Trabalho, concertação, ... desunião, empobrecimento e desigualdade

BEM ESTAR NO TRABALHO É A CHAVE!

 

  Nunca encontrei tanta gente a dizer mal do trabalho como na última década!  Professores, funcionários públicos, quadros de multinacionais, operários e gente do comércio e serviços!  São muitos os que suspiram por sair, mudar de emprego ou pedir a reforma!  Então na Função Pública é uma calamidade.  Temos que convir que esta situação não é normal ! 
    Há razões para a existência de um clima desta natureza nas empresas e serviços públicos? Sim, todos temos a experiência de ouvirmos estes desabafos a colegas, vizinhos ou amigos. De que se queixam afinal esta pessoas? De mau ambiente de trabalho, de formas de gestão á base da pressão e assédio, de salários baixos e de ameaças de desemprego, pois cada vez há mais gente com vínculos precários!
    Em muitos locais de trabalho, nomeadamente no Estado, existe descoordenação, mudanças permanentes de chefias, falta de reconhecimento pessoal e muita desconsideração! A maioria das pessoas queixa-se mais da falta de reconhecimento e de ambiente de trabalho do que dos congelamentos salariais.
    Com o desemprego e a promoção de políticas de gestão do medo e da mudança permanente desvaloriza-se o trabalho com ganhos para o capital e perdas para o trabalhador. A polivalência , a facilitação do despedimento e as mudanças permanentes enviam a mensagem de que ninguém tem seguro o seu posto de trabalho nem a sua função! A mensagem radical que a empresa envia ao trabalhador é: tu não tens qualquer valor e o teu lugar e a tua vida está nas nossas mãos! Isto fragiliza o trabalhador e o coletivo dos trabalhadores. Individual e coletivamente fragilizados os trabalhadores não existem como força organizada e capaz de gerar um contrapoder. Será muito mais fácil a sua exploração intensiva.
    Ora, este tipo de relações laborais não tem futuro. Destrói o ser humano e prejudica a produtividade mesmo que conjunturalmente exista, por medo, qualquer aumento da mesma.
    Apenas a promoção do bem-estar no trabalho produz estabilidade, abertura á mudança necessária, desejo de participação. As formas de gestão, quer no privado, quer no público que sejam de natureza predadora levarão á resistência e á insubmissão! Animar esta insubmissão é missão das organizações de trabalhadores!

   Daniel Bessa, um dos intelectuais orgânicos de um certo patronato, saúda a coragem de João Proença e considera que a meia hora era uma brincadeira de crianças ao pé do que foi conseguido. Bessa tem razão: trata-se de uma vitória em toda linha para o patronato medíocre, o que é bem sucedido a usar a crise como pretexto para reforçar um modelo extensivo de acumulação, assente em despedimentos mais fáceis e baratos, em cada vez menos férias ou em horas extraordinárias que se tornam ordinárias.
   Tudo parte de uma engenharia de desvalorização interna que só vai aumentar o desemprego e transferir todos os custos do ajustamento para os trabalhadores, para os seus salários cada vez mais reduzidos, para as suas cada vez mais precárias condições de vida.   Desgraçadamente, a UGT cumpre o papel que muitos lhe reservaram: servir para tentar legitimar todos os retrocessos laborais. Para isto não é preciso ter coragem; basta apenas ter disponibilidade para dizer que sim a tudo.  
         (-por João Rodrigues )
       Trabalhadores vão financiar a redução do seu salário   

         Os jornais dão conta de mais uma proposta do governo: os desempregados que aceitem um emprego com um salário inferior ao seu subsídio poderão manter até 50% desta prestação social nos primeiros seis meses de trabalho e até 25% durante os seis meses seguintes ...   ...   ... será paga com um empobrecimento geral dos trabalhadores e um aumento da desigualdade na distribuição de rendimentos. Que é, devo recordar, a principal doença deste país.   

          (-por Daniel Oliveira, publicado no Expresso Online )

       Um debate a não perder (a rever)

A propósito do novo pacote laboral, esta "entrevista" de Mário Crespo a Arménio Carlos é obrigatória. O sindicalista desmonta, de forma consistente, os argumentos do jornalista (?!"Os novos cães de guarda"?!) e explica por que foi a CGTP a única organização com uma posição decente nestas negociações.


