Desilusão e ... acordar totalitário ultra-neo-liberal

           E a Hungria aqui tão perto

    As recentes alterações constitucionais na Hungria, já condenadas pela União Europeia, veio relançar a discussão sobre o futuro da Europa e sobre o que leva um povo, recentemente liberto de um regime totalitário, a embarcar num processo que o faz retroceder, agora que vivia em Democracia, para um regime que se apresenta, de novo, autoritário.
    E vem relançar a discussão pelos motivos, já bem à vista, da proliferação e aumento de notoriedade de movimentos ligados à extrema direita.
    E que razões podem justificar o aumento de adeptos destas formas de intervenção política ?
    Em primeiro lugar a desilusão que o regime democrático, porque incapaz de dar resposta aos desejos das populações, tem  sido incapaz de colmatar. Os cidadãos voltam a olhar para soluções paternalistas que lhes facultem o mínimo dos mínimos como preferíveis à livre expressão liberal das suas capacidades e daí à não dependência do Estado.
    A promoção da "ideologia" ultra-neo-liberal que tem sido a pedra de toque da política económica global, o canibalismo dos mercados, a falta de respeito pelos direitos consagrados nas constituições democráticas, especialmente na Europa, como a defesa  do Estado Social, são razões suficientes para que os povos olhem para soluções, em que vendendo os direitos de Liberdade real, se considerem mais protegidos, nem que o seja minimamente.
    A corrupção, os escandalos, a falta de credibilidade dos governos e governantes, o desaparecimento de aspectos básicos no que se refere à Educação, à Saúde, à Protecção Social, à Cultura, etc. fazem parte do caldo que leva à decepção dos cidadãos.
    E é aqui que se entronca a relação com o que se passa no nosso país.
    Não será de estranhar que a curto/médio prazo estas manifestações de desagrado se possam vir a verificar no nosso país.
    E ultimamente, ainda mais grave, tem-se verificado algo de ainda mais preocupante como a caça às bruxas que se tem desenvolvido com o ataque descabelado às obediências maçónicas para já não falar nas declarações de gente com responsabilidades, que chocaram a grande maioria,  em que o desprezo a que eram votados os mais desprotegidos  ou, também, o exacerbamento do valor individual e a sua recompensa, mesmo que despudoradamente chocante.
   Por isso, ou levamos a peito a defesa efectiva dos nossos valores democráticos ou podemos descobrir um dia destes que acordamos num outro regime.


Publicado por Xa2 às 07:51 de 18.01.12 | link do post | comentar |

4 comentários:
De Revolucionar a Política e os PARTIDOS a 19 de Janeiro de 2012 às 10:55

Mudar Políticos por meios REVOLUCIONÁRIOS


A política em Portugal (e...) está a ASSASSINAR a DEMOCRACIA, a cidadania, a Justiça, a Liberdade, ... e a civilização...

e os ainda não infectados pelo VÍRUS do PODER
(corrupção, nepotismo, tráfico de influências, abuso de poder, apropriação de bens públicos, má gestão e danosa, incompetência, assédio, ...)

não conseguem MUDAR/afastar os poderosos 'padrinhos e capos', seus comportamentos/ máquinas e regulamentos viciados ou manipuláveis...

e as oportunidades de se fazer uma transição 'pacífica' esfumam-se ...

Cada vez mais me convenço que, para a própria defesa da Democracia, a necessária Mudança terá de ser REVOLUCIONÀRIA...
tanto dentro de cada partido como no sistema partidário/eleitoral português e europeu ...

criando forças/correntes/grupos alternativos e muito afirmativos...
sózinhos ou em grupos 'moles'/ 'bem comportados' não se vai a lado nenhum. ...

e fica-se a ver a VIROSE infectar e destruir todos os VALORES Humanistas e Democráticos.


De Política Europeia e Economia a 19 de Janeiro de 2012 às 11:23

Ida a Berlim: montem-se no Monti, senhores!
(-por AG , CausaNossa, 19.01.2012)

Há alguém que assegure que o PM Passos Coelho e o seu Ministro das Finanças e da Europa, a caminho de mais uma sabatina da Dona Merkel em Berlim, daqui a umas horas, fazem algum trabalho de casa e pelo menos lêem as mais recentes entrevistas do PM italiano Mario Monti ao European Magazine e ao Financial Times?
Aprenderão muito. Sobretudo como usar argumentação alemã contra a tacanhez da actual liderança germânica, para defender o euro e os nossos interesses.
Não resisto e deixo aqui uma tradução (ao correr da pena) da justificação que Mario Monti oferece para defender a necessidade e vantagens dos Eurobonds (que Passos amestradamente .... passou) e para explicar que investimento publico é preciso para retomar o crescimento, sendo possível com défice orçamental zero. Ah, e de como dividir a eurozona implicaria dividir a Alemanha em duas!
Montem-se no Monti, senhores, para não continuarem a ser cavalgados por Berlim!

