Emigrar, ostracizar, afuguentar ... assediar, amedrontar, despedir ... ou revoltar-se !

Carta aberta ao Senhor Primeiro Ministro


Este texto foi publicado hoje no Facebook por alguém que conheço pessoalmente. Tal como conheço o pai. Foi escrito pela Myriam, como podia ter sido escrito por dezenas de pessoas com quem lido diariamente ou quase. Sinto uma enorme revolta, mas pouco mais posso fazer do que dar-lhe este espaço.
     Exmo Senhor Primeiro Ministro
     Começo por me apresentar, uma vez que estou certa que nunca ouviu falar de mim. Chamo-me Myriam. Myriam Zaluar é o meu nome "de guerra". Basilio é o apelido pelo qual me conhecem os meus amigos mais antigos e também os que, não sendo amigos, se lembram de mim em anos mais recuados.
     Nasci em França, porque o meu pai teve de deixar o seu país aos 20 e poucos anos. Fê-lo porque se recusou a combater numa guerra contra a qual se erguia. Fê-lo porque se recusou a continuar num país onde não havia liberdade de dizer, de fazer, de pensar, de crescer. Estou feliz por o meu pai ter emigrado, porque se não o tivesse feito, eu não estaria aqui. Nasci em França, porque a minha mãe teve de deixar o seu país aos 19 anos. Fê-lo porque não tinha hipóteses de estudar e desenvolver o seu potencial no país onde nasceu. Foi para França estudar e trabalhar e estou feliz por tê-lo feito, pois se assim não fosse eu não estaria aqui. Estou feliz por os meus pais terem emigrado, caso contrário nunca se teriam conhecido e eu não estaria aqui. Não tenho porém a ingenuidade de pensar que foi fácil para eles sair do país onde nasceram. Durante anos o meu pai não pôde entrar no seu país, pois se o fizesse seria preso. A minha mãe não pôde despedir-se de pessoas que amava porque viveu sempre longe delas. Mais tarde, o 25 de Abril abriu as portas ao regresso do meu pai e viemos todos para o país que era o dele e que passou a ser o nosso. Viemos para viver, sonhar e crescer.
     Cresci. Na escola, distingui-me dos demais. Fui rebelde e nem sempre uma menina exemplar mas entrei na faculdade com 17 anos e com a melhor média daquele ano: 17,6. Naquela altura, só havia três cursos em Portugal onde era mais dificil entrar do que no meu. Não quero com isto dizer que era uma super-estudante, longe disso. Baldei-me a algumas aulas, deixei cadeiras para trás, saí, curti, namorei, vivi intensamente, mas mesmo assim licenciei-me com 23 anos. Durante a licenciatura dei explicações, fiz traduções, escrevi textos para rádio, coleccionei estágios, desperdicei algumas oportunidades, aproveitei outras, aprendi muito, esqueci-me de muito do que tinha aprendido.
   Cresci. Conquistei o meu primeiro emprego sozinha. Trabalhei. Ganhei a vida. Despedi-me. Conquistei outro emprego, mais uma vez sem ajudas. Trabalhei mais. Saí de casa dos meus pais. Paguei o meu primeiro carro, a minha primeira viagem, a minha primeira renda. Fiquei efectiva. Tornei-me personna non grata no meu local de trabalho. "És provavelmente aquela que melhor escreve e que mais produz aqui dentro." - disseram-me - "Mas tenho de te mandar embora porque te ris demasiado alto na redacção". Fiquei.
     Aos 27 anos conheci a prateleira. Tive o meu primeiro filho. Aos 28 anos conheci o desemprego. "Não há-de ser nada, pensei. Sou jovem, tenho um bom curriculo, arranjarei trabalho num instante". Não arranjei. Aos 29 anos conheci a precariedade. Desde então nunca deixei de trabalhar mas nunca mais conheci outra coisa que não fosse a precariedade. Aos 37 anos, idade com que o senhor se licenciou, tinha eu dois filhos, 15 anos de licenciatura, 15 de carteira profissional de jornalista e carreira 'congelada'. Tinha também 18 anos de experiência profissional como jornalista, tradutora e professora, vários cursos, um CAP caducado, domínio total de três línguas, duas das quais como "nativa". Tinha como ordenado 'fixo' 485 euros x 7 meses por ano. Tinha iniciado um mestrado que tive depois de suspender pois foi preciso escolher entre trabalhar para pagar as contas ou para completar o curso. O meu dia, senhor primeiro ministro, só tinha 24 horas...
     Cresci mais. Aos 38 anos conheci o mobbying. Conheci as insónias noites a fio. Conheci o medo do amanhã. Conheci, pela vigésima vez, a passagem de bestial a besta. Conheci o desespero. Conheci - felizmente! - também outras pessoas que partilhavam comigo a revolta. Percebi que não estava só. Percebi que a culpa não era minha. Cresci. Conheci-me melhor. Percebi que tinha valor.
