Opções de cidadania e política activa

[Que Democracia e partidos ? ou como substituir os líderes partidários-políticos...?]

 

    O sistema em que vivemos ('democracia partidária' em 'regime económico capitalista', num 'Estado de direito', ...) reconhece como valores pertinentes o DINHEIRO, o Direito/'legalidade'  e o VOTO, pelo que a CONQUISTA do PODER  se faz através deles ... ou com uma REVOLUÇÂO  (popular e/ou militar).

    Mas há que colocar algumas considerações:

1- se quer/ 'deseja com muita força' uma determinada opção política/medidas para a comunidade (para a maioria ou grande parte da população) ... isso implica querer CONQUISTAR o PODER ... (logo, do estar/ser/ fazer 'política', passiva e/ou activa, preferencialmente em colaboração com outros).

2- se não tem armas nem um grupo de seguidores dispostos a correr grandes riscos físicos/pessoais (e até vitais, familiares e patrimoniais) ... esqueça a opção Revolucionária ... embora, se for dotado para a informática, possa tentar a ciber-revolução ('Anonymous', 'wikileaks', 'piratas informáticos', ...)

3- se não tem grandes dotes persuasivos, nem dinheiro (muito), nem amigos muito bem colocados ... esqueça opções fáceis e rápidas.

 

   Ainda quer prosseguir ? Sim, é um cidadão conscencioso e com algumas ideias...

4- Então, prepare-se que vai ter de 'torcer' seus valores/ética, fazer cedências e 'engolir muitos sapos'... e, porque 'isto' (nós e o 'nosso' sistema e cultura) está muito mal e 'minado', se quer mesmo mudar talvez tenha de 'rastejar', 'sabujar', 'subir na horizontal', 'engraixar' muito, ... ter muita paciência, ir arranjando e dispondo de 'pedrinhas/peões' ... e mesmo assim não é seguro...

5- Neste percurso, abrem-se algumas escolhas (ou combinações de opções):

    5a- Pode criar um partido /movimento de raíz (mas é difícil manter o 'elan' inicial e chegar ao poder político de 1º nível),

    5b- pode ''tomar e alterar'' um pequeno e semi-arruinado partido já existente (opção mais prática),

    5c- pode inscrever-se e militar num partido já existente e ''trepar'' toda a hierarquia (incluindo para tal fazer rasteiradas, 'punhaladas', atropelos à ética/regulamentos/ legalidade/ democracia... temporários acordos e alianças discretas) - esta é a posição 'intermédia', mais comum, mas que faz desistir muitos... (se fizer o percurso prévio das ''jota'' fica muito melhor preparado nas práticas e retóricas...).

    5d- pode ''herdar um lugar'', ''cair de paraquedas'' ou ''contornar'' uma série de degraus hierárquicos se for ''especial'' (convidado por amigo, sócio ou familiar bem posicionado...) ou se fizer uma ''carreira'' de sucesso num sector da ''sociedade civil'' (do ''dinheiro'', do ''direito'', das ''corporações'' profissionais, associativas, desportivas, ONGs, académicas, ...) - há muitos casos de sucesso pessoal por esta via rápida, mesmo com estranhos zigzagues e ligações (da maçonaria à OpusD., do nepotismo ao crime, ...), mas são precisamente casos destes que descredibilizam partidos e política.

 

6- Nesta altura, se conseguiu chegar ao grupo de topo, ... é enorme a probabilidade de ser/proceder como aqueles que criticava antes e queria substituir... embora admita que alguns ainda tenham boas intenções, alguns valores éticos e sentido de Estado... mas se ficarem mais de 2 mandatos...

7- Para os 'crentes/alienados' e/ou 'menos dotados' de clareza há sempre a esperança de um milagre, um d.Sebastão, um herói salvador da pátria.... e entretanto podem continuar a beber, ver tv e a barafustar baixinho ...

 

8- Então que fazer ? (em alternativa à participação na POLÍTICA activa [1 a 6] ):

8a- Emigrar... sim é duro, muito, mas para quem não tem dinheiro, nem 'tomates' mas tem 'espinha', ... é sempre uma hipótese a considerar ... até porque está em vigor uma 'fatwa'/decreto de "ostracismo ou submissão" do governo/elite deste país desde há séculos...