Publicado por Xa2 às 07:48 de 17.01.12 | link do post | comentar |

11 comentários:
De Sobre Acordo de «Consternação social» a 20 de Janeiro de 2012 às 10:56
Quatro notas sobre um acordo

Assinado entre o governo, o patronato e a UGT em sede de «consternação social» (para retomar a expressão de António Chora na TVI24) e que assume a fantasiosa designação de «Compromisso para o Crescimento, Competitividade e Emprego» (a novilíngua orwelliana no seu melhor):

1. Facilitação dos despedimentos e diminuição das indemnizações, redução dos montantes e da duração do subsídio de desemprego, diminuição do custo horário de trabalho, supressão de dias de férias e feriados. Supõe-se que um acordo seja o resultado de cedências mútuas entre interesses opostos, mas não se consegue encontrar um só exemplo que demonstre a cedência do patronato nesta negociação. Os trabalhadores perdem em toda a linha.

2. Não se cingindo a matérias de legislação laboral, estas são contudo as que revelam maior detalhe, prioridade e condições legais de implementação imediata. Os restantes domínios, das políticas económicas às políticas activas de emprego e formação profissional, correspondem em regra a propostas anteriormente anunciadas pelo governo e enunciadas aqui em formulações etéreas e imprecisas, cuja concretização remete para documentos futuros, a apresentar pelo governo até ao final de 2012. De crescimento este acordo nada tem. A competitividade é a de um beco visivelmente sem saída.

3. Para justificar a assinatura do acordo pela UGT, João Proença diz que não o fazer implicaria a adopção de «medidas muito mais gravosas para os trabalhadores», face às «ameaças claras da parte do governo, que iria provocar uma grande desregulação laboral». Com a anuência «meio» contrariada de João Proença, a UGT patrocina e legitima um dos mais rudes golpes no mundo do trabalho, desequilibrando as relações de força, robustecendo e dando fôlego a uma ofensiva que, de outro modo, poderia ser combatida com uma oposição social e política mais sólida.

4. Mas a posição da UGT significa igualmente a sua adesão, implícita, à tese segundo a qual o problema da competitividade da economia portuguesa reside no «factor trabalho». Com o seu aval a este acordo, a UGT passa a estar do lado da governação retrógrada e do capitalismo medíocre, na trincheira daqueles que consideram que a única forma de o país ser competitivo reside na estratégia dos baixos salários e do empobrecimento dos segmentos desfavorecidos de um país exemplarmente desigual. Isto é, o «modelo» demonstradamente falhado a que o João Rodrigues se refere no post anterior, responsável pelos principais bloqueios que tolhem a economia portuguesa.
(-por Nuno Serra , Ladrões, 19.1.2012)


De .SindicAmarelo serve Governo/Patrões. a 18 de Janeiro de 2012 às 11:15
Sindicalismo à chinesa
(- Pedro Viana, http://viasfacto.blogspot.com/ )

A UGT decidiu legitimar o maior retrocesso no direito laboral de que há memória, proposto pelo governo mais reaccionário desde o 25 de Abril.

Ao assinar um acordo com este governo, a UGT confirmou que é efectivamente a central sindical do regime,
sempre pronta a servir o governo em funções.
Tal como a única central sindical autorizada na China, a ACFTU. Aliás, se conseguirem, descubram as diferenças entre os senhores acima retratados. Afinal, "precisamos" de demonstrar aos investidores chineses, desculpem ao governo chinês, que os trabalhadores portugueses também sabem ser servis.

O colaboracionismo da UGT não legitima apenas as graves medidas que constam do acordo que vai assinar, mas também todas as outras que este governo já tomou, nomeadamente
a facilitação dos despedimentos, a diminuição da duração e valor do subsídio de desemprego, e os enormes cortes salariais na função pública.