     Senhor primeiro-ministro, vou poupá-lo a mais pormenores sobre a minha vida. Tenho a dizer-lhe o seguinte: faço hoje 42 anos. Sou doutoranda e investigadora da Universidade do Minho. Os meus pais, que deviam estar a reformar-se, depois de uma vida dedicada à investigação, ao ensino, ao crescimento deste país e das suas filhas e netos, os meus pais, que deviam estar a comprar uma casinha na praia para conhecerem algum descanso e descontracção, continuam a trabalhar e estão a assegurar aos meus filhos aquilo que eu não posso. Material escolar. Roupa. Sapatos. Dinheiro de bolso. Lazeres. Actividades extra-escolares. Quanto a mim, tenho actualmente como ordenado fixo 405 euros X 7 meses por ano. Sim, leu bem, senhor primeiro-ministro. A universidade na qual lecciono há 16 anos conseguiu mais uma vez reduzir-me o ordenado. Todo o trabalho que arranjo é extra e a recibos verdes. Não sou independente, senhor primeiro ministro. Sempre que tenho extras tenho de contar com apoios familiares para que os meus filhos não fiquem sozinhos em casa. Tenho uma dívida de mais de cinco anos à Segurança Social que, por sua vez, deveria ter fornecido um dossier ao Tribunal de Família e Menores há mais de três a fim que os meus filhos possam receber a pensão de alimentos a que têm direito pois sou mãe solteira. Até hoje, não o fez.
     Tenho a dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: nunca fui administradora de coisa nenhuma e o salário mais elevado que auferi até hoje não chegava aos mil euros. Isto foi ainda no tempo dos escudos, na altura em que eu enchia o depósito do meu renault clio com cinco contos e ia jantar fora e acampar todos os fins-de-semana. Talvez isso fosse viver acima das minhas possibilidades. Talvez as duas viagens que fiz a Cabo-Verde e ao Brasil e que paguei com o dinheiro que ganhei com o meu trabalho tivessem sido luxos. Talvez o carro de 12 anos que conduzo e que me custou 2 mil euros a pronto pagamento seja um excesso, mas sabe, senhor primeiro-ministro, por mais que faça e refaça as contas, e por mais que a gasolina teime em aumentar, continua a sair-me mais em conta andar neste carro do que de transportes públicos. Talvez a casa que comprei e que devo ao banco tenha sido uma inconsciência mas na altura saía mais barato do que arrendar uma, sabe, senhor primeiro-ministro. Mesmo assim nunca me passou pela cabeça emigrar...
     Mas hoje, senhor primeiro-ministro, hoje passa. Hoje faço 42 anos e tenho a dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: Tenho mais habilitações literárias que o senhor. Tenho mais experiência profissional que o senhor. Escrevo e falo português melhor do que o senhor. Falo inglês melhor que o senhor. Francês então nem se fale. Não falo alemão mas duvido que o senhor fale e também não vejo, sinceramente, a utilidade de saber tal língua. Em compensação falo castelhano melhor do que o senhor. Mas como o senhor é o primeiro-ministro e dá tão bons conselhos aos seus governados, quero pedir-lhe um conselho, apesar de não ter votado em si. Agora que penso emigrar, que me aconselha a fazer em relação aos meus dois filhos, que nasceram em Portugal e têm cá todas as suas referências? Devo arrancá-los do seu país, separá-los da família, dos amigos, de tudo aquilo que conhecem e amam? E, já agora, que lhes devo dizer? Que devo responder ao meu filho de 14 anos quando me pergunta que caminho seguir nos estudos? Que vale a pena seguir os seus interesses e aptidões, como os meus pais me disseram a mim? Ou que mais vale enveredar já por outra via (já agora diga-me qual, senhor primeiro-ministro) para que não se torne também ele um excedentário no seu próprio país ? Ou, ainda, que venha comigo para Angola ou para o Brasil por que ali será com certeza muito mais valorizado e feliz do que no seu país, um país que deveria dar-lhe as melhores condições para crescer pois ele é um dos seus melhores - e cada vez mais raros - valores: um ser humano em formação.
     Bom, esta carta que, estou praticamente certa, o senhor não irá ler já vai longa. Quero apenas dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: aos 42 anos já dei muito mais a este país do que o senhor. Já trabalhei mais, esforcei-me mais, lutei mais e não tenho qualquer dúvida de que sofri muito mais. Ganhei, claro, infinitamente menos. Para ser mais exacta o meu IRS do ano passado foi de 4 mil euros. Sim, leu bem, senhor primeiro-ministro. No ano passado ganhei 4 mil euros. Deve ser das minhas baixas qualificações. Da minha preguiça. Da minha incapacidade. Do meu excedentarismo. Portanto, é o seguinte, senhor primeiro-ministro: emigre você, senhor primeiro-ministro. E leve consigo os seus ministros. O da mota. O da fala lenta. O que veio do estrangeiro. E o resto da maralha. Leve-os, senhor primeiro-ministro, para longe. Olhe, leve-os para o Deserto do Sahara. Pode ser que os outros dois aprendam alguma coisa sobre acordos de pesca.
     Com o mais elevado desprezo e desconsideração, desejo-lhe, ainda assim, feliz natal OU feliz ano novo à sua escolha, senhor primeiro-ministro.
E como eu sou aqui sem dúvida o elo mais fraco, adeus.
Myriam Zaluar, 19/12/2011


