Não a ''Estado Novoliberal''

País de pobreza, famílias oligárquicas, segregação económico-social, exploração, medo, subserviência, emigração/ostracismo, caridadezinha, prisão e ditadura

(-Isabel do Carmo, Público, 28.11.2011, via PuxaPalavra)


Publicado por Xa2 às 07:55 de 29.11.11 | link do post | comentar |

11 comentários:
De ..Estado Novo-Liberal-Fascista.. a 30 de Novembro de 2011 às 12:49

Liberais em público, fascistas em privado

Em tempos tiver a oportunidade de conviver com um jovem da JSD que fazia um estágio no Estado, em público era um liberal formado na Universidade de Verão de Castelo de Vide, em privado era um defensor do salazarismo capaz de fazer corar um marcelista.
Não se tratava de um caso isolado, é uma situação muito comum à nova geração do PSD dos tempos dos actuais dirigentes.


Se nós procurarmos em Passos Coelho, Miguel Relvas e muitos outros traços de uma formação democrática não os encontramos, a afirmação da devoção à democracia é permanente mas sem que seja possível encontrar no discurso político uma matriz de valores democráticos.
Antes pelo contrário, encontramos com frequência tiques ideológicos mais compatíveis com a ideologia fascista,
é o caso do elogio da pobreza feito recentemente por Passos Coelho no seu Facebook, a afirmação de Relvas de que o país precisa de trabalho por oposição a greves, ou a preocupação de Vítor Gaspar com a unidade do país no dia da greve geral.
Poderíamos recordar os tiques ruralista presentes no elogio à fruta por oposição aos alimentos preparados para bebés feito pela ministra da Agricultura ou mesmo no discurso do ministro da Educação que quase encaixa nos velhos admiradores da terceira classe de outros tempos.

Nunca confiei nesta combinação de vítimas dos exames de admissão com marrões feiotes ou com ar de meninos da mamã, gente com um percurso escolar cheio de galhetas e cacholetas.
No discurso de gente como Paulo Macedo, Vítor Gaspar ou o Batanete da Rua da Horta Seca a palavra democracia está ausente.
Para eles as medidas políticas não resultam da necessidade de respeitar qualquer equilíbrio, são soluções unívocas que eles entendem serem salvadores.
No fascismo dos anos quarenta a salvação era uma emanação divina, para estes artistas do século XXI a emanação resulta da sua suposta superioridade intelectual.

Até na forma como os ideólogos deste governo elegeram um grupo social (poderia ter sido étnico ou religioso) como o culpado de todos os males e merecedor da condenação colectiva
faz-nos lembrar outros tempos, só falta mesmo que os funcionários públicos sejam obrigados a usar uma braçadeira que os identifique em público ou que as suas casas sejam devidamente assinaladas.

O empobrecimento forçado dos funcionários públicos por um governo de gente educada no ódio ao Estado (incluído o pobre diabo do Seguro) resultou numa reengenharia social em larga escala imposta sob a ameaça de que a alternativa seria o despedimento.

Ainda vivemos em democracia mas a verdade é que este governo está mais à direita do que o de Marcelo Caetano, os seus ministros são bem mais cinzentos do que os da Primavera Marcelista, o primeiro-ministro tem menos valor intelectual do que um par de cuecas de Marcelo Caetano
e para encontrarmos um ministro com um programa, conceitos e arrogância do Gaspar teremos de recuar aos tempos em que Salazar ainda não era presidente do conselho.
Nunca um governo de direita, nem mesmo nos 48 anos de ditadura de direita um governo assumiu de forma tão clara os interesses de uma classe social tão restrita como a grande burguesia,
nem nunca os interesses desta classe foram defendidos de forma tão clara.
Só falta mesmo a PIDE mas até nisto o governo de Passos Coelho não se deixou ficar para trás e garantiu um reforço de verbas para as polícias.

(-por Jumento, 29.11.2011)


De Arame Farpado : Problemas de Portugal a 30 de Novembro de 2011 às 12:56
Numa altura em que se discute a abolição de 4 feriados como solução para a crise sistémica nacional, proponho que partindo desse ponto façamos uma viagem pela sociedade portuguesa, refletindo sobre os dias que correm.