8b- Convidar/ convencer suiços, nórdicos, canadianos ou neo-zelandeses a residir em Portugal, obter dupla cidadania, criarem um partido político e tomarem o poder ... desde que incluam a obrigatoriedade de em cada ano irem substituindo 1/4 de todos os quadros, com novos cidadãos expatriados...

 

8c- Submeter-se à semi-escravatura, ... e esperar que umas côdeas ossos e migalhas caiam da mesa dos poderosos, que o milagre ou a lotaria/euromilhões lhe saia, ... sofrer (excesso de trabalho e humilhações, poupar muito...) para ''investir'' numa ''mini-bóia'' salvadora para o futuro ... investir na educação/futuro dos filhos... para que pelo menos eles se salvem/tenham um futuro melhor/decente.

8d- ''comer (pouco) e calar (a maior parte das vezes)'' ... mas fazer resistência passiva, greve de zelo, pôr ''areia na engrenagem'', ... manifestar-se quando possível, escrever, conversar, ''educar''/esclarecer jovens familiares amigos colegas... equilibrar a auto-preservação (familiar, física, mental e ético-ideológica) com o ''poupar e investir'' ... para um futuro melhor.

8e- uma mistura (em graus idiferentes) de várias opções/ comportamentos, conforme as circunstâncias e meios existentes (iniciais e ao logo da vida...), informação a recolher, capacidade de descernimento e preparação própria e/ou de grupo ... i.e. sobrevivendo, ''preparando-se para'' e aproveitando as eventuais oportunidades...

 

    9- Claro que para estas 'opções' existe um enquadramento, uma organização e uma cultura, ...

que de facto é cada vez mais individualista, anti-colectivo/ anti-público, consumista/materialista e alienadora, ... 

que 'oferece/investe' doses maciças de ''DROGAs'' (tabaco, alcoól, químicos, ... mas também espectáculos, 'shows', concursos, novelas, jogos, desinformação, excesso de sons/imagens/ texto/dados-LIXO, e excesso de publicidade/ marketing, marcas, 'gadgets', produtos,... - o novo ''pão-e-circo'' dos romanos de topo para manter o 'povo' entretido e não se revoltar, não os tirar do poder), ...

para viciar, embutir sentidos e raciocínios, para 'deformar', alienar e desUNIR os cidadãos ...perante as forças/elites que detêm o poder.

    Uma 'cultura' do poder que, à maioria da população, Retira direitos e meios, Desincentiva e Desacredita a Educação, o Ensino, a Investigação, a Justiça, a Honestidade, o Trabalho, a Família, a Cidadania participativa, a Comunidade, os serviços e servidores isentos do Estado, ....

    Uma 'cultura' que promove (ou não penaliza) modelos /exemplos de Estupidez comportamental/social, de Corrupção, de Sacanice, Fuga a Impostos e às Responsabilidades Sociais, trafulhice/esquemas de desenrascanço, 'economia subterrânea', ...

    Uma 'cultura' de enriquecimento/lucro rápido/ fácil, de sucesso do ''self-made-man'' com pouco esforço/ estudo/ trabalho/ poupança/ investimento e pouco ou nenhum Desenvolvimento...

    Uma 'cultura' que se entranhou a nível global no espaço e nas sociedades ... que usa o ''dinheiro'' como meio de referência, de presssão, de conquista e de endeusamento - e que beneficia das fraquezas Humanas e da Democracia para se instalar, crescer, dominar e ... abafar/abater outras culturas, outros pensamentos propostas práticas pessoas e organizações menos unidas/estruturadas, minoritárias, alternativas ou diferentes.

 

    10- « o Homem é um animal político », entendendo-se : homem e mulher; animal com necessidades, instintos, capacidades, vivência,...; que vive (só sobrevive como tal) em sociedade/polis, mais ou menos estruturada, segundo condições e regras que não são imutáveis mas dinámicas, partilhando (quer queira ou não queira, conscientemente ou manipulado) o estar e o fazer, as causas, os factos e as consequências ... partilha essa que geralmente é desigual e depende de um conjunto de recursos e forças sempre em 'jogo'.... ; e se alguém (pensa que) ''se abstém de jogar'' é, de facto, ''jogado e joguete'' de outros.