Publicado por Xa2 às 13:45 de 20.12.11 | link do post | comentar |

10 comentários:
De ... + gás.. prós tugas de 2ª e 3ª categ. a 22 de Dezembro de 2011 às 11:47
A mentira e o desprezo

«Parece que há excesso de portugueses em Portugal. Para remediar tão desgraçada contrariedade, o Governo decidiu minguar-nos tomando decisões definitivas. Há semanas, um secretário de Estado estimulou a emigração de estudantes. Há dias, o primeiro-ministro alvitrou que os professores desempregados ou com dificuldade em empregar-se deviam encaminhar-se para os países lusófonos, nos quais encontrariam a felicidade que lhes era negada na pátria. O dr. Telmo Correia, sempre inteligente e talentoso, elogiou, na SIC-Notícias, a sabedoria cristã de tão arguta ideia.

Acontece um porém: e os velhos? Que fazer dos velhos que enchem os jardins e a paciência de quem governa? Os velhos não servem para nada, nem sequer para mandar embora, não produzem a não ser chatices, e apenas valem para compor o poema do O'Neill, e só no poema do O'Neill eles saltam para o colo das pessoas. Os velhos arrastam-se pelas ruas, melancólicos, incómodos e inúteis, sentam--se a apanhar o sol; que fazer deles?

Talvez não fosse má ideia o Governo, este Governo embaraçado com a existência de tantos portugueses, e estorvado com a persistência dos velhos em continuar vivos, resolver oferecer-lhes uns comprimidos infalíveis, exactos e letais. Nada que a História não tivesse já feito. Os celtas atiravam os velhos dos penhascos e seguiam em frente, sem remorsos nem pesares.

Mas há outro problema. A fome. A fome que alastra como endemia, toca a quase todos, abate-se nos velhos e, agora, nos miúdos. Os miúdos das escolas chegam às aulas com as barrigas vazias: pais desempregados, famílias desgarradas, "a infância, ah!, a infância é um lugar de sofrimento, o mais secreto sítio para a solidão", disse-o Ruy Belo; e as escolas já não têm o que lhes dar. As cantinas reabrem, mesmo durante as férias, e sempre se arranja uma carcaça, um leite morno, nada mais, oferecidos por quem dá o pouco que não tem.

