hipocrisias ao desbarato

CARTA ABERTA A ALEXANDRE SOARES DOS SANTOS.

Caro Dr. Alexandre Soares dos Santos,

 

Muitos parabéns. Tomou a decisão certa. Vender a totalidade do capital da sua querida Jerónimo Martins à subsidiária holandesa foi uma decisão inteligente.

Qualquer um no seu lugar faria o mesmo. Afinal, «nós temos é que olhar para nós, e perguntar: o que é que eu posso fazer pelo meu país?», não é…

Não sei se se recorda mas, a frase é sua, verdadeira e cheia de boas intenções, e foi proferida a 7 de Abril de 2011, no programa ‘Retrato do País’, da Sic-Notícias.

Um homem de prestígio como o senhor – e a quem o País tanto deve – que coloca os capitais num país onde a carga fiscal é mais baixa, é um grande homem.

E, como se prova, podemos contar consigo nas horas de aperto de cinto e de apego ao nacionalismo mais urgente.

O senhor, que se gaba de a Jerónimo Martins se encontrar numa situação muito sólida, com níveis baixos de endividamento, nega que tal operação em nada tem que ver com o brutal aumento da carga fiscal proclamada sucessivamente nos últimos meses. E tem razão. Eu acredito no senhor. Acredito que é uma mera acção administrativa.

Sabe…também acredito que o senhor é um empresário digníssimo, que, e bem, está a pensar unicamente no seu negócio, e que demonstrou que, afinal, a portugalidade e a natureza do «tuga» – e desculpe a expressão mais popularucha, sei que lhe é estranha – não se compagina com qualquer tipo de estrato social, como o meu por exemplo, que, comparado com o seu, é miserável.

Pode dormir em paz, caro Dr. Alexandre Soares dos Santos, não fez nada de errado. E não fez mais que tantas outras empresas portuguesas têm feito desde sempre: ir pagar impostos fora do país. E, sim, também sei que isso inclui empresas públicas.

O que o senhor e a sua família fizeram é legal, natural e um mero acto resultante da liberdade de movimentação de capitais que a moeda única trouxe consigo.

Mas, meu caro Dr. Alexandre Soares dos Santos, da próxima vez que falar, avise as agências, para que estas se encarreguem de baixarem o seu rating de moralidade a lixo, mais coisa menos coisa, proporcional ao seu sentido patriótico, que, como vemos, é gigante.

E porque sei que tem mais que fazer do que atender uma mísera cidadã como eu, que não pode ir pagar menos impostos fora de portas, recordo-lhe mais uma das suas grandes convicções de empresário a quem muito a economia e o Estado português devem. E não passou assim tanto tempo… foi a 8 de Novembro de 2011, e proclamava assim o senhor numa conferência sobre a crise em Portugal, organizada pela Associação Portuguesa de Gestão Engenharia Industrial, onde eu estive presente: «as elites têm que ser responsáveis e uma das principais ameaças ao desenvolvimento é faltarem políticos, empresários, intelectuais, académicos e sindicalistas independentes, capazes de poderem exercer por inteiro a sua responsabilidade».

Ora bolas, afinal o senhor é um deles e eu não sabia! Numa coisa tenho de dar razão a Marx: «o capitalismo gera o seu próprio coveiro».

 

P.S. – Ah, e fique descansado. Eu vou continuar a ir às compras ao Pingo Doce, não se rale!

 

Por Ana Clara"

 



Publicado por DC às 15:47 de 04.01.12 | link do post | comentar |

8 comentários:
De Austeridade + pobreza e desigualdade a 6 de Janeiro de 2012 às 10:06
Uma modesta proposta

«Não sou quem o diz, é a Comissão Europeia:
"Entre os seis países da UE mais afectados pela crise, Portugal é o único onde as medidas de austeridade exigiram um esforço financeiro aos pobres superior ao que foi pedido aos ricos,
revela um estudo recente publicado pela Comissão Europeia".

A notícia vem no "Jornal de Negócios" e suscita uma questão:
sendo o empobrecimento do país a estratégia de saída da crise publicamente assumida pelo actual Governo,
não se justificaria que a austeridade incidisse fortemente sobre os ricos até fazer deles pobres?
Democratizando a pobreza ao mesmo tempo que democratiza a economia,
o Governo realizaria o suave e patriótico milagre da multiplicação dos pobres mais eficazmente do que limitando-se a empobrecer ainda mais os pobres que já são pobres.

Imagino até um "slogan" para convencer os ricos, que costumam ser renitentes quando se trata de deixarem de ser tão ricos:
"Faça algo pelo seu país: não vá empobrecer para a Holanda".»

[Jornal de Negócios], Manuel António Pina.


De .Bandidos BPN/... vs 'Frei Tomás'... a 6 de Janeiro de 2012 às 09:09
BPN *

A tugulândia não perdoa os merceeiros ricos.

