15 comentários:
De . Greve, trabalhadores, contagens e ... a 25 de Novembro de 2011 às 11:26
Greve e TIPOS de trabalhadores:

A- os que assumem ir fazer greve e vão para os piquetes de greve e/ou à manifestação associada ao dia de greve;
B- os que assumem a greve mas fazem pouco alarido e aproveitam para acompanhar a família;
C- os que faltam ao trabalho mas não se assumem em greve, apresentando justificação da falta por motivo de não terem transporte ou com um dia de férias ou horas extra.
D- os que assumem ir trabalhar porque discordam da greve ou porque precisam muito do dinheiro dese dia;
E- os fura-greves (trabalhadores tarefeiros e não adstritos a esse posto de trabalho nesse dia, ou até de outra empresa ).

As MOTIVAÇÕES para fazer ou não fazer greve podem ser várias:
- desde os profissionais convictos (tanto de um lado como do outro são poucos, cada vez menos),
- até ao ''avestruzes'' (que não querem ver a situação nem o futuro, 'rezando' para que a 'tempestade' não os atinja ou um milagre os salve),
- passando pelos ''dançantes'' (os 'espertos e desenrascas' que não tem capacidade nem arte para serem 'bailarinos' nem sequer 'dançarinos', mas que vão sobrevivendo baixando os níveis de cidadania e qualidade profissional).

Claro está que com estas motivações e tipos de trabalhadores a sociedade está cada vez mais egoísta/ individualista e a cidadania muito mais pobre e frágil face aos avanços de medidas totalitárias do capital neo-liberal.

Zé T.
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Contagens e enviesamentos de adesões à greve

- (nos serviços públicos e empresas públicas ou com participação pública, pois nas outras, em regra e de facto, não há liberdade para se respeitar o direito à greve !! com incontáveis casos e tipos de coação ameaça e assédio !!!)

Por lei (e aparente defesa do próprio trabalhador) não é obrigatório indicar previamente que se vai aderir ou não à greve.

Na véspera do dia alguém (chefe ou administrativo)costuma perguntar, sala por sala, quem fará greve ou não.
A resposta é geralmente muda ou neutra/NIM... se não houver transportes... ainda não sei/decidi (faço greve, não falto, falto usando dia de férias ou horas a mais, aproveito o dia para tratar de uns assuntos, ...)
... com apenas dois ou três mais afoitos a declarar que irão fazer greve (mas que se reduzem para metade se quem pergunta é um chefão ou chefe com quem não estão tão familiarizados...).
Note-se que neste método pode haver vários tipos de pressão (da 'psicológica simples', ao 'ficar marcado' até ao 'conselho' ou mesmo ameaça...) e/ou enviesamento de contagem.

No próprio dia da greve podem faltar muitos mas como geralmente há vários horários de entrada e permissões de atrasos, na primeira ou segunda hora, é difícil ter números de quem "veio trabalhar" ou não... pelo que as respostas/ nºs oficiosos tanto podem ser:

# trabalhadores em greve (declarados previamente pelos próprios);
# trabalhadores que aderiram à greve (declarados pela chefia, na própria manhã do dia de greve);
# não sabem/atrasados/ ainda não começou o seu turno;
# trabalhadores em férias ou faltando por doença e outros motivos;
# trabalhadores impedidos de vir/ chegar ao local de trabalho;
# presentes e trabalhando;
# presentes mas não trabalhando por razões 'técnicas';
# total de trabalhadores (da empresa/serviço);
# total de trabalhadores que nesse dia deveriam estar a trabalhar.

Feita a contagem (somando ou subtraindo ou em percentagem aboluta ou relativa...), nesse momento ou horas depois ou no dia seguinte, por indicação prévia do próprio ou pela chefia no dia, ou depois quando o trabalhador que faltou tem de apresentar a justificação... obtêm-se valores e percentagens diferentes.

-Qual acham que será o número ou percentagem apresentado à tutela, aos sindicatos e aos mídia ?
- E acham que indicam qualquer tipo de explicação ou método de contagem?

R:
«Total de trabalhadores = ... ; total de adesões à greve = .... ; ...% ;
Serviços encerrados devido à greve= # (...%)». fax/mail enviado à DGAEP até às 10:30 do dia de greve e reconfirmado à tarde, até às 14:30..





De .Notas sobre Greve e Cidadania. a 25 de Novembro de 2011 às 11:55

Nota da Barbearia sobre a Greve Geral 2011

O barbeiro e as suas colaboradoras não aderiram à Greve Geral de 2011 estando os amanhos a decorrer com a maior normalidade.