A proposta em cima da mesa parece pressupôr que a abolição de 4 feriados somada a meia hora extra de trabalho resolverá os problemas de produtividade e competitividade de Portugal.

É isso o que falta? São esses os fatores primordiais?
A grande maioria de nós concordará que não. O valor destas medidas, em termos líquidos, traduzir-se-á num diminuto impacto.

Porque temos baixa produtividade?
Na minha opinião os principais fatores que deveriam ser objetivo de análise e atuação por parte do Governo são:
- Custos de produção excessivos
- Custos energéticos elevados
- Carga fiscal pesada
- Falta de celeridade processual da Justiça que assusta investidores estrangeiros
- Falta de organização e competência na estrutura empresarial
- Falta de formação dos trabalhadores
- Falta de motivação

Discordam muito de mim? Não creio.
Nos países mais competitivos da Europa os colaboradores trabalham menos horas, auferem mais dinheiro e as empresas não só subsistem como proliferam.
Porquê seguir o caminho oposto se todos desejamos estes resultados?
Não acham que devíamos tentar concorrer com a Alemanha ao invés da China?!

Para os trabalhadores portugueses que não concordem com estas medidas e que nelas encontrem apenas a continuidade da prossecução de um ataque a direitos supostamente adquiridos espera-se sequer aumento da sua produtividade individual?

Assumindo esta argumentação como válida, qual o real objetivo na prossecução destas medidas?
Se o impacto positivo será mínimo e ainda assim discutível, quando os fatores que determinariam a correção dos nossos índices produtivos são outros e nem sequer de muito difícil perceção, quando o principal efeito se fará sentir nos mesmos do costume, para quê prosseguir?

A motivação é o motor do comportamento.
Se insistirem no caminho da desmotivação enquanto retiram direitos e simultaneamente apostam no empobrecimento real, assumido e abrupto da população sem se marimbarem nem para as empresas nem para as pessoas, esperam realmente bons resultados?

Caso a resposta seja afirmativa então não tenho qualquer pudor em afirmar que somos governados por uma data de idiotas chapados.

Caso saibam que não terão bons resultados, então assumam de uma vez que estão determinados em cumprir uma qualquer agenda que não a do interesse de Portugal, como até esta data demagógica e desavergonhadamente têm feito.

Numa sociedade pautada pela ética, pela lógica, pelo mérito e pela honra, um Governo que executasse o antónimo do que apregoou deveria ser destituído.
Não sei muito bem que pena aplicar a um executivo que prejudica deliberadamente o Povo que o sufragou...

Não só por ser parte integrada e interessada em todo este logro, também sob o ponto de vista sociológico questiono-me verdadeiramente até que ponto os portugueses se deixam enganar. Interrogo-me até quando o mentiroso e sofrível argumento da inevitabilidade de nos despojar de tudo, até da dignidade, é aceite como meio para nos salvar, sem qualquer protesto indignado e massivo.

Será que na nossa tão jovem e por isso tão frágil democracia teremos tido tempo e arte para, enquanto Povo, termos eliminado a nefasta e derrotista resignação que tão facilmente abre caminho às ditaduras e totalitarismos?

Tenho receio, confesso.
Quando vejo que os portugueses aceitam que tudo lhes roubem e em tudo os prejudiquem sem espírito crítico, sem reflexão, sem aparentemente sequer se importarem, este é, para mim, o estado de espírito de quem vive na subjugação e tudo, inclusivamente a perda da liberdade, é capaz de aceitar.

Esta é a conclusão e isto o que fundamentalmente me preocupa.
Mais do que a condução idiota dos destinos da nação, mais do que o cumprimento de uma qualquer agenda escondida, o que me deixa deveras preocupado é a falta de capacidade de análise, reflexão e reação do meu Povo.

A quem tudo aceita, tudo farão, não duvido.
Não gosto de me colocar nas mãos dos outros mas os meus concidadãos parecem desejar fazê-lo ardente, cegamente, sem qualquer critério.

