Riem de quê? Ou de quem?

 



Publicado por [FV] às 18:11 de 17.11.11 | link do post | comentar |

6 comentários:
De Desvalorização do Trabalho a 18 de Novembro de 2011 às 12:10
Significados

Passos demarca-se da recomendação da troika de cortar salários no privado. Aldrabice é o signifcado político de Passos.
O significado de todas as políticas na área laboral e orçamental da correia de transmissão de Merkozy é o mesmo, ou seja,
desvalorização salarial:
cortes dos salários no sector público,
uma referência para o sector privado,
despedimentos mais fáceis e menos onerosos,
aumentos gratuitos do horário de trabalho em meia hora por dia,
promoção da precariedade, r
eduções dos montantes e da duração do subsídio de desemprego numa altura em que, graças às políticas de austeridade, o desemprego não cessa de aumentar.

No novo dicionário de termos europeus este é também um dos principais significados deste euro.
(por João Rodrigues às 17.11.11 , Ladrões)


De Pisar Trabalhadores e AGIOTAS a Lucrar ! a 18 de Novembro de 2011 às 12:05
Faz-se tudo

A troika proclama, como a exploração no poema de Brecht, que isto é apenas o meu começo:
“é desejável que os salários no sector privado sejam sustentadamente reduzidos, em linha com os cortes decididos para o sector público, recomenda a UE e o FMI.”

Esta é a lógica implacável da austeridade e das alterações na legislação laboral associadas, das chamadas reformas estruturais, como temos vindo a defender há mais de um ano,
e anda muito mal quem ainda não percebeu que não há outra lógica, equitativa, digna ou outro moralismo que queiram inventar para enfeitar uma austeridade intrinsecamente destrutiva dos rendimentos do trabalho e da economia.

Parece que a troika ignorou um dos principais indicadores para avaliar do sucesso de uma política - o emprego.
Na realidade, a troika promove o aumento do desemprego, já que este é um dos mecanismos principais para diminuir os salários.
É o desenvolvimento do subdesenvolvimento que se organiza, sob tutela externa e com a correia de transmissão interna conhecida, ou seja, o governo e as forças sociais que este tem de servir:
depois de uma reunião pela noite fora entre banqueiros e Passos, “Gaspar promete interferir ‘tão pouco quanto possível’ na gestão dos bancos intervencionados”.

Faz-se de tudo para descansar o susceptível poder financeiro privado, que tão laboriosamente o poder politico reconstruiu e alimentou, com os lindos resultados conhecidos, nas últimas duas décadas;

no fundo desde o ciclo de privatizações bancárias e de liberalização financeira iniciado por um Cavaco que sempre fez dos 12 mil milhões iniciais para a banca o foco da sua preocupação, procurando manter o sector financeiro nas mesmas mãos.
Faz-se tudo. Até quando?

(-por João Rodrigues às 17.11.11 , Ladrões de Bicicletas)
---------------------
D., H disse...
Pois, caro João Rodrigues,
“faz-se tudo” para o subdesenvolvimento.

Antes de mais dizer que me sinto ultrajado pela arrogância exibida por estas pessoas da troika, revoltado também pela subserviência patenteada por aqueles que constituem o governo português.

Não imagino o Jürgen Kröger chegar por exemplo à Holanda ou à Suiça e falar naquele tom paternalista, elogiando “ esta dócil boa gente”, “estes selvagens simpáticos”. Sobre a infeliz subserviência, ou o sorriso do Passos e os olhinhos do Gaspar, nada a fazer, temo que seja caracter genético dominante.

!!! ... 78 mil Milhões de empréstimo + 33 mil Milhões de JUROS : é uma mama ! !!! não é ''ajuda'' nenhuma !! é AGIOTAGEM !

Não havia necessidade de tanto servilismo, isto não é nenhum favor!
(Se é favor é para a banca, que, pendurada numa dívida privada que é superior à pública, vai ser salva – capitalizada - a troco de sofrimento e desemprego, enquanto o exército de reserva se perfila).


De Cartão a 18 de Novembro de 2011 às 09:23
Eles riem de satisfação e tiraram esta foto para servir de cartão de boas festas que o governo vai enviar aos portugueses, especialmente aos funcionarios publicos, a desejar um propero ano de 2012.


