Embora já aqui se tenha escrito e ninguém contestou, que as freguesias são o parente pobre da democracia, também não deixa de ser igualmente verdade que elas proliferam em exagero, sobretudo em Lisboa e no Porto.
A questão da divisão administrativa do país, particularmente nas duas maiores cidades portuguesas, é cada vez mais pertinente dada a notória sobreposição de atribuições, ou melhor, a quase nulidade de competências e insignificante poder de decisão, das freguesias, sobre assuntos que aos fregueses interessam. A esmagadora maioria de matérias que aos fregueses (residentes, investidores, trabalhadores, visitantes,...) preocupa são da exclusiva competência municipal. É caso para se perguntar e muitas vezes já se ouve a pergunta: para quê tantas freguesias?
Lisboa, uma cidade que durante as ultimas décadas tem sentido e sofrido a desertificação e fuga de residentes, tem registado, também, nos anos mais recentes, a perda de postos de trabalho e de actividade económica. Por isso o seu núcleo central está completamente envelhecido de pessoas e habitações.
Apesar disso, incompreensivelmente, a cidade/município mantém as mesmas 53 freguesias, que no seu conjunto elegem cerca de novecentos cidadãos, conforme quadro que se apresenta.

O cidadão, eleitor, contribuinte e freguês pergunta-se para quê tanta gente?
Quais são os resultados concretos, provenientes do esforço de tantos eleitos, bem como dos custos que envolvem as suas respectivas eleições, nomeadamente o número de mesas de voto sendo obrigado existir, pelo menos, três pessoas em cada mesa?
O que admira, isso sim, é haver quem se espante pelo índice de abstenção, nos actos eleitorais, ser tão elevado. Não tomem os políticos/legislador medidas, concretas, no sentido de dignificar a democracia e o sistema democrático que ele vai ficando, cada vez mais, débil e doente.
De ex-Militante a 25 de Junho de 2009 às 11:58
- Para quê tanta gente ( 864 'autarcas freguesiais', em Lisboa) ? + idem para o resto do país ...
Se mais razões não houvesse... servem para os partidos manterem uma base (mínima) de apoiantes nas suas campanhas... e congressos.
Se não fossem eles (os actuais membros das autarquias e/ou as novas/velhas listas de candidatos) este ano e em muitos outros... não haveria apoiantes ou manifestantes em Lisboa (e...) nas diversas campanhas (principalmente do PS e do PSD).
Estes (parte destes e repartidos pelo PS PSD e ...) são o ''núcleo duro'', os ''ferrenhos'', os 'militantes', os 'nomeados', os que querem manter/ganhar um ''tachito'' ou glória vã, ... às vezes é para segurar o emprego obtido por ''cunha''.
são sempre estes mesmos (e quase só eles, mais os das autarquias próximas e os líderes concelhias, regionais e deputados...) que andam sempre de um lado para outro ...
a passear-se nas ruas e largos, e nos jantares/comícios,... a bater palmas, a mostrar-se para as fotos/câmaras, a distribuir panfletos, a ir ao palco tecer elogios ao chefe e bota-abaixo os adversários, a dar palmadinhas nas costas, a ''meter cunhas'' ou ''cobrar favores'', a fazer telefonemas e a enviar mensagens, ...
são também estes (a sua maioria) que não têm tempo (e capacidade?!) para ler e analisar adequadamente os dossiers, as propostas, os programas, ...
e são alguns destes que são eleitos em listas, apesar da maioria dos votantes não os conhecerem, apesar de nunca terem sido apresentados os seus currículos técnicos e políticos, nem postos em confronto com outros putativos candidatos internos ou externos.
e aqueles que por isto passaram (e não foram eleitos ou, sendo-o, se cansaram ou desgostaram) vão-se afastando... afastando...
deixando o caminho livre para outros ''arrivistas e/ou esperançosos'' o trilharem (em duplo sentido).
De anónimo a 25 de Junho de 2009 às 12:16
É isso mesmo.
É também por isso que os partidos mantêm este sistema ... e que este mantêm os partidos, apesar de uma base mínima de apoio popular.
E, para manter entretido o 'pagode',... os 'staff' dos políticos vão arranjando umas causas fracturantes, mais umas actividades circenses falsas, mais ''uns disparos a leste para atacar a oeste'', mais umas inaugurações e migalhas no aproximar de eleições, mais uns títulos de ''vila'' e ''cidade'' para umas ''parvalheiras de água choca'' sem infraestruturas e qualidade de vida decente, ...
E não há responsáveis !!...
E ninguém pede contas a ninguém !!...
Que política de sub-desenvolvidos !!
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