Justiça e democracia fiscal .vs. potências privadas

    O  Estado (orçamento e serviços) é genericamente suportado pelo dinheiro dos contribuintes ... (para além do dos consumidores/utilizadores, que pagam IVA, IEC, IA, IMI, taxas municipais, etc).

Mas quem paga impostos sobre o Rendimento, de facto, é quase só a classe média de trabalhadores por conta de outrem.  - Duvida ?!

 - Quem são os contribuintes ? são os que de facto pagam IRC  (entidades colectivas, empresas) ou IRS (entidades singulares, trabalhadores por conta de outrem), que têm actividade ou residem no território português....

   E aqui já há uma diferença importante:  só as empresas têm a possibilidade de ''domiciliar'' a sua sede no local efectivo da sua produção ou no local onde está registada a ''empresa-mãe''/ holding/ sgps ... geralmente em ''lugares/jurisdições especiais'',  com facilidades, benefícios e isenções fiscais - os chamados “offshores”, paraísos fiscais ou zonas francas.

   De facto, neste país, quem paga IR... são principalmente os trabalhadores por conta de outrem (que pagam IRS) ... e  2 ou 3 grandes empresas (públicas ou participadas) que dão lucro e têm sede em Portugal e por isso pagam os impostos devidos (IRC) e entregam dividendos de acordo com a respectiva participação estatal.

    Explicando melhor:

    Relativamente aos trabalhadores / IRS (imposto sobre o rendimento singular):

  1- os trabalhadores por conta de outrem não podem fugir ao imposto/IRS, que lhes é descontado automaticamente no salário, ...

  1.1- se pertencem àquele grupo de pobreza/ classe muito baixa são isentos de IRS ...

  1.2- se pertencem ao grupo de trabalhadores por conta própria ou a “recibo verde” mas de baixo rendimento (e grande precariedade), de facto não têm rendimentos suficientes para serem tributados a sério... embora possam fugir total ou parcialmente ao ‘passar recibos’ e ao pagamento do respectivo imposto (alguns exemplos: 'biscateiros', oficinas, cabeleireiros, lojitas de bairro, …).

  1.3- se pertencem ao grupo de (muito) altos rendimentos de trabalho, estes actuam como empresários criando/ tendo, paralela e directa ou indirectamente,  empresas (unipessoal, Lda e até offshores) por onde fazem passar os seus rendimentos, lucros, dividendos, comissões, ... e/ou às quais imputam custos e despesas pessoais e familiares, fazendo com que na contabilidade não tenham lucro e, portanto, não paguem  impostos (ou só paguem uma ninharia, referente à parte a que não conseguem fugir).

  1.4- dentro do grupo de trabalhadores a pagar IRS resta a “classe média” (com várias subclasses de rendimentos individuais ou por capita do agregado familiar, classe que é cada vez mais pequena e com menores rendimentos, pois é ‘espremida’…) de trabalhadores por conta de outrem (que não podem fugir aos impostos nem são deles isentados), sejam da privada ou do público. Nesta classe enquadram-se grande parte dos técnicos e quadros superiores.

        Relativamente às empresas / IRC (imposto sobre o rendimento colectivo):

  2.1- a maioria das PEQUENAS empresas (enganando ou fugindo ao Fisco) NÃO PAGAM IMPOSTOS  porque «declaram NÃO ter LUCROS»:

     - se tiverem volume de negócios positivo, arranjam todo o tipo de despesas pessoais e familiares que incluem nas contas da empresa para anular esses lucros, e ao mesmo tempo, os sócios e seus familiares usufruem de carros, casas, férias, almoços, telefones, computadores, roupas, seguros de saúde, formação, ... «tudo por conta da empresa», fazendo baixar as receitas e não pagar impostos;

     - ou, simplesmente, têm ''contabilidade paralela'' (ou sem recibos), fugindo ao Fisco.

  2.2- a quase totalidade das GRANDES empresas (e seus administradores, dirigentes, accionistas ... através de 'holdings/SGPS e "fictícias micro-empresas") NÃO PAGAM IMPOSTOS porque têm os seus negócios e rendimentos sediados/domiciliados para efeitos fiscais em OFFSHORES (Holanda, Madeira, Lichenstein, Gibraltar, Caraíbas, ...) - pelo que o  FISCO do Estado Português NÃO cobra/RECEBE nada destas...