A UGT justifica a sua atitude com o habitual:
se não fosse assim, seria bem pior.
Imaginem o que estará disposta a aceitar quando, na próxima ronda de aprofundamento do neo-feudalismo, o governo propuser, por exemplo, a possibilidade dos patrões pagarem parte do salário em senhas de racionamento.

Apelo a todos os trabalhadores inscritos em sindicatos filiados na UGT, e que tenham um pingo de consideração por si próprios, a desvincularem-se.
Em particular, os funcionários públicos, completamente vendidos pela UGT, que não só põe uma pedra sobre a usurpação de parte dos seus salários, como ainda por cima
troca uma medida que não os afectaria (a tal meia-hora diária a mais no sector privado) por um conjunto de outras que também os vai afectar.


De Ingenuidade, Maldade e Mediocridade. a 18 de Janeiro de 2012 às 11:31

Quanta ingenuidade !!!
( http://terradosespantos.blogspot.com/ 17.01.2012)

Se não é ingénuo, João Proença, secretário-geral da UGT, disfarça bem.
Justifica ele a assinatura do acordo em sede de concertação social por parte da UGT, alegando que "houve claras AMEAÇAS da parte do Governo que iria provocar uma grande DESREGULAÇÃO laboral".

João Proença parece acreditar que, pelo facto de ter assinado o acordo, vai evitar que o governo venha a tomar medidas ainda mais GRAVOSAS, como se as agora adoptadas fossem coisa de somenos.

Se acredita, é porque é não só ingénuo, mas também tolo.
De facto, a assinatura do acordo pela UGT não só não vai ter esse efeito como se vai revelar contraproducente.
O governo, depois desta assinatura, ficou a saber que, de futuro, pode contar com a UGT para tomar outras medidas, se estas não vierem a ter o resultado esperado, como é mais que provável.

Não é que o governo não seja capaz de as tomar, mesmo sem o acordo da UGT.
A participação desta, no entanto, serve-lhe às mil maravilhas para OBTER COBERTURA para as medidas que tomou e que virá a tomar a favor do PATRONATO.

João Proença e a UGT não são, porém, os únicos ingénuos, neste negócio.
O governo e o patronato não o são menos, ao acreditarem que com as medidas consagradas no acordo se vão resolver os problemas de competitividade da economia portuguesa.

Esquecem ambos que, historicamente, o trabalho ESCRAVO nunca foi muito produtivo.
Não é com a diminuição seus direitos, nem com o pagamento de salários de miséria que se motivam os trabalhadores e se aumenta a produtividade.

O governo PPC e o patronato (medíocre) vão aprender essa lição mais cedo do que julgam.


De .UGT- ProenCedência Gravosa, TRAIÇÃO.. a 18 de Janeiro de 2012 às 11:52

Palavra do dia: «cedência» (ou 'Proencedência')
(Joana Lopes, http://entreasbrumasdamemoria.blogspot.com/ )

«Não houve cedência nenhuma.
Haveria muito mais cedências se não houvesse acordo, porque seriam impostas aos trabalhadores muito mais cedências, ou seja,
seriam impostas medidas muito mais gravosas aos trabalhadores», terá dito João Proença.

Mas se tudo isto não é uma cedência, então o que é uma cedência?
...
P.S.
- «Neste momento um clima de conflitualidade, agravada por exemplo com a existência de meia hora,
rapidamente descairia numa situação insustentável,
provavelmente a mesma situação que a Grécia hoje vive.»
Comentários para quê...
------------------
TRAIÇÃO, isso sim !!! Medo da luta de classes ...

E respondendo a ..., o que é bom para a economia capitalista forçosamente não será bom para os trabalhadores ...
que o digam os chineses ou os mais de 20 por cento de pobres nos EUA, etc...etc...

Rui Mateus


De .UGT faz péssima representação dos Traba a 19 de Janeiro de 2012 às 10:48
MAIS UMA MACHADADA !

[ Não nos resignamos. Os Derrotados somos INVENCIVEIS ] (!?!)

Basta ler algumas páginas do Acordo tripartido «compromisso para o crescimento e emprego» assinado entre o governo, as confederações patronais e a UGT para se perceber que se trata de mais um mau negócio para os trabalhadores em geral, com a infeliz chancela desta última central sindical!

