Alternativas para uma nova economia

(-Antonio Martins,  16/03/2009) 

     As idéias do Put People First: ao invés de discurso ideológico, propostas concretas, capazes de grandes transformações

Eis uma versão em português da plataforma de doze pontos do movimento quer organiza a grande manifestação de Londres:

      I. Salvar primeiro as pessoas: assegurar governança democrática da economia:

1. Obrigar os paraísos fiscais a respeitarem normas internacionais rigorosas.

2. Promover reformas amplas no sistema de direção e governança do Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional.

3. Tornar todas as instituições financeiras, produtos financeiros e empresas transnacionais transparentes e sujeitas a prestação pública de contas.

     II. Empregos: ocupações decentes e serviços públicos para todos:

4. Promover investimentos maciços num new deal verde, para construir uma economia sustentável, baseada em trabalho decente e remuneração justa.

5. Fortalecer os orçamentos destinados aos serviços públicos.

6. Agir para assegurar recursos de emergência para todos os países que deles necessitam, sem exigir contrapartidas e condicionalidades prejudiciais às sociedades.

     III. Justiça: acabar com a pobreza e a desigualdade globais:

7. Destinar, até 2013, ao menos 0,7% da renda nacional dos países ricos para o apoio ao desenvolvimento, e de forma mais eficaz; pressionar para o cancelamento de todas as dívidas ilegítimas ou impagáveis dos países do Sul.

8. Assegurar que os Estados mais pobres tenham condições de gerir suas economias, inclusive controlando os fluxos externos de capital financeiro.

9. Interromper as pressões para que os países em desenvolvimento liberalizem e desregulamentem suas economias; não tentar retomar a Rodada (negociações internacionais da ronda) de Doha, rejeitada diversas vezes por estas nações.

     IV. Clima: Construir uma economia verde:

10. Além do new deal verde (recomendação 4), introduzir as regulamentações robustas e os incentivos financeiros necessários para construir uma economia verde.

11. Promover, na conferência de Copenhagem, um acordo que assegure cortes substanciais e comprováveis nas emissões de gases do efeito-estufa, de forma a evitar que o aquecimento terrestre ultrapasse 2º C.

 

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A busca de alternativas espalha-se pelo mundo

...

Movimentos  de várias partes do mundo programaram mais que manifestações de rua. Estão constituindo, aos poucos, uma rede de núcleos dedicados ao estudo da crise e das alternativas. Alguns dos pontos deste mosaico estão relacionados abaixo:

> Global Crises 2008
 É uma rede de redes, que procura reunir iniciativas que tratam da crise econômica, crise ambiental e crise alimentar. Funciona através de uma lista internet e conferências telefônicas mais ou menos regulares. Tem articulado as manifestações em Londres, outras cidades da Europa e outras partes do mundo.
> Put People First

Baseada em Londres, mas com ramificações em outros países (principalmente europeus) é a coalizão que está organizando os protestos na Inglaterra, durante a reunião do G20.
> Bretton Woods Project
Criado em 2002, por uma rede de organizações européias, dedicava-se inicialmente a monitorar a atuação de instituições como o FMI e Banco Mundial. Mais recentemente, tem-se envolvido muito na busca de alternativas à crise, concentrando-se em especial, como sugere o nome, na reforma das instituições financeiras multilaterais.
> Rethinking Finance
Surgiu há poucos dias, resultado também de uma rede, articulada principalmente por Peter Wahl, que dirige a ONG alemã Weed e atua na busca de alternativas ao sistema financeiro atual há décadas (foi quem organizou o primeiro encontro-manifestação paralelo a uma reunião do FMI, em Berlim, 1989). É uma espécie de portal, participativo, com análises e notícias.

> Debtonation
Dirigido por Ann Petifor, co-autora da proposta Green New Deal, é um site de análises e notícias. Dá muita atenção às alternativas e concentra o foco na busca de sustentabilidade. É um dos espaços onde se pode acompanhar melhor os últimos acontecimentos ligados à crise, tratados a partir de um ponto de vista alternativo.

> Green New Deal
É um paper produzido por um grupo de nove pessoas (cientistas sociais, ativistas, jornalistas e dirigentes políticos) que diz inspirar-se nas idéias de Roosevelt para propor alternativas capazes de enfrentar, ao mesmo tempo, as crises econômica, ambiental e energética. O documento tem 48 páginas e pode ser encontrado no link acima.

> New Economics Foundation
Tem como centro o debate do Green New Deal, mas mantém informações e análises sobre temas como transformação dos mercados, bancos éticos, mudança climática e outros.

> CEPR
O Center for Economic and Political Research é uma ONG e rede de pesquisadores, baseada em Londres. Dele participam, entre muitos outros, Dean Baker e Ha-Joon Chang. O site publica papers e artigos, sobre a natureza da crise, seu desenvolvimento e as alternativas

> Casino Crash
É um blog criado pelo Transnational Institute, um thinktank sediado em Amsterdam, que tem Susan George como uma das principais animadoras. O blog é irregular, tanto em intensidade da atualização quanto em qualidade. Há bons textos, mas às vezes pesam demais interpretações que vão pouco além da denúncia — como as do Walden Bello e Atilio Borón

> ATTAC França
Apesar de ter vivido muitas turbulências nos últimos anos, o ATTAC francês ainda reúne capacidade de mobilização e reflexão. O site reproduz (ver coluna lateral direita) com certa frequência textos de economistas como François Chesnais, Dominique Plihon, Jacques Cossart. Também criou um blog sobre a crise.

> Tax Justice Network
Existente há cerca de cinco anos, a rede tem-se dedicado, mais recentemente, à denúncia da falta de um sistema tributário global, e a propostas que permitam criá-lo.

> Choike
O site denomina-se “um portal das sociedades civis do Sul”. Trata de crise financeira e econômica, geopolítica, comércio internacional e temas mais específicos como a disputa em torno da água.

> Focus on the Global South
Dirigida pelo Walden Bello, esta ONG-rede filipina prefere frequentemente a crítica e a denúncia à alternativa. Porém, acompanha atentamente a evolução da crise na Ásia, principalmente do ponto de vista social, e com algumas boas análises.
> CleanStart
Um espaço no jornal The New Internationalist dedicado à “criação de uma economia global mais justa

> Guardian: a New Bretton Woods
Espaço criado no jornal londrino especialmente para debater o tema do título. O Guardian não chega a ser alternativo, mas é, em geral, sério e profundo.

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Publicado por Xa2 às 07:26 de 10.11.11 | link do post | comentar |

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