    Algo semelhante se passa também com o Imposto sobre Capitais (cujos depósitos da classe média pagam, mas que os ricos não pagam porque os passam através de empresas, “trusts”, fundações, … idem para as propriedades/prédios relativamente ao IMI, etc).

 

    3- Há fortes lóbis/grupos de pressão (de magnatas, “trusts”, fundações, grandes corporações, associações empresariais e profissionais) para manter/obter do Estado importantes privilégios e benefícios, protecções, concessões, subsídios e isenções várias …

    Há grandes interesses privados (nacionais, internacionais, apátridas, sem rosto … de grandes empresas, bancos, especuladores, ...) para controlar e aproveitar-se dos Estados, economias e recursos públicos …

    Estes grandes interesses/lóbis têm recursos e poder que competem com o dos Estados… e usam-nos para apoiar, fazer campanhas, financiar, corromper, … alterar legislação, derrubar governos e democracias ... – são autênticas «potências privadas», não validadas por quaisquer cidadãos e sem peias de fronteiras ou éticas.     

    No entretanto, vão 'pisando' e explorando a maioria das famílias e trabalhadores... e também os pequenos/novos concorrentes ao seu lucrativo nicho ou mercado (oligopolista ou cartelizado).

    Como estratégia global de dominação, estas corporações/ potências privadas, fomentam a falta de transparência, a desinformação, a divisão entre grupos e sectores de cidadãos, de trabalhadores públicos e privados … a corrupção e desacreditação de políticos e o enfraquecimento dos Estados e da União Europeia (reduzindo-lhe os meios técnicos e financeiros, a capacidade de controlo inspecção fiscalização e aplicação da Justiça) para que o interesse e património público possa ser absorvido pela élite e oligarquias nacional e internacional … seja através da transferência/privatização de bens “a preço d’amigo”/ subavaliados, seja através do pagamento de serviços (consultorias, intermediações, ‘out-sourcings’, empréstimos usurários…) com chorudos valores, rendas sobreavaliadas e contratos com cláusulas abusivas e prejudiciais para o Estado/ interesse público/ contribuintes.

 

    4- Assim, todos os discursos e programas governamentais e partidários, todas as medidas que não passem pela prioridade em resolver com Justiça o problema fiscal, transformam-se em medidas populistas (como 'cobrar mais impostos aos ricos...', 'cortar gorduras do estado…', 'aumentar a produtividade e o crescimento', …), são balelas/ falácias para enganar/entreter os papalvos ... para que os contribuintes de facto e os eleitores (a grande maioria mal informados ou alienados ...) não se revoltem contra as «potências privadas» e seus serviçais.

    Para haver JUSTIÇA fiscal e verdadeira Democracia  (e ''equidade na repartição dos custos'' de manter o país/Estado a funcionar... e resolver o problema da/s ‘crise’/s) é necessário, com absoluta prioridade, :

- controlar/ acabar com os “offshores”;

- taxar fortemente as transações financeiras para o exterior;

- exigir que no espaço da União Europeia haja harmonização fiscal (impedindo que uns países ou enclaves façam ''concorrência fiscal desleal''/ ''dumping'' fiscal);

-  exigir/ impor (acordos e instituições com meios adequados para) que haja verdadeira transparência  bancária e de transacções financeiras (acabando também com o segredo bancário), com obrigatória e automática troca de informações entre autoridades fiscais e as empresas/entidades que gerem as ''jurisdições especiais'';

- exigir verdadeira Transparência e publicitação “online” das contas públicas, concursos, adjudicações, contratos, concessões ou parcerias, … isenções, subsídios e contrapartidas … e o respectivo acompanhamento e fiscalização;

- fazer auditoria pública à dívida soberana (para conhecer quem são os credores e os devedores, as componentes de empréstimos e de juros, …);

- proibir importações de países com ‘dumping’ salarial, social e ambiental…

- …

    Isto é uma verdadeira guerra escondida entre as «potências privadas» (formada pela grandes corporações e alta elite capitalista/financeira, com suas marionetas e agentes comprados), a minoria de 1% da população (que tem/ quer controlar a maioria dos recursos, mercados, governos e Estados), contra os Estados dos cidadãos, verdadeiramente livres e democráticos, contra a maioria/ 99% da população (que em grande parte é enganada, dominada e explorada).

