De Nomeações manhosas e propaganda. a 20 de Janeiro de 2012 às 10:31
Nomeações: da seriedade dos dados constantes do site do Governo

Veja-se o caso do gabinete de Miguel Relvas, ministro da propaganda, considerando apenas duas situações cujos dados se obtêm através de uma simples consulta à Internet.

1. António Figueira, que coordena a propaganda do Governo, não consta da lista de arrastadeiras que coadjuvam Miguel Relvas:

2. Da lista de pessoas que prestam serviço no gabinete de Miguel Relvas não consta a existência de motoristas. Acontece que o ministro da propaganda celebrou uma prestação de serviços por ajuste directo (por € 73.446,00, um montante que faz supor estarmos em presença de um potencial Ayrton Senna), evitando assim ter de incluir o “motorista prestador de serviços” (que veio do grupo parlamentar do PSD) no site do Governo:

(16.1.12, Câmara corporativa)
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Quer ver como o Governo dos estarolas está, sub-repticiamente, a abrir a porta ao pagamento dos subsídios de férias e de Natal sob outra designação?

Leia-se o n.º 3 do despacho reproduzido acima:
“Nos meses de Junho e Novembro, para além da mensalidade referida no número anterior, será paga outra mensalidade de € 1.575,00 (mil quinhentos e setenta e cinco euros), a título de abono suplementar.”
[via Azeredo Lopes no Facebook] (Câmara C., 19.01.2012)

A pouca vergonha não tem limites. Incompetentes e manhosos.
Nós todos queremos mais uma mensalidade a "título suplementar" .
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A mentira como modo de vida para esconder o regabofe

PC disse sentir-se “confortado” com as nomeações que o Governo tem feito, colocando no mesmo saco toda a espécie de sinecuras distribuídas. Vamos ao que interessa, não misturando alhos com bugalhos. As nomeações do Governo podem ser divididas em três categorias:

1. Para os gabinetes ministeriais, que abrangem adjuntos, assessores, arrastadeiras, consultores, etc.;
2. Para os cargos dirigentes da administração pública;
3. Para os órgãos de gestão e assessoria das empresas e dos institutos públicos.

1. PC prometeu na campanha eleitoral que apenas levaria para os gabinetes ministeriais um ou dois assessores que não fossem oriundos da administração pública, ao mesmo tempo que reduziria o número de técnicos que apoiam os membros do Governo.
Mas uma rápida olhadela pelas listas publicadas no site do Governo mostra que os gabinetes estão infestados de gente sem vínculo ao Estado e que a redução do nº de técnicos é uma miragem.

De resto, agora que os gabinetes começam a rebentar pelas costuras, o Governo recorre a truques vários, como, por ex:

• Contratos de prestação de serviços de gente estranha ao Estado, pelo que os “prestadores de serviços” não constam das listas publicadas no site;
• Deslocação “informal” de pessoal das empresas públicas ou de outros organismos, como acontece com os técnicos do Banco de Portugal que cirandam pelo Terreiro do P..

2. O PS assumiu que os dirigentes de topo do Estado deveriam ser nomeados pelo Governo e cessariam as suas funções com a mudança de Governo. Passos Coelho comprometeu-se a adoptar uma política diferente: os dirigentes de topo seriam nomeados por concurso.
Acontece que a regulamentação e a operacionalização desta política foram atiradas para as calendas gregas — e, entretanto, serão nomeados os boys.

Mas Passos Coelho não disse que havia reconduzido cerca de 80 por cento dos dirigentes superiores da administração pública? Pois é, o afilhado do terrível Ângelo iludiu a questão: o que aconteceu é que os vários membros do Governo reconfirmaram — o que é diferente de reconduzir — os dirigentes em funções, o que significa que, na sequência da aprovação das leis orgânicas dos ministérios, eles cessam funções definitivamente, abrindo-se então a porta à rapaziada que está na sala de espera das secções concelhias.

3. Com os valentes cortes salariais na função pública, os cargos de dirigentes de topo na administração pública deixaram de ser muito atraentes. O Governo teve o cuidado de estabelecer novas regras para a nomeação dos dirigentes da administração pública (ainda que não as aplique), mas não fez o mesmo para as empresas e institutos públicos. E mesmo a redução do número de membros dos órgãos de gestão destas entidades — de 5 para 3 — não passou de + 1 anúncio sem efeitos prático


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