6 comentários:
De Social-democracia europeia a 30 de Janeiro de 2012 às 09:01

A social-democracia europeia rompe o bloqueio (neoliberal-populista-financeiro)

Numa tomada de posição conjunta, o PS francês e o SPD alemão declaram que
os resgates de dívida «tratam os sintomas mas não as causas», e defendem um «governo económico europeu democraticamente legitimado».

Avançam como reivindicação central a «taxa Tobin» aplicada às transacções financeiras.
Também sugerem a emissão de títulos de dívida europeia;
a regulação europeia das agências de notação ou agências de notação de direito público;
objectivos comuns europeus em matérias educativas e sociais (!) e
indexação dos salários mínimos nacionais ao rendimento médio.

Um documento curioso. Nenhum destes partidos está no poder.
Mas terão que mudar para valer a pena que lá cheguem.
E este é um passo no sentido certo.

(-Ricardo Alves, Esquerda Republicana, 21.06.2011)


De .ISLÂNDIA: exemplo de Democracia. a 27 de Janeiro de 2012 às 17:22
A Islândia de que Não se Fala
Artigo de Miguel Ángel Sanz Loroño, doctorando e investigador da Universidade de Zaragoza,
intitulado

“A Islândia é a utopia moderna”,
publicado no jornal PÚBLICO (Espanha) em 23 de
Dezembo de 2011. Traduzido do castelhano por Maria João Vieira. O título do post é de minha
autoria.

AO REJEITAREM, num referendo, o resgate dos seus bancos tóxicos e o pagamento da dívida externa, os cidadãos islandeses mostraram que é possível fugir às leis do capitalismo e tomar o destino nas próprias mãos, escreve um historiador espanhol.

Desde Óscar Wilde que é sabido que um mapa sem a ilha da Utopia é um mapa que não presta. No entanto, que a Islândia tenha passado de menina bonita do capitalismo tardio a projeto de democracia real, sugere-nos que um mapa sem Utopia não só é indigno que o olhemos, como também um engano de uma cartografia defeituosa.
O farol de Utopia, quer os mercados queiram quer não, começou a emitir ténues sinais de aviso ao resto da Europa.
A Islândia não é a Utopia.
É conhecido que não pode haver reinos de liberdade no império da necessidade do capitalismo tardio.
Mas é sim o reconhecimento de uma ausência dramática.
A Islândia é a prova de que o capital não detém toda a verdade sobre o mundo, mesmo quando aspira a controlar todos os mapas de que dele dispomos.

Com a sua decisão de travar a marcha trágica dos mercados, a Islândia abriu um precedente que
pode ameaçar partir a espinha dorsal do capitalismo tardio.
Por agora, esta pequena ilha, que está
aquilo que se dizia ser impossível por ser irreal, não parece desaparecer no caos, apesar de estar
desaparecida no silêncio noticioso.

Quanta informação temos sobre a Islândia e quanta temos sobre a Grécia? Porque é que a Islândia está fora dos meios que nos deviam contar o que acontece
no mundo?

Uma Constituição redigida por assembleias de cidadãos

Até agora, tem sido património do poder definir o que é real e o que não é, o que pode pensar-se e fazer-se e o que não pode. Os mapas cognitivos usados para conhecer o nosso mundo sempre
tiveram espaços ocultos onde reside a barbárie que sustenta o domínio das elites.
Esses pontos obscuros do mundo costumam acompanhar a eliminação do seu oposto, a ilha da Utopia. Como escreveu Walter Benjamin: qualquer documento de cultura é, ao mesmo tempo, um documento de barbárie.
Estas elites, ajudadas por teólogos e economistas, têm vindo a definir o que é real e o que não é.

O que é realista, de acordo com esta definição da realidade, e o que não o é e, portanto, é uma
aberração do pensamento que não deve ser tida em consideração. Ou seja, o que se deve fazer e
pensar e o que não se deve.
Mas fizeram-no de acordo com o fundamento do poder e da sua violência: o terrível conceito da necessidade.
É preciso fazer sacrifícios, dizem com ar
compungido. Ou o ajuste, ou a catástrofe inimaginável.
O capitalismo tardio expôs a sua lógica de
um modo perversamente hegeliano: todo o real é necessariamente racional e vice-versa.

