5 comentários:
De Economia P.:Corrupção,Burla,SubsidioDepe a 9 de Novembro de 2011 às 17:08

A crise do capitalismo corrupto (em Portugal e não só)

Quando tanto se fala da competitividade da nossa economia vale a pena recordar que o capitalismo português nunca viveu da competitividade da economia portuguesa, nunca cresceu em função do mercado, nunca gerou empresas competitivas.
O capitalismo português sempre sobreviveu à custa de expedientes, de recursos alheios ou, quando entrou em crise, explorando ao limite os trabalhadores.

A crise poderá ter sido gerada pelos mais diversos factores consoante a preferência de cada um, mas a verdade é que com o fim dos subsídios europeus a crise do capitalismo luso era inevitável, como é inevitável
a solução que está a ser encontrada pela direita, salvar as suas empresas e interesses económicos á custa dos trabalhadores.

É estranho que num país onde tanto se discute a competitividade na hora das soluções apenas se encontre uma, reduzir os rendimentos dos trabalhadores.
Isto significa que o pensamento dos nossos economistas, empresários e políticos ainda é o mesmo do dos donos das minas de carvão inglesas do tempo da revolução industrial.
Ou talvez pior pois esses ainda modernizaram as minas com a introdução da máquina a vapor e daí resultaram melhorias significativas para os mineiros.

Numa economia que desde a entrada na CEE foi alimentada por subsídios e onde a concorrência e o mercado foram substituídos pela corrupção esta crise era inevitável a partir do momento em que não houvesse mais para roubar.
Nos últimos trinta anos os empresários de sucesso não foram os que melhor geriram as suas empresas, mais apostaram na competência ou os que mais inovaram, os empresários melhor sucedidos foram aqueles a que alguém na madeira designou por vendedores de sifões de retrete.

Não foram os mercados que escolheram as empresas mais competitivas, foram os jogos de bastidores nos ministérios, os financiamentos ilegais dos partidos, a corrupção generalizada na sociedade portuguesa, uma corrupção que vai para além do conceito estrito do código penal.
Não admira que assalariados de políticos que enriqueceram rapidamente cheguem a primeiro-ministro ou que a moda seja os ministros transitarem para as administrações das grandes empresas.
Até os candidatos a presidente já não dispensam que grandes grupos económicos lhes emprestem gestores para lhes dirigirem as campanhas.

A actual crise do capitalismo português é mais profunda do que se diz e é a crise de um modelo de capitalismoonde o mercado foi substituído pela orrupção.
Não admira que viciados no dinheiro fácil tenham encontrado nos vencimentos e subsídios dos funcionários públicos o pote para se poderem continuar a lambuzar.
Ainda nem sequer o OE está aprovado e já são emitidos despachos manhosos permitindo aos mais ricos que fujam aos impostos.

OJumento, 9.11.2011


De Xa2 a 9 de Novembro de 2011 às 17:11
Da série "Politicamente incorrecto": do capital

O que a direita e os interesses, passe o pleonasmo, se esforçam por esconder é o facto de na base da actual crise financeira estar o excesso de oferta de crédito e não de procura.

Compreende-se a razão.
É sempre o Estado que em última instância deve compensar as falhas do mercado.
Só que neste caso isso significa pôr os depositantes a pagar os prejuízos dos accionistas dos bancos, pôr os contribuintes a pagar os erros de gestão e os prémios dos gestores, ‘culpar’ o estado social e por aí fora.

O capital cuida sempre do seu interesse.

Afonso
Publicado por Miguel Abrantes , CamaraCorporativa


De Austeridade liberta/ 'Arbeit mach frei'. a 7 de Novembro de 2011 às 14:31
Euro-Crise: Estudo

Repetem-se erros que conduziram Hitler ao poder
(- por Lusa, 5.11.2011, DN)

Dois académicos da universidade espanhola Pompeu Fabra concluíram pela história, matemática e economia o que muitos políticos aprendem na pele - que a austeridade provoca contestação social, e que mais vale subir impostos do que cortar benefícios.

"Quanto mais corto nos benefícios sociais, mais agitação social tenho.
O nível expectável de agitação aumenta maciçamente à medida que cai a despesa do Estado", disse à Agência Lusa Hans-Joachim Voth, um dos autores do estudo, resumindo a investigação que fez com Jacopo Ponticelli, com o título
"Austeridade e Anarquia: Cortes Orçamentais e Agitação Social na Europa, 1919-2009".

