6 comentários:
De Paulo Guinote a 22 de Junho de 2009 às 16:06
O Abandono Da Educação Como Campo Prioritário Da Batalha Eleitoral
Posted by Paulo Guinote under Balanços, Campanha Eleitoral, Educação, Política, Tácticas 21.6.2009

Estava tudo preparado para ser através da Educação e das escolas que Sócrates e o partido por si modelado, com os préstimos distantes de Jorge Coelho e mais próximos de António Vitorino, procurariam renovar a sua maioria.
O modelo já tinha sido ensaiado na reentrée de 2008. Era só manter a máquina da propaganda bem oleada, com eventos a acontecerem com regularidade.

Da distribuição de Magalhães alongada no tempo à multiplicação dos diplomas das Novas Oportunidades, passando pelas remodelações de Escolas Secundárias e chegada de equipamentos informáticos e tecnológicos a muitas escolas, não esquecendo acréscimos de sucesso nos exames mesmo em cima das eleições, tudo estava delineado para o sistema educativo estar ao serviço da produção de uma nova maioria em 2009, por ser espaço ideal e privilegiado para aliciar as «famílias».

Mas algo correu mal.
Ainda em tempo útil de demonstração, chegou a constatação de que diversas medidas emblemáticas deste Governo em matéria de Educação foram uma farsa, produziram escassos efeitos reais e muito se resumiu a truques de propaganda.

A luta assumida contra os docentes fracassou, mesmo se restam destroços legislativos à deriva ainda capazes de produzirem danos, sem ganhos especiais para a paisagem.
E o primeiro sinal foi o massacre de Vital Moreira nas eleições europeias, ele que fora um paladino desta pseudo-revolução na Educação, como tanto gostou de escrever.

• Fracassou porque em nada dignificou a carreira ou permitiu melhorar o trabalho nas escolas.
Os alunos em nada beneficiaram de medidas como o Estatuto da Carreira Docente, o próprio Estatuto do Aluno ou a avaliação do desempenho docente.

• Fracassou porque, afinal, a opinião pública não abandonou os professores, por muitos anúncios que disse tenha sido feito.
Em Maio, uma sondagem da Visão colocava os professores como os menos responsáveis pelo fracasso das políticas educativas.

• Fracassou porque os próprios organismos dependentes do ME reconheceram a falta de preparação e qualidade técnica de reformas estruturantes como a da avaliação do desempenho docente.

• Fracassou ainda e em especial, porque os professores resistiram e resistiram muito para além do que deles se esperava, quantas vezes em situação de aparente isolamento, pois sabiam que a razão estava do seu lado.

Perante isso, José Sócrates, o Governo e o seu PS, decidiram abandonar, pelo menos de forma mais evidente, o campo da Educação como o prioritário na sua estratégia eleitoral.

Ontem na abertura do Fórum Novas Fronteiras, sintomaticamente reduzido a discursos oficiais apesar de um António Vitorino na apelar à liberdade das críticas e intervenções, José Sócrates oficializou a retirada:

A três meses das legislativas, e no dia do manifesto de 30 economistas, José Sócrates defendeu ainda três escolhas essenciais:
políticas sociais, reformas sectoriais e investimento público.

Tudo muito vago, tudo muito abrangente, tudo muito despesista, agora já sem preocupações orçamentais, que a manutenção do poder vale tudo.
...


De Prioridades da batalha eleitoral a 22 de Junho de 2009 às 16:08
O Abandono da Educação como Campo Prioritário da Batalha Eleitoral

Posted by Paulo Guinote under Balanços, Campanha Eleitoral, Educação, Política, Tácticas
...
A Educação, que tanto ocupou as prioridades oficiais do passado, foi apagada do discurso oficial.
Percebeu-se que a estratégia de afrontamento directo aos professores foi um erro e falhou fragorosamente.
Contra tudo o que esperariam.

O ex-animal feroz, camaleónico, apareceu a admitir o seu erro. A sua testa de ferro para o sector, menos burilada para estas andanças, ainda não conseguiu dar a mão à palmatória.
O aparente orgulho pessoal sobrepõe-se a tudo.
Como sabe que não continua, parece incapaz de admitir que errou ou que deixou que a usassem como imagem pública de políticas fracassadas.
A menos que a obriguem.
Mas depois do que a já obrigaram a fazer seria crueldade. embora a política seja isso mesmo e MLR até mereça sofrer aquilo que fez sofrer aos outros.

Na semana passada, em reunião do secretariado, Carlos César sugeriu que voltassem a esconder ministro(a)s como Maria de Lurdes Rodrigues dos olhares públicos, «atrás de biombos» (p. 5 do Expresso).

Não sei se já resolveria alguma coisa.
As feridas estão fundas e por sarar.

Realmente é melhor deixarem a Educação em paz e não relançarem o que já tinha sido lançado em Março, para encobrir o fracasso e servir de contraponto ao Livro Negro da Fenprof.


