União na acção de esquerda

  Uma boa notícia  , (-por Daniel Oliveira,  no Expresso Online)

     A constitucionalista e deputada independente pelo PS Isabel Moreira, os deputados do Bloco de Esquerda e pelo menos nove deputados do PS, a que se deverão juntar os deputados do PCP e do PEV, vão requerer a verificação sucessiva da constitucionalidade do Orçamento de Estado. A iniciativa conta com a oposição de Seguro. A alguma coisa o homem se há de opor, bolas!
     Esta é uma excelente notícia, pela substância e pela forma.
     Qualquer pessoa atenta não duvida que a Constituição da República está a ser violada quotidianamente e que o Orçamento também a desrespeita. Como o Tribunal Constitucional é também um órgão político, muito vulnerável ao ambiente que se vive no País, é provável que decida ignorar as suas funções. Não seria a primeira vez. Parece ter-se instalado um estado de emergência não declarado, em que a lei e o Estado de Direito foram suspensos.    Ainda assim, a iniciativa não é meramente simbólica. Ela obriga a um debate e devolve às instituições democráticas a sua função, em crise ou fora dela.
    Por outro lado, o facto de uma parte do PS, o BE e o PCP se conseguirem juntar para qualquer coisa de útil dá algum sinal de esperança. Quer dizer que os partidos à esquerda do PS aceitam que o ataque sem precedentes ao Estado Social exige todas as convergências necessárias e que a construção de uma oposição democrática à ditadura da mais bárbara das austeridades os obriga a ultrapassar as muitas discordâncias que têm.
    E quer dizer que há, no PS, mesmo que poucos, quem não aceite a degradante submissão dos socialistas à agenda mais violenta que alguma vez a direita tentou impor ao País. Uma posição que contrasta com a "abstenção violenta" impõe ao PS e a vergonhosa rendição de João Proença.
    Independentemente do resultado final desta iniciativa, é bom, pelo menos por uma vez, saber que está a acontecer alguma coisa à esquerda. Esperemos que sirva de lição para o que tem de ser feito na oposição. Todos são poucos para resistir a esta gente.


Publicado por Xa2 às 13:30 de 20.01.12 | link do post | comentar |

3 comentários:
De governo e mau patronato contra trabalhad a 23 de Janeiro de 2012 às 14:22
Decreto-Lei nº 496/80 de 20 Outubro! (Subsídios)

Os actuais governantes desconhecem a Lei ou não tiveram tempo para consultar o Decreto-Lei nº. 496/80, de 20 de Outubro, que no artº. 17º., consagra como um direito inalienável e impenhorável a atribuição dos subsídios de Natal e de férias dos trabalhadores.

Que espécie de Governo é este que, para atingir os seus objectivos, impõe, retira, rouba, direitos adquiridos de quem trabalha,
como se os males do país fossem exclusivamente da responsabilidade dos trabalhadores quando se sabe que os mesmos, quando lhe proporcionam condições de trabalho condignas, como acontece nos países para onde emigram, são considerados dos mais produtivos?!
As causas desses males não residirá, antes, na falta de modernidade, inovação, organização e de criação de condições de trabalho aliciantes por parte de muitas empresas, capazes de se tornarem competitivas?

Pergunte-se, por exemplo, aos colaboradores da firma do Rui Nabeiro ( Cafés Delta), como ele faz questão de os tratar, se alguma vez fizeram greve e qual o seu grau de satisfação em relação à empresa. O mesmo acontece, felizmente, em relação a outras empresas, mas essas são excepções à regra.

A realidade é que em Portugal, enquanto a nível de cargos dirigentes o nível salarial supera largamente a média europeia e é permitida a acumulação de "tachos", o salário é cerca de 1/3 da média que vigora na União Europeia.
Não admira, por isso, que Portugal seja o país da União com maiores desigualdades sociais.

Este Governo está a ver o filme ao contrário e, como se põe claramente do lado do empregador, contra o trabalhador!!!

Repassem, por favor, para que seja divulgado o teor do referido Diário da República divulga o máximo que te for possível!!