Em janeiro de 2009, o povo islandês REVOLTOU-SE contra a arbitrariedade desta lógica.
As manifestações pacíficas das multidões provocaram a queda do executivo conservador de Geir Haarde.
O governo coube então a uma esquerda em minoria no Parlamento que convocou eleições para abril de 2009.
A Aliança Social-democrata da primeira-ministra, Jóhanna Sigurðardóttir, e o Movimento Esquerda Verde renovaram a sua coligação governamental com maioria absoluta.

No outono de 2009, por iniciativa popular, começou a redação de uma nova Constituição através de um processo de assembleias de cidadãos.

Em 2010, o governo propôs a criação de um conselho
nacional constituinte com membros eleitos ao acaso. Dois referendos (o segundo em abril de 2011)
negaram o resgate aos bancos e o pagamento da dívida externa
. E, em setembro de 2011, o antigo primeiro-ministro, Geeir Haarde, foi julgado pela sua responsabilidade na crise.
...


De .a REVOLUÇÃO da ISLÂNDIA. a 27 de Janeiro de 2012 às 17:29
A Islândia de que Não se Fala
...
Qualquer mapa da Europa devia ter o ponto de fuga na Islândia
Esquecer que o mundo não é uma tragédia grega, em que a roda do destino ou do capital gira sem prestar atenção a razões humanas, é negar a realidade.
É óbvio que essa roda é movida por seres humanos. Tudo aquilo que pudermos imaginar como possível é tão real como aquilo que os mercados nos dizem ser a realidade. A possibilidade e a imaginação, recuperadas na Islândia, mostram-nos que são tão certas como a necessidade pantagruélica do capitalismo.
Só temos de responder a esse chamamento para descobrir o logro em que nos pretendem fazer acreditar.

Não há outra alternativa, clamam.
Por acaso, algum dos que nos anunciam sacrifícios se deu ao trabalho de rever o seu mapa do mundo?

A Islândia demonstrou que a nossa cartografia tem mais coisas do que aquelas que nos dizem.

Que é possível '64ominar, e aí reside o princípio da liberdade, a necessidade. A Islândia, no entanto, não
é um modelo.
É uma das possibilidades do diferente. A tentativa da multidão islandesa de construir o futuro com as suas decisões e com a sua imaginação mostra-nos a realidade de uma alternativa.

Porque a possibilidade da diferença proclamada pela multidão é tão real como a necessidade do mesmo que o capital exige.

Na Islândia decidiram não deixar que o amanhã seja ditado pela roda trágica da necessidade. Continuaremos nós a deixar que o real seja definido pelo capital?

Continuaremos a entregar o futuro, a possibilidade e a imaginação aos bancos, às empresas e aos governos que dizem fazer tudo aquilo que realmente pode ser feito?

Todos os mapas da Europa deviam ter a Islândia como sua saída de emergência.
Esse mapa deve
construir-se com a certeza de que o possível estão tão dentro do real como o necessário.
A necessidade é apenas mais uma possibilidade do real. Há alternativa. A Islândia recorda-no-lo ao
proclamar que a imaginação é parte da razão.
É a multidão que definirá o que é o real e o realista
usando a possibilidade da diferença. Deste modo, não acalentaremos consolo de sonhadores, mas
baseemo-nos sim numa parte da realidade que o mapa do capital quer apagar completamente. A
existência de Utopia daí depende. E com ela, o próprio conceito de uma vida digna de ser vivida.

Meu comentário:
Recusando alinhar na cortina de silêncio que os principais meios de comunicação europeus (e também nacionais) fazem sobre o que se passa na Islândia, sabe-se que a par da suspensão do pagamento da sua dívida soberana e da recusa em salvar os bancos, decisão que foi referendada pela população em Março de 2010,
está em curso a redacção de uma nova Constituição, as contas públicas de 2011 serão encerradas com um crescimento de 2,1%, situação
que já se vai reflectindo no recuo do desemprego,
estando previsto para 2012 um crescimento de
1,5%, cifra que supera o triplo dos países da zona euro.
Tudo isto num país que estava FALIDO, mas
que não baixou os braços.
Limitou-se a NÃO abrir a porta ao FMI e aos bancos estrangeiros e a escolher outro caminho, que não o da austeridade desenfreada, a perda de soberania e um empobrecimento generalizado, sem fim à vista.

