Implosão económica e social ?

Classe média está em risco de “implosão”  (-por Graça B.Ribeiro, Público, 29.1.2012)

Num ensaio que esta semana chega às bancas, o sociólogo Elísio Estanque analisa a ascensão e declínio dos segmentos sociais que hoje estão rotulados como "os novos pobres".

Sociólogo diz que políticos deviam estar mais preocupados com "a possível implosão" da classe média 
    Quando entram no Gabinete de Apoio ao Sobreendividado da Deco, a primeira pergunta que as pessoas fazem é:    "Esta conversa fica só mesmo entre nós?" A resposta - "sim" - é essencial para o prosseguimento do diálogo.
    Algumas têm os vencimentos penhorados e já cortam na própria alimentação, mas fora daquelas quatro paredes agem como se nada tivesse mudado, mesmo junto de familiares e de amigos. Fazem parte de uma classe média "doente" e "em declínio", tema do ensaio do sociólogo Elísio Estanque que avisa que "os poderes políticos deviam estar mais preocupados com a possível implosão da (ex-)classe média do que com a sua eventual manifestação nas ruas".
    No seu escritório, na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, o investigador do Centro de Estudos