O barbeiro declara a seu apoio a todos os trabalhadores que usam a greve como meio legítimo de protesto e de defesa das conquistas que conseguiram, a pulso, desde que existe democracia em Portugal.

O barbeiro e as suas colaboradoras aderiram à Greve Geral de 2010 e a todas as anteriores em que o poder era da sua cor,
como protesto e pressão sobre a forma como as políticas estavam a ser conduzidas, assumindo o seu desacordo e responsabilidades.

O barbeiro declara que não contribuiu minimamente para que o actual poder seja exercido desta forma tendo tido oportunidade de se pronunciar nas urnas eleitorais, onde deixou expresso que sabia ao que esta gente vinha.

O barbeiro, mesmo sabendo que o actual poder mentiu descaradamente na campanha eleitoral, nunca se deixou enganar e
por isso não está desiludido nem com o actual Governo nem com o actual Presidente da República, uma vez que nunca se deixou iludir por eles.

Para terminar, o barbeiro e as suas colaboradores expressam a sua solidariedade com o Povo português que tem sido miseravelmente tratado e
que, ou por ignorância ou desleixo, se alheia da vida política convencido que estas coisas não lhe dizem respeito.

Lisboa, Barbearia do Sr. Luís, 2011.11.24, LNT [0.536/2011]
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Este outro cidadão assumiu e fez greve (mas não foi para o piquete nem à manif.), tal como já fizera em outras greves gerais (não nas sectoriais) ...
em tudo o resto SUBSCREVE a excelente declaração do sr,Barbeiro.

Nas próximas greves, manifes e outras medidas de luta dos trabalhadores e cidadãos em geral
(sim, haverá mais lutas, ... lá para Fevereiro 2012, e depois Junho e novembro novamente,... quando já a maioria sentir na pele a dureza do que é recessão, austeridade e precariedade/ despedimento... e as suas dívidas pessoais/familiares a acumularem-se, e tiver que vender carro e tudo o mais por 2 tostões, ... )

espero também poder fazer ... (se me deixarem e puder aguentar a perda de 1dia de salário...)
e espero ver muitos mais trabalhadores e cidadãos a protestar contra estas medidas económico-políticas desastrosas e contra os seus responsáveis...


De .GreveG, indignados, PS e medo... a 28 de Novembro de 2011 às 08:55
A GREVE GERAL, OS INDIGNADOS E O PS !

A greve geral de 24 de Novembro foi forte no sector público e fraca no privado, embora globalmente melhor do que a última, também realizada a 24 do mesmo mês de 2010.
A grande ameaça do desemprego e a precariedade esvaziam em larga medida o direito à greve estipulado na Constituição!
Por outro lado têm sido os trabalhadores do Estado e das empresas pública que mais têm perdido rendimentos no último ano .

Relativamente á greve do ano passado existiram algumas dinâmicas sociais interessantes.
Maior apoio moral da sociedade aos grevistas e a notória confluência com o movimento sindical do movimento dos «indignados»
e das organizações profissionais dos militares e forças de segurança, também fortemente afectadas nos seus rendimentos e condições de trabalho.

O movimento dos indignados ainda está em definição estratégica e com bastante inorganicidade....Duas linhas estão em confronto:
uma que pretende ser mobilizadora das pessoas, alargando a sua base de apoio , mas numa via de conflito brando;
uma outra mais radical e de maior confronto social mas que pode perder apoios e emergir como um movimento de guerrilha de rua!

Seria aliás interessante que se procurassem outros locais simbólicos para as manifestações e concentrações e não tanto as escadas da Assembleia da República!
Um movimento novo não pode estar tão obcecado pelas escadas do Parlamento que o actual poder na sua fraqueza, considera intocável!

A questão central que esta greve levanta é se pode alterar de algum modo as políticas!
Estamos conscientes de que nada.Quando muito pode inibir uma ou outra medida!
Estamos a ser governados de fora.
Este Governo com a sua ideologia neo-liberal agrava os problemas do País e as consequências da aplicação do memorando da troika.

As greves em cada país da União realizadas de forma isolada não chegarão para alterar a situação!
Apenas uma acção concertada á escala europeia ,
uma acção que envolva o maior número de países e com sectores estratégicos como os rodoviários, ferrovias e aeroportos.
Infelizmente para todos os trabalhadores a CES não está capaz de ser o cérebro dessa mobilização!