... é para abrir olhos...


De .Ira Lusa. a 30 de Novembro de 2011 às 13:42
PODEM DISCORDAR À VONTADE

«Aprovado aumento do IVA para 23% na restauração»

«Aumento do IVA na alimentação e bebidas vai encerrar 21.000 empresas»

«Taxas moderadoras passam a custar o dobro»

«Freitas do Amaral insurge-se contra "ditadura" franco-alemã, que actua sob "pura ilegalidade"»

«Se não mudam, vai ser terrível. Não só para nós como para o resto do mundo. E não sabemos onde podemos parar. Se for assim, terá de haver uma revolução."»

«"A União Europeia está desorientada. Dantes era constituída por duas grandes famílias políticas:
os socialistas e os democratas-cristãos que seguiam a doutrina social da Igreja.
Hoje não há democratas-cristãos, ou quase não há, porque já não seguem a doutrina social da Igreja,
seguem o neoliberalismo, tendo o dinheiro como principal valor".
Também os socialistas europeus se entregaram a esta ideologia, considera Soares.

O dilema que existe hoje já vem de há dois ou três anos:
ou mudam o modelo de desenvolvimento ou todos os Estados europeus vão entrar numa decadência profunda", sustenta Mário Soares, que já foi também deputado europeu em Bruxelas.

O actual primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, é ele próprio um neoliberal cujo governo acolhe os conselhos da troika "como se fossem ordens"»
...
(por Arame Farpado, em 29.11.2011, no IRA LUSA http://iralusa.blogspot.com/?zx=ef95e39e964b0d74 )


De Espremer classe média p.conta d'outrem. a 2 de Dezembro de 2011 às 14:47
Surdinas [ XXII ] (baixinho para que ninguém nos ouça)

A teoria é simples (e antiga)

Não adianta espremer a classe baixa porque eles sabem que não podem ficar mais pobres.

Adianta espremer a classe média porque eles, ao sentirem-se espremidos, vão dar tudo o que podem para se manterem nessa classe.

Não se espreme a classe alta porque não somos masoquistas.


De “O triunfo dos Porcos” a 29 de Novembro de 2011 às 16:27
A presidente da Assembleia da República acaba de atribuir a Mota Amaral, na qualidade de ex-presidente do Parlamento, um gabinete, uma secretária, um BMW 320 e um motorista.

O despacho é assinado por Assunção Esteves, e remete para o articulado que regulamenta o funcionamento dos serviços da Assembleia da República, a Lei de Organização e Funcionamento dos Serviços da Assembleia da República (LOFAR), publicada em anexo à Lei n.º 28/2003, de 30 de Julho, e do n.º 8, alínea a), do artigo 1.º da Resolução da Assembleia da República n.º 57/2004, de 6 de Agosto, alterada pela Resolução da Assembleia da República n.º 12/2007, de 20 de Março.
O facto está a ser divulgado na Internet, e está a ser apresentado como uma prova de que a Assembleia da República não aplica a si mesma os cortes que, na atual crise, o governo tem vindo a impor aos portugueses.
Os e-mails que já correm na Internet sobre este assunto apresentam como título "Poupar????? É só para alguns....."

Transcreve-se o despacho em causa:

"Despacho n.º 1/XII -- Relativo à atribuição ao ex-Presidente da Assembleia da República Mota Amaral de um gabinete próprio, com a afectação de uma secretária e de um motorista do quadro de pessoal da Assembleia da República.

Ao abrigo do disposto no artigo 13.º da Lei de Organização e Funcionamento dos Serviços da Assembleia da República (LOFAR), publicada em anexo à Lei n.º 28/2003, de 30 de Julho, e do n.º 8, alínea a), do artigo 1.º da Resolução da Assembleia da República n.º 57/2004, de 6 de Agosto, alterada pela Resolução da Assembleia da República n.º 12/2007, de 20 de Março, determino o seguinte:

a) Atribuir ao Sr. Deputado João Bosco Mota Amaral, que foi Presidente da Assembleia da República na IX Legislatura, gabinete próprio no andar nobre do Palácio de São Bento;