     Assim, embora compreenda/respeite ...a 'opção' de emigração, de abstenção, de apatia ou de alienação relativamente à participação activa na Política ... NÃO posso concordar... nem posso ficar quieto.

     A Democracia (apesar de não ser perfeita) é o melhor sistema político que temos, tem de ser melhorada, praticada, defendida e conquistada (não nos é oferecida de graça) no dia-a-dia, por todos os que não querem, não gostam da opressão, da injustiça e da exploração desenfreada.

     Quanto às tentativas e lutas de cada um... Nunca será o facto de perdermos que retirará justeza ao que defendemos. E sem tentarmos/ lutarmos nunca obteremos nada (pois ''não há almoços grátis'' !).

     Em democracia ganha quem tem mais votos mas não são os votos que dão mais ou menos razão. O que eles nos dizem é que, mesmo sem razão, alguma coisa ganhou e alguma coisa perdeu. Validam a legitimidade, nunca validam a razão. Pelo que devemos continuar a lutar pela Justiça e por uma Democracia melhor, sempre.

 

(- adaptado de comentários de Zé T.)



Publicado por Xa2 às 13:52 de 08.11.11 | link do post | comentar |

2 comentários:
De ."Como foi/ é possível ? " chegar aqui. a 9 de Novembro de 2011 às 09:10
" Como foi/ é possível ? " chegar aqui (tão baixo na economia e na democracia) ?!!.
Perguntar-se-á

«Para muitos a proposta de referendo resumiu-se à rotunda humilhação do seu proponente, George Papandreous,
alguém que, pragmaticamente, terá acabado por perceber a magnitude da sua veleidade.
Pois bem, é uma leitura respeitável que só peca por estar olimpicamente errada.

Ao aventar a hipótese de referendo Papandreous desencadeou um outro escrutínio:
"A construção europeia tem algum pingo de respeito pela democracia?"
À falta de referendo tivemos, pois, uma significativa eurosondagem em que o não à democracia demarcou com maior nitidez as fronteiras do seu império.
No ostensivo esmagamento perpetrado pelo "Não ao referendo" está a dádiva de limpidez de Papandreous para toda uma geração de europeus.»

(Bruno Sena Martins, no Arrastão. A imagem é, evidentemente, da Gui Castro Felga :
« Quando os Mercados entram pela porta; a Democracia sai pela janela » ).

Quando se fizer a história dos tempos sombrios que a Europa atravessa, a perplexidade que hoje sentimos será porventura ainda maior.
Perguntar-se-á como foi possível convencer as opiniões públicas a esquecer a verdadeira origem da crise
(o desvario dos mercados financeiros, decorrente da sua liberalização e desregulamentação),
deixando-a intocada, e acreditar que o problema se encontra no Estado e nas políticas públicas.

Perguntar-se-á como foi possível subordinar deliberadamente a Política a esses mesmos mercados e aos seus instáveis humores.
Perguntar-se-á como foi possível continuar a acreditar (apesar dos ensinamentos do passado e dos sinais acumulados de fracasso do presente) que uma recessão se ultrapassa atravessando o fogo austeritário.

Perguntar-se-á como foi possível esmagar a decisão soberana de cada país em matéria de correcção dos défices públicos
(em larga medida agravados pelos impactos económicos da própria crise financeira),
impondo-lhes unilateralmente a esgotada cartilha, apresentada como inevitável, de desmantelamento do Estado.

Perguntar-se-á como foi possível que lideranças tão medíocres tomassem conta do ideal europeu e desprezassem - olimpicamente - um dos pilares que melhor o identificam: a própria democracia.

Perguntar-se-á, enfim, como foi possível deixarmo-nos chegar aqui.

(-por Nuno Serra às 6.11.11 , Ladrões de B.)