Vêm aí mais fome, mais miséria, mais desespero, mais assaltos, mais violência, mais velhos desamparados, mais miúdos espantados com tudo o que lhes acontece e não devia acontecer. Mais desemprego, num movimento cumulativo, mecânico a automático, como nos querem fazer crer. Diz o Governo. Como se esta realidade fosse natural; como se a semântica moderna da sociedade explicasse a amoralidade da eliminação da justiça e a inevitabilidade do que sucede.

Para que serve este Governo?, a quem favorece, a quem brinda, a quem satisfaz? Podem, em consciência, os seus panegiristas passar ao lado das infâmias a que assistimos, e continuar omissos ou desbragadamente cortesãos? Podem. É ao que temos vindo a assistir. O Governo administra o ódio e o desprezo com a indiferença gélida de quem não é por nós. Diz-se que o anterior Executivo vivia da e na mentira. Este subsiste de quê?» [DN]Baptista-Bastos.
-------------------
Uma câmara de gás não seria mais prático?


Os velhos são uma chatice pois ganham pensões,
os trabalhadores trabalham poucas horas,
os professores estão a mais,
não há lugar para os jovens quadros,
os funcionários públicos são um peso,
o país está cheio de portugueses inúteis, improdutivos, sem possibilidade de se empregarem.

Para os professores o pequeno Rangel teve a brilhante ideia de criar uma agência para os exportar, essa agência poderia até fazer publicidade em Angola, oferece-se um professor na troca de um barril de crude ou oferecem-se 500 professores por cada empresa portuguesa comprada pela família Santos.

O problema é que se ainda há quem possa querer professores portugueses, ainda que tenham a mania de derrubar governos e ser contra avaliações,
dificilmente há quem nos queira levar os velhos, e todos os inúteis, desde os licenciados em gestão pela Lusíada aos que cem vez de estudarem a sério estão convencidos de a melhor forma de ter sucesso na vida é passar pela universidade de Castelo de Vide.

Tirando gente como os Mellos, os Espírito Santo e outros com menos pedigree mas que se encheram de dinheiro como os Relvas, os Loureiros e outros banqueiros,
parece que o país está cheio de gente que não faz falta, que se continua a reproduzir como coelhinhos. Isto já não vai com agências e coisas dessas, não será melhor
um intelectual do PSD propor o recurso a câmaras de gás?!


De Comprar Armas | Loja de Armas a 21 de Dezembro de 2011 às 17:46
Os que dizem que se tivessem 20 e tal anos e não tivessem filhos que emigravam porque não o fizeram no passado? em momentos de crise é muito fácil falar! não se esqueçam que a crise é à escala global e não apenas nacional como muitos consideram!


De Para eles se governarem 'a bem da nação' a 20 de Dezembro de 2011 às 15:32
Morte à inteligência

O secretário de Estado da Juventude sugeriu aos jovens que partissem,
Passos Coelho diz aos professores que emigrem,
amanhã dirão aos professores universitários que não fazem falta,
depois dirão aos investigadores que estão a mais.

Um dia destes o lema de Passos Coelho será o mesmo da falange espanhola e Francisco Franco:
«morte à inteligência».
(e a todos os esclarecidos, possíveis opositores ... para eles se poderem 'governar' ''a bem da nação''!)

(-por OJumento, 19.12.2011)

se sairem os mais aptos, os jovens, os mais vigorosos, ...
é mais fácil subjugar e explorar os restantes ...
talvez até não seja preciso usar os ''pandur'' ...
bastam umas cacetadas, umas 'acusações exemplares, uns tantos despedimentos ...
e ameaças constantes, à mistura com assédio e mobbying no trabalho, propaganda ... e 'circo' na TV.


De Chega de ser FORÇADO a EMIGRAR. a 20 de Dezembro de 2011 às 15:19
Eu não sei se serei FORÇADO a EMIGRAR, novamente... mas agora custar-me-ia muito mais (física e afectivamente), demasiado talvez, ...