b) Afectar a tal gabinete as salas n.º 5001, para o ex-Presidente da Assembleia da República, e n.º 5003, para a sua secretária;

c) Destacar para o desempenho desta função a funcionária do quadro da Assembleia da República, com a categoria de assessora parlamentar, Dr.a Anabela Fernandes Simão;

d) Atribuir a viatura BMW, modelo 320, com a matrícula 86-GU-77, para uso pessoal do ex-Presidente da Assembleia da República;

e) Encarregar da mesma viatura o funcionário do quadro de pessoal da Assembleia da República, com a qualificação de motorista, Sr. João Jorge Lopes Gueidão;
Palácio de São Bento, 21 de junho de 2011
A Presidente da Assembleia da República, Maria da Assunção Esteves.
Publicado
DAR II Série-E -- Número 1
24 de Junho de 2011


De Deputados e cidadãos Tugas e Suecos... a 30 de Novembro de 2011 às 09:13
Na Suécia os deputados têm de partilhar um pequeno gabinete de trabalho no Parlamento;
os que vivem fora da capital têm direito a partilhar uma ''casa de função'' de 18m2 (T0) a 48 m2(T1), sem empregados e lavandaria colectiva;
não há direito a secretárias particulares (existe um secretariado para todos os deputados de todos os partidos), nem motoristas, nem carros para uso próprio,
nem subsídios de re-integração!!, nem de deslocação, nem de residência, nem de transporte, nem de isenção de horário, nem de telefone, ... !!!
nem adjuntos nem assessores de grupos parlamentares (usam os serviços e os dados/informações/ pareceres dos técnicos da admin. pública).

Na Suécia, a função de Deputado é de Serviço Público, e não há privilégios destes relativamente aos demais cidadãos.

Em Portugal, que é um país Rico !!, e tem deputados com categoria e inteligência superior !! aos restantes cidadãos (Portugueses e Suecos), a Ass.República (deputados e funcionários) têm de ter condições de luxo e têm de ser bem pagos (mais que os restantes trabalhadores da Adm.Pública, das carreiras gerais) ...
porque os restantes Cidadãos portugueses são : POBRES, ABÚLICOS, ILITERATOS, EGOÌSTAS, DESORGANIZADOS, e ''emBURRados'' (pelos sucessivos governos/governantes e elites económico-comunicacionais...) ...
para se desinteressarem da Política e desvalorizarem ''os Políticos'' (todos os cidadão são políticos !!) e a DEFESA dos seus próprios interesses Económico-Sociais e de CIDADANIA e não FISCALIZAREM os actos e medidas políticas tomadas pelos seus representantes e governantes. !!!
Depois queixem-se ... à bola, ao fado/destino, à TV ou a Fátima...

Zé T.


De .Ditadura e descontrolo ou Rapina.. a 30 de Novembro de 2011 às 10:31
Freitas arrasa Merkozi

A União Europeia:
"Um grupo de países democráticos governados por uma ditadura"

(# posted by Raimundo Narciso, PuxaPalavra)
--------
Comments:

Enquanto a rapina se desse apenas entre compatriotas tudo bem...
Agora quererem esses imperialistas vasculhar cá as nossas contas, isso nunca!
Que emprestem e nós pagarmos ou comprometer-mo-nos a pagar tudo bem, somos gente de boas contas,
agora querem mandar no nosso orçamento (para onde ia a fiscalização soberana da AR?) saber como gastamos, onde gastamos etc isso nunca !!!

Imagine-se que aparecia aí uma equipa de 7ª ou 8ª linha de cagões franceses ou quadrados prussianos a pôr em causa, por exemplo (só por exemplo ! ),
o dinheiro que o Estado gasta em pareceres e estudos com os nossos competentíssimos gabinetes de advogados e consultores (embora no ano passado apenas tenham sido despendidos pouco mais que uns 600 milhões),
mas, fosse o que fosse, o que teriam eles a ver com isso?
Não somo um povo independente desde o A.H.? Quereriam eles que Portugal tivesse, por exemplo, a péssima qualidade legislativa deles?
Um exemplo:
lá na França do sr. Sarkozy quer saber-se qq coisa de IVA/TVA vai-se ao código dos impostos (Code général des impôts), sobre IRS vai-se ao mesmo código, IRC a mesma coisa, etc etc etc.
Será esse tipo de coisas que iam querer para nós que, só códigos fiscais, temos mais de uma dúzia?
Teremos nós que regredir para satisfazer os ditames de Merkozy?
É esta, com certeza, a indignação de F. Amaral e qualquer patriota que se preze.

