portugueses para semearem couves-galegas no quintal para aumentar a produção agrícola.

Agora a moda é aparecer o ministro Lambreta a apelar à caridade nacional.
O impulso do apelo à caridade é tão grande que até o Marco António que devia ter sido ministro e por caridade ficou-se em secretário de Estado
apareceu a apelar ao voluntariado social, teve tanto sentido de humor que teve a ideia de promover o voluntariado na Função Pública.
Excelente ideia, se este governo chegar ao fim da legislatura é muito provável que os funcionários públicos tenham de pagar se quiserem trabalhar.

Quem não parece ter opinião sobre nada neste país a não ser, eventualmente, sobre o seu penteado,
é António José Seguro, bem que pode haver um tsunami que a probabilidade de tomar posição deverá ser de 0, 0001%.
Começa a ser evidente que a probabilidade de António José Seguro vir a ser primeiro-ministro deste pobre país deverá ser mais ou menos de 0,0001%.
Digamos que não tarda muito para que Seguro tenha a alcunha do Senhor 0,0001%.

Mira Amaral, o tal senhor que andou a namorar Sócrates durante anos e que
só o passou a criticar quando o ex-primeiro-ministro não lhe deu dinheiro para um projecto megalómano de energia das ondas,
descobriu agora que já não há vagas de dinheiro alheio em que surfar e avisa os funcionários públicos de que o Estado está falido.

Pois, mas para ele exigir mais uns milhões para nos fazer o especial favor de levar o BPN à borla já não está falido.

Convencido de que a sua opinião é muito bem considerada pelos portugueses, o governador do BdP não veio a público defender os excessos de austeridade do Gaspar como ainda defendeu que os cortes dos subsídios deveriam ser para ficar.

Se este senhor tivesse vergonha na cara ficava calado e em vez de usar a independência do Banco de Portugal para enriquecer os seus funcionários e governadores dava o exemplo e aplicava a austeridade no banco.
Mas não, o senhor é mais um Alberto Jardim e trata o banco como se fosse a Ilha da Madeira,
ali não há austeridade, o país pode passar fome mas os seus funcionários vivem no nível de vida da França.
E ainda tem descaramento para aparecer em público !


OJumento


De . i-moralidades e falhas na Lei. a 24 de Outubro de 2011 às 16:15
Até alguns ministros são mais iguais do que os outros

Escapando ao conceito moralista da coisa gostaria de sublinhar que não entendo que os políticos sejam todos uma cambada e ainda menos que sejam todos iguais.

A introdução é para chegar ao caso do Ministro que a comunicação social colocou na mira para moralizar a ética e que agora, depois de apontado e picado resolveu abdicar de um direito consignado na Lei. Pior do que abdicar daquilo a que tinha direito foi fazê-lo por estar a ser alvo de crítica. Pior do que se apresentar magnânime na abdicação é não haver uma regra que impossibilite que essa situação se possa verificar.

Se o espírito de missão (neste caso só existente depois de a opinião pública a tal o ter obrigado) propõe a beatificação do Ministro, o espírito e a letra da lei deveriam tê-lo impedido de receber aquilo de que agora abdicou.

Mas esta coisa de alvos na Comunicação Social sempre teve muito que se lhe dissesse. A excitação que o subsídio de alojamento provocou nos meios comunicacionais é inversamente proporcional àquela que a mantém em silêncio sobre a hipótese de haver quem exerça cargos no Governo optando pelos vencimentos que detinha antes de ser nomeado.

Será que não há por aí Ministros que ganham mais do que o Primeiro-ministro? (não digo que o Presidente da República porque esse já optou por ser pago pelas reformas dado serem superiores ao salário que a República entende ser o pagamento justo do cargo)

Uma vez mais não estamos a falar de conceitos moralistas, mas só de moralidade. É que não é possível que se deixe morrer alguém porque se inviabilizou um transplante por questões orçamentais e quem o inviabilizou não prescinda (obrigatoriamente e por lei) de receber por funções que não exerce (p.e. a de gestor bancário).

É como se um mestre barbeiro passasse a coveiro mas reclamasse continuar a ter por pré as benesses da arte de barbear.
LNT, [0.476/2011], A Barbearia


De . élite tuga de Nababos dourados... a 24 de Outubro de 2011 às 16:19
Gestores de topo com pensão vitalícia para ex-políticos
(por DN.pt 24.10.2011 Ontem)

Mais de 400 ex-políticos de todos os quadrantes, à excepção do BE, ainda beneficiam desta benesse que foi revogada em 2005 pelo PS.

A possibilidade de se acumularem subvenções vitalícias com vencimentos no sector privado faz com que gestores de topo beneficiem ainda daquela benesse. Casos de Jorge Coelho, Manuel Dias Loureiro, Armando Vara ou Ângelo Correia.

Documentos oficiais a que o DN teve acesso revelam que Jorge Coelho - que o DN tentou em vão contactar - acumula o seu salário de presidente da Mota-Engil com uma subvenção vitalícia que no momento em que lhe foi originalmente atribuída era de 2400 euros/mês.

Já Manuel Dias Loureiro, gestor de fundos de investimento - e ex-administrador da Sociedade Lusa de Negócios, holding do BPN -, recebe 1700 euros, sendo que, conforme disse ao DN, não tenciona prescindir a não ser que a lei o obrigue. "Nunca pensei nisso", disse.

Leia mais no e-paper do DN.


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