De 'Bom povo, tumultos' blindados +€ polici a 18 de Novembro de 2011 às 13:02

Propaganda preventiva
(-por Miguel Cardina)

Jürgen Kröger, representante da Comissão Europeia na troika, afirmou hoje em jeito de suposto elogio:
«Portugal não é a Grécia: há estabilidade e as pessoas são boas».
Percebemos a mensagem:
as pessoas más (e os países maus) manifestam-se,
as pessoas boas (e os países bons) deixam-se espoliar.

tags: austeridade, luta de classes


De Gozem, gozem... até um dia ! a 21 de Novembro de 2011 às 09:10
E diz o Passos para o Victor :
- Que tal enviarmos as boas festas a todos os contribuintes*, desejando-lhes um próspero ano de 2012 ?

*Contribuintes em Portugal são os desunidos trabalhadores por conta de outrem (público e privados);
porque neste país da treta, os ''empresários'', desde os 'ilustres' barões (grande accionistas, administradores, especuladores) até aos ''biscateiros'', não pagam impostos !!


De Eça de Queiroz a 22 de Novembro de 2011 às 17:40
Eça de Queirós e a política/políticos de Portugal
-------------------------

---- Portugal e a Grécia … 139 anos depois … !!!

"Nós estamos num estado comparável apenas à Grécia:
a mesma pobreza, a mesma indignidade política, a mesma trapalhada económica, a mesmo baixeza de carácter, a mesma decadência de espírito.
Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se em paralelo, a Grécia e Portugal"
- (in As Farpas) Eça de Queirós, em 1872 !!! Verdadeiramente impressionante !!! …2011

---- Eça de Queirós sempre actual

“Em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição.
Falta igualmente a aptidão, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento político das nações.
A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse.
A política é uma arma, em todos os pontos revolta pelas vontades contraditórias;
ali dominam as más paixões;
ali luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade;
ali há a postergação dos princípios e o desprezo dos sentimentos;
ali há a abdicação de tudo o que o homem tem na alma de nobre, de generoso, de grande, de racional e de justo;
em volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os grandes vaidosos, os especuladores ásperos;
há a tristeza e a miséria;
dentro há a corrupção, o patrono, o privilégio.

A refrega é dura; combate-se, atraiçoa-se, brada-se, foge-se, destrói-se, corrompe-se.
Todos os desperdícios, todas as violências, todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva.

À escalada sobem todos os homens inteligentes, nervosos, ambiciosos (...) todos querem penetrar na arena, ambiciosos dos espectáculos cortesãos, ávidos de consideração e de dinheiro, insaciáveis dos gozos da vaidade.”
Eça de Queiroz, in 'Distrito de Évora” (1867)

Política de acaso, política de compadrio, política de expediente

«Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão.» Eça de Queiroz

«Este governo não cairá porque não é um edifício, sairá com benzina porque é uma nódoa.»- O conde de Abranhos, Eça de Queiroz

---- Portugal e a crise
“Que fazer? Que esperar?
Portugal tem atravessado crises igualmente más: - mas nelas nunca nos faltaram nem homens de valor e carácter, nem dinheiro ou crédito.
Hoje crédito não temos, dinheiro também não - pelo menos o Estado não tem: - e homens não os há, ou os raros que há são postos na sombra pela política.
De sorte que esta crise me parece a pior - e sem cura.”
Eça de Queirós, in “Correspondência” (1891)

“ … somos um povo sem poderes iniciadores, bons para ser tutelados … “

“Diz-se geralmente que, em Portugal, o público tem ideia de que o Governo deve fazer tudo, pensar em tudo, iniciar tudo:
tira-se daqui a conclusão que somos um povo sem poderes iniciadores, bons para ser tutelados, indignos de uma larga liberdade, e inaptos para a independência.
A nossa pobreza relativa é atribuída a este hábito político e social de depender para tudo do Governo, e de volver constantemente as mãos e os olhos para ele como para uma Providência sempre presente.”
- In “Citações e Pensamentos” de Eça de Queirós».

---------- José Maria de Eça de Queirós
Povoa de Varzim - 25 de Novembro de 1845
Paris - 16 de Agosto de 1900


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