# posted by Anónimo : 29/11/11 13:55
O que vale é que temos (alguns) gajos com tomates (às vezes... para algumas coisas...).


De .Em q.mundo vivem os governantes?! a 29 de Novembro de 2011 às 10:40
[carta aos)
Srs. Governantes de Portugal,
Sou uma Técnica Administrativa de uma empresa pública de transportes da área metropolitana de Lisboa (que está prestes a ser destruída), sou possivelmente uma candidata séria ao desemprego pois aquilo que está previsto para esta área é bastante preocupante.
Aufiro um vencimento que ronda os 1100? (líquido), tenho 36 anos e 'visto a camisola' da minha empresa desde os 19 anos.
Tenho o 12º ano de escolaridade porque na época em que estudava os meus pais, que queriam o melhor para mim, não tinham possibilidade de me pagar uma universidade, por isso tive de ingressar cedo no mercado de trabalho, investi na minha formação e tirei alguns cursos para evoluir e continuo a ambicionar tirar um curso superior.
Pensava efectuar provas no próximo ano para tentar ingressar numa universidade pública, faria um sacrifício para pagar as propinas (talvez com o dinheiro que recebesse do IRS conseguisse pagá-las) mas realizaria um sonho antigo.
Comprei casa há uns anos (cerca de 7 anos) consciente de que conseguia pagar a dívida que estava a contrair, nessa altura era possível e de acordo com a lógica de evolução das coisas a minha vida melhoraria gradualmente (este era o meu pensamento e julgo que partilhado pela maioria dos portugueses).
Não vivo nem nunca vivi acima das minhas possibilidades.
Tenho um carro de 1996 porque sou contra o endividamento e achei sempre que não podia dar-me ao luxo de ter um carro melhor.
Confesso que já me custa conduzir aquela lata velha mas peço todos os dias para que não me deixe ficar mal, esse carro foi comprado a pronto, custou-me cerca de 1.000? que paguei com um subsídio de férias ou de Natal, direito alienável de qualquer trabalhador.
Esses subsídios permitem-me pagar o condomínio, os seguros de carro e casa, o IMI ou outras despesas extra com as quais não estou a contar (como por exemplo a oficina quando a lata velha resolve avariar).
Até hoje paguei sempre as minhas contas a tempo e horas.
Tenho um cartão de crédito que a banca me ofereceu mas que nunca utilizo porque sou consciente dos juros exorbitantes que são cobrados e tenho exemplos de que não se deve gastar o que não se tem.
Não pago qualquer prestação para além da casa, se não tiver dinheiro não efectuo a compra.

Isto tudo para dizer que não devo nem nunca devi nada a ninguém.
Pago todos os meus impostos, portagens, saúde, alimentação, água, luz, gás, gasolina, etc.
Não tenho filhos e hoje dou graças a Deus porque não sei em que condições viveriam se os tivesse.
Esta pequena introdução sobre a história da minha vida que acho que não interessa a ninguém mas apenas a mim, serve para que percebam a minha realidade que certamente é a realidade de milhares de portugueses, haverá uns em situação muito pior e alguns em situação bem melhor.
Mas posso servir bem, como um pequeno exemplo ilustrativo, para aqueles que governam um país que por acaso tem pessoas, algo que me parece muitas vezes ser esquecido.
É esta a minha forma de demonstrar a minha indignação perante alguns comentários efectuados por alguns de vós e tendo em conta a actual situação do nosso país aproveitando também para lhes pedir alguns esclarecimentos.

