Democracia e partidos

Substitui-los, mas como?

Efectivamente, o que se passou, recentemente, com a Grécia, propósito do nado morto referendo, veio clarificar, para quem ainda tivesse duvidas, que a democracia e a solidariedade na Europa já não é o que soía.

A “ausência de democracia e de solidariedade” na Europa começou/nasceu dessa mesma ausência no interior dos próprios partidos e em quem os controla. Assim, a cura de tal doença só será conseguida quando e na medida em que se resolva dentro desses partidos a menos que surja algo que os substitua.

Neste caso, os povos e, eminentemente, os políticos europeus não conseguiram salvaguardar uma sã convivência entre a democracia representativa e a democracia participada, coisa que nada trem de novidade, bastaria aprendermos e copiar, com a necessárias e sábias adaptações, o que se pratica na confederação helvética, a Suíça.

Veja-se o que se passa no próprio partido socialista, cuja participação foi fundamental e estruturante da democracia pós 25 de Abril no que se tornou. Que evolução tem trilhado o PS dos tempos mais recentes no âmago do debate interno, na dinamização da sua estrutura, supostamente, de funcionamento democratico desde as bases (leia-se secções) até ao topo?

Quais são, efectivamente, os espaços de debate, abertos e sem calculismos, sobre a ocupação de um qualquer pelouro na própria estrutura e de legitimidade dos que já estão agarrados?

Será convocando, com duas horas de antecedência, os militantes para um qualquer debate sobre o momento político que o país atravessa, que se mobilizam os socialistas?

Quando, como e quem debate a situação interna partidária e o respectivo exercício da democrático, com exigências de funcionamento transparente, a todos os níveis?

Como são obtidos os dinheiros gastos em campanhas internas?

Como são escolhidos os candidatos propostos ou que se auto propõem(?) para o desempenho de cargos internos e os que são propostos ao exterior?

Não sendo capazes de se regenerar, sobretudo nos seus funcionamentos internos e nos seus comportamentos exteriores, haveria que substitui-los mas como?



Publicado por Zé Pessoa às 14:16 de 07.11.11 | link do post | comentar |

4 comentários:
De .Opções de cidadania POLÌTICA activa... a 7 de Novembro de 2011 às 16:56
Como SUBSTITUIR os líderes partidários-políticos...? Interessantes questões.
Como? Quem/ por quem ?

O sistema em que vivemos ('democracia partidária' em 'regime económico capitalista', num 'Estado de direito', ...) reconhece como valores pertinentes o VOTO, o DINHEIRO e o Direito/'legalidade' , pelo que a CONQUISTA do PODER ou se faz através deles ... ou com uma REVOLUÇÂO armada (popular e/ou militar).

Assim, há que colocar alguns considerandos:
1- se quer/ 'deseja com muita força' uma determinada opção/medidas/ para a comunidade (para a maioria ou grande parte da população) ... isso implica CONQUISTAR o PODER ...
(e que não se pode desligar do estar/ser/ fazer 'política', passiva e/ou activa, seja pelo próprio ou em colaboração com outros).

2- se não tem armas nem um grupo de seguidores dispostos a correr grandes riscos físicos/pessoais (e até vitais, familiares e patrimoniais) ... esqueça a opção Revolucionária ... embora, se for dotado para a informática, possa tentar a ciber-revolução ('Anonymous', 'wikileaks', 'piratas informáticos', ...)

3- se não tem grandes dotes persuasivos, nem dinheiro (muito), nem amigos muito bem colocados ... esqueça opções fáceis e rápidas.

Ainda quer prosseguir ? Sim, é um cidadão conscencioso e com algumas ideias...

4- Então, prepare-se que vai ter de 'torcer' seus valores/ética e 'engolir muitos sapos'... talvez 'rastejar', 'sabujar' 'subir na horizontal', 'engraixar' muito, ... ter muita paciência, ir arranjando e dispondo de 'pedrinhas/peões' ... e mesmo assim não é seguro...

