De . P'S' e Direita : logro colossal. a 4 de Novembro de 2011 às 16:30
Derrotas seguras da esquerda

A abstenção na votação do OE 2012,
o orçamento do empobrecimento desigual, da desvalorização salarial e social, a antítese da social-democracia,
indica que a nova direcção do PS já desistiu de dizer qualquer coisa de esquerda, qualquer coisa civilizada, qualquer coisa.
Já desistiu do país. O definhamento é seguro.

Num outro plano, personalidades de esquerda subscreveram uma petição que, independentemente das intenções, aceita um enquadramento do debate que garante estruturalmente a derrota de qualquer projecto progressista.
As convergências são mais do que nunca necessárias, mas o problema é a hipótese de partida, que desgraçadamente se aprofunda no texto:
"Os signatários reconhecem a necessidade de medidas de austeridade, mas aquelas medidas são excessivas e iníquas".
Pela minha parte, não tenho razões para alterar o que aqui escrevi há um ano atrás:

É preciso recusar a lógica da austeridade, mesmo que esta pudesse ser mais simétrica na distribuição dos fardos entre os diferentes grupos sociais.
Esta opção de política económica amputa o mercado interno, uma das pernas necessárias ao crescimento,
acentua a desindustrialização,
mina as possibilidades de crescimento qualificado no longo prazo e
atola duradouramente o país numa taxa de desemprego de dois dígitos (...)

Perante esta catástrofe, o discurso das esquerdas sobre a política económica não pode ficar exclusivamente amarrado a propostas de justiça social focadas nas questões estruturais dos défices de equidade do sistema fiscal,
traduzidos nos favores fiscais à banca e ao restante capital financeiro,
ou na predação dos recursos públicos, por exemplo, através de ruinosas privatizações ou parcerias público-privadas,
promotoras do controlo privado de serviços e infra-estruturas públicas.

(-por João Rodrigues às 4.11.11 , Ladrões de B.)
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O logro colossal
...
Este pensamento errático de Passos Coelho coloca dois problemas:
o da legitimidade política e o de saber quem manda em Portugal. É evidente que é Passos Coelho que se reúne semanalmente com Cavaco Silva, que aparece nas fotos de família dos Conselhos Europeus ou que faz as comunicações dramáticas a
informar os portugueses de que vai tirar o escalpe aos burgueses dos funcionários públicos,
mas também é cada vez mais evidente que num governo que vive para a dívida e para o orçamento quem manda mesmo é o ministro das Finanças.

O fundamentalismo liberal que preside à política económica é de Vítor Gaspar,
é o ministro das Finanças que inventa desvios para justificar os seus exageros,
é ele que decidiu desvalorizar os trabalhadores portugueses,
é ele que decide a quem se corta direitos e rendimentos.

Passos Coelho serve apenas para dar a cara no pressuposto de que é ele que consegue os votos.

Vítor Gaspar está para o governo de Passos Coelho como Salazar estava para o governo saído das eleições de Carmona em 1928,
tal como sucedeu na ocasião Gaspar quer superar a crise em dois anos
e detém o controlo sobre a despesa de todos os ministérios, uma exigência que Salazar também fez a Carmona.

Isto coloca um problema de legitimidade,
o país está a ser governado com base numa política que foi escondida dos cidadãos quando estes foram chamados a pronunciar-se em eleições legislativas,
e está a ser mandado por alguém que nem conhecia nem foi proposto para primeiro-ministro.


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