De ... a 26 de Outubro de 2011 às 15:02
----C.Albuquerque :
A proposta de OE 2012 vai contra muito do que tinham sido até aqui as políticas defendidas pelo PSD e CDS e, mais do que reduzir o défice, visa essencialmente desvalorizar o trabalho.

A partir da apresentação da proposta do OE 2012 fiquei convencido que o combate ao défice deixou de ser a primeira prioridade. Agora o mais prioritário é resistir por todos os meios à aplicação em Portugal da doutrina do choque.

Espero que consigamos todos estar à altura do combate nesta guerra que nos foi imposta por outros.

Uma abstenção do PS significará uma cumplicidade gravíssima com o pior do neoliberalismo.

-----D.H :
Ou seja, muito antes de 2008, Portugal e outros periféricos vinham já talhados para o “sacrifício”.
Hoje, no estertor da queda do Muro - versão Stiglitz, o desespero está a levar ao atropelo de tudo e de todos. Por cá, isto já nem precisa de revisão da Constituição, pois não há tempo a perder. Razão tem o Prof. João Ferreira do Amaral…O controlo do défice, coisa nenhuma!

------Luis :
Até já mesmo a Troika assumiu o erro no caso da Grécia.
Vejam aqui um relatório confidencial que saltou cá para fora:
http://www.creditwritedowns.com/2011/10/greece-expansionary-fiscal-consolidation-failure.html#.TqQeiL4W3Lo.gmail

-----SFF :
"aliás na sequência das gigantescas rendas que os estados vêm há muito, e por diversas vias, assegurando à banca…"
Se não for pedir muito, que diversas vias?

-----JBarbosa :
Tenho lido por aqui, que o nosso crescimento anémico nos ultimos dez anos se deve fundamentalmente à entrada no euro, uma moeda extremamente valorizada, que fez cair as nossas exportações, levando assim a um défice na balança de pagamentos, que levou também a um endividamento do país.

Sempre tomei este facto como verdadeiro. No entanto outro dia reparei que o défice da balança comercial não se alterou muito nos últimos dez anos, em relação aos anos anteriores.

Está aqui uma não correspondência dos argumentos com a realidade, ou uma (mais provavel) falta de formação económica da minha parte, que me leva a interpretar mal um destes dois factos?

----- A.Abreu :
---Caro SFF;
Assim de repente,
i) não sujeição a impostos equiparáveis aos que incidem sobre os rendimentos do trabalho, ou sequer sobre os lucros das empresas não financeiras;
ii) comissões sobre operações financeiras realizadas pelo estado, nomeadamente no contexto das PPPs e privatizações;
iii) ausência de política de habitação digna desse nome, empurrando a população para a aquisição de casa própria a crédito;
iv) bonificação dos juros dos empréstimos à habitação, tornando mais baratos esses empréstimos, ou seja, subsidiando a concessão de crédito;
v) juros sobre a dívida pública num contexto em que os estados não se podem financiar directamente junto do banco central mas a banca pode fazê-lo em condições privilegiadas, funcionando na prática como um intermediário principescamente pago que para todos os efeitos seria desnecessário.

---Caro J. Barbosa,
O Euro entrou em circulação em 2002, mas os critérios de Maastricht, que impuseram a convergência nominal, foram aprovados em 1992 e entraram em vigor em 1993. Desde aí, a imposição dos critérios de convergência ao nível das taxas de câmbio, inflação e juros impôs na prática a ancoragem do escudo ao marco, funcionando desde logo como se se tratasse de uma moeda só (ou antes, com limites muito apertados em termos de possibilidade de flutuação). E é precisamente a partir dessa altura que o défice da balança de transacções correntes começa consistentemente a deteriorar-se. Mas tem toda a razão - eu poderia ter tido mais cuidado na exposição desta questão e sobretudo na indicação do horizonte temporal em causa.

---Caro C.Albuquerque,
Seja muito bem-vindo - todos somos poucos para lutar contra a barbárie.
Não que as suas chamadas de atenção anteriores acerca da importância de evitar o desperdício no sector público ou os elefantes brancos sejam descabidas. Pelo contrário: a exigência, o rigor e a boa utilização dos recursos públicos têm de ser preocupações fundamentais da esquerda. O problema é que é muitas vezes esse o pretexto sob o qual se procede a coisas muito mais sinistras, como a privatização das funções sociais do estado ou a espoliação dos trabalhado


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