Eu já ouvi o Primeiro-Ministro português dizer que não sente que tem de pedir desculpas aos portugueses pelo défice e pela dívida mas pergunto, Sr. Primeiro-Ministro, sou eu que tenho de pedir desculpas por um Orçamento de Estado herdado do Governo anterior que sem a sua ajuda não teria sido aprovado ou já se esqueceu desse pormenor?

Desde essa altura, portanto, desde o início deste ano, que vejo o meu vencimento reduzido em 5% e que contribuo mais que os outros portugueses para o equilíbrio das contas públicas e para o défice.
Sim, porque ao que me parece eu e todos os funcionários públicos que têm o azar de trabalhar para o Estado ou na máquina do mesmo, são mais portugueses do que os outros.
Não sei se eles se contentariam em receber uma medalha, pela parte que me toca dispenso essa honra pois isso contribuiria para o agravamento da despesa, por isso não se incomodem, prefiro que poupem esse dinheiro e me continuem a pagar os subsídios a que tenho direito.
Direito, Estado de Direito? ...


De Carta de uma trabalhadora aos governante a 29 de Novembro de 2011 às 10:47
Srs. Governantes de Portugal,
...
Direito, Estado de Direito?
Neste momento e em Portugal não consigo descortinar o que isso é, até porque a legislação e Constituição têm sido ajustadas à medida, de acordo com os interesses em vigor, pois se assim não fosse teria sido inconstitucional a redução do meu salário bem como seria impossível cortarem-me o subsídio de Natal e de férias nos próximos dois anos.
Peço que me esclareçam também nestes pontos pois existem muitas coisas que não estou a perceber, acredite que não sou assim tão ignorante.
Outra coisa que me faz alguma confusão é ouvi-lo dizer que o Orçamento é seu mas o défice não?
Pergunto Sr. Primeiro-Ministro, o défice é meu?
O défice é dos trabalhadores portugueses mas não é seu?
O Senhor porventura não é português?
Não contribuiu em nada para a situação em que nos encontramos?
Há qualquer coisa aqui que não bate certo.

Agora aquilo que mais me transtorna é pedirem ainda mais sacrifícios ao povo português e terem a ousadia de dizer que (sobretudo) o povo vive acima das suas possibilidades.
Como já tive oportunidade de demonstrar a minha realidade, acho que não preciso voltar a explicar a minha forma de viver e a 'ginástica' que tenho de fazer com o meu vencimento para conseguir pagar as minhas contas e ainda assim sobreviver.
Nem consigo imaginar como farão famílias inteiras que apenas recebem o ordenado mínimo nacional, é para mim um exercício difícil, apenas me posso compadecer pela situação miserável em que devem estar a viver e dar-lhes também voz nesta minha missiva.

Por isso posso garantir que pela parte que me toca não vivo acima das minhas possibilidades mas certamente que (partes d)o Estado português e as empresas públicas estão a viver acima das possibilidades de todos os trabalhadores portugueses.
Apesar de relativamente a este assunto ainda não o ter ouvido dizer que ia haver cortes ou os poucos que referiu ainda não me conseguiram convencer?
Dou-lhe alguns exemplos práticos para que perceba e qualquer leigo no assunto também?

Vou referir-me a todos os que ocupam cargos relevantes na nossa sociedade - são eles os Administradores de empresas, os Directores, os Autarcas, os Deputados, Ministros, Assessores, Vogais, etc.
Todos eles e vocês auferem vencimentos superiores ao meu e ao da maioria dos trabalhadores. Vamos supor que ganham entre os 2.000€ e os 10.000€ mensais - sabemos bem que estas contas não são as reais e que os valores são bem superiores nalguns casos, mas para demonstrar o que pretendo podemos usar estes valores como base.

Tudo o que vou descrever abaixo é a realidade do meu país e da vossa má gestão enquanto Governo.
Não vos dei o meu voto nem a todos os que passaram por aí desde o 25 de Abril de 1975.
Apesar de concordar com os princípios básicos da Democracia há muito que deixei de acreditar que vivo numa.
Isto não é Democracia, em Democracia também se ouve o povo, em Democracia os órgãos de Comunicação Social não manipulam a opinião pública nem são marionetas do Governo.