    Os cidadãos, eleitores, associações cívicas, sindicatos e partidos defensores da razão e interesse público, têm que se unir e contra-ATACAR estas potências privadas:

 - os seus quarteis-generais/ porta-aviões (os Offshores/ paraísos fiscais);

 - as suas marionetas/ lacaios (governos, deputados, administradores, jornalistas, comentadores e economistas 'do costume'...  submetidos ou comprados);

 - os seus abastecimentos (as transações Financeiras, obrigando estas e as sedes/empresas a pagar impostos como qualquer empresa socialmente responsável); e

 - os meios opacos e nebulosos onde manobram (exigindo-se TRANSPARÊNCIA dos poderes públicos, dos seus actos, nomeações, justificação técnica, decisões, contas, contratos, … legislação adequada e uma Justiça eficiente).

 

Cidadãos, estão convocados !



Publicado por Xa2 às 13:37 de 27.10.11 | link do post | comentar |

10 comentários:
De RICOS FOGEM ao FISCO, directa e indirec a 5 de Dezembro de 2011 às 16:25
Um trabalhador em apuros


«Deixa-me sempre pesaroso (embora só agora tenha assistido a tal coisa) ver o Fisco exigir 750 mil euros de impostos a um pobre trabalhador, mesmo que esse trabalhador seja o homem mais RICO de Portugal e um dos 200 mais ricos do Mundo.

Ainda por cima, o Fisco assaca a Américo Amorim coisas feias como ter feito, sem licença, obras de engenharia criativa na contabilidade das suas empresas.

A má vontade da Justiça contra Américo Amorim não é de hoje.
Já em 1991, o MP o acusara de abuso de confiança e desvios em subsídios de 2,5 milhões de euros do Fundo Social Europeu;
felizmente Deus e a morosidade dos tribunais escrevem direito por linhas tortas e o processo acabou por prescrever.
Depois foi a "Operação Furacão" e uma investigação por fraude fiscal e branqueamento de capitais, mas tudo acabou de novo em bem e sem julgamento.

Agora as Finanças não compreendem os contratempos hormonais das empresas de Américo Amorim e recusam aceitar como despesas os seus gastos em tampões higiénicos e outras exigências da feminilidade como roupas, cabeleireiros ou massagens.

Até as contas da mercearia e festas e viagens dos netos o Fisco acha impróprias de um grupo de empresa só pelo facto de os grupos de empresas não costumarem ter netos.

Um trabalhador consegue juntar um pequeno pé-de-meia de 3,6 mil milhões e o Estado quer reduzir-lho a pouco mais de 3,599 mil milhões.
Muito ingrato é ser trabalhador em Portugal!»

[Jornal de Negócios]

Manuel António Pina.


De .Porquê o DESCALABRO no q é Público ?!! a 11 de Novembro de 2011 às 08:54

- Porquê o descalabro (financeiro e/ou técnico) em muitas empresas públicas, institutos e serviços públicos ?
Porque:

1- O poder político (partidário e económico associado) coloca nas entidades públicas ''boys'', novos 'barões' partidários ou intelectuais, familiares de ''barões velhos'' e amigos 'paraquedistas' ''de confiança'''... que nada percebem do sector, nem têm verdadeira competência ou experiência específica e muitas vezes nem sequer genérica ou da administração e refras públicas ...

1.1- e como estes 'excelentes' gestores/ administradores/ dirigentes estão gratos a quem lá os põe (no 'tacho') só podem corresponder dizendo 'amen' a tudo o que 'a tutela' pede ou dá a entender ou eles pensam que lhe pode agradar ...

1.2- mesmo que eles ou os técnicos 'da casa' apresentem dúvidas/reticências sobre esses actos da gestão/administração ou até diferentes propostas ... os ''excelentes administradores'' não querem ou não sabem ou não ''os têm no sítio'' para mudar de opinião e de rota...