Facilidade no despedimento, embaratecimento das indemnizações, mais horas de trabalho e flexibilidade nos horários, menos dinheiro para os trabalhadores e para os desempregados! Tudo isto a troco de nada. A UGT terá que explicar tudo muito bem aos seus sindicatos e respetivos trabalhadores.

É verdade que o Governo pode provisoriamente «cantar de galo» com este acordo que plasma a grande hipocrisia e «bluf» que é hoje o nosso diálogo social. Um acordo não para «inglês ver» mas para a «troica» ver! Um acordo que soa a falso até porque a parte mais forte e representativa, a CGTP, não assinou tal documento!

Ao materializar-se na base, nas empresas, este acordo fica em grande parte pelo caminho. O que vamos ter não será diálogo social mas imposição e, em muitos casos, repressão, através da utilização da arma do despedimento!

Segundo alguns analistas este acordo vai mais longe do que exige a «troica» internacional. É um acordo cujo objetivo último é submeter o trabalhador ás leis económicas e aos interesses imediatos das empresas. Intensificar a exploração dos trabalhadores, permitir a competitividade á custa de quem trabalha, aumentar a riqueza de alguns e a pobreza de muitos!

Este acordo é a subversão completa daquilo que a UE já se esqueceu há muito- a «harmonização no progresso» - segundo a qual as melhorias alcançadas em cada Estado-membro, superiores aos mínimos europeus, seriam respeitadas. Agora é ao contrário, materializa-se na harmonização por baixo! Este acordo não é apenas uma machadada no sistema laboral da Revolução do 25 de Abril de 1974! É também uma machadada no modelo social europeu e na nossa Constituição! VER ACORDO

(-por A.B.Guedes, Bestrabalho.blogspot.com 18.01.2012)


De UGT-d'Gov: Avaliza Medidas contra Trab. a 19 de Janeiro de 2012 às 12:00
AINDA a DESUNIÃO GERAL dos TRABALHADORES

« Custa-me a aceitar que uma central sindical avalize um conjunto de medidas, todas elas viradas contra aqueles que representa.» - Torres Couto (ex-SG da UGT )

(-por João Rodrigues, 18.01.2012, http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/ )

------ Falcão disse...
João Rodrigues, se puder ou quiser investigue esta matéria e vai ver que ainda há muito mais...

Sobre a UGT:

1. Foi criada primeiro pelo PS ao qual se junta mais tarde o PSD. (para contra-balançar a implantação da CGTP, mais antiga e dominada pelo PCP...)
Desde aí foi sempre um animal bicéfalo onde o seu Presidente é sempre alguém do PSD e o seu Secretário-Geral é sempre alguém do PS, assim como a distribuição dos lugares dentro da Central.

2. Não sobrevivia nem mais um dia se tivesse de viver das cotas dos seus associados.
Só os sindicatos afectos à banca são regulares com o pagamento das cotas, inclusive é com esse dinheiro que muitas vezes são pagos os salários dos trabalhadores da UGT.

3. O seu centro de formação paga muitas das despesas da UGT, geralmente encapotadas como se fossem do centro.

4. Hoje com este governo PSD assim como se o mesmo fosse do PS, a UGT tem de AGRADAR a quem o representa (o Poder), pois se não o fizesse deixava de ter razão para existir enquanto braço-armado dos sucessivos governos para assinar os acordos que convêm a esses governos.

5. Convinha perceber que representatividade tem de facto a UGT no mundo dos trabalhadores.
É sabido que a grande maioria dos seus sindicatos são de "vão de escada" e,
mesmo aqueles sectores onde tem sindicatos com mais representatividade, se colocam à margem das decisões da Central.
Sindicatos como o SITRA - sector dos transportes e STE [Bettencourt Picanço]- sector dos técnicos do estado, são disso a prova mais evidente.

6. Neste acordo em particular este governo esticou a corda de tal maneira que nem mesmo a UGT poderia aceitar o aumento de 1/2 hora de trabalho,
pois isso seria de facto o fim de qualquer tipo de credibilidade que nem com operações de COSMÉTICA e discursos retóricos, a UGT se safaria de ser considerada uma Central Sindical de faz-de-conta.

