Jogos do capital, privatizações, corrupção de elites , ... e polícia

Até os bispos já falam em jogos sombrios do capital

«Os bispos portugueses temem que “sombrios jogos de capital” coloquem em causa a democracia, em Portugal e na Europa. Na mensagem final da 178.ª Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, que teve lugar em Fátima, os prelados lembram a importância da solidariedade nos tempos actuais, que consideram de elevada perigosidade [CM, via OJumento]
 
Passos Coelho está muito preocupado com os polícias
"Não poderemos deixar de corrigir as situações mais gritantemente injustas e, nessa medida, ... englobamos uma verba de cerca de sete milhões de euros para que nas forças de segurança as situações mais gritantes possam ser corrigidas", disse Passos Coelho.» [i]
OJumento: São um elemento central na sua política, indispensáveis para a versão democrática do Estado Novo que Gaspar defende.
 

Governo cede

«As autarquias vão manter a autonomia para contratar novos trabalhadores. A proposta do Governo que proibia as novas contratações de funcionários, vai ser eliminada do Orçamento do Estado para 2012 (OE2012).» [DN]

Com o dinheiro dos subsídios (cortados) Passos já pode atender as suas clientelas. «Pergunte-se a Passos Coelho se já sabe quantos funcionários da administração central vão ser despedidos para que os seus amigos autarcas continuem a esbanjar dinheiro

 

Um país prisioneiro da corrupção

   Em Portugal debate-se ciclicamente o tema da corrupção mas sempre na perspectiva mais restrita do Código Penal, mas a corrupção é algo mais amplo e grassa livremente pelo país de tal forma que as suas elites tornaram-se corruptas. Os intelectuais anseiam vender-se a merceeiros, os ex-líderes partidários são comentadores de televisão e assalariados de patos-bravos, os jornais são detidos por sucateiros.

...

    Mas alguém questiona a forma como estão a ser preparadas as privatizações do que resta de rentável no sector público? É evidente que impera o silêncio, quase todos os que têm espaço nos jornais ou nas televisões estão envolvidos em grupos empresariais interessados nas privatizações e como sucede com a RTP alguns até já deverão ter garantida a sua fatia do bolo.
    Um país onde o debate político é conduzido por gente corrupta, gente que está mais emprenhada em assegurar o benefício de quem lhes paga e que despreza o sofrimento a que possam ser sujeitos os portugueses, é um país prisioneiro da corrupção, refém dos interesses da elite corrupta que o dirige.


Publicado por Xa2 às 07:48 de 11.11.11 | link do post | comentar |

5 comentários:
De .Elite Corrupta, Finança/Mercados Ladrõe a 11 de Novembro de 2011 às 11:23
Leituras

«Na narrativa neoliberal as coisas são simples:
gastámos de mais, a culpa é nossa e é preciso pagar em dinheiro e contrição.
Quem nos empresta é nosso amo e devemos-lhe a nossa alma, uma libra de carne viva e a suspensão da democracia.

Precisamos de menos serviços públicos para gastar menos, de privatizações porque o Estado precisa de dinheiro e não sabe gerir, de mais desemprego para poder baixar salários e de reduzir as regalias dos pobres porque incentivam a preguiça.

Depois, se fizermos isso tudo, os deuses apiedam-se de nós, as empresas começam a ganhar dinheiro a sério e recomeçam a contratar trabalhadores e podemos viver um bocadinho melhor
- mas não tão bem como antes, nem com tanta educação e saúde pública porque era um desperdício.

No fim, os serviços públicos ficam reduzidos à sua ínfima expressão e os ricos podem viver felizes para sempre.

E não há nenhuma injustiça social nisto porque se um pobre quiser ser rico só tem de trabalhar muito e pronto.»

José Vítor Malheiros (via Ladrões de Bicicletas)


De .Não sabem Governar, mas amedrontar. a 14 de Novembro de 2011 às 17:45
Consenso? Qual consenso?