Eu estive emigrado 12 anos e a minha mulher ainda hoje me critica por ter voltado...
meus sogros foram emigrantes
minhas 2 irmãs foram emigrantes
meus primos, vários, foram/são emigrantes
meus avós foram emigrantes
meus bisavós maternos foram emigrantes
...

Mas porque é que continuamos a PERMITIR que nos EMPURREM para FORA de um país que também é NOSSO ?!
porque somos DESUNIDOS (e um pouco poltrões individualistas), logo estamos enfraquecidos e somos OBRIGADOS a abandonar...

é altura de nos unirmos e LUTAR, defender o nosso interesse de cidadãos que querem TRABALHAR e VIVER dignamente em Portugal.


----------
correcção:
onde lê ''emigrante'' deve ler ''FORÇADO'', não às galés, porque não praticaram qualquer crime, excepto o de QUEREREM ser cidadãos de pleno direito, com acesso a uma vida DECENTE ... e não servos ou ESCRAVOS de sucessivas ''ELITES'' de EXPLORADORES mais ou menos INCOMPETENTES na gestão de um país (directa ou indirectamente).


De .CE: Não à Emigração e Desemprego. a 21 de Dezembro de 2011 às 14:34
Nem todos são palermas

«Comissário europeu mostra-se muito preocupado com emigração de jovens europeus.

O comissário europeu dos assuntos sociais, Laszlo Andor, mostrou-se hoje muito preocupado com a emigração de jovens europeus para outras paragens, nomeando "Brasil, Angola e Moçambique", numa mensagem que parece desenhada para chocar com o apelo à emigração feito pelo primeiro-ministro português, Passos Coelho.
Andor não apenas critica a perda de uma "geração inteira" como também recorda o "custo financeiro" que isso acarreta.

"Alguns jovens já estão a sair da Europa para encontrar emprego em países como os EUA, o Canadá, Austrália ou o Brasil, Angola e mesmo Moçambique dependendo da sua língua de origem", lamentou o comissário.

"Esta tendência não pode continuar:
não apenas arriscamos perder uma geração inteira mas também há um custo financeiro.
Há, aliás, um recente estudo europeu concluiu que o fardo dos actuais níveis de desemprego para a sociedade é de cerca de dois mil milhões euros por semana ou um pouco mais de 1% do PIB da UE".

E por isso, a comissão de Durão Barroso "apela de forma urgente à acção europeia mas também nacional e local" para travar esta sangria geracional.» [DE ]

Parecer do Jumento:
Gastar fortunas com o ensino, ter um país subdesenvolvidos e vir um idiota com um curso da treta e sem nunca ter trabalhado na vida sugerir que os professores emigrem é irresponsabilidade a mais para um país europeu.
Este Passos Coelho parece ser filho do Nicolae Ceauşescu.
«Sugira-se ao Coelhote que emigre para o mais longe possível de Portugal.»


De .Exportar boys e ... (ex-)empresários. a 22 de Dezembro de 2011 às 09:32
AUMENTAR AS EXPORTAÇÕES ! (de desempregados)

Se um Governo preconiza a exportação de desempregados altamente qualificados, como política, está a confessar a sua incapacidade para reverter o flagelo desse tipo de desemprego. Quando o faz com ligeireza, comporta-se como se tivesse confundido a sua tarefa com um jogo de berlinde. Foi o que fez o Dr. Passos, augusto Primeiro-ministro de Portugal, ao apontar aos professores portugueses desempregados o caminho do exílio em Angola e no Brasil.

Mas uma coisa é adoptar uma política de exportação de professores discutível ou mesmo errada, como realmente é, outra coisa é não ter política nenhuma nesse campo e falar nessa exportação negra com a leviandade de quem se espreguiça ao sol.

Por isso, ouvi no telejornal de hoje um enérgico e anafado deputado do PSD trovejar contra a oposição, em pleno areópago parlamentar, elogiando a política de exportação de professores do seu querido governo que até já implicara conversações com a Presidente Dilma e com o Presidente José Eduardo dos Santos. Havia pois afinal uma política, ao contrário do que diziam as malvadas línguas da oposição.

Eis se não quando (Ó espanto dos espantos!), breves minutos depois, no mesmo telejornal surge um engomadíssimo Dr. Passos, para varrer, com um sorriso implacavelmente desprezador, a simples hipótese de tais conversações virem a acontecer.