De Quotas para pagar menos aos trabalhadore a 8 de Julho de 2009 às 09:53
Mais Um Tiro Violentíssimo No Modelo De Avaliação Dos Professores
Posted by Paulo Guinote under Avaliação, Docentes, Estudos, Quotas

É que não há até agora nenhum estudo, prévio ou actual, que apoie as medidas concretas do ME nesta matéria. Nem as encomendas…
Modelo português é o único em 5 países com quotas para classificações mais altas

O modelo português de avaliação dos professores é o único de entre cinco países europeus que prevê quotas para as melhores classificações, revela um estudo comparativo encomendado pelo Governo.

O relatório “Benchmark (Padrões) de Avaliação de Desempenho”, datado de 2009, foi pedido à consultora Deloitte pelo Ministério da Educação, no âmbito do processo de implementação do Modelo de Avaliação de Desempenho dos Educadores e Professores, e compara as formas de avaliação dos docentes em Portugal, França, Inglaterra, Holanda e Polónia.

“Considerando as características genéricas do modelo de avaliação, deverão destacar-se três componentes relevantes:
a obrigatoriedade do processo, o avaliador e o sistema de quotização.

Assim, os modelos dos diferentes países são obrigatórios, os avaliadores são elementos internos à escola (com excepção da França em que o processo é externo e não obrigatório) e apenas em Portugal é contemplado um sistema de quotização/harmonização das avaliações”, lê-se no documento.

A empresa indica que este estudo “não deve ser entendido como uma avaliação ao modelo de avaliação dos docentes do ensino público”, uma vez que não foi assumida uma “posição crítica”, mas antes uma “análise factual e objectiva” de comparação.

Segundo o documento, os modelos de avaliação de desempenho de professores adoptados por estes países têm todos como princípios orientadores a qualidade do ensino, a melhoria dos resultados escolares e o desenvolvimento pessoal e profissional dos docentes.

E repare-se como os autores do estudo se refugiam ao dizer que estão a fazer uma análise factual e não uma crítica. Ora não… e se não lhes voltam a pedir mais nada?

Quanto à essência da questão, haverá a decência de admitirem que andaram a enganar a opinião pública com a fundamentação deste modelo de ADD e que mentiram (acho que é o termo certo) quanto à questão das quotas e do seu papel na excelência do ensino?


De Paulo Guinote a 22 de Junho de 2009 às 12:47
Um Imenso Ciclo Valteriano De Escolaridade Com 12 Anos (+Bolonha Como Cereja)
Posted by Paulo Guinote under Coerências, Conceitos, Educação, Protagonistas, Vazios

Talvez seja tempo de ilibar parcialmente alguns dos protagonistas políticos da 5 de Outubro de boa parte dos disparates em curso, e salientar com o merecido destaque o efectivo responsável.
• Façamos uma pequena revisão da matéria dada: Maria de Lurdes Rodrigues não sabia à chegada, nem saberá à partida, o suficiente, nem mesmo o insuficiente, para delinear qualquer tipo de política educativa. Pode ter umas ideias sobre os computadores como ferramenta tecnológica ao serviço da Educação, até pode conhecer teorias de gestão organizacional do ponto de vista sociológico-mediano, mas a verdade é que nada disso chega para estar na origem de todo o aparato e espalhafato legislativo-reformista deste mandato.
• Quanto a Jorge Pedreira, também escassa experiência ou reflexão se lhe conhece sobre o sistema de ensino e percebe-se agora que está por lá por ter sido destacado para desenvolver, com conhecimento de causa, as negociações sobre a carreira docente com os sindicatos. A pobreza argumentativa e o deslizar para a inelegância no trato em diversos momentos demonstra-nos até que ponto mesmo para isso não estava (e está) talhado, mas também é verdade que em muitos casos o objectivo era meramente provocatório.
Resta-nos, pois, a verdadeira eminência parda do ME, aquele que – a favor de ventos e marés – ergueu obra no caldinho de cultura eduquês do sucesso e que somos obrigados a admitir que tem um pensamento coerente, mesmo se profundamente errado, e que dá pelo nome de Valter Victorino Lemos.
Valter Lemos está para a Educação como certos médios empreiteiros de construção civil estão para as Obras Públicas em Portugal. Tem vasta obra feita e, apesar de recorrentemente com problemas a carecerem de correcção poucos anos depois e com desvios orçamentais razoáveis, consegue sempre mais umas encomendas graças aos conhecimentos e amizades mantidos com os decisores de primeira ordem do sector.
Não sejamos injustos: Valter Lemos tem uma ou duas ideias para a Educação em Portugal. O problema é que são ideias erradas. O maior problema é que ele tem tido rédea solta para as ir implementando, num segundo plano da governação, subterrâneo e menos visível para o observador desatento.
• E uma delas nota-se à distância, sempre que tem oportunidade: Valter Lemos acha que os professores portugueses não compreendem a dinâmica do sucesso e, apesar das suas responsabilidades pessoais crescentes na matéria, acha que a sua formação está errada e que grande parte deveria ser reformatada. O homem esteve na estranja e acha que os professorzecos nacionais são uns abrenúncios. Ao que parece com destaque para os do 2º CEB, que ele gosta de tomar como alvo (in)directo das suas declarações e acções.
• ...