Se for um senhor doutor, principalmente um senhor doutor professor, um ricaço da Marinha ou um filho de algo, que resolva ter mais lucro para distribuir pelos seus accionistas, é considerado um CEO do melhor.

Se for um merceeiro retalhista bem sucedido, ai aqui d’el rei que o homem
é um vendido, um desertor do estertor nacional e um lesa-pátria que
comete o crime de não se deixar assaltar com um sorriso nas beiças.

Senão vejamos:
As milhares de letras que se têm gasto a atacar Soares dos Santos, que é o patriarca do comércio a retalho feito por sua conta e risco
e que só tem dinheiro porque há consumidores que procuram as suas mercearias,
são inversamente proporcionais ao silêncio que os média e a opinião publicada em geral atribuem à
rapaziada que neste País se encheu à pala do BPN (o que agora faz por esquecer para que se mantenha esquecido)
enquanto o folhetim não ata nem desata e os portugueses, que nunca entraram nessa tasca, continuam a sustentá-la
muito para além da Troika, dos ditames da troika e dos interesses dos amigos preferenciais do BPN.

Bamos Pagar Nobamente, digo-o à moda do Puerto porque aquilo diz-se uma Naçon e bem podia autonomizar-se como o Funchal que
sempre era a forma mais curial de arranjar dívidas que todos pagaremos dizendo, sem nunca mencionar, tratar-se de um desviozinho colossal.

Quanto ao BPN não há conversa.
É pagar e não bufar, mas arrelia-nos e faz-nos arrancar os cabelos o facto de sabermos que a família merceeira anda a tratar da vidinha sem nos dar cavaco.

A harmonização fiscal europeia há-de ficar para outras calendas porque há-de haver sempre um paraíso na terra (offshores) e uns deusinhos para o usarem.

* Bamos Pagar Nobamente

LNT, [0.012/2012] Barbearia do sr.Luis


De .Sabujos de Fujões Dourados. a 5 de Janeiro de 2012 às 17:51
Ena, tanta gente a fazer-se à gorjeta do ricaço!


Basta um ricaço estar em apuros junto da opinião pública para que se assista a um dos espectáculos mais tristes que podemos assistir em Portugal, um espectáculo que nos ajuda a perceber como na capital há tanta gente a viver de pequenos biscates, em especial no mundo corrupto da comunicação social.

Soares dos Santos ou, como muitos graxas preferem dizer, o senhor Soares dos Santos representa milhões em publicidade, livros da fundação manhosa do António Barreto, pareceres e estudos e muitas outras formas mais ou menos corruptas de lambuzar as mãos de uma boa parte da elite da capital. Não admira que se veja tanta gente a vir em defesa do super merceeiro, acotovelam-se para fazer chegar a sua defesa do ricaço à comunicação social, não querem perder a oportunidade de dizer ao ricaço que não se esqueça da gorjeta.

O MP decidiu abrir um inquérito às opiniões de Otelo Saraiva de Carvalho, quantos destes manjericos apareceram? Nenhum, o Otelo não tem dinheiro para dar gorjeta a esta imensidão de ranhosos.

.OJumento


De .Boicotar os Canalhas. a 6 de Janeiro de 2012 às 08:58

Está na hora de boicotar os canalhas

Um empresário que investe os impostos dos portugueses numa fundação para dar lições de moral aos portugueses,
que se arma em puritano e persegue durante meses um primeiro-ministro democraticamente eleito que lhe desagrada
e na hora de correr o risco de se sujeitar à austeridade que tanto exigiu foge com o dinheiro do país é um canalha.
É um canalha que não merece a consideração dos seus concidadãos
e os seus negócios devem ser boicotados.

O gestor de uma empresa que em toda a sua história só teve lucros porque se dedica ao negócio fácil do alcoolismo
que fica babado porque com mais meia hora de trabalho escravo a sua empresa ganha 7% na produtividade
e ainda vem a público exigir o despedimento em massa de funcionários públicos não é um grande gestor, é um canalha.
É um canalha que para ganhar mais prémios e para que os lucros da sua empresa aumentem a médio prazo
não hesita em querer trabalho escravo e o despedimento de mais de cem mil pessoas,
é um canalha cujos negócios devem ser boicotados.

Está na hora de os portugueses perceberem que o seu voto não é a única arma que podem e devem usar para defenderem os seus direitos.

Um funcionário público que bebe a cerveja da marca gerida por um canalha que defende o seu despedimento é idiota.

Um cidadão que ganha o ordenado mínimo e compra na loja de um canalha podre de dinheiro que esconde os lucros no estrangeiro está a ajudar a manter um poder económico que nunca aceitará uma distribuição mais equitativa da riqueza.

Se os portugueses decidirem intervir politicamente no seu quotidiano
poderão impor respeito a gente que nos últimos tempos perdeu a vergonha,
eles estão convencidos de que manipulam a comunicação social,
compram o poder
e que os cidadãos deste país são uns idiotas que seguem os conselhos dos Antónios Barretos,
mas podem estar enganados.

