3 comentários:
De Ricardo a 9 de Novembro de 2011 às 17:26
Ora nem mais,o caso dos submarinos é um bom exemplo,e Portugal é que arrisca ir ao fundo.Esta europa merkozy é uma fraude!


De Zé T. a 9 de Novembro de 2011 às 15:40
CARTA GREGA

Tirando algumas grandes 'minudências' e especificidades... também se podia substituir o nome «gregos» pelo de «portugueses», ...
(embora, em boa perspectiva, os ''Grandes Descobrimentos dos Portugueses'' sejam de grau menor do que os ''Ideais Humanísticos'' que a cultura Grega nos ofereceu; mas já o contributo da diáspora/ emigrantes portugueses e gregos é semelhante), ...idem para outros povos...

Mas o que quero mesmo salientar são 3 aspectos da EXEMPLAR carta do grego ao ignorante sobranceiro alemão
(este é um mau exemplar, demasiado vulgarizado por muitos países,
mas, felizmente, muitos alemães são/foram de primeira grandeza Humanística, património não da Alemanha mas do Condomínio Terra)::

1- o INSULTO e ofensa moral e intelectual que alguns fazem a outos povos, culturas e indivíduos;

2- a análise ECONÓMICO-POLÍTICA de interligação de produtores/vendedores a consumidores;

3- a CO-RESPONSABILIZAÇÂO de quem 'decide/governa' com a daqueles que corrompem/'compram' governantes para obterem concessões e contratos RUINOSOS para o erário/ património público !!


De ... a 9 de Novembro de 2011 às 18:06
A dívida da Alemanha à Grécia
(-por Sérgio Lavos, Arrastão)

Esclarecedor artigo publicado no Guardian em Junho passado, escrito pelo historiador Albrecht Ritschl (link deixado pelo Luís Rainha na caixa de comentários de um post mais abaixo) que eu decidi traduzir:

"Os alemães não andam muito divertidos. Basta olhar para os tablóides ou para os blogues para se perceber que a opinião pública está em ponto de ebulição.
Obrigados a financiar mais um aumento da dívida pública e mais um resgate das contas, os alemães começaram a questionar tudo, desde a sensatez de apoiar a Grécia ao próprio Euro, e chegam a pôr em causa as vantagens da integração europeia.
Isto pode parecer estranho num país que está perto de não ter desemprego e de recuperar o primeiro lugar aos chineses nas exportações.
Mas os alemães dizem que estão fartos: chega de subscrever a integração europeia, chega de pagar tudo e mais alguma coisa, e seguramente chega de resgates à Grécia.

Contudo, o que é verdadeiramente bizarro é a curta duração da memória colectiva da Alemanha.
Durante grande parte do século XX, a situação era radicalmente diferente: depois da Primeira Guerra Mundial e novamente após a Segunda Grande Guerra, a Alemanha tornou-se o país do mundo com maior dívida externa, e em ambos os casos a sua recuperação económica apenas foi possível com o perdão generalizado da dívida.

A crise da dívida alemã entre guerras começou há exactamente 80 anos, nos últimos dias de Junho de 1931.
O que a espoletou foram os empréstimos excessivos contraídos nos últimos anos da década de 20 para pagar indemnizações.
Uma bolha no crédito foi o resultado, e quando rebentou, em 1931, acabou com as indemnizações, o preço do ouro e, mais importante, a democracia de Weimar.

Os americanos adiaram o pagamento da dívida para depois da Segunda Grande Guerra, até terem imposto em 1953 aos seus aliados o acordo para a dívida de Londres, um exercício de perdão da dívida da Alemanha em termos bastante generosos.
O milagre económico da RFA, a estabilidade do marco alemão e a saúde das suas finanças públicas foram o resultado deste generoso perdão.
Mas colocou os credores da Alemanha em desvantagem, ao verem-se confrontados, eles próprios, com as consequências financeiras da ocupação alemã.

Na verdade, o acordo de dívida de Londres adiou a questão das indemnizações - incluindo o pagamento de dívidas de guerra e o dinheiro dos impostos nos países ocupados pela Alemanha durante a guerra - para uma conferência a ter lugar depois da reunificação.
Esta conferência não chegou a acontecer: desde 1990, os alemães teimosamente têm-se recusado a abrir esta caixa de Pandora.
As poucas indemnizações pagas, a maior parte a trabalhadores escravizados, foram canalizadas através de ONG's, sobretudo para não ser aberto um precedente.
Apenas um país se tem oposto abertamente a este procedimento, tendo tentado ser compensado através dos tribunais: a Grécia.

Terá sido ou não sensato ter deixado de parte a questão das compensações e indemnizações da Alemanha depois de 1990.
Nessa altura, os alemães argumentavam que qualquer pagamento plausível excederia os recursos do país, e que uma contínua cooperação financeira na Europa seria infinitamente mais desejada.
Poderiam ter alguma razão.
Mas agora é tempo da Alemanha cumprir a promessa, agir sabiamente e afastar o elefante da loja de porcelanas."


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