No estudo, os dois investigadores olharam para os movimentos de contestação social, incluindo motins, manifestações, greves gerais, assassinatos políticos, crises governamentais e tentativas de revolução, ao longo de 90 anos, em 26 países, incluindo Portugal.

Um período que envolveu uma guerra mundial, assassinatos de presidentes e líderes políticos, nascimentos e mortes de nações, o fim da colonização e inúmeras revoltas e revoluções.

Ponticelli e Voth, investigador de História Económica, concluíram que os países que escolheram aumentar os impostos em vez de reduzir as prestações e serviços sociais enfrentaram menos contestação nas ruas.

"Subir impostos quase não teve efeitos, em comparação com os cortes na despesa.
Quem paga impostos tem emprego e portanto, tem muito a perder, enquanto quem recebe transferências sociais - grande parte da despesa pública nos países observados - tem pouco a perder e sente que não é parte interessada na sociedade", explica o investigador.

"Ao ver o Estado cortar a despesa, ao dizer aos mais pobres que eles não têm prioridade, um número significativo vai decidir que este não é o género de sociedade em que querem viver",
acrescenta Voth, que compara o fenómeno a um fogo - o fósforo pode ser uma causa exterior, mas o combustível são as razões que
levam "tantas pessoas dispostas a assumir o pior e a decidir invadir as ruas" e partir para as formas mais extremas de contestação.

O investigador admite que, extrapolando para o futuro as conclusões do passado, é possível recear que o espectro da contestação aumentada ameace a Europa nos próximos anos, até porque, diz Voth,
a revolta "tem a ver com as expectativas" e a classe média, que se habituou a esperar do Estado muito mais, deverá engrossar a massa contestatária.

"Se tudo desabar na agitação social, haverá um segundo ciclo em que nos vamos deparar com menos crescimento e receitas fiscais ainda mais baixas.

Depois tem que se cortar outra vez e vamos acabar numa espiral, vamos acabar por destruir grande parte do tecido social e político que mantém a estabilidade na Europa", prevê Voth.

O investigador, nascido na Alemanha há 43 anos, diz mesmo que, no caso da crise na Grécia, a Europa vai "olhar para trás e ver que perdeu uma oportunidade gigante" para reforçar o continente e corrigir uma política económica e financeira que Voth compara mesmo àquela que levou à ascensão de Adolf Hitler.

"É o que os alemães viveram no início da década de 1930.
A cada ano, o governo tomava novas medidas orçamentais, reduzia os salários da função pública, tentava equilibrar o orçamento e
sempre que fazia isto a economia contraía ainda mais, as receitas fiscais era ainda mais baixas, o governo tinha de cortar mais e,
no final, destruiu a democracia alemã.

"Repetir este erro é completamente imperdoável, em 2011", concluiu Voth.


De ." Como foi/ é possível ? " chegar aqui. a 7 de Novembro de 2011 às 14:38
Perguntar-se-á

«Para muitos a proposta de referendo resumiu-se à rotunda humilhação do seu proponente, George Papandreous,
alguém que, pragmaticamente, terá acabado por perceber a magnitude da sua veleidade.
Pois bem, é uma leitura respeitável que só peca por estar olimpicamente errada.

Ao aventar a hipótese de referendo Papandreous desencadeou um outro escrutínio:
"A construção europeia tem algum pingo de respeito pela democracia?"
À falta de referendo tivemos, pois, uma significativa eurosondagem em que o não à democracia demarcou com maior nitidez as fronteiras do seu império.
No ostensivo esmagamento perpetrado pelo "Não ao referendo" está a dádiva de limpidez de Papandreous para toda uma geração de europeus.»

(Bruno Sena Martins, no Arrastão. A imagem é, evidentemente, da Gui Castro Felga :
« Quando os Mercados entram pela porta; a Democracia sai pela janela » ).

Quando se fizer a história dos tempos sombrios que a Europa atravessa, a perplexidade que hoje sentimos será porventura ainda maior.
Perguntar-se-á como foi possível convencer as opiniões públicas a esquecer a verdadeira origem da crise
(o desvario dos mercados financeiros, decorrente da sua liberalização e desregulamentação),
deixando-a intocada, e acreditar que o problema se encontra no Estado e nas políticas públicas.