Da entrevista do PM Mario Monti ao European Magazine, 17.1.2012:
(...)
"Os Eurobonds são inteiramente diferentes da ideia de emitir obrigações para financiar investimentos. O actual plano é simplesmente um instrumento de gestão da dívida dos Estados membros. Não deve ser apresentado em termos de solidariedade ou união de transferências. Os Eurobonds cumprem vários objectivos-chave. A restruturação dos sacrifícios pedidos aos detentores privados - uma ideia que a Sra. Merkel propôs - seria alcançada através do mercado, não através de regulação governamental. Quem quer que tenha títulos do governo grego e queira livrar-se deles antes da maturidade poderia oferecê-los para venda a uma agencia de divida comum da UE, que pode adquirir esses títulos gregos com um desconto. Assim, o detentor privado incorrerá numa perda. Outra vantagem, na perspectiva alemã, é que o mercado de novo reconhecerá a importância das finanças publicas dos Estados e porá pressão para elas serem mantidas na ordem.
(...)
nos últimos 10 anos, os mercados falharam no entusiasmo com que emprestaram dinheiro aos Estados sem uma adequada análise de risco. Agora, depois da crise grega, o oscilar do pêndulo vai para o outro lado. Segundo o proposto sistema de Eurobonds o mercado teria um efeito disciplinador mais permanente porque a emissão dessas obrigações comuns seria limitada, de tal modo que seria uma menor percentagem para aqueles membros que tenham um deficit mais alto e uma racio divida/PIB mais elevada. Eles teriam de pedir dinheiro emprestado no mercado secundário e seriam penalizados em conformidade. Em terceiro lugar, isso retira pressão ao Banco Central Europeu. Não queremos ver o BCE aumentar a compra de títulos soberanos porque isso afecta a massa monetária dentro da Eurozona e arrisca tornar o BCE num " bad bank" com activos tóxicos.
(...)
Como reconciliamos uma politica pró crescimento com o imperativo de não a basear em défices excessivos? Sou fã de uma provisão que existia na Constituição alemã e que a Alemanha incialmente tentou introduzir nas negociações de Maaastricht mas que não foi então seguida. É a distinção entre o défice publico devido ao consumo governamental e o défice publico devido ao investimento governamental. Em a1996 na Comissao eu propus que esta devia ser a distinção. Penso que podemos certamente estabelecer um tecto para o endividamento publico gerado pelo consumo em zero, nem sequer os três por cento. Mas haveria um tecto mais elevado na divida publica que resulte de investimento publico, estritamente definido. Alguns investimentos podem ser feitos pelo sector privado para gerar crescimento, mas outros investimentos são melhor feitos pelo governo.
(...)
se fossemos a dividir a zona Eurozona em duas, o primeiro efeito seria dividir a Alemanha em duas!"

http://rpc.twingly.com/


De .. a 18 de Janeiro de 2012 às 15:37
A ESCUMALHA INTERNACIONAL das CENTRAIS DE INTERESSES e da ESPECULAÇÃO a conseguir com os seus extensíveis tentáculos mafiosos de índole esclavagista NEO/ULTRA-LIBERAL a conseguir os seus intentos junto de governos e centrais sindicais a nível mundial.

OS PARASITAS que têm familiares que a única "profissão" que têm exercido é de andarem de FESTAS EM FESTAS, é o POVO QUE TRABALHA que sustenta o parasitismo de uns quantos, que ganhando milhões e milhões anualmente de cuja origem muitos dos milhões se desconhece, tem levado a sua avante com a complacência dos governos!

A ESCUMALHA INTERNACIONAL ECONÓMICO-FINANCEIRA encontra-se no auge da sua actuação DESREGULAMENTARIZADORA!


De DesreguLamentação Laboral a 18 de Janeiro de 2012 às 15:35
Flexibilidade laboral "pode ser código para baixar salários" -- Stiglitz

As reformas estruturais "não vão resolver o problema" da zona euro no curto prazo e "flexibilidade laboral" pode ser "código para salários mais baixos", disse hoje o economista norte-americano, e prémio Nobel da Economia em 2001, Joseph Stiglitz.

"As reformas estruturais demoram tempo, e são medidas, na sua maioria, pelo lado da oferta. Ora, o problema na Europa e nos EUA é a escassez de procura agregada", afirmou Stiglitz durante o IV congresso da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED), que se concluiu hoje em Lisboa.

Stiglitz tem sido muito crítico das respostas europeia e norte-americana à crise financeira global.


Comentar post

DESTAQUE DO MÊS
14_04_botão_CUS
MARCADORES

todas as tags

CONTACTO

Email - Blogue LUMINÁRIA

ARQUIVO

Novembro 2019

Junho 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Online
RSS
blogs SAPO