Acredito mesmo assim que a maioria daqueles que votaram e vos deram a vitória nestas eleições acreditavam de facto numa mudança mas mais uma vez mudaram apenas as moscas e rodaram as cadeiras.
Por tudo isto agradeço que descontem tudo o que descrevo em baixo dos meus impostos porque isto, meus senhores, nem eu nem os trabalhadores portugueses temos possibilidades de pagar!

Esclareçam-me ...


De Quem vos autorizou? Não quero pagar. a 29 de Novembro de 2011 às 11:00
Srs. Governantes de Portugal,
...
.Esclareçam-me quanto aos seguintes pontos e quanto tudo isto me custa (a mim e a todos os contribuintes portugueses):
- Se me desloco em viatura própria para o meu trabalho e a maioria das pessoas usam o transporte público, digam-me porque é que tenho de comprar carros topo de gama para toda esta gente que ganha no mínimo o dobro que eu e que ainda tem viatura própria superior à minha?
Porque tenho de lhes comprar os BMW?s e os Audis, pagar-lhes a gasolina, as portagens, as inspecções, as revisões, os seguros, os motoristas e quanto isso me custa?
Acham que o povo português pode e quer continuar a pagar isto?

- Se tenho um cartão de crédito que não utilizo porque tenho de vos pagar os cartões de crédito com 'plafond' mensal para despesas diversas?
Quem vos disse que queríamos que gastassem assim o nosso dinheiro?
Quem vos autorizou?
- Se almoço no refeitório da Empresa e suporto, com o meu vencimento, todas as minhas refeições, por que tenho de pagar as vossas em restaurantes de luxo?
Acham que temos possibilidade de continuar a viver assim?
Como têm o descaramento de nos continuar a pedir sacrifícios?
- Se não saio do país porque não tenho hipótese (como adorava poder efectuar uma viagem por ano!) porque tenho de vos pagar as viagens, as despesas de alojamento e as ajudas de custo?
Porque viajam em classe executiva, porque ficam alojados em hotéis de 5 estrelas se estamos a viver num país falido e endividado?
- Porque tenho de pagar os vossos telemóveis e as vossas contas?
- Porque tenho de vos pagar computadores portáteis se para pagar o meu tive de fazer sacrifícios e ainda o utilizo ao serviço da empresa quando necessário?
- Porque tenho de pagar 1.700€ de subsídio de alojamento aos membros do Governo que não residem em Lisboa?
Se só posso pagar de renda um máximo de 500€, isto enquanto não ficar desempregada porque nessa altura terei provavelmente de vender a casa ou entregá-la ao banco e procurar emprego noutro sítio qualquer e quero ver quem me vai pagar o subsídio de alojamento ou de arrendamento.
Aliás onde estão esses subsídios para os milhares de desempregados deste país?

- Não quero pagar pensões vitalícias a ex-membros do Governo que continuam no activo e a acumular cargos e pensões.
- Não quero pagar ajudas de custo, ninguém me paga ajudas de custo para coisa nenhuma, não tenho de o fazer a quem aufere o triplo e o quádruplo do meu vencimento.

- Não quero pagar estudos nem pareceres, nem quero que estejam contemplados no Orçamento de Estado.
Se não têm capacidade para governar, não se candidatem aos cargos (um governo ao ser constituído escolhe as pessoas de acordo com a sua experiência e competência nas diversas áreas) ou assim deveria ser.
- Não quero pagar mais BPNs nem recapitalizações da banca, nem TGVs, nem PPPs que penalizam sempre o Estado e beneficiam o privado.

- Não quero mais privatizações em áreas essenciais como a dos transportes, dos Correios, das Águas de Portugal, etc.
Se são necessárias reformas façam-nas sentando-se à mesa com os trabalhadores e negociando, não aniquilando as Empresas.
- Quero uma verdadeira política de regulação e supervisão do direito à concorrência, coisa que não existe neste país.
- Quero ver nas barras dos tribunais e a indemnizarem o Estado e o Povo Português todos os que efectuaram crimes de colarinho branco, de corrupção, de má gestão que defraudaram o estado em milhões de euros.
Se eu cometer um crime sou responsabilizada por ele.
Eles também têm de ser.

