De Gov.Ataca Trabalh. e favorece Bangsters. a 27 de Outubro de 2011 às 09:50
Um Gaspar pouco honesto

«ministro das Finanças voltou hoje a colocar completamente de parte a hipótese de Portugal reestruturar a sua dívida, como deve acontecer com a Grécia, garantindo que em causa estaria a capacidade do Estado de pagar salários e pensões.» [DN]

Parecer do Jumento:
Vítor Gaspar sabe muito bem que no caso da reestruturação da dívida não serão os salários e as pensões a estarem em causa, como, aliás, poderemos constatar num futuro próximo na Grécia.

É de um grande cinismo o ministro Gaspar estar a usar os grupos que ele sacrificou para agora se armar em seu protector encobrindo os verdadeiros prejudicados por uma reestruturação da dívida, os bancos e os seus accionistas.
Esses sim que ele está a proteger desde o primeiro dia em que é ministram das Finanças.



De Falsos: 'ajuda', 'perdão', 'Merkozy', UE a 28 de Outubro de 2011 às 11:34
- Houve perdão da dívida grega?

Falou-se e escreveu-se muito (eu escrevi...) que o perdão da dívida grega seria de 50%.

À medida que vamos dominando melhor a informação que nos chega, a realidade parece bem outra.
- E naquilo que resta será mesmo um perdão a sério?
Alguns dados para raciocínio.

Os empréstimos públicos recebidos pela Grécia do FMI e UE somados aos títulos do tesouro comprados pelo BCE correspondem a 30% da dívida grega.
Ora, o "perdão", assim, só incide sobre os restantes 70%, ou seja, 35%, uma vez que os montantes (FMI+BCE+UE) não entram.

Segundo aspecto, estamos de facto perante um "perdão"?

O mecanismo do perdão consiste no seguinte, segundo entendi.
Os bancos credores vão trocar os títulos da dívida grega que valem zero por títulos a 30 anos, cujo reembolso é garantido nessa data pelo FEEF e, durante estes 30 anos, esses bancos recebem um juro anual pelos respectivos montantes "perdoados".

Ao fim e ao cabo o perdão é pago pelo povo grego transformando-se num bom negócio (para os bancos 'caridosos').

Tanto alarido para uma solução destas da Cimeira !!.
Esta matéria merece análise aprofundada.
- Quem saiu beneficiado: a Grécia ou os bancos?!

- Quem vai pagar os custos?

Os 17 países do euro acordaram cerca das 4 da manhã de 27 de Outubro por "tentar resgatar" o projecto europeu na base de quatro decisões:

O perdão parcial da dívida grega (50%)
A recapitalização da banca europeia
O reforço do FEEF
Uma integração orçamental reforçada.

Vejamos quem vai pagar, por exemplo, no caso do reforço do FEEF e as contrapartidas.

Soube-se pela comunicação social, ainda este reforço não estava assegurado, que Sarkozy já estaria a tentar convencer o Primeiro ministro chinês a contribuir para este reforço.

Neste já longo processo de crise da dívida soberana europeia, o que tem "safo" esta história, tem sido o BCE com a compra de títulos no mercado secundário (está impedido de intervir no mercado primário).
O FEEF pode ir às emissões de dívida. Daí este interesse.

Será que os asiáticos e outros países emergentes entrarão neste reforço?

Há razões para pensar nisso. A Europa já os ajudou nos finais dos anos 90 a superar uma crise financeira.
Mas sobretudo vêem neste apoio uma forma de criar condições para adquirir as empresas europeias em que estão interessados.
Esta será a grande razão. Sem garantias neste domínio dificilmente entrarão com montantes significativos.

- Mas pergunta-se: estas medidas salvaram o projecto?

Em meu entender não, anestesiaram a situação e não por muito tempo. O comportamento das bolsas hoje foi esse sinal.

A crise europeia não é económica, é de modelo político que condiciona tudo, tendo influência na própria concepção do BCE.
- Pode alguma vez entender-se que um banco central não possa ter acesso à emissão da dívida dos países membros?
- Pode alguma vez entender-se que a UE tenha um orçamento tão reduzido (apesar dos fabulosas despesas com a sua 'máquina') ?
- Pode alguma vez entender-se que agora a Comissão e os outros países membros possam intervir nos orçamentos nacionais, antes das respectivas Assembleias, sem todo o aparelho europeu estar formatado para de forma atempada apoiar o país em dificuldades?
- Onde está a solidariedade que tanto se apregoou como uma trave mestra da UE?

Tudo isto é um contra senso.

# posted by Joao Abel de Freitas, PuxaPalavra, 28.10.2011


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