2- estes dirigentes de entidades públicas ''rodam que se fartam'' (porque gostam de passear e de se mostrar e porque as mudanças de governo/partido e dos seus padrinhos a isso os obrigam!)

2.1- mas esta 'rodagem'/mudanças contínuas só criam instabilidade nos serviços/actividades, interrompem projectos (logo substituídos por outros a adjudicar a ...), não permite a consolidação nem a avaliação do que está em curso ...

2.2- nem permitem a identificação dos erros (e provas, que são destruídas ou escondidos ''debaixo do tapete''), nem a responsabilização/acusação dos verdadeiros responsáveis pela degradação das entidades públicas:
os seus administradores/ dirigentes e os governantes que lá os colocaram e interferiram com abuso de poderes ou não cumpriram o acordado/prometido.

2.3- note-se: não foram os trabalhadores que tomaram essas (in)decisões ruinosas !! mas, na prática, são eles os únicos avaliados e penalizados ... e a quem querem enviar para a ''mobilidade especial'' e despedir ... tendo-lhes entretanto feito vários 'cortes' no seu rendimento... enquanto os 'excelentes' verdadeiros culpados são promovidos e ganham prémios !!.

3- E será que é do interesse de alguém a ruína do que é Público ?
3.1- NÂO ...se esta fosse uma sociedade de bons cidadãos e todos assumissem que o que é público (colectivo, comunitário) também é Meu mas é Nosso e dos nossos descendentes e há que preservá-lo ... pois com isso todos beneficiamos e leva ao desenvolvimento da Nossa Sociedade/Nação .

3.2- Porém, SIM... alguém/algum grupo beneficia com a desafectação do que é Público, através duma Comissão, dumas Luvas, dum Emprego/'tacho' bom para si ou para os seus,... duma venda DESVALORIZADA e ... comprada a preço de saldo/rebaixa (e com até com ajudas, isenções, contratos/parcerias e benefícios especiais do ''Governo amigo'', tipo BPN em que o Estado ainda tem que injectar milhões para um grupo ''privado fazer o favor'' de o comprar ...), que de imediato manda para o desemprego boa parte dos trabalhadores, ameaça/amedronta os outros, impõe piores condições, elimina ramos deficitários/sociais, baixa os padrões de qualidade e segurança, ... e, porque é quase-monopolista, aumenta os preços aos clientes/utentes, e não demorará a dar grandes lucros ... mas que sobre os quais nada pagará de impostos porque entretanto muda a sede social ou do grupo para uma 'offshore', ... - isto é que é a gestão privada de bens/serviços privados, ou concessionados a privados, por 'oposição' a uma a gestão 'pública de favorecidos'...

Zé T.


De Xa2 a 4 de Novembro de 2011 às 12:49
CRISE ? : Problema, causas, soluções, demagogia, aproveitamento, ...

----------------------------------
- ''Dívida Soberana'' ?, '' dívida pública'' ? ou privada ? !!

1. o problema das ''dividas soberanas'' é que c. dois terços (da portuguesa) é dívida PRIVADA (bancos, empresas, famílias), e só é um problema porque os governos (de Direita em 25 dos 27 países da UE, e com políticas neo-liberais...) assumiram os problemas dos bancos, suas dívidas e má gestão.

2. É matematicamente IMPOSSÍVEL resolver a questão das dívidas públicas e privadas, sem abordar a questão da criação monetária pelo crédito com juros associados, porque estas são as CAUSAS da dívida !.
...

( como muito bem é explicado no vídeo «
http://www.youtube.com/watch?v=f7cJ_ZBiU-I&feature=player_embedded » do 'post' «Compreender a dívida pública» de FV em 3.11.2011 aqui no LUMINARIA. )
----------------------------

3. É impossível sustentar os serviços de um ESTADO (mesmo ''magro'', reduzido, sem ''má gestão'') sem IMPOSTOS e estes terão de ser suportados por TODOS os cidadãos e EMPRESAS.