7. A prova é a CEDÊNCIA a medidas equivalentes mas não tão lineares que caibam em frases de impacto jornalistico, e nós já sabemos que os Portugueses só lêem as gordas nas 1ªs dos jornais.

8. É no minimo estranho que uma Central Sindical esteja envolvida por via direta ou por via colateral [instituições que administra] em tantos processos no tribunal do trabalho, em que trabalhadores lhes move processos para se defenderem das injustiças do seu Patrão UGT.

9. Os salários pagos à maioria dos seus trabalhadores [aqueles que não são dirigentes] são verdadeiramente miseráveis, para quem todos os anos emite comunicados a falar contra a politica dos baixos salários, quando em "casa de ferreiro espeto de pau.

10. Terá esta Central Sindical moral ou representatividade para assinar em nome dos trabalhadores portugueses algum tipo de acordo??

------Curioso disse...
No dia em que se comemora o 18 de Janeiro é assinado o acordo sem a presença da CGTP.
Como refere o Falcão, o Proença não é mais do que uma MARIONETA nas mãos do PS e PSD, sem legitimidade para assinar o que quer que seja.

Mas há uma questão:
e precisaria o governo do acordo para aprovar estas medidas ou isto foi apenas uma encenação para calar as mentes incautas?

-------Kirk disse...
(Off topic)

Hoje é dia 18 de Janeiro. Passam 78 anos sobre o levantamento da Marinha Grande em 1934.
Há cada vez mais motivos para relembrar datas como essa.
Não esqueçamos!

-------D., H disse...
Soube que alguns sindicatos/associações sindicais que integram a UGT mostraram previamente o seu DESACORDO pelo “Acordo de Concertação Social” que estava em marcha.
Penso que os seus associados e respectivos dirigentes devem questionar-se se valerá a pena integrar uma UGT, que de União não tem nada, além de NÃO DEFENDER os interesses dos trabalhadores.


De ProençaPalhaço donoUGT prostitui-se... a 19 de Janeiro de 2012 às 12:26
------"Pirralha...eu?"
Eu acho que num gesto de gratidão, o Coelho consegue que o Proença vá para efectivo do Circo Chen.
Cristina
------wilhelm reich
Gostava que a malta investigasse as condições de trabalho das escolas profissionais onde a UGT mete o bedelho.

------Clint Eastwood
Esse TRAIDORzeco do Proença, foi a maior vergonha para o sindicalismo português !!!
OS TRAIDORES DA UGT SÃO OS MAIORES INIMIGOS DOS TRABALHADORES PORTUGUESES!
Mais um na lista para o Campo Pequeno !!!


De .Ataque à montra do IEFP-Porto... a 18 de Janeiro de 2012 às 09:47
«Tenho de dar razão à CGTP»
por Sérgio Lavos

7 dias. 56 horas. De trabalho escravo por ano.
Mais a possibilidade do empregador escolher quando são as férias do empregado.
E uma maior flexibilização dos despedimentos, permitindo na prática que o patrão possa despedir quando muito bem entender.

Foi isso que o Governo ofereceu aos patrões, com a conivência activa da UGT. O desplante do Álvaro, deslumbrado por ter ido além da troika, significa na prática um retrocesso de algumas décadas no que diz respeito a direitos dos trabalhadores. O sorriso do empreendedor do pastel de nata é cínico e revoltante.

Quem esteve bem foi Constança Cunha e Sá:
a CGTP teve razão ao abandonar as negociações com o Governo.
Antes isso do que fazer como João Proença, que, apesar de ser contra todas as medidas acordadas - deve ser isto, a tal "abstenção violenta" de que falava Seguro -, emergiu como parceiro deste ataque sem precedentes aos direitos dos trabalhadores.