Nesta fase, abrem-se algumas escolhas (ou combinações de opções):

5a- Pode criar um partido /movimento de raíz (opção fraca, difícil manter o 'elan' inicial),

5b- pode ''tomar e alterar'' um pequeno e semi-abandonado partido/movimento já existente (opção forte),

5c- pode inscrever-se e militar num partido já existente e ''trepar'' toda a hierarquia (incluindo para tal fazer rasteiradas, 'punhaladas', atropelos à ética/regulamentos/ legalidade/ democracia... temporários acordos e alianças insuspeitas) - esta é a posição 'intermédia', 'tradicional', mas que faz desistir muitos... (se fizer o percurso prévio das ''jota'' fica muito melhor preparado nas práticas e retóricas...).

5d- pode ''contornar ou trepar'' uma série de degraus hierárquicos se for convidado (por amigo, sócio ou familiar bem posicionado...) ou se fizer uma ''carreira'' de sucesso num sector da ''sociedade civil'' (do ''dinheiro'', do ''direito'', das ''corporações''... sindicais, patronais, associativas, desportivas, ONGs, académicas, ...) - há muitos casos de sucesso por esta via...

6- Nesta altura, se conseguiu chegar ao grupo de topo, ... lamento dizê-lo, mas é enorme a probabilidade de ser/proceder como aqueles que criticava antes e queria substituir... embora admite que alguns aida tenham boas intenções, alguns valores éticos e sentido de Estado... mas se ficarem mais de 2 mandatos...

7- Para os 'crentes/alienados' e/ou 'menos dotados' de clareza há sempre a esperança de um milagre, um d.Sebastão, um herói salvador da pátria.... e então continue a barafustar baixinho...

8- Então que fazer ? (em alternativa à POLÍTICA activa ):

8a- Emigrar... sim é duro, muito, mas para quem não tem dinheiro, nem 'tomates' mas tem 'espinha', ... é sempre uma hipótese a considerar ... ou é uma 'fatwa'/decreto de "ostracismo ou submissão" do Governo/elite deste país desde há séculos...

8b- Convidar/ convencer suiços, nórdicos, canadianos ou neo-zelandeses a residir em Portugal, obter dupla cidadania, criarem um partido político e tomarem o poder...

Zé T.


De Emigar, e depois... a 8 de Novembro de 2011 às 10:43
Provavelmente terei que emigrar e tentar, juntando-me a outros compatriotas, no regresso trazer o maior numero possível de Helvéticos , alemães, ingleses, neozelandeses e o mais que pudermos para substituir os portugueses que "andam por aí" a foder isto tudo.


De Opções de cidadania Política activa2 a 8 de Novembro de 2011 às 11:51
...
8c- Submeter-se, ... e esperar que umas côdeas ossos e migalhas caiam da mesa dos poderosos, que o milagre ou a lotaria/euromilhões lhe saia, ...
sofrer (excesso de trabalho e humilhações, poupar muito...) para ''investir'' numa ''mini-bóia'' salvadora para o futuro ... investir na educação/futuro dos filhos... para que pelo menos eles se salvem/tenham um futuro melhor/decente.

8d- ''comer (pouco/mal) e calar (a maior parte das vezes)'' ... mas fazer resistência passiva, greve de zelo, pôr ''areia na engrenagem'', ... manifestar-se quando possível, escrever, conversar, ''educar''/esclarecer jovens familiares amigos colegas... equilibrar a auto-preservação (familiar, física, mental e ético-ideológica) com o ''poupar e investir'' em algo/alguém ...

8e- uma mistura (em graus idiferentes) de várias opções/ comportamentos, conforme as circunstâncias e meios existentes (iniciais e ao logo da vida...), informação, capacidade de descernimento e preparação própria e/ou de grupo ... i.e. sobrevivendo, preparando-se para e aproveitando as eventuais oportunidades...

