De .Elite Corrupta, Finança/Mercados Ladrõe a 11 de Novembro de 2011 às 11:23
Leituras

«Na narrativa neoliberal as coisas são simples:
gastámos de mais, a culpa é nossa e é preciso pagar em dinheiro e contrição.
Quem nos empresta é nosso amo e devemos-lhe a nossa alma, uma libra de carne viva e a suspensão da democracia.

Precisamos de menos serviços públicos para gastar menos, de privatizações porque o Estado precisa de dinheiro e não sabe gerir, de mais desemprego para poder baixar salários e de reduzir as regalias dos pobres porque incentivam a preguiça.

Depois, se fizermos isso tudo, os deuses apiedam-se de nós, as empresas começam a ganhar dinheiro a sério e recomeçam a contratar trabalhadores e podemos viver um bocadinho melhor
- mas não tão bem como antes, nem com tanta educação e saúde pública porque era um desperdício.

No fim, os serviços públicos ficam reduzidos à sua ínfima expressão e os ricos podem viver felizes para sempre.

E não há nenhuma injustiça social nisto porque se um pobre quiser ser rico só tem de trabalhar muito e pronto.»

José Vítor Malheiros (via Ladrões de Bicicletas)


De .Não sabem Governar, mas amedrontar. a 14 de Novembro de 2011 às 17:45
Consenso? Qual consenso?

«1. Enquanto no Parlamento português Passos Coelho se mostrava contra uma intervenção mais alargada do Banco Central Europeu com afirmações do género
"o BCE não deve pagar o preço da indisciplina de alguns países com mais inflação e financiamento monetário", conseguindo ser mais merkeliana que a própria sra. Merkel,
David Cameron reclamava um papel muito mais activo para o banco através da atribuição de capacidade suficiente para resgatar as economias da região.

O primeiro-ministro britânico está longe de ser o único a reclamar mais poderes para essa instituição. Editoriais de órgãos de informação insuspeitos de esquerdismo ou de serem particularmente adeptos de fórmulas que excluam medidas de austeridade ou de defenderem a manutenção da espirais de endividamento até aqui prosseguidas, como o Economist ou o Financial Times, vêm repetindo número após número que
a solução passa por atribuir ao BCE poderes para comprar quantidades ilimitadas de dívida. No limite, emitir moeda.
A estes somam-se cada vez mais vozes dos mais diversos quadrantes políticos, empresariais e académicos. Em Portugal destaca-se Cavaco Silva, que vem defendendo esta posição desde o seu célebre discurso em Florença e que repetiu na última sexta-feira em entrevista à Bloomberg.
Também ele não rejeita, como é patente e notório, medidas de austeridade ou defende qualquer tipo de indisciplina orçamental.

Temos assim dum lado Passos, Merkel e Sarkozy e do outro, entre muitos, o Presidente da República portuguesa.
...
Não será comparável sequer à diferença de pontos de vista quanto à equidade na distribuição dos sacrifícios.
Não, numa questão em que se decide o futuro de Portugal e de gerações de portugueses, a vida ou morte do euro e do projecto europeu, há duas opções diametralmente opostas
e os nossos dois maiores responsáveis políticos portugueses estão em campos opostos.
Mais, não hesitam em defender de forma intransigente as suas tão díspares visões e apregoam-nos aos quatro ventos.

...
Se o Presidente da República e o primeiro-ministro não se entendem numa questão desta magnitude para que servem os desesperados apelos ao CONSENSO e DISPARATES do género com destaque para a enorme PATETICE do Governo de união nacional?

Insisto, estamos perante, de longe, o maior e mais grave conflito institucional da democracia portuguesa.

2. "A intervenção do BCE não deve ser feita para garantir que os indisciplinados obriguem, com inflação e com financiamento monetário, o BCE a pagar o preço da indisciplina e da irresponsabilidade", enfatizou o primeiro-ministro.

Sabendo que um dos países indisciplinados e irresponsáveis é Portugal, Passos Coelho, no fundo, diz-nos que se não fosse obrigado a impor uma austeridade violenta manteria o catastrófico anterior rumo.
Ou seja, não se julga capaz de mudar antigos hábitos despesistas, acabar com parcerias público-privadas ruinosas, o Estado, dar mais relevância à iniciativa privada ou mudar por completo as empresas públicas. Numa palavra:
NÃO SABEria GOVERNAR.

O tempo, a travagem do crescimento do desemprego, o aumento das exportações, a estabilidade dos mercados
(a inflação que certamente ocorreria seria o preço a pagar, mas face ao perigo iminente da desagregação do euro e da Europa é um risco que vale bem a pena correr)
que se ganharia com a possibilidade de o BCE comprar ilimitadamente dívida não seriam aproveitadas, segundo a sua própria doutrina, para fazer as reformas de que tanto necessitamos - e que ninguém tenha dúvidas:
não é possível, em dois anos, corrigir décadas de incompetência e irresponsabilidade.
Não, continuaria o despautério.
Com semelhante admissão de INCAPACIDADE o melhor mesmo é seguir à risca, ou mesmo extravasar, as receitas da sra. Merkel.
Melhor ainda, pedir a um enviado alemão para tomar conta disto. Vendo bem, é o que está a acontecer.»

[DN], Perdro Marques Lopes.


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