De Fasc: Min.Polícia infiltrado, distúrbios a 28 de Novembro de 2011 às 11:04
Mais depressa se apanha um mentiroso...
(por Sérgio Lavos, Arrastão, 25.11.2011)

Hoje de manhã, na Antena 1, Miguel Macedo, Ministro da Administração Interna, garantiu que não havia polícias inflitrados na manifestação de ontem.
Mentiu.
Para além dos relatos de pessoas que lá estiveram e viram elementos à paisana a proibir fotografias, há outros que afirmam haver elementos que estavam na manifestação apenas para provocar distúrbios.
Há fortes suspeitas de que o incidente que se tornou a notícia principal dos telejornais tenha sido instigado por um infiltrado,
alguém que, assim que foram derrubadas as barreiras, passou do lado dos manifestantes para o dos polícias fardados.
E depois há este vídeo, de um outro infiltrado a sacar de um cassetete e a espancar brutalmente um manifestante que entretanto tinha sido preso por outros polícias à paisana.
O polícia que acabou por ir parar ao hospital estava neste último grupo e tudo indica que terá sido ferido pelo seu próprio colega - vê-se isso no vídeo.

Os sinais são evidentes:
o único ministério que viu o seu orçamento reforçado foi o da Administração Interna;
regularmente, saem notícias para os jornais referindo "grupos anarquistas" que ninguém sabe quem são e que acabam, estranhamente, por nunca aparecer nestas manifestações;
e começam a tornar-se regra hábitos de vigilância que Portugal não via desde o tempo da PIDE e dos seus bufos.

Pior do que a mentira descarada do Governo, é o destino da nossa democracia.
Os seis meses de suspensão pedidos por Manuela Ferreira Leite podem vir a tornar-se reais.
E mais prolongados.
Quem se preocupa?

Adenda:
o vídeo original foi apagado do Vimeo. Não gosto de teorias da conspiração, mas que é muito estranho, é. Fica a versão que está no YouTube.

tags: crise, greve geral, repressão policial


De Infiltrados securitário e não-Democraci. a 7 de Dezembro de 2011 às 16:48
O governo usa a polícia para instigar a violência

«Quando, no dia da Greve Geral, sindicatos e manifestantes dispersos informaram da presença de agentes infiltrados na concentração em frente à Assembleia da República, a PSP e o ministro da Administração Interna desmentiram. Perante as imagens captadas por anónimos e jornalistas de um polícia à paisana a espancar um cidadão, a polícia informou que se tratava de um cidadão alemão procurado pela INTERPOL. Revelou-se uma imaginativa falsidade. Se fosse verdade seria muito grave, já que a pessoa em causa saiu em liberdade, por ordem do tribunal, no dia seguinte.

Saltando de mentira em mentira, o assunto foi morrendo nos jornais. Mas as imagens de vídeo e de fotografias (assim como a pesquisa das imagens de televisão transmitidas naquele dia) começam a deixar clara uma coisa muitíssimo mais grave: tudo aponta para a existência de agentes provocadores naquela manifestação. Ou seja, agentes à paisana que instigaram a atos de violência, que insultaram e provocaram os seus colegas, fazendo-se passar por manifestantes (tudo convenientemente próximo da comunicação social), e que até estiveram na primeira linha do derrube das barreiras de segurança. Ou seja, que acicataram os manifestantes mais exaltados, fazendo-se passar por seus "camaradas", e que criaram o ambiente que justificaria, de alguma forma, uma intervenção policial em direto nos canais de notícia, ofuscando assim a greve geral.

A confirmarem-se todas as informações documentadas por imagens que vão chegando à Internet (a polícia já confirmou que dois homens que aparecem em fotografias a envolverem-se em desacatos contra os seus colegas são agentes) isto tem de ter consequências. Como cidadão pacifico e cumpridor da lei, quero exercer minha liberdade de manifestação, consagrada na Constituição, sem correr o risco de me ver no meio de uma guerra campal. É essa, supostamente, a função das forças de segurança. Se elas trabalham no terreno para causar os distúrbios (justificando uma intervenção que ajuda a criminalizar o protesto e ofuscar os objetivos das manifestações), elas passam a ser um factor de insegurança e de ilegalidade.

Claro que não acredito que aqueles agentes, a confirmar-se o que as muitas imagens que por aí circulam indiciam de forma tão esmagadora, tenha agido por mote próprio. Por isso, quero saber quatro coisas:
1. Se está garantida uma investigação independente - é para isto que serve a Inspeção Geral da Administração Interna (IGAI) - para saber quem são aqueles homens que ora aparecem a insultar e provocar polícias ora aparecem a ajudar a prender manifestantes?
2. Caso se confirmem as suspeitas, de onde veio a ordem para ter agentes à paisana numa manifestação com o objetivo de criar um ambiente violento naquilo que deveria ser uma manifestação pacifica?
3. Caso essa ordem tenha vindo da direção-geral da PSP (seria ainda mais assustador perceber que a polícia está em autogestão), o que pretende fazer o ministro com o seu diretor-geral? Deixar à frente das forças de segurança pública um agitador que espalha a desordem nas manifestações?
4. Caso a ordem tenha vindo da direção-geral da PSP com o conhecimento do ministro, o que pretende fazer o primeiro-ministro? Deixar no seu lugar um político apostado a criar um clima de insegurança nas manifestações e assim violar um direito constitucional?

Por mim, como cidadão, não desistirei deste tema até as imagens que estão disponíveis serem devidamente esclarecidas e, caso se prove o que elas indiciam, os responsáveis por este ato contra a paz social e a liberdade sejam politicamente, disciplinarmente e criminalmente punidos. E pelo menos nisto, junto-me ao Sindicato do Ministério Público e ao Bastonário da Ordem dos Advogados que exigem esclarecimentos e as devidas medidas de punição para os responsáveis.

Nada tenho contra a PSP. Nem contra a instituição, nem contra os seus profissionais, que também são vítimas da austeridade. Considero que a polícia, quando faz o seu trabalho, garante a nossa liberdade. Incluindo a liberdade de manifestação, impedindo que provocadores ou idiotas se aproveitem de protestos pacíficos para espalhar a violência. Mas quando a polícia serve (ou é USADA pelo poder político) para criar um ambiente de MEDO e ...


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