Contudo, o sistema vigente em Portugal (e ...) está distorcido, pois :

-- as ''pessoas singulares''/ os TRABALHADORES por conta de outrém PAGAM impostos e

-- as ''pessoas colectivas''/ EMPRESAS (e fundações, 'trusts', ONGs de 'fachada', ...) FOGEM aos IMPOSTOS
(seja por falsificação de contabilidade, seja por actuarem ''debaixo da mesa''/sem recibos ou por sedearem os seus RENDIMENTOS/ LUCROS em ''OFFSHORES''/ ''paraísos fiscais''
- onde não pagam impostos ou têm taxas baixíssimas, e escondem e ''lavam'' dinheiro ''sujo''/criminoso ), ...

4. O que fazer ?

-- as Transações Financeiras (para o exterior) devem ser fortemente taxadas (''taxa Tobin'');

-- os ''offhores'' devem acabar ou ser-lhes exigida total transparência e troca de informações às autoridades dos países, tal como aos bancos (acabando com o segredo bancário) e um controlo muito apertado ;

-- a UE deve ter um reforçado orçamento comum, deve harmonizar os impostos dentro da UE, o BCE deve ter todos os poderes de um banco nacional e deve poder emprestar directamente aos Estados da UE, ...

-- devem ser proibidas as importações de países (e empresas) que pratiquem ''dumping'' (salarial, social, ambiental,) ou não combatam a discriminação homem-mulheres, a exploração de trabalho infantil ou ''semi-escravo'', ...

-----------------------

5. No contexto desta crise, são TRETAS (políticamente intencionais, para degradar direitos democráticos e dos trabalhadores ) afirmações (propaganda demagógica) como:

- « a culpa é da má gestão e das despesas do Estado ou de baixa competitividade» (q.tb há) ;

- « as únicas soluções são privatizar a economia e aplicar planos de austeridade » (aos trabalhadores, à classe média)

- « não há alternativa »;

- ...


De Soberania dos EstadosUE face ao capital. a 31 de Outubro de 2011 às 09:50
Com o capital não se brinca ?


A reestruturação da dívida Grega parece estar a ser feita sem que o governo grego meta para aí nem prego nem estopa. Nesse sentido não é uma reestruturação liderada pelos devedores, para utilizar a categoria criada pelo Research on Money and Finance.

Mas também não me parece que seja uma reestruturação tão “voluntária” como isso. Um corte de cabelo de 20% pode ser um bom negócio, mas um outro de 50%, nem tanto. Nesse caso, também não é uma reestruturação liderada pelos credores.

Se eu não estiver enganado é uma reestruturação liderada pela Alemanha no papel de potencial devedor (e consentida pela França, entre outros). Uma espécie de reestruturação que não cabe na dicotomia “liderada por credores / liderada por devedores”.

O que mais me impressiona nesta reestruturação é o que ela revela do poder que um estado (ainda) tem contra os conglomerados financeiros. Tem o poder de fazer desaparecer de um só golpe 50% da dívida Grega aos privados, parece que tem o poder de não desencadear um “evento de crédito” e o accionamento dos Seguros de Crédito (CDSs), tem o poder de modificar o discurso no espaço público, transformando “calote” e “bancarrota” em “perdão”, tem o poder de silenciar uma legião de economistas que na véspera afirmavam que um incumprimento num estado da Euro Zona desecadearia o caos e a desordem.

Posso estar enganado, podem ter dado contrapartidas aos bancos que nós não conhecemos (embora me pareça duvidoso que os requisitos de rácio de capital e a oferta de dinheiros públicos para a capitalização se possam contar como contrapartidas). Mas o que me parece é que estamos perante uma manifestação invulgar do poder dos poderes públicos em resposta a um sentimento de “no bail out” que é muito forte na sociedade alemã e incluiu não só os periféricos pecadores mas também os bancos.

Eu que já ouvi dizer tantas vezes “com o capital não se brinca” sou levado a observar que por vezes com o que não se brinca é com um Soberano em estado de necessidade. O Soberano, independentemente da sua cor política e da intimidade cultivada com a finança ao longo de muitos anos, pode mesmo ser forçado pela pressão popular e pela necessidade, a levar muito mais longe do que gostaria à partida os seus exercícios de força política. Quem sabe ainda veremos a interdição de transacções com offshores, a taxação das transacções financeiras e tantas outras desconsiderações aos capitais que no passado só a esquerda defendeu.