Estamos pois no puro jogo do berlinde: o Dr. Passos esmera-se num servilismo acéfalo ao que preconizam os numerólogos que exprimem os interesses dos poderes económico-financeiros mundiais, mas brinca, como se não tivesse nada a ver com elas, com as consequências nefastas dessas políticas na vida das pessoas. Um deputado tenta salvar os móveis, mas é ele próprio arrastado na torrente, pela irresponsabilidade infantil do Dr. Passos.

Neste arraial, em que se vai tornando o actual Governo, que segredo esconde o Dr. Passos?

(-por Rui Namorado, OGrandeZoo, 21.12.2011)


De .Porque é que não emigro. a 20 de Dezembro de 2011 às 14:44

Porque é que eu não emigro


Pudesse eu, tivesse vinte e poucos anos, não tivesse filhas nem netas, nem casa para sustentar, fosse licenciado a fazer de professor, não tivesse descontado mais de 2/3 da minha vida para garantir uma segurança na velhice que me anunciam não ir ter, não tivesse investido em Portugal, no bem dos portugueses, no ensino das minhas descendentes, na defesa do meu País, não tivesse deixado o couro (e literalmente o cabelo) na defesa da democracia, na oportunidade dada ao Primeiro-Ministro para se educar à minha custa e de ter sido tratado por médicos que eu ajudei a pagar e de usar as auto-estradas que ainda estou a pagar e que as minhas filhas e netas irão continuar a amortizar, não fossem todas essas razões e mais uma mão cheia que não direi aqui, entre elas as que inviabilizam a partida devido aos roubos na remuneração que me é devida e que servem para pagar todos os luxos de que os nossos governantes não abdicam, e faria como o Senhor Primeiro-Ministro sugere.

Emigrava.

Não para os PALOPS ou outros de língua oficial portuguesa, mas para países onde os offshores fossem garantidos, tivesse, claro, tido oportunidade de ter poupado uma vida inteira porque não tinha criado portugueses novos, nem os tinha educado, porque não tinha descontado 2/3 de uma vida para um fundo que foi inúmeras vezes atacado pela ganância e pelo absurdo (como aquilo que agora pretendem fazer com os fundos de pensões dos bancários), não tivesse investido em Portugal e no bem dos portugueses, nem na defesa do meu País, nem tivesse pago os estudos de um homem que hoje é Primeiro-Ministro, nem as auto-estradas que ele usa, nem os médicos que o tratam nem o raio-que-o-parta, mais as meninas que já não vão receber prendinhas, a não ser a pequenina, nem os almoços no Forte de São Julião e as luzinhas de Natal com uma estrelinha que os guie.

Tivesse eu meios para emigrar, para não ter de ouvir estes tipos, não ter de me deprimir cada vez que anunciam que aquilo porque lutei uma vida inteira foi uma fantasia, embora tudo tenha feito e pago para que fosse uma realidade para mim, para as minhas filhas e netas, e já tinha emigrado ou pelo menos tinha emigrado o aforro para evitar que esta gente lhe deitasse a mão.

LNT, [0.606/2011]




De Aos 30 anos num quarto, sem €. a 20 de Dezembro de 2011 às 15:57
Anónimo disse...

Mete me uma raiva estes comentários derrotistas...Só podem ser cunhas que vivem bem e querem mostrar online que são "cultos". FODA SE! ACORDEM PÁ! Tamos no ano 2011, quase 2012 !!
Essas "expurgações" foram em tempos onde não havia a produção e materia prima que existe hoje!
NÃO HÁ MOTIVO PARA NINGUEM SE IR EMBORA DE PORTUGAL!
Não FALTA DINHEIRO! Eles é que o absorvem todo!
Já viram quantos carros passam por portagens todos os dias? Quantas pessoas pagam mais 23% de tudo o que compram? Quantas pessoas não enchem depositos a pagar 80% imposto ao governo? Estamos a ser escravizados!!

