De Soberania dos EstadosUE face ao capital. a 31 de Outubro de 2011 às 09:50
Com o capital não se brinca ?


A reestruturação da dívida Grega parece estar a ser feita sem que o governo grego meta para aí nem prego nem estopa. Nesse sentido não é uma reestruturação liderada pelos devedores, para utilizar a categoria criada pelo Research on Money and Finance.

Mas também não me parece que seja uma reestruturação tão “voluntária” como isso. Um corte de cabelo de 20% pode ser um bom negócio, mas um outro de 50%, nem tanto. Nesse caso, também não é uma reestruturação liderada pelos credores.

Se eu não estiver enganado é uma reestruturação liderada pela Alemanha no papel de potencial devedor (e consentida pela França, entre outros). Uma espécie de reestruturação que não cabe na dicotomia “liderada por credores / liderada por devedores”.

O que mais me impressiona nesta reestruturação é o que ela revela do poder que um estado (ainda) tem contra os conglomerados financeiros. Tem o poder de fazer desaparecer de um só golpe 50% da dívida Grega aos privados, parece que tem o poder de não desencadear um “evento de crédito” e o accionamento dos Seguros de Crédito (CDSs), tem o poder de modificar o discurso no espaço público, transformando “calote” e “bancarrota” em “perdão”, tem o poder de silenciar uma legião de economistas que na véspera afirmavam que um incumprimento num estado da Euro Zona desecadearia o caos e a desordem.

Posso estar enganado, podem ter dado contrapartidas aos bancos que nós não conhecemos (embora me pareça duvidoso que os requisitos de rácio de capital e a oferta de dinheiros públicos para a capitalização se possam contar como contrapartidas). Mas o que me parece é que estamos perante uma manifestação invulgar do poder dos poderes públicos em resposta a um sentimento de “no bail out” que é muito forte na sociedade alemã e incluiu não só os periféricos pecadores mas também os bancos.

Eu que já ouvi dizer tantas vezes “com o capital não se brinca” sou levado a observar que por vezes com o que não se brinca é com um Soberano em estado de necessidade. O Soberano, independentemente da sua cor política e da intimidade cultivada com a finança ao longo de muitos anos, pode mesmo ser forçado pela pressão popular e pela necessidade, a levar muito mais longe do que gostaria à partida os seus exercícios de força política. Quem sabe ainda veremos a interdição de transacções com offshores, a taxação das transacções financeiras e tantas outras desconsiderações aos capitais que no passado só a esquerda defendeu.

Ainda poderemos assistir a isso e não nos devemos surpreender nem chocar só porque não se ajusta à primeira em alguma categoria conceptual a que estejamos habituados.

Aqui, como em muitas outras eventualidades, a história é boa conselheira. Quando o Soberano espirra, o capital com que nunca se deve “brincar” pode apanhar uma pneumonia. E por vezes o Soberano a espirrar primeiro não é aquele de quem se esperava o espirro.

(-por José M. Castro Caldas, Ladrões de Bicicletas, 28.10.2011)

Caro Miguel,
Não, isto não é nenhuma manifestação de regozijo com as conclusões da cimeira histórica e a supremacia Alemã.
O ponto é simples e apenas este. Se é possível em estado de necessidade impor à finança um haircut de 50% da dívida Grega, que mais não será também possível
- offshores, taxação das transacções financeiras, BCE como prestamista de última instância -
e pode ser possível se houver suficiente pressão popular.

Assim se vai descobrindo que afinal se pode “brincar” com o capital e não acontece nada de especial e que os governos não estão tão desarmados assim face à globalização.
Quanto aos resultados da cimeira... péssimos, incluindo para a Grécia que agora tem um governo de ocupação.
Quanto ao caminho que a UE está a seguir... desagregação perigosa.
Mas isso já outros disseram neste blog. Lamento se não fui claro. Abraço JM CC


De .Portugal: EMIGRAÇÂO ... ou REVOLUÇÃO. a 31 de Outubro de 2011 às 12:02
Este país não é para jovens
(nem para cidadãos decentes)

(-por Sérgio Lavos)

Eu poderia dizer que o desnorte tomou conta do Governo. Ou que este secretário de estado da juventude e do desporto, José Miguel Mestre, andou a fumar coisas esquisitas.

Mas o pior é que ele aconselhou mesmo, com toda a seriedade, os jovens a emigrar.

Este Governo tem uma ideia fixa:
destruir o país que nasceu do 25 de Abril.
Nem que para isso tenha de queimar tudo em volta, uma bela purga que apenas vai deixar por cá os puros e os pobres temerosos.

Aquela ideia de que o Governo deve servir os interesses do povo faliu.
Definitivamente.
A ponto de aconselharem o povo, ou pior, aqueles que construirão o futuro do país, a abandonar o barco.

Agora, venha o diabo e escolha:
eles servem,
ou os interesses do capital
ou uma ideologia neoliberal tresloucada.

No final, irá dar ao mesmo:
regressaremos à década de 50.


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