À margem:
mais um senador do regime a pedir trabalho como na China. Daniel Bessa, antigo ministro de Guterres, "admira a persistência" do Álvaro e a "coragem da UGT".
Mas de que buraco sai esta gente?
Mais importante, não se poderá exportá-los para uma qualquer instituição parceira em Angola?

tags: crime organizado, crise


De Jornalismo vergonhoso, de cão de guarda. a 18 de Janeiro de 2012 às 09:33
-----Anónimo disse...

É perturbador assistir a um "jornalista" que perante argumentos claros e inequívocos revela um autismo absoluto
insistindo em provar que os trabalhadores têm direitos a mais e as associações sindicais, mais propriamente a CGTP, só fazem mal ao país,
isto é uma autêntica vergonha.

-----Zé disse...
Chamar jornalista ao Crespo é mais ou menos o mesmo que chamar jornalista ao hipopótamo do jardim zoológico

------José M. Sousa disse...
O Mário Crespo quer nivelar tudo por baixo.
Ter direito a subsídio de Férias? Isso é um luxo!
Temos que ser todos precários.
Para o Mário Crespo, um operário fabril vende o seu trabalho em iguais condições que ele, Mário Crespo o faz.
Deixem de ver esse imbecil...

-----Lowlander disse...
Muito muito bom.
Razao pela qual, estou disposto a apostar (aposta que gostaria muito de perder), que nao voltara a ser convidado.

------- L. Rodrigues disse...

Um "prós e contras" em que o moderador é um dos lados.

------Anónimo disse...
Crespo got pwned!

É triste ver um idiota (in)útil como o Crespo a chutar para canto sempre que fica sem argumentos.

Bola pá frente que o Arménio nunca mais vai ser convidado a falar na SIC N.

-----meirelesportuense disse...

Eu assisti a esta entrevista e foi um massacre do jornalista Lambe-Botas oficioso do Governo.

-----Anónimo disse...
É revoltante ver como este "jornalista" conduz a entrevista.
Interrompe sistematicamente o entrevistado com observações imbecis ao nível de um taxista (desculpem-me os taxistas).
Para mim a gota de água dá-se quando o Mário Crespo demonstra o seu incomodo com a expressão EXPLORADOS utilizada por Arménio Carlos.
Com um grande clareza e objectividade o entrevistado responde-lhe.
Mas parece que Mário Crespo não entendeu ou não quis porque um pouco depois volta a ter o mesmo infeliz comentário.

----- D., H disse...
Por acaso ví a entrevista.
O Mário Crespo a fazer o papel de advogado do patronato, a tentar insinuar que sindicalismo é coisa do século passado, “modernidade oblige”…
Achei-o crispado sempre que o dirigente sindicalista da CGTP falava em exploração, como se estivesse a ouvir uma coisa de outro mundo. Não há dinheiro – dizia Crespo.

Arménio Carlos esteve bem, sobretudo num momento em que o governo pretende estigmatizar a CGTP.
Afinal, quem não cumpre qualquer pacto, ou mesmo quem tem atropelado a lei, é este governo.
É preciso haver confiança? Pois é.

-----meirelesportuense disse...

É realmente verdade; o Crespo sempre se mostrou muito incomodado pela expressão "exploração" como se não houvesse exploração em Portugal,
pois se são as próprias Empresas que denominam as suas actividades como sendo actividades exploratórias.
As palavras são o que são.


De Trabalho, Economia e UE a 17 de Janeiro de 2012 às 15:45
----
...
A UGT não foi de modas.
Aproveitou a cadeira deixada vazia pelo seu camarada de luta para alargar o assento (o João Proença, em consequência das décadas de liderança, começa a ter o rabo grande demais para as estreitas cadeiras da concertação),
arrecadou o benefício do contraditório, suportou a ligeireza alvarinha na medida canadiana do "toma lá mais meia hora, que é para embarateceres" (que entretanto parece ter caído, como outras "natas"),

assinou o rapinanço de uns dias de férias, mandou o 5 de Outubro e mais três outros dias de descanso às urtigas,
acordou passar metade do valor das horas extraordinárias para o bolso dos patrões que, tal como o Catroga, evocam a máxima de que quanto mais ganharem, melhor viverão os pobrezinhos porque o contributo para a esmola será acrescentado
e digeriu mais meio dúzia de malfeitorias ideológicas impostas à sombra da troika.