Finalmente devo confessar que fiquei relativamente surpreendido com o não apoio do Secretário Geral do PS á greve geral!
Este partido, o maior da esquerda portuguesa, continua a manifestar uma difícil relação com os movimentos dos trabalhadores.
Estando na oposição, com a pior situação de sempre das classes trabalhadoras,o PS não apoia uma greve geral convocada pelas centrais sindicais onde militam os sindicalistas socialistas!
Tem medo de quê o José Seguro?
Das agências de rating? No mesmo dia uma delas baixou Portugal!
Da troika? No memorando não se retira o direito de se apoiar uma greve!
Do Governo? Este também ficou admirado!

(-por A.Brandão Guedes, BemEstarNoTrabalho)


De Governo do ''Estado NovoLib XXI'' a 25 de Novembro de 2011 às 16:15
«Uma greve pela Europa
...
O Governo não tem sido capaz de ir para além do caderno de encargos da troika. Tem até ficado aquém dele no que respeita à justiça fiscal, pois continua a ser cúmplice da evasão fiscal organizada, como o demonstrou o economista João Pedro Martins. Se é verdade que o programa de ajustamento marca o falhanço das políticas públicas dos governos anteriores, será um tremendo erro pensar que Portugal poderá recuperar a liberdade de acção perdida apenas pelo cumprimento desse programa. Um erro que poderá levar o País ao desastre económico e à desordem social.

Paradoxalmente, esta é uma greve pela permanência de Portugal na Zona Euro. Ela apela ao Governo para não seguir a cartilha suicidária da espiral de austeridade e recessão, que só agravará os grandes indicadores, em particular o da dívida pública, que vai continuar a crescer em relação a um PIB decrescente. Passos Coelho não pode continuar a falar aos portugueses como se Berlim tivesse razão, ignorando as propostas da Comissão Europeia e dos maiores economistas mundiais. O Governo tem de lutar por uma resposta europeia, solidária e integrada, se não quiser que algures no futuro o protesto ordeiro dos sindicatos seja substituído pela violência antieuropeia nas ruas.»
[DN]Viriato Soromenho-Marques.
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Vai mobilizar a tua tia para trabalhar!

«"O que queremos é ver um país mobilizado
não para se manifestar, ainda que possa emitir todas as suas opiniões políticas,
mas um país mobilizado, concentrado em fazer o seu trabalho, em ser mais produtivo e em eliminar todos os bloqueios que hoje temos na nossa economia para poder crescer mais e ter mais emprego", afirmou o líder da bancada social-democrata, Luís Montenegro, em declarações aos jornalistas no Parlamento.» [i]

Parecer do Jumento:
Idiota, quer empobrecer os portugueses e ainda se dá ao luxo de falar em mobilização para trabalhar.
«Mande-se à bardamerda o ilustre deputado eleito com um programa e que está a aprovar um outro bem diferente.»
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Vítor Gaspar, (por enquanto) ministro das Finanças

E mais de 35 anos de vida adulta nunca tive tão pouca consideração e tanto desprezo por um governo como em relação ao actual, nem com o governo de Marcelo Caetano senti tanto desprezo humano por um primeiro-ministro ou por um ministro das Finanças.

Também nem no tempo da ditadura um governo usou deliberadamente a estratégia da divisão dos portugueses ou assumiu tão claramente o ódio aos que opinam de forma diferente.
Nem a brigada do reumático da ditadura conduziu o país de forma tão clara para a divisão e para um conflito social grave.
Nunca Portugal esteve tão perto de um grave conflito social como está hoje.»

O Gaspar pode ter sido muito marrão como estudante da Católica e até poderá ter lido o Capital de Marx, ainda que tenha muitas dúvidas de que o tenha entendido.
Mas é evidente que o ministro das Finanças é um elefante numa loja de cristais e está a conduzir os políticos ao conflito.
É pouco provável que este ministro se mantenha muito tempo no cargo e a única dúvida está em saber se sai antes ou depois de conduzir o país ao abismo.

Estamos perante um ministro que é um lobo disfarçado de cordeiro e que não tem o mais pequeno respeito pelos trabalhadores portugueses e ainda menos pela democracia e pelas regras constitucionais.
É um ministro legitimado por eleições que governa de forma abusiva e ilegítima.