Ao mesmo tempo que recupera pelos seus próprios
meios, estão em vias de serem punidos os artífices e responsáveis pela crise financeira que se inciou em 2008, e que depois levou o país à bancarrota em 2009.

Compare-se com o que se passa cá:
é pedido o arresto dos bens e contas de bancárias de Oliveira e Costa, ex-presidente do BPN, e Tribunais e Magistrados não se entendem. Enquanto uns são favoráveis ao arresto, outros negam a pretensão.

Percebe-se bem porque razão existe um esforço generalizado para que o caso da Islândia seja
afastado dos noticiários, e nada debatido.

A forma como Islândia enfrentou o seu problema, pode
tornar-se objecto de estudo e reflexão, iluminar outros caminhos, reacender esperanças, e acabar
por contaminar outros países.


De .Anestesiados para o... MATADOURO.. a 26 de Janeiro de 2012 às 11:21
Ponto da situação
No jornal i:

Os indicadores mais recentes sobre a evolução da economia portuguesa em 2011, em particular sobre o consumo das famílias, mostram que entrámos em 2012 já com uma RECESSÃO GRAVE.
Tendo em conta a QUEBRA das RECEITAS fiscais, seguramente muito além do previsto no Orçamento deste ano, estão à vista NOVAS MEDIDAS de EMPOBRECIMENTO e de desmantelamento do nosso frágil Estado-providência.
À semelhança do que aconteceu à Grécia, tudo se conjuga para que a espiral deflacionista DEVASTE o país deixando-o mais endividado, mais pobre e DESESPERADO.

Com TAXAS de 14% para obrigações a dez anos no mercado secundário, é evidente que o acesso do estado português ao financiamento privado a partir de 2013 é uma impossibilidade.
E sem procura interna não é a liberalização do mercado do trabalho que fará crescer a economia e gerar excedentes orçamentais.
O efeito BOLA de NEVE está lançado, tornando o peso da dívida pública INSUSTENTÁVEL e insuportável.
Um dia, confrontados os credores com a evidência de que não podemos pagar, impor-se-á um corte substancial na dívida pública.
Afinal, se não se pode pagar… não se paga.
Como na Grécia, será o fim da linha.

Na Itália, Mario Monti bem sabe o que pode esperar da austeridade para que foi mandatado.
Por isso pede à Sr.a Merkel medidas para o conjunto da zona euro, mas tem dificuldade em SER OUVIDO.
Sabendo-se que o ordoliberalismo alemão apenas conhece a punição como via para a redenção, cabe perguntar: os 360 mil milhões de euros de obrigações italianas que se vencem em 2012 serão refinanciados nos mercados?
E a que taxa? Ou a Itália também vai ficar ligada à máquina de oxigénio do FEEF?

Por muito que as autoridades tentem disfarçar a ansiedade, o facto é que a POLÍTICA Europeia FALHOU rotundamente.
Diplomaticamente, o próprio FMI já começou a distanciar-se dos seus parceiros da troika.
Porém, a força dos INTERESSES da FINANÇA, legitimados pelo FANATISMO ordoLIBERAL que tomou conta da União Europeia, impede uma solução de curto prazo da presente crise.
Bem pelo contrário, a Alemanha subiu a parada e exige a aprovação de um pacto que retira o poder orçamental aos estados-membros.
Um corpo de tecnocratas embebidos no ordoliberalismo, sem qualquer legitimidade política, ditará a partir de Bruxelas o essencial do orçamento que cada estado-membro terá de aprovar.
Depois da germanização do BCE, temos agora a tutela alemã dos orçamentos.
Acho estranho que em Portugal ninguém exija um referendo. Talvez porque se espera que o euro acabe entretanto.

ANESTESIADOS pelo mantra da INEVITABILIDADE do empobrecimento, aliás muito bem ORQUESTRADO pelos canais de TELEVISÃO no horário nobre, os portugueses estão a viver estoicamente o seu papel de COBAIAS de uma política económica comprovadamente ERRADA, no essencial inspirada pela teoria económica dominante no período anterior à Grande DEPRESSÃO do século passado.