De 12 anos de escolaridade obrigatória: N a 22 de Junho de 2009 às 12:49
Um Imenso Ciclo Valteriano De Escolaridade Com 12 Anos (+Bolonha Como Cereja)
Posted by Paulo Guinote under Coerências, Conceitos, Educação, Protagonistas, Vazios
...
• A outra ideia é a de que o ensino básico deverá ser um longo corredor, sem portas de saída ou obstáculos de permeio, de 12 anos do dito sucesso. E nesse sentido há que fazer desaparecer as divisões hoje existentes entre ciclos de escolaridade. Como outros eduqueses, quantas vezes alimentados pelo Instituto de Inovação Educacional nos anos 90 e refugiados em seguida no Conselho Nacional de Educação, ele apoia a medida de estender a escolaridade básica por 12 anos, transitoriamente dividida em dois ciclos de seis anos a saber:
1 Um primeiro ciclo de seis anos, leccionado por professores generalistas, com conteúdos generalistas, sem hipótese quase nenhuma de retenção pelo caminho, destinado a ensinar os alunos a ler textos com três parágrafos curtos, escrever o alfabeto, contar até 20, desenhar muito e expressar-se plástica e dramaticamente a gosto.
2 Um segundo ciclo de mais seis anos, em que as não-transições poderão acontecer, mas só depois de esgotados 23 impressos e um batalhão de ferramentas como os planos de recuperação (a estender até ao 12º ano), de modo a que qualquer aluno que saiba assinar o nome completo, distinguir o presente da Pré-História, um animal de um mineral e multiplicar com uma máquina de calcular, poderá ter acesso a um curso superior, bolonhizado claro está, e acabar em profissional de obra por fazer ou professor(zeco?) incapaz de pedir rigor e mérito a alguém, por ele próprio nunca o ter experimentado.
Este é o objectivo para o qual Valter Lemos tem trabalhado estes 4 anos e revela-se em declarações espúrias e disparatadas como as que hoje surgem no Público ao assinalar que «há um problema no 2º ciclo», que ele diz ser um ciclo de estudos que não existe em mais nenhum país da Europa. Para essa conclusão aponta o facto do insucesso nas provas de aferição ser maior no 2º do que no 1º CEB. No caso de Língua Portuguesa são 3 pontos percentuais, enquanto em Matemática são 9%.
Por esta ordem de ideias há um problema bem maior no Secundário e mesmo no Superior. Mas, alto lá!, isso também irá desaparecer com a extensão dos miraculosos planos de recuperação a esses níveis de ensino, ao mesmo tempo que se preparara o desaparecimento do 2º CEB, sem que se perceba exactamente aquilo que fundamenta esta decisão, quando quase todas as evidências estatísticas demonstram não ser esse o maior problema do nosso sistema de ensino.
Mas Valter Lemos lá saberá. Ele é que tem e fez uns livros e diz que percebe do assunto e conhece as pessoas certas. Nunca chegará a Ministro, não apenas por questões de bom senso, mas principalmente porque é um empreiteiro da Educação de segunda ordem. Mas haverá sempre quem, qual MLR em forma de testa-de-ferro, aceite tê-lo a pairar por ali, numa segunda linha, a mexer os cordelinhos.


De Anónimo a 22 de Junho de 2009 às 10:59
Mais um tretas a falar do que mal conhece...

No 1º parágrafo é o alinhamento total ao ME.
2º e seguintes tenta convencer que os ''modernismos'' são bons e do futuro e que o ensino ''tradicional'' está ultrapassado.

Quase nem merece usar caracteres...
mas só lhe lembrarei, a título de exemplo, o necessário processo, repetitivo e memorizador da aprendizagem do alfabeto e da tabuada, o mecanismo lógico das operações, o muito exercício/trabalho para consolidar 'matérias' como ortografia, composição, resolução de expressões e problemas matemáticos, as correlações dos fenómenos geográficos, das causalidades e efeitos históricos, a prática musical de instrumentos, ... aperfeiçoamento digital, manual, conceptual, dialéctico e filosófico, et coetera.

Sem por em causa algumas afirmações do escriba é preciso aprender a não tirar ilações enviesadas dos pressupostos... tal como é preciso aprender e praticar ética individual, social e intelectual.

Em 'resumo', o cavalheiro esqueceu-se (ou desconhece ou não quer referir) dos verdadeiros e reais problemas da Escola/ Ensino e das propostas de soluções apontadas por muitos dos profissionais do ramo ...


Comentar post