Perguntar-se-á como foi possível subordinar deliberadamente a Política a esses mesmos mercados e aos seus instáveis humores.
Perguntar-se-á como foi possível continuar a acreditar (apesar dos ensinamentos do passado e dos sinais acumulados de fracasso do presente) que uma recessão se ultrapassa atravessando o fogo austeritário.

Perguntar-se-á como foi possível esmagar a decisão soberana de cada país em matéria de correcção dos défices públicos
(em larga medida agravados pelos impactos económicos da própria crise financeira),
impondo-lhes unilateralmente a esgotada cartilha, apresentada como inevitável, de desmantelamento do Estado.

Perguntar-se-á como foi possível que lideranças tão medíocres tomassem conta do ideal europeu e desprezassem - olimpicamente - um dos pilares que melhor o identificam: a própria democracia.

Perguntar-se-á, enfim, como foi possível deixarmo-nos chegar aqui.

(-por Nuno Serra às 6.11.11 , Ladrões de B.)


De .Lavar cérebros e oportunismo capital. a 9 de Novembro de 2011 às 18:16

Estupidificar o país para negar as evidências
(-por Daniel Oliveira, Arrastão, 8.11.2011)

Já tenho a boca seca e os dedos gastos de dizer e escrever a mesma coisa: Portugal vai renegociar a sua divida.
É só uma questão de tempo. E isso acontecerá em 2012 ou, o mais tardar, em 2013. Porque, nas atuais circunstâncias, esta dívida é impagável e a única coisa que os credores esperam é esmifrar o devedor até ele estar completamente seco.
E preparam-se para o incumprimento, tal como fizeram com a Grécia.
Não tenho nenhuma capacidade premonitória, apesar de, com mais algumas pessoas, incluindo alguns economistas marginalizados, sentir por vezes que ando a pregar no deserto.
Apesar dos apelos para o fazer enquanto a nossa economia não entrou em colapso terem sido tantas vezes vistos como um apelo ao calote.
Agora, a evidência entrou pelos olhos da opinião mainstream. E até já o primeiro-ministro o reconhece.
E quando Passos Coelho compreende uma coisa, quer dizer que essa coisa pode ser entendida por toda a gente.

E esta é uma das partes mais estranhas desta crise:
a propaganda é de tal forma poderosa e o desnorte é de tal forma generalizado, que até aquilo que entra pelos olhos dentro de um leigo informado é tido como um absurdo até à vespera de se confirmar.
E essa é uma das razões porque nos vamos enfiar num buraco sem fundo: negamos qualquer solução até ela deixar de o ser, por ser tarde de mais.

Este processo de negação coletiva resulta, nuns casos, de cegueira, noutros de oportunismo.
Oportunimo porque há quem queira aproveitar esta crise para, perante um ambiente de "estado de sitio", impor o seu programa ideológico:
argumentando com uma suposta insustentabilidade do modelo social europeu, reduzir o papel social do Estado, privatizar quase tudo a preço de saldo e mudar as leis laborais.

Vou então continuar a pregar no deserto:
Portugal, se a Europa não arrepiar caminho (e não há qualquer sinal de que o fará), vai acabar por sair do euro.
E se esse destino se confirmar, mais vale, antes de acabar o processo de destruição da nossa economia, preparar-se para isso.
E sair a tempo de, no meio dessa tragédia social, económica e política (que é, apesar de tudo, reversível), tirar disso algum proveito.
A única vantagem, no meio de tantas desvantagens, de sair do euro, é a de usar o instrumento da desvalorização monetária para competir em vez da desvalorização da economia.
Mas de nada servirá se, quando chegarmos a esse ponto, já não houver nada para salvar.

Nada do que aqui escrevo, sendo obviamente muito discutível, é escandaloso para quem, mesmo disscordando, esteja minimamente informado sobre o que se está a passar na Europa e em Portugal.
Acontece que, mais do que uma suspensão da democracia e do contraditório, parece haver um acordo para a suspensão da inteligência.

E quando é possível ouvir, da boca de uma pessoa com as responsabilidades de João Salgueiro, que basta olhar "para os carros que por aí andam" para perceber que os portugueses ainda não estão a fazer sacrifícios a sério, percebe-se até onde está a ir a poupança de neurónios.
O debate político e económico não está a ser estupidificado por qualquer incapacidade cognitiva nacional.
Manter a conversa ao nível do "taxista" (que me perdoe tão nobre classe profissional pela força de expressão) faz parte da lavagem aos cérebros a que estamos a assistir.


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