2 comentários:
De .Lavar cérebros e oportunismo capital. a 9 de Novembro de 2011 às 18:36

Estupidificar o país para negar as evidências
(-por Daniel Oliveira, Arrastão, 8.11.2011)

Já tenho a boca seca e os dedos gastos de dizer e escrever a mesma coisa: Portugal vai renegociar a sua divida.
É só uma questão de tempo. E isso acontecerá em 2012 ou, o mais tardar, em 2013. Porque, nas atuais circunstâncias, esta dívida é impagável e a única coisa que os credores esperam é esmifrar o devedor até ele estar completamente seco.
E preparam-se para o incumprimento, tal como fizeram com a Grécia.
Não tenho nenhuma capacidade premonitória, apesar de, com mais algumas pessoas, incluindo alguns economistas marginalizados, sentir por vezes que ando a pregar no deserto.
Apesar dos apelos para o fazer enquanto a nossa economia não entrou em colapso terem sido tantas vezes vistos como um apelo ao calote.
Agora, a evidência entrou pelos olhos da opinião mainstream. E até já o primeiro-ministro o reconhece.
E quando Passos Coelho compreende uma coisa, quer dizer que essa coisa pode ser entendida por toda a gente.

E esta é uma das partes mais estranhas desta crise:
a propaganda é de tal forma poderosa e o desnorte é de tal forma generalizado, que até aquilo que entra pelos olhos dentro de um leigo informado é tido como um absurdo até à vespera de se confirmar.
E essa é uma das razões porque nos vamos enfiar num buraco sem fundo: negamos qualquer solução até ela deixar de o ser, por ser tarde de mais.

Este processo de negação coletiva resulta, nuns casos, de cegueira, noutros de oportunismo.
Oportunimo porque há quem queira aproveitar esta crise para, perante um ambiente de "estado de sitio", impor o seu programa ideológico:
argumentando com uma suposta insustentabilidade do modelo social europeu, reduzir o papel social do Estado, privatizar quase tudo a preço de saldo e mudar as leis laborais.

Vou então continuar a pregar no deserto:
Portugal, se a Europa não arrepiar caminho (e não há qualquer sinal de que o fará), vai acabar por sair do euro.
E se esse destino se confirmar, mais vale, antes de acabar o processo de destruição da nossa economia, preparar-se para isso.
E sair a tempo de, no meio dessa tragédia social, económica e política (que é, apesar de tudo, reversível), tirar disso algum proveito.
A única vantagem, no meio de tantas desvantagens, de sair do euro, é a de usar o instrumento da desvalorização monetária para competir em vez da desvalorização da economia.
Mas de nada servirá se, quando chegarmos a esse ponto, já não houver nada para salvar.

Nada do que aqui escrevo, sendo obviamente muito discutível, é escandaloso para quem, mesmo disscordando, esteja minimamente informado sobre o que se está a passar na Europa e em Portugal.
Acontece que, mais do que uma suspensão da democracia e do contraditório, parece haver um acordo para a suspensão da inteligência.

E quando é possível ouvir, da boca de uma pessoa com as responsabilidades de João Salgueiro, que basta olhar "para os carros que por aí andam" para perceber que os portugueses ainda não estão a fazer sacrifícios a sério, percebe-se até onde está a ir a poupança de neurónios.
O debate político e económico não está a ser estupidificado por qualquer incapacidade cognitiva nacional.
Manter a conversa ao nível do "taxista" (que me perdoe tão nobre classe profissional pela força de expressão) faz parte da lavagem aos cérebros a que estamos a assistir.

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Até já o padre V.Melícias diz que :
« Igreja deve travar este liberalismo»


De .Rel.OE2011 contradiz Ministro. a 9 de Novembro de 2011 às 19:00
De Relatório para relatório (ou a cada semana/ dia) o Défice, as contas e a economia AFUNDAM-se cada vez mais. Esta é a VIA do Precipício/ do Buraco Negro !!


«O MINISTRO DAS FINANÇAS ENGANA OS PORTUGUESES E RELATÓRIO DO OE-2012 CONFIRMA CRESCIMENTO ANÉMICO DE PORTUGAL ATÉ 2050 »
(-por Eugénio Rosa – Economista – estudos disponíveis em www.eugeniorosa.com )

Caro(a) amigo (a)

Não deixa de ser chocante a afirmação repetida pelo ministro das Finanças que, quando confrontado com consequencias nefastas para a economia e a nível social, da actual politica fortemente contraccionista responde monocordicamente que ela levará "a uma trajectoria de prosperidade crescente em Portugal", quando toda a gente sabe que isso não é verdade.

Previsões oficiais constantes do próprio Relatório do Orçamento do Estado para 2012 desmentem as palavras do próprio ministro. É isso que mostro neste estudo, utilizando dados constantes do próprio Relatório do Orçamento do Estado para 2012, o que revela que o discurso politico do actual governo continua-se a caracterizar pela falta de verdade para não dizer mesmo pela mentira. O Relatório do OE-2012 mostra que o ministro desmente-se a si próprio: uma coisa é quando fala para a opinião pública e para os jornalistas, e outra coisa são os longos documentos oficiais que espera que ninguém leia...

É cada vez mais urgente alterar a politica que está a conduzir a União Europeia, e os paises que a integram, a um crescimento económico anémico, à recessão económica, ao declinio e à pobreza, como reconhece o Relatório do OE-2012 em relação a Portugal, apesar do pensamento económico único neoliberal, ainda dominante nos orgãos do poder e nos media, incapaz de compreender a realidade actual e de apresentar soluções alternativas,continuar a defender como única solução "cumprir e ser bom aluno", que é a prova mais clara da anemia e incapacidade a que chegou

Espero que este estudo possa ser útil para um pensamento e uma reflexão livre e não monoliticos

Com consideração
E.R.


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