«Na véspera da greve geral, marcada para amanhã, o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, veio defender que “não é tempo de alimentar animosidades, conflitos ou divisões”, nem de “concentrar a atenção em interesses particulares e corporativos”.» [Público]

...um governo que justificou os (cortes aos) funcionários públicos com o falso argumento de que estes ganham mais do que os trabalhadores do sector privado
não tem autoridade moral para falar em divisão dos portugueses pois a sua política e o seu governo estão a conduzir o país deliberadamente para a divisão e o conflito.


De . Gente de outra Direita (hajam + assim. a 28 de Novembro de 2011 às 10:50
A minha greve

«1. Até quinta-feira nunca tinha feito greve, desta vez fiz. Trabalhei, mas fiz a minha greve. Envergonhada talvez. Não porque pense que a greve ajudará a resolver substancialmente qualquer dos graves problemas que enfrentamos como comunidade, não porque me sinta próximo de quem a convocou, mas porque é a única maneira, neste momento, de manifestar o meu profundo desagrado pelo caminho escolhido por este Governo.

Há momentos assim na vida de todos nós. Em que circunstancialmente nos vemos junto a gente com quem não partilhamos valores, ideias, visões da comunidade, princípios políticos. Que provavelmente somos utilizados para objectivos que não são os nossos, isso nunca me preocupou.

As minhas preocupações são outras.
São as que advêm de me sentir governado por pessoas que aparentemente ignoram que estão a destruir um modo de vida, uma economia, as poucas boas empresas, em troca duma quimera;
que são os maiores aliados da estratégia suicida da Sra. Merkel;
que pensam que atirando para a miséria e o desemprego milhares e milhares dos seus concidadãos alcançarão o que quer que seja;
que falam de taxas de juro, de eficiência e de mercados como se fossem fins em si mesmos, esquecendo que estes dados têm de ser apenas meios ao serviço da comunidade;
que trocam os princípios reformadores por revoluções inconsequentes.

Falam-nos, sem que lhes trema a voz, de que temos vivido acima das nossas possibilidades
sem se recordarem, uma vez que seja, dos dois milhões de pobres, das muitas centenas de milhares de desempregados, dos que sobrevivem com menos de 750 euros por mês.
E fazem-no sem que se dêem sequer ao trabalho de nos mostrar uma luz ao fundo do túnel, de nos mostrarem uma esperança, uma visão.
Põem um ar compungido e falam-nos de desempregados, de salários de fome, de pensionista sem dinheiro para medicamentos, como se fossem apenas vitimas colaterais dum plano que, no fundo, desconhecem.

Não poucas vezes os nossos governantes parecem ser gente deslumbrada com meia dúzia de livros revolucionários lidos à pressa.
Aprendizes de feiticeiro a quem só foi ensinada metade do truque:
sabem fazer desaparecer as coisas, mas não conhecem a forma de as fazer aparecer.

Há quem confunda esta governação com um qualquer programa de direita.
Pura ilusão. Não a minha, pelo menos.

A minha direita é a que acredita num Estado mais pequeno mas mais forte.
A que recusa transformar todos os funcionários públicos em bodes expiatórios.
A que não ignora que as reformas podem levar tempo, mas são sempre mais rápidas e mais justas que as revoluções que tudo destroem.
A que acredita que quando são precisos sacrifícios, eles devem ser equitativamente distribuídos.
A que crê que o capital nunca deve estar acima do trabalho e, muito menos, se deve sobrepor às pessoas.
A que nunca se esquece que os direitos sociais foram, em larga medida e por essa Europa fora, uma conquista de governantes de direita.
A que está ciente de que baixando salários não só se empobrecem as pessoas como se recua décadas no modelo de desenvolvimento.
A que sabe serem as empresas privadas o motor da economia, as acarinha e não as afoga em impostos.
A que não desconhece que austeridade sem crescimento apenas conduz a um buraco sem saída.
A que defende a liberdade como valor acima de todas as coisas, mas que sabe que sem o mínimo de igualdade a liberdade é apenas uma ilusão.
A que acredita que na essência das políticas tem de estar sempre o cidadão e que ninguém deve ser deixado para trás.

Pois é, fiz greve, lado a lado com quem não queria, consciente de que as minhas razões são diferentes,
muito diferentes, das de outros que também a fizeram, mas com a esperança de que quem partilha as minhas convicções também fez ou, pelo menos, teve vontade de fazer.
Estou convencido de que o meu acto de pouco serviu, mas sinto-me muito mais aliviado.
2. ...
[DN, -por Pedro Marques Lopes, via OJumento]


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