Governados por uma ELITE política COMPRADA por interesses privados de diferente natureza, ou representados por uma OPOSIÇÃO INCAPAZ de produzir uma alternativa mobilizadora, os portugueses parecem cordeiros a caminho do MATADOURO.
É enorme a responsabilidade daqueles que percebem o que está em causa.

(-por Jorge Bateira, Ladrões, 26.01.2012)


De .Economia e UE ao fundo... a 26 de Janeiro de 2012 às 11:11
Até bater na rocha, não há crise

«Se soubessem que corriam risco de vida, os passageiros do Concordia teriam seguramente tentado IMPEDIR a decisão do comandante de aproximar demasiado o barco da costa para saudar os nativos.

Entre líderes europeus isso não seria garantido. Com uma RECESSÃO à porta na zona euro, os ‘ratings' em queda, um ano carregado de emissões soberanas que são roletas russas para muitas economias, com os credores a manter a Grécia à beira do ‘default' e a porem Portugal no caminho de um segundo resgate,
era difícil pensar num ‘timing' mais absurdo para a UE embarcar num processo de adopção e ratificação de um novo Tratado.
Este novo Tratado tenta constitucionalizar o travão da dívida, a ‘regra de ouro' (equilíbrio orçamental) e comprometer os países com a "cultura de estabilidade", que é essencial para restaurar a confiança dos mercados, como dizem os alemães. Contudo, o Tratado parece francamente desnecessário para este e outros propósitos.

Desde logo, SÓ fala de AUSTERIDADE. Será suficiente?
Em 2007, a Alemanha tinha um défice orçamental recorde, a Espanha e Irlanda tinham excedente.
Mesmo acreditando piamente no mantra da consolidação, a regra por si só não é eficaz.
Gordon Brown, o ex-líder britânico, inscreveu a "regra de ouro" nas finanças britânicas em 1997 e volvidos treze anos deixou o país com um défice de dois dígitos.

Depois, acrescenta confusão ao tomar o défice estrutural (de 0,5%) como teste da "regra de outro". Este indicador desconta o efeito do ciclo mas depende do cálculo do produto potencial, para o qual existem várias ‘escolas de pensamento'.
Bruxelas tem uma metodologia mas vários países não a seguem e chegam a valores diferentes. Até agora este era só um elemento de análise, agora terá peso PARACONSTITUCIONAL.

Aliás, o objectivo de Berlim em constitucionalizar o pacto de estabilidade também saiu FURADO.
Há países onde SÓ uma REVOLUÇÃO mudará a carta magna.
Na Finlândia, por exemplo, são precisos 4/5 do Parlamento, na Dinamarca impõem-se eleições e referendo.
Depois de muito debate a actual lei de enquadramento orçamental em Portugal também serve.»

Luis Rego, Diário Económico.
(-por Ricardo Paes Mamede , Ladrões, 25.1.2012)


De Gov: Lunático, ultraliberal..e mentiroso a 27 de Janeiro de 2012 às 10:27
Espero que Passos Coelho seja mentiroso
(- por Daniel Oliveira, 26.1.2012)

O Wall Street Journal diz que Portugal terá de receber um segundo "resgate".
Se o fizer, digo eu, quer dizer que a sua irresponsabilidade ultrapassou os limites da normalidade e alguém, de alguma forma, terá de pôr um travão nesta loucura.

Não podemos continuar a pedir emprestado para pagar dividas e juros absurdos e, ainda por cima, em troca de medidas recessivas que tornam o pagamento dessa dívida numa miragem.

Na Grécia este filme já vai mais avançado. O que é uma vantagem para nós.
Foram "resgatados" e só agora, com a economia definitivamente em ruínas, estão a renegociar a dívida.
Tarde demais, para dizer a verdade. Já de pouco serve.
Só mesmo porque já não há onde ir sacar mais é que fizeram o que há muito deveriam ter feito.
Agora é provável que já só lhes reste preparar a saída do euro.

Perante estas duas noticias - o artigo no WSJ e a renegociação grega -
Passos Coelho, a braços com um risco de bancarrota acima dos 67%, diz que "não pediremos tempo nem dinheiro".
Ou Passos é ainda maisinconsciente do que parece ou é mentiroso.
Espero que seja mentiroso.
Sempre é menos trágico para o futuro do país do que sermos governados por um lunático.


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