9- Claro que para estas 'opções' existe um enquadramento, uma organização e uma cultura, ...
que de facto é cada vez mais individualista, anti-colectivo/ anti-público, consumista/materialista e alienadora,
que (para viciar, embutir sentidos e raciocínios, para 'deformar', alienar e desUNIR os cidadãos ...perante as forças/elites que detêm o poder) 'oferece/investe' doses maciças de ''DROGAs''
(tabaco, alcoól, químicos, ... mas também espectáculos, 'shows', concursos, novelas, jogos, desinformação, excesso de sons/imagens/ texto/dados-LIXO, e excesso de publicidade/marketing, marcas, 'gadgets', produtos,... - o novo ''pão-e-circo'' dos romanos de topo para manter o 'povo' entretido e não se revoltar, não os tirar do poder).

Uma 'cultura' do poder que, à maioria da população, RETIRA meios Desincentiva e Desacredita a Educação, o Ensino, a Investigação, a Justiça, a Honestidade, o Trabalho, a Família, a Cidadania participativa, a Comunidade, os serviços e servidores isentos do Estado, ....
uma 'cultura' que promove (ou não penaliza) modelos /exemplos de Estupidez comportamental/social, de Corrupção, de Sacanice, Fuga a Impostos e às Responsabilidades Sociais, trafulhice/esquemas de desenrascanço, 'economia subterrânea', ...
uma 'cultura' de enriquecimento/lucro rápido/ fácil, de sucesso do ''self-made-man'' com pouco esforço/ estudo/ trabalho/ poupança/ investimento e pouco ou nenhum Desenvolvimento...
Uma 'cultura' que se entranhou a nível global no espaço e nas sociedades ... que usa o ''dinheiro'' como meio de referência, de presssão, de conquista e de endeusamento - e que beneficia das fraquezas Humanas e da Democracia para se instalar, crescer, dominar e ... abafar/abater outras culturas, outros pensamentos propostas práticas pessoas e organizações menos unidas/estruturadas, minoritárias, alternativas ou diferentes.

10- conclusão ... « o Homem é um animal político », entendendo-se : homem e mulher; animal com necessidades, instintos, capacidades, vivência,...;
que vive (só sobrevive como tal) em sociedade/polis, mais ou menos estruturada, segundo condições e regras que não são imutáveis mas dinámicas, partilhando (quer queira ou não queira, conscientemente ou manipulado) o estar e o fazer, as causas, os factos e as consequências ... partilha essa que geralmente é desigual e depende de um conjunto de recursos e forças sempre em 'jogo'.... ;
e se alguém (pensa que) ''se abstém de jogar'' é, de facto, ''jogado e joguete'' de outros.

Assim, embora compreenda/respeite ...a 'opção' de
emigração, de abstenção, de apatia ou de alienação relativamente à participação activa na Política ... NÃO posso concordar... nem posso ficar quieto.

Zé T.


De . Democracia melhor, sempre. a 8 de Novembro de 2011 às 12:07
Excelente reflexão no 'post' e nos comentários.

A Democracia (apesar de não ser perfeita) é o melhor sistema político, tem de ser melhorada, praticada, defendida e conquistada (não nos é oferecida de graça) no dia-a-dia, por todos os que não querem, não gostam da opressão e da exploração desenfreada.

Quanto às tentativas e lutas de cada um... Nunca será o facto de perdermos que retirará justeza ao que defendemos.
Em democracia ganha quem tem mais votos mas não são os votos que dão mais ou menos razão.
O que eles nos dizem é que, mesmo sem razão, alguma coisa ganhou e alguma coisa perdeu.
Validam a legitimidade, nunca validam a razão.


Comentar post

DESTAQUE DO MÊS
14_04_botão_CUS
MARCADORES

todas as tags

CONTACTO

Email - Blogue LUMINÁRIA

ARQUIVO

Junho 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Online
RSS
blogs SAPO