De Anónimo a 20 de Janeiro de 2012 às 16:05

É urgente um sinal de cidadania activa
A partir da criação do euro em 1999 os 17 países da EU que aderiram à moeda única passaram a ter uma taxa de câmbio fixa e deixaram de controlar as suas relações de troca através do controlo cambial e da intervenção directa dos seus bancos centrais. A partir de então em conjunto a balança de transacções da Grécia, Itália Portugal e Espanha –GIPS- passou sempre a ser negativa , isto é as empresas e os Estados foram-se progressivamente endividando. Ao mesmo tempo, , a Alemanha apresentava um crescente saldo positivo nas suas trocas com o exterior, atingindo actualmente um superavite de 182 mil milhões de euros, enquanto os países referidos acumulavam um saldo negativo de 183 mil milhões*; quer dizer, a Alemanha prosperou com a moeda única e os GIPS agravaram a sua situação.
Com a crise financeira de 2009, a dívida dos GIPS cresceu muito, o que justificou que os mercados de capitais iniciassem um ataque especulativo sobre a dívida pública destes países, começando selectivamente pelos mais . Só uma intervenção rápida de um banco central poderia deter este processo.
O BCE pode emprestar dinheiro aos bancos mas está proibido de emprestar directamente aos países, o que originou benefícios para a banca tornando a manutenção da dívida insustentável em alguns países. Contudo, em apenas 2 dias o BCE emprestou em Janeiro à banca europeia 500 mil milhões de euros , enquanto uma semana antes se dizia que não tinha capacidade para dar garantias sobre a dívida da Itália (440 mil milhões).
Ao manter o BCE incapaz de garantir os títulos de dívida dos países europeus, a Alemanha com cumplicidade da França, conseguiu por em perigo o euro e levou à supressão da democracia na Grécia "despediu" com um simples telefonema o governo de Itália, levou à queda o governo de Portugal e facilitou a vitória da direita em Espanha. Depois de espalhar uma política de medo e incerteza permanente e substituir os governos destes países, reduzem-se salários e regalias e lançam-se os países numa crise de recessão .

Sem por em causa a necessidade de pagar dividas e pôr cobro ao endividamento sistemático, a verdade é que uma saída para a crise não pode ser conseguida pela destruição da economia, optando por uma austeridade cega que inclusive reduz o produto interno e conduz à impossibilidade prática de permitir o pagamento da dívida. A solução passará por travar o ataque especulativo e a subida dos juros da dívida e equilíbrio orçamental das contas públicas num prazo realista.
Ao boicotar os ajustes necessários do BCE fazendo prevalecer os interesses dos seus bancos, sem disparar um tiro, a Alemanha está a conseguir alimentar os seus desígnios imperiais melhor do que conseguiu na primeira e segunda guerra. Assim, em menos de 100 anos a Europa tem de enfrentar a terceira calamidade provocada pela Alemanha : o avanço sobre a soberania dos estados e a sua subjugação económica configura o que entendemos por um estado de guerra.

De facto estamos a enfrentar uma situação de guerra, em que as armas até podem ser silenciosas, mas não deixam de ser devastadoras.

Perante este cenário os dirigentes políticos europeus como Passos Coelho vieram a revelar-se, não como defensores dos seus Estados, mas apenas como submissos representantes de Berlim, incapazes de negociarem condições que permitissem que a economia dos respectivos países pudesse manter a vitalidade suficiente para que efectivamente pudessem honrar os seus compromissos, mas sem destruir empresas pessoas e bens.

Neste contexto de emergência os cidadãos não podem de imediato esperar que os seus interesses sejam capazmente defendidos, pelo que só lhes resta a possibilidade de enviar directamente uma mensagem suficientemente forte para ser ouvida e atendida pela alta finança alemã: fazer baixar significativamente os lucros das suas empresas.

Sabendo-se que 60% das exportações da Alemanha se destinam à Europa é urgente que os cidadãos europeus exerçam o seu direito à resistência contra a ofensiva em curso, começando desde já por enviar uma mensagem muito clara para Berlim: deixar de comprar produtos de origem alemã.

Se concordar com esta acção de defesa do país, é favor divulgar a mensagem.

* dados Eurostat






De .Finança-agência, alemão e grego-tuga. a 20 de Janeiro de 2012 às 14:43
Pensar em alemão

«A agência [Standard & Poor's] diz que a actual crise não resulta do descontrolo orçamental na periferia mas sim de desequilíbrios macroeconómicos entre países do euro.
Lisboa, em vez de criticar, devia ter aplaudido este diagnóstico porque conforta a posição de Portugal ao demonstrar que a crise é sistémica e a responsabilidade é partilhada.

Ou Vítor Gaspar já pensa em alemão ou o governo desistiu de pressionar Berlim e o resto da zona euro a procurar alternativas.
O país esperava um reconhecimento do seu esforço mas a S&P - e bem - não se impressiona com cortes salariais.

Querem resultados sustentáveis e Portugal cai para notação "lixo" porque estes não se vêem - antes pelo contrário.
É tudo muito lógico mas, claro, o resultado é terrível:
é mais um passo na senda da Grécia com os investidores sem argumentos para segurar títulos nacionais.»

Do artigo de Luís Rego (via Câmara Corporativa), a ler na íntegra aqui.
(-por Nuno Serra , Ladrões, 20.1.2012)


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