Estes são apenas alguns exemplos das despesas que nem eu nem a maioria dos trabalhadores portugueses querem pagar.
Por isso meus senhores façam as contas, digam-nos quanto poupam com todas estas coisas e depois sim, podem pedir sacrifícios aos portugueses mas a todos, não só a alguns, nem sempre aos mesmos.

Até lá restituam-me o que me estão a roubar no vencimento desde o inicio deste ano.
Peço que tirem de uma vez por todas essa ideia da cabeça de me tirarem os subsídios de Natal e de férias dos próximos anos, aliás, isso é inconstitucional e ilegal ("Os subsídios de Natal e de férias são inalienáveis e impenhoráveis". - F. Sá Carneiro, Decreto-Lei nº 496/80 de 20 de Outubro) -
...
acho que ...


De .Áreas onde quero contribuir.. a 29 de Novembro de 2011 às 11:05
Srs. Governantes de Portugal,
...
acho que estão a ter algum problema com os vossos responsáveis da área jurídica e não vos estão a prestar os devidos esclarecimentos, por isso deixo aqui o meu pequeno contributo.

E para não dizerem que nós não queremos fazer sacrifícios, deixo também uma pequena lista das áreas para onde quero contribuir com os meus impostos e onde quero ver o meu dinheiro aplicado:

Quero continuar a descontar para a Segurança Social e a mantê-la sustentável para pagamento de:
- Reformas daqueles que trabalharam e descontaram uma vida inteira, daqueles que lutaram pelo nosso país e foram obrigados a ir para uma guerra que não era deles e onde ainda hoje impera a vergonha nacional na forma como são tratados os ex-combatentes.
Não me importo e concordo que a reforma mínima seja aumentada para um valor que garanta dignidade aos nossos idosos, o que está longe de acontecer nos dias de hoje;
- Abono de Família com aumento para as famílias mais desfavorecidas ou com rendimentos inferiores a 1.000? (aumentando de acordo com o número de filhos).
- Pagamento de subsídio de Apoio Social desde que verificada a real necessidade da família ou indivíduo bem como de todos os subsídios (de doença, desemprego, assistência à família, maternidade, etc.) desde que verificadas as situações, o que me parece já ser uma prática comum.
- Aumento do ordenado mínimo nacional para 500€ (o que continua a ser uma vergonha).

- Continuo a pagar impostos para garantir uma boa Educação, Saúde, Justiça (neste caso para todos e não só para alguns), Segurança, Cultura, ou seja, para todas as áreas onde o Governo tem reduzido e quer reduzir ainda mais ao abrigo da austeridade.

Agora peço-vos que não insultem mais a inteligência dos portugueses, a única coisa estúpida que fazem é continuar a dar poder a pessoas pequeninas como os senhores que pouco ou nada contribuem para lhes melhorar a vida.

Não nos voltem a dizer que estas medidas são necessárias e suficientes porque sabemos que é mentira e,
enquanto não apostarem no crescimento real da economia, na produção de recursos e na criação de emprego, todas as medidas que tomarem terão um efeito nulo e só agravarão a situação do país e das famílias.
Não é necessário ser um grande génio financeiro pois até o Sr. Zé da mercearia (com todo o respeito que tenho pelo senhor e que apenas estudou até à 4ª classe) percebe isto.
Não nos comparem nunca mais com outros países mais desenvolvidos ou quando o fizerem esclareçam também quais os benefícios sociais que eles têm e os ordenados que eles recebem,
digam também quanto pagam de impostos e por serviços e quanto pagamos nós.
Somos dos mais pobres e dos que mais pagam por tudo.
Por isso meus senhores não nos peçam mais nada porque já passaram todos os limites.

Fico a aguardar uma resposta a todas estas minhas questões.
Não me despeço com consideração porque infelizmente ainda não a conseguiram ganhar.

Manuela Cortes


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