Se os portugueses boicotarem o jornal “i” o seu director deixar de escrever artigos exaltados a defender uma ditadura gasparista.

Se os portugueses boicotarem o Pingo Doce o próximo empresário a querer trair o país pensará duas vezes,

se os portugueses boicotarem a Superbock o administrador da Unicer deixará de usar o poder da sua empresa para passar na comunicação social a ideia de despedir mais de cem mil funcionários.

Está na hora de boicotar os canalhas,
de os obrigar a suportar uma parte dos custos da austeridade
porque foram eles os grandes beneficiários,
foram eles que corromperam os governos,
foram eles que se fartaram de vender,
foram eles que se encheram de lucros
e se internacionalizaram à custa da economia portuguesa,
foram eles os grandes beneficiários da injustiça social,
foram eles que mais manipularam a opinião
para agora terem um governo que os dispensa de serem solidários com o país.

Está na hora de boicotar estes canalhas,
gente sem princípios,
sem o mais pequeno sentido de nação,
que trocam os seus concidadãos por menos impostos ou mais prémios pagos pelos patrões.

-OJumento


De Demagogia, só e nada mais a 5 de Janeiro de 2012 às 12:07
Não faço ideia se foi com essa intenção que o postante escolheu o título deste post mas, na verdade, o titulo “Hipocrisias ao desbarato” está muito bem escolhido revela que tanto políticos como o povo em geral é muito hipócrita e distraído.
É hipócrita na média em que se estivesse em idênticas situações e tivesse valores significativamente elevados para por ao fresco em contas sediadas nos paraísos fiscais fazia a mesma coisa. Alias, como é público, são algumas dezenas de advogados a trabalhar nisso e muitos milhares de portugueses abrir contas bancarias através das quais fazer circular valores astronómicos com juros usurários e sem pagar impostos.
Distraídos porque, conforme tem sido publicitado, são 19 das 20 empresas que continuam a fazer parte do PSI20 que deslocalizaram para a Holanda as suas sedes. Qual foi a atitude do governo, do banco de Portugal, da Bolsa de Valores, da Comissão do Mercado de Valores Mobiliário-CMVM, do Parlamento Europeu, da Comissão Europeia e seu presidente, ...?
Não deveriam ter sido já excluídas e substituídas por outras naquele grupo privilegiado? Pelo menos isso!


De Troika e Maçonaria a 5 de Janeiro de 2012 às 10:15
A Troika governa e a Maçonaria divide as migalhas

Passos Coelho entregou ao MP relatório sobre caso Ongoing, que negou aos deputados. Dois líderes parlamentares maçons, no PS e PSD, dirigem 182 deputados

Alegando segredo de Estado, Passos Coelho recusou enviar ao Parlamento um inquérito interno ao SIED. Só que entretanto mudou de ideias e desclassificou-o, não informando a AR, mas permitindo assim à investigação criminal em curso ter mais dados para avançar.

A propósito das ligações maçonaria-Parlamento-serviços de Informações, o DN perguntou a deputados de várias bancadas se veriam com bons olhos a necessidade de os políticos maçons declararem publicamente esta sua filiação. E muitos disseram que sim, sendo um deles mesmo um dos raros maçons assumidos de São Bento (Rui Paulo Figueiredo, deputado do PS e número dois de uma das principais obediências maçónicas nacionais, a GLLP).

São às dúzias os maçons no Parlamento. Entre eles os líderes das duas maiores bancadas. Juntos, Luís Montenegro (PSD) e Carlos Zorrinho (PS) dirigem 182 deputados - quase 80% do plenário parlamentar.


De Hode socialista e as outras ... a 5 de Janeiro de 2012 às 10:00
esse santinho fugiu com a sede das suas empresas para a Holanda! Não admira se até esse magnânimo , magnifico benfeitor social que dá pelo nome de Jorge Coelhone tão acérrimo defensor do nacionalismo, sobretudo socialistas (vejam Bem, socialista hein !) que afirmava "quem se mete com o PS leva" desviou a sede virtual da "sua" Mota Engil para a Holanda o que esperavam que outros magnatas do capital fizessem ?
É por estas e por outras que a ode socialista anda caladinha e de monco caído. afinal a sua agremiação partidária está tanto ou mais podre que qualquer outra e sabem disso melhor que ninguém .


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 4 de Janeiro de 2012 às 16:32
Anda por aí muitos «Zés» a perguntar porqué que também não podem por o seu domicílio fiscal na Holanda... para também pagarem menos impostos.
E a resposta é:
Uns são Josés e outros são Zés...
Julgam que é mais do que isso? Desenganem-se.
Então vivemos ou não em democracia?
Então se vivemos é mais que evidente que Josés e Zés não é a mesma coisa!
E saber eu que este José Pingo Doce ainda por cima é o do Sporting...


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