E os contratos temporarios? EU também tentei começar a minha vida á 10 anos, e foi MESMO na altura em que apareceram os contratos mais ridiculos.
Eu ao contrario da Myriam NUNCA pude sair daqui, NUNCA pude ter um trabalho que durasse mais de 7 meses.
Tenho 30 anos, dependo dos meus pais, e todas as possiveis relações amorosas que tive ou tiver, mal reparem que não tenho onde cair morto, piram se par a uma vida mais facil! Aconteceu! E não foi uma vez!

Eu estou preso há 3 anos ao meu quarto, nem gasoleo para ir entregar CVs, nem folhas pa impressora.
Com 30 anos, ainda aguardo os natais como se fosse criança, pa ter 50 euros pa recarregar a criação e envio de CVs!
A minha familia são do comercio tradicional que está a morrer, afogado em impostos. Pagam 600 euros p mes d impostos!
Dava um ordenado pa eu ajuda-los, em vez disso, são escravizados, especialmente nesta altura!

Eu podia acabar com a minha existencia de merda, mas só o farei quando tiver oportunidade de agarrar um desses filhos da puta desses deputados e leva-lo comigo. E as suas familias também.
E ei-de faze-lo, prometo.
Vivo em raiva todos os dias, passo a vida sem NADA!A não ser refeicoes dos meus pais, que tanto lutam para as ter.

Foda se! Sou portugues de gema, e toda a minha familia e gerações e gerações o são, e NEM A MERDA DO RENDIMENTO SOCIAL DE INSERÇAO ME DÃO!
SE fosse africano ou cigano, tinha o garantido. E ainda tinha filhos (que adorava) para receber abonos!

O parlamento tem que ser invadido e eles todos mortos. Lamento. Rosas ou cravos não fazem nada agora. Eles vão continuar a tirar, tirar. Tiram a nos, pedem emprestado, é só dinheiro, e os portugas TOTOS calam se e dão lhes razão!
E ainda dizem uns aos outros "baza de pt! é melhor!" NÃO !! PORTUGAL É NOSSO, CARALHO !!


De .Individualismo e desenrasque-se. a 20 de Dezembro de 2011 às 16:03
alf disse...

Eu penso que a culpa disto tudo é a mentalidade egoísta e individualista, de sobrevivente, de tantos portugueses.
Cada um trata de si, inveja os que têm mais e está-se nas tintas para os que têm menos.

Quem se importa com os milhares de pessoas não qualificadas que têm emigrado? Ninguém.

Quem se importou com os milhares de pessoas que andaram à procura do primeiro emprego e nunca conseguiram passar do recibo verde porque os contratos de trabalho defendem leoninamente os direitos de quem os tem? Ninguém.
Agora que toca à porta da classe média, dos que têm contratos de trabalho, dos professores de liceu que muitas vezes é a profissão de quem não tem profissão, ai jesus que estamos desgraçados.

Não pagamos o mínimo possível à empregada doméstica e ainda achamos que ganha demais?
Não estamos sempre prontos a comprar o produto estrangeiro?
Não achamos que as novas oportunidades, ou seja, dar oportunidades aos outros, é só gastar dinheiro?
Não fomos logo fazer queixa a Bruxelas por o Magalhães ser feito por uma empresa portuguesa, enquanto andamos a gastar dinheiro em coisas absurdas como máquinas de calcular científicas, mas que ninguém contesta porque são importadas?

O que é que fazemos uns pelos outros afinal?

Tenho uma máxima na vida:
o que nos acontece é o espelho do que fazemos. O Universo é o nosso espelho.

Claro que esta senhora é uma vítima do que nós somos. Uma daquelas pessoas em relação às quais sempre nos estivemos nas tintas.
Numa sociedade egoísta é assim:
uns vão-se safando, ou outros vão-se lixando.
É uma sociedade de exploradores e explorados.

O problema desta senhora surge agora porque aqueles que têm sido, de uma maneira ou doutra, exploradores, se vêm agora em risco de passarem para a condição de explorados. E usam a causa dela para defenderem a sua. Não será já um pouco tarde?

Não perguntes ao país, ao governo, o que ele pode fazer por ti; vamos mas é pensar o que é que podemos fazer uns pelos outros.


De Anónimo a 20 de Dezembro de 2015 às 20:28
eu não me calo. posso é agir de outra forma, menos pacifica.


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