De . Abstenção e Queda . a 8 de Novembro de 2011 às 16:42
------- A Queda (da Itália e de Berlusconi)

Ironias da economia política europeia:
Berlusconi, que ao longo dos anos tem conseguido sobreviver a inúmeros processos judiciais e à indignação de milhões de italianos contra a sua versão especialmente abjecta de populismo neoliberal,
encontra-se agora num beco sem saída devido exactamente à mesma conjugação de processos que começou por afectar a Grécia e Portugal:
perda de competitividade devido à arquitectura do euro;
queda das receitas fiscais devido à recessão de 2008 em diante;
ataques especulativos contra a solvabilidade do Estado italiano dada a ausência de um Banco Central que actue como credor de última instância a uma escala credível.

No que diz respeito à política italiana, a possível saída de cena de Berlusconi, se se concretizar, obviamente só pecará por tardia.
Mas não deixará de ser curioso se, com tanta iniquidade que lhe pode ser apontada, o primeiro-ministro italiano acabar por ver-se forçado a demitir-se devido a um conjunto de factores que, apesar de contarem com a sua cumplicidade, não são da sua directa responsabilidade.

A quantos mais países terá esta crise de estender-se para que cessem os moralismos em torno do “viver acima das possibilidades” e se encare de frente o dilema inescapável da zona euro, que é reformar-se a sério ou dissolver-se?

(-por Alexandre Abreu às 8.11.11 )

-------- Acabou?

Alguém é capaz de me explicar por que é países em vias de desenvolvimento deviam ter ajudado a “salvar” uma Zona Euro substancialmente mais rica, participando num fundo tóxico?
Do Brasil à China, a recusa em entrar no buraco pensado por Merkozy e cavado pelos seus subalternos nas periferias é racional.

Os problemas estão num Zona Euro disfuncional, mas com recursos mais do que suficientes para os resolver e com soluções europeias imediatas, propostas durante muito tempo apenas por sindicatos, partidos de esquerda e economistas críticos,
que hoje nos permitiriam ganhar tempo para pensarmos em reconstruir relações económicas com dignidade – da acção de um verdadeiro Banco Central ao impulso do Banco Europeu de Investimento, passando pelas euro-obrigações.
Nada disto será instituído.

A aposta míope das elites há muito que é outra:
usar a crise e a austeridade como oportunidade para destruir o muito que resta dos modelos sociais nacionais.
Continuarão a deixar as forças da especulação jogar ao dominó, enquanto por cá tentam
intoxicar os cidadãos com moralismos, empobrecimentos dignos e equitativos,
a retórica dos intelectuais (des)orientados, e destroem imoralmente o laço social com utópicas “reformas estruturais” e com austeridade que só pode ser depressiva.

A França é a próxima peça impossível depois da Itália e da Espanha. A Alemanha pode esperar. Entretanto, parece que já há quem exija contratos em dracmas.

Neste contexto, será que só nos resta pensar no nosso futuro pós-euro, usando as armas de que dispomos para tentar almofadar esta mudança?

(-por João Rodrigues às 7.11.11 )

-------- Abstenção violenta

António José Seguro tem razão: a opção pela abstenção do PS em relação ao próximo Orçamento de Estado é violenta, pois legitima, de forma inexorável, uma proposta orçamental que o próprio classifica como contendo «medidas violentas e profundamente injustas».

De facto, ao apresentar «três moedas de troca» para não votar contra (poupar um dos cortes previstos aos funcionários públicos e reformados, reduzir o aumento do IVA para a restauração e criar uma linha de apoio ao crédito às empresas através do BEI), Seguro dá a sua benção a todos os outros golpes no Estado social e nas políticas públicas, que o OE consagra (nomeadamente os cortes brutais na Saúde e na Educação).

Não pense pois o secretário-geral do Partido Socialista que a abstenção o demarca do Orçamento. Quando o país estiver, no próximo ano, a viver dolorosamente o seu impacto, será como se o PS tivesse votado a favor. O acordo da troika não o obrigava a subscrever, mesmo que a tinta incolor, este orçamento, que está muito para lá das suas fronteiras.

Fica aliás uma dúvida inquietante por esclarecer: quanto pior teria que ser a proposta orçamental para que o PS votasse contra?

(-por Nuno Serra às 7.11.11 , Ladrões de B.)


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