Dizem que foi uma maratona. Subiram ao pódio os do costume.
LNT, [0.033/2012]
--------

Tem tomates?, | 17/01/12 15:23
Se os vendidos da UGT tivessem vergonha impediam o proença de assinar este roubo amanhã
--------
Rui, | 17/01/12 15:22
século xix

uma burguesia, cívica e politicamente CORRUPTA até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter,
havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas,
capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no limoeiro.

um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador(/presidência); e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do país.
----------
ALM, Porto | 17/01/12 15:21
O refrão da canção do Zeca adaptada ao século XXI, seria assim:
- "Eles cortam tudo, eles cortam tudo, e não deixam nada".
----------------------------------------------------------

Bruxelas defende alívio da carga de sacrifícios à classe média
(-Económico com Lusa 17/01/12 )

.Durão Barroso exigiu hoje, em Estrasburgo, que os sacrifícios exigidos pela crise sejam repartidos equitativamente.

José Manuel Durão Barroso disse que "é preciso exigir que os sacrifícios impostos pela crise sejam repartidos de um modo mais equitativo: que não sejam sempre os mais pobres e a classe média a pagar a maior parte da factura da crise".

"A justiça social é também um elemento essencial para o sucesso da nossa resposta", acrescentou, num discurso proferido após a eleição do socialista alemão Martin Schulz (grupo S&D) para a presidência do Parlamento Europeu (PE).

O chefe do executivo comunitário reiterou ainda que as "grandes prioridades para os próximos meses" são a aplicação das medidas propostas para a "estabilidade financeira e crescimento económico".

Barroso apelou também ao reforço da democracia europeia, considerando que aqueles que resistem a essa ideia "estão a dar a verdadeira soberania a operadores anónimos nos mercados que não são sujeitos a qualquer controlo democrático".
-...


De .Vingar-se do País e do Estado. a 18 de Janeiro de 2012 às 15:03

Eles não gostam do país

Quando o primeiro-ministro de um país que é o que apresenta maiores problemas de qualificação profissional, que é um dos mais cultos da Europa e cujo atraso sempre esteve associado a problemas associados às insuficiências da sua escola sugeriu a emigração em massa dos professores foi aplaudido por muita gente.
Até houve quem tivesse sugerido a criação de uma agência para a emigração, muitos vieram teorizar sobre o tema e o Relvas exaltou de nacionalismo mostrando o exemplo da diáspora.

É uma pena que a máquina de propagando do governo tenha conseguido abafar o assunto e tenha feito desaparecer o problema da comunicação social.
Seria interessante reflectir sobre a fuga do país por parte de muitos dos seus melhores quadros.
São investigadores, médicos, professores, engenheiros, gente que custou milhões ao país que agora são forçados a fugir.
Nem todos os professores universitários contam com o conforto do Banco de Portugal, nem todos alimentam o seu currículo com o lixo intelectual dos papers que estão para as universidades como os derivados estão para o mercado de capitais.

Toda essa gente que não aceita viver sem subsídios e ser empobrecida por um qualquer Gaspar que há poucos meses ninguém conhecia ou reconhecia como grande economista, partem sem olhar para trás.

Há quem esteja a abandonar o país com mais de cinquenta anos e sem se dar ao trabalho de esperar pelo fim do ano lectivo.
Um dia destes as nossas universidades pagarão bem caro esta perda de quadros.

Somos governados por gente que odeia o Estado, tiveram de entrar em universidades privadas de segunda linha porque não conseguiram entrar nas estatais,
arranjaram empregos no sector privado porque não conseguiram passar nos concursos do Estado,
chegaram ao sucesso graças à política e agora governam vingando-se do Estado.

Por vezes quase nos interrogamos se os nossos governantes gostam mesmo do seu país ou se teremos chegado ao ponto de estarmos a ser governados por quem além de odiar o Estado odeia também Portugal.

Quem está a tratar o país desta forma o país não deve gostar muito dele.

(-por Jumento )


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