Para quando o "dia de esmurrar" os senhores do capital ... ?!

Boxing day, ou o júbilo do capital , por Ana Mafalda Nunes

      O conceito ”boxing day” ('dia de encaixotar' e porque não 'dia de esmurrar'...?!) aparece em Inglaterra algures na Idade Média e das trevas . Ao 26º dia de Dezembro as classes altas encaixotavam as sobras da luxúria natalícia e doavam-nas aos criados e aos pobres. Enquanto a plebe se deleitava com a folga e os restos, os senhores celebravam o Santo dia do Estêvão e da abertura das caixas de esmolas, pavoneando-se em jogos, corridas de cavalos, caçadas, etc.
    É certo que os tempos que mudam, fazem também mudar a aparência das tradições. Hoje nem a caridade é o que parece, nada se oferece, apenas se troca ou se vende. Nos nossos dias, é o povo quem engorda as caixas dos Senhores. A obscura origem das coisas permanece… sempre o capital, que como um polvo alastra e estende os tentáculos para fora das fronteiras de origem.
    Na maior parte dos países anglófonos, Boxing day é sinónimo de folga, também conhecido como feriado dos bancos, o descanso da extenuante actividade de extorsão bancária. A tradição dos jogos mantém-se, é o ponto alto da liga Inglesa, do desporto milionário, que gera milhões batendo todos os recordes do ano em audiências televisivas. E é ainda o dia dos restos, que não se dão, as grandes cadeias comerciais promovem chorudos descontos, ou sob outro ponto de vista, margens de lucro menores, como chamariz para estimular o consumo e escoar os excedentes.
    Ora, o nosso país que sofre de imunodeficiência consumista, não tardou a contrair a febre do “dia do caixote” que pode também ser “black Friday”, ainda que a data não coincida, ou como diria o papa na homilia da hipocrisia, consumerist delirium (delírio consumista). Esta tarde, a ver pelas filas para o estacionamento e pelo corrupio nas portas do castelhano corte inglês, cheguei, sarcasticamente, a questionar se teria havido uma tolerância de ponto de ultima hora, ou se teria soado a sirene do fim da crise e eu não teria escutado... afinal, tratava-se da celebração do júbilo do capital, o derradeiro culminar do consumismo barrigudo, de barbas brancas e barrete vermelho.  
......................
     O fim do sinal analógico e a transição para a Televisão Digital Terrestre (TDT), que começa a 12 de Janeiro e acaba a 26 de Abril, não podia calhar em pior altura. Muitos dos portugueses que não têm televisão por cabo e compraram o seu aparelho antes de 2009 - geralmente os que têm menor folga financeira, onde se incluem muitos idosos - terão de pagar um aparelho descodificador. São 77 euros mais IVA, com reembolso de 22 euros pela PT para os pensionistas com menores rendimentos e algumas pessoas mais desfavorecidas.
  Uma coisa chocante para os senhores da ANACOM: 55 euros é muito dinheiro para quem tenha reformas abaixo dos 300 euros ou para quem esteja desempregado. Pior: quem tenha um televisor sem tomada de interface SCART ou HDMI terá mesmo de comprar uma televisão nova ou um modulador de sinal RF, não comparticipado. E não podemos esquecer todos os que vivem nas zonas não cobertas pela TDT (cerca de 13% da população) que terão de usar o satélite.
    Não ponho em causa as vantagens da TDT para a modernização do sector (e de libertar espectro radio-eléctrico para outras actividades). Mas elas não se farão sentir, de forma evidente, para a maioria dos consumidores. O sinal poderá ser melhor mas continuarão, apesar da despesa, a ter direito aos mesmíssimos quatro canais do costume. 
    Se a transição tecnológica não traz serviços novos e relevantes porque têm de ser os cidadãos a pagá-la?
Parece, a quem tenha alguma noção das situações dramáticas que se vivem, no meio desta crise, por este país fora, que esta é uma despesa prioritária para as famílias? Se obrigam as pessoas a isto não seria normal darem-lhes qualquer coisa em troca? Um exemplo: se já pagamos a RTP nos nossos impostos não seria uma boa solução aproveitar as potencialidades da TDT e oferecer no pacote gratuito os restantes canais da televisão pública (como fazem vários outros países)? Porque temos de pagar duas vezes (nos impostos e na subscrição por cabo) a mesma coisa?


Publicado por Xa2 às 20:05 de 03.01.12 | link do post | comentar |

1 comentário:
De .Boicotar os Canalhas. a 5 de Janeiro de 2012 às 17:57
Está na hora de boicotar os canalhas

Um empresário que investe os impostos dos portugueses numa fundação para dar lições de moral aos portugueses,
que se arma em puritano e persegue durante meses um primeiro-ministro democraticamente eleito que lhe desagrada
e na hora de correr o risco de se sujeitar à austeridade que tanto exigiu foge com o dinheiro do país é um canalha.
É um canalha que não merece a consideração dos seus concidadãos
e os seus negócios devem ser boicotados.

O gestor de uma empresa que em toda a sua história só teve lucros porque se dedica ao negócio fácil do alcoolismo
que fica babado porque com mais meia hora de trabalho escravo a sua empresa ganha 7% na produtividade
e ainda vem a público exigir o despedimento em massa de funcionários públicos não é um grande gestor, é um canalha.
É um canalha que para ganhar mais prémios e para que os lucros da sua empresa aumentem a médio prazo
não hesita em querer trabalho escravo e o despedimento de mais de cem mil pessoas,
é um canalha cujos negócios devem ser boicotados.

Está na hora de os portugueses perceberem que o seu voto não é a única arma que podem e devem usar para defenderem os seus direitos.

Um funcionário público que bebe a cerveja da marca gerida por um canalha que defende o seu despedimento é idiota.

Um cidadão que ganha o ordenado mínimo e compra na loja de um canalha podre de dinheiro que esconde os lucros no estrangeiro está a ajudar a manter um poder económico que nunca aceitará uma distribuição mais equitativa da riqueza.

Se os portugueses decidirem intervir politicamente no seu quotidiano
poderão impor respeito a gente que nos últimos tempos perdeu a vergonha,
eles estão convencidos de que manipulam a comunicação social,
compram o poder
e que os cidadãos deste país são uns idiotas que seguem os conselhos dos Antónios Barretos,
mas podem estar enganados.

Se os portugueses boicotarem o jornal “i” o seu director deixar de escrever artigos exaltados a defender uma ditadura gasparista.

Se os portugueses boicotarem o Pingo Doce o próximo empresário a querer trair o país pensará duas vezes,

se os portugueses boicotarem a Superbock o administrador da Unicer deixará de usar o poder da sua empresa para passar na comunicação social a ideia de despedir mais de cem mil funcionários.

Está na hora de boicotar os canalhas,
de os obrigar a suportar uma parte dos custos da austeridade
porque foram eles os grandes beneficiários,
foram eles que corromperam os governos,
foram eles que se fartaram de vender,
foram eles que se encheram de lucros
e se internacionalizaram à custa da economia portuguesa,
foram eles os grandes beneficiários da injustiça social,
foram eles que mais manipularam a opinião
para agora terem um governo que os dispensa de serem solidários com o país.

Está na hora de boicotar estes canalhas,
gente sem princípios,
sem o mais pequeno sentido de nação,
que trocam os seus concidadãos por menos impostos ou mais prémios pagos pelos patrões.


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