Ainda poderemos assistir a isso e não nos devemos surpreender nem chocar só porque não se ajusta à primeira em alguma categoria conceptual a que estejamos habituados.

Aqui, como em muitas outras eventualidades, a história é boa conselheira. Quando o Soberano espirra, o capital com que nunca se deve “brincar” pode apanhar uma pneumonia. E por vezes o Soberano a espirrar primeiro não é aquele de quem se esperava o espirro.

(-por José M. Castro Caldas, Ladrões de Bicicletas, 28.10.2011)

Caro Miguel,
Não, isto não é nenhuma manifestação de regozijo com as conclusões da cimeira histórica e a supremacia Alemã.
O ponto é simples e apenas este. Se é possível em estado de necessidade impor à finança um haircut de 50% da dívida Grega, que mais não será também possível
- offshores, taxação das transacções financeiras, BCE como prestamista de última instância -
e pode ser possível se houver suficiente pressão popular.

Assim se vai descobrindo que afinal se pode “brincar” com o capital e não acontece nada de especial e que os governos não estão tão desarmados assim face à globalização.
Quanto aos resultados da cimeira... péssimos, incluindo para a Grécia que agora tem um governo de ocupação.
Quanto ao caminho que a UE está a seguir... desagregação perigosa.
Mas isso já outros disseram neste blog. Lamento se não fui claro. Abraço JM CC


De . CATASTROIKA das Privatizações. a 31 de Outubro de 2011 às 11:53
Catastroika
(-por Miguel Cardina, Arrastão, 31.10.2011)

Depois de Debtocracy, vem aí Catastroika - um filme sobre os processos de privatização, os seus custos e os seus efeitos
(acidentes mortais a aumentar, apagões e gravissimas falhas de serviço, aumentos brutais de preços dos bens e serviços básicos, desemprego a disparar, miséria, crime, ...).
É feito por gregos mas é como se fosse feito por nós.

(e já antes tinha sido feito na California -electricidade, UK-comboios, Alemanha de leste-todas as empresas públicas, Russia - petroleo,gas,minerais,..., )


De .Portugal: EMIGRAÇÂO ... ou REVOLUÇÃO. a 31 de Outubro de 2011 às 12:02
Este país não é para jovens
(nem para cidadãos decentes)

(-por Sérgio Lavos)

Eu poderia dizer que o desnorte tomou conta do Governo. Ou que este secretário de estado da juventude e do desporto, José Miguel Mestre, andou a fumar coisas esquisitas.

Mas o pior é que ele aconselhou mesmo, com toda a seriedade, os jovens a emigrar.

Este Governo tem uma ideia fixa:
destruir o país que nasceu do 25 de Abril.
Nem que para isso tenha de queimar tudo em volta, uma bela purga que apenas vai deixar por cá os puros e os pobres temerosos.

Aquela ideia de que o Governo deve servir os interesses do povo faliu.
Definitivamente.
A ponto de aconselharem o povo, ou pior, aqueles que construirão o futuro do país, a abandonar o barco.

Agora, venha o diabo e escolha:
eles servem,
ou os interesses do capital
ou uma ideologia neoliberal tresloucada.

No final, irá dar ao mesmo:
regressaremos à década de 50.


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 27 de Outubro de 2011 às 17:15
Importa-se de me explicar como se faz o «contra-ataque»?
Se possível de uma forma simples e prática... como se eu fosse «burro», muito «burro» mesmo!


De - Como se faz o Contra-Ataque ? a 28 de Outubro de 2011 às 11:03
Essa resposta até eu sei...
O contra-ataque às «potências privadas» pode fazer-se de várias formas:

- desde a ilegal, e mais perigosa acção revolucionária, com ...(loucuras, desespero, justiça directa, heroísmo...), contra as empresas, estabelecimentos, bens, 'sites internet', agentes, ... locais, nacionais e internacionais/ transnacionais;

- até à mais pacífica (mas mais paciente e consolidada), como escrever nos jornais, blogs, falar com amigos, tertúlias, clubes, conferências, ...

- pelo meio, há o envolvimento/ participação em manifestações, acampamentos, ''sittings-in', 'flash-mobs', colagem de cartazes, escrever cartas e e-mails, assinar petições, publicitar fotos e documentos ... dinamizar, criar ou dirigir movimentos, associações, ... interligar-se a outros grupos e movimentos, unir, cooperar e coordenar acções conjuntas, ...

- também a inscrição e participação em sindicatos e partidos ...
com apresentação de candidaturas, moções, propostas, elaboração de textos, cartazes, ... recrutamento de outros militantes, criação de correntes de opinião, ... a participação em eleições (com voto e não nulo), ...
e a informação, interrogação e crítica aos dirigentes/representantes sobre as suas propostas e acções, exigindo-lhes que os ouçam/referendam, antes de decidirem, que apresentem propostas concretas e mensuráveis (e não apenas intenções vagas, discursos 'redondos', acusações aos adversários, e 'loas' aos seus a si próprio e à história/passado do partido...), que representem de facto a maioria e sejam responsabilizados pelo seu mandato.

... tudo isso está nos manuais ... ou na internet.

O problema é a vontade, a disponibilidade, a importância e prioridade que lhe damos, o suporte/apoio que temos (ou não) ... a coragem (e a loucura) de cada um.

E a ''alternativa'' ao 'Contra-Ataque' qual é ?
- Ficar no sofá a ver TV (tlenovelas, futebol, filmes, concursos, noticiários e debates enviesados...), ir à praia, ...
- aguentar com ''cortes e + cortes'', aumentos de impostos taxas e comissões, aumento do custo de vida, submeter-se ao assédio no trabalho e à incompetência de dirigentes/patrões, trabalhar mais horas, ter salários indecentes e desemprego, ...
- emigrar (o próprio ou os filhos, muitos dos quais com formação superior, obtida com o esforço das famílias e participação do Estado... que agora perdem o investimento...);
- ou ...

«
Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga,
besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um
mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas...
»

Sabemos que as forças contrárias são poderosas, dividem para reinar, criam apatias/alienação, incentivam o individualismo, compram ou abatem os líderes, ...
Mas, mesmo assim, porque é que o povo português não se une e mobiliza em causa própria ?


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 28 de Outubro de 2011 às 11:32
E então?
Qual é que acha que deve ser feita?
A ilegal? A pacíca? Ou a «assim-assim»?
É que eu perguntei na «prática» como quer fazer ou como acha que deviam os portugueses fazer o «contra-ataque»... não perguntei como se teoriza a «coisa». Blá-blá... percebe?
Continuo à espera da resposta.


De Até que ponto chegaremos ? a 31 de Outubro de 2011 às 09:17
O Zé tem cabeça e uma sitação/condições muito próprias. ... portanto é a melhor pessoa para decidir o que fazer, quando fazer, como fazer, e se quer fazer ...

Olhe... tenho uma amiga que, sobre estas coisas da política portuguesa, não acredita em Governos nem oposição nem em partidos nem eleições... e me responde:
«isto só lá vai com seis tiros, bem apontados !»
Como?!

«Escolhem-se 6 alvos entre os figurões da nossa praça, um de cada sector: banqueiros, ministros, deputados, administradores de grande empresas, advogados, ... e pum ! Verás como as coisas mudam !»
Mas isso pode ser o 'rastilho' para a selvajaria ou para um um regime ditatorial - contra-argumento.

«Talvez, mas não vejo outra forma de 'acordar' as pessoas e de refazer a nossa podre democracia partidária, a injustiça e legislação kafkiana, a economia de exploração selvagem, o ambiente desgraçado em que vivemos...»
E tu serias capaz de o fazer ...?

«Eu ...não ... não sei. Já tenho muitos cabelos brancos e nunca peguei em armas... Mas, olha que se isto continuar a piorar ... se me tiram a casita da terra ou se me mandam para o desemprego ou se daqui a uns anitos deixam de me pagar a reforma para a qual ando a descontar há décadas... podes crer que farei uma loucura.»


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