«1. Enquanto no Parlamento português Passos Coelho se mostrava contra uma intervenção mais alargada do Banco Central Europeu com afirmações do género
"o BCE não deve pagar o preço da indisciplina de alguns países com mais inflação e financiamento monetário", conseguindo ser mais merkeliana que a própria sra. Merkel,
David Cameron reclamava um papel muito mais activo para o banco através da atribuição de capacidade suficiente para resgatar as economias da região.

O primeiro-ministro britânico está longe de ser o único a reclamar mais poderes para essa instituição. Editoriais de órgãos de informação insuspeitos de esquerdismo ou de serem particularmente adeptos de fórmulas que excluam medidas de austeridade ou de defenderem a manutenção da espirais de endividamento até aqui prosseguidas, como o Economist ou o Financial Times, vêm repetindo número após número que
a solução passa por atribuir ao BCE poderes para comprar quantidades ilimitadas de dívida. No limite, emitir moeda.
A estes somam-se cada vez mais vozes dos mais diversos quadrantes políticos, empresariais e académicos. Em Portugal destaca-se Cavaco Silva, que vem defendendo esta posição desde o seu célebre discurso em Florença e que repetiu na última sexta-feira em entrevista à Bloomberg.
Também ele não rejeita, como é patente e notório, medidas de austeridade ou defende qualquer tipo de indisciplina orçamental.

Temos assim dum lado Passos, Merkel e Sarkozy e do outro, entre muitos, o Presidente da República portuguesa.
...
Não será comparável sequer à diferença de pontos de vista quanto à equidade na distribuição dos sacrifícios.
Não, numa questão em que se decide o futuro de Portugal e de gerações de portugueses, a vida ou morte do euro e do projecto europeu, há duas opções diametralmente opostas
e os nossos dois maiores responsáveis políticos portugueses estão em campos opostos.
Mais, não hesitam em defender de forma intransigente as suas tão díspares visões e apregoam-nos aos quatro ventos.

...
Se o Presidente da República e o primeiro-ministro não se entendem numa questão desta magnitude para que servem os desesperados apelos ao CONSENSO e DISPARATES do género com destaque para a enorme PATETICE do Governo de união nacional?

Insisto, estamos perante, de longe, o maior e mais grave conflito institucional da democracia portuguesa.

2. "A intervenção do BCE não deve ser feita para garantir que os indisciplinados obriguem, com inflação e com financiamento monetário, o BCE a pagar o preço da indisciplina e da irresponsabilidade", enfatizou o primeiro-ministro.

Sabendo que um dos países indisciplinados e irresponsáveis é Portugal, Passos Coelho, no fundo, diz-nos que se não fosse obrigado a impor uma austeridade violenta manteria o catastrófico anterior rumo.
Ou seja, não se julga capaz de mudar antigos hábitos despesistas, acabar com parcerias público-privadas ruinosas, o Estado, dar mais relevância à iniciativa privada ou mudar por completo as empresas públicas. Numa palavra:
NÃO SABEria GOVERNAR.

O tempo, a travagem do crescimento do desemprego, o aumento das exportações, a estabilidade dos mercados
(a inflação que certamente ocorreria seria o preço a pagar, mas face ao perigo iminente da desagregação do euro e da Europa é um risco que vale bem a pena correr)
que se ganharia com a possibilidade de o BCE comprar ilimitadamente dívida não seriam aproveitadas, segundo a sua própria doutrina, para fazer as reformas de que tanto necessitamos - e que ninguém tenha dúvidas:
não é possível, em dois anos, corrigir décadas de incompetência e irresponsabilidade.
Não, continuaria o despautério.
Com semelhante admissão de INCAPACIDADE o melhor mesmo é seguir à risca, ou mesmo extravasar, as receitas da sra. Merkel.
Melhor ainda, pedir a um enviado alemão para tomar conta disto. Vendo bem, é o que está a acontecer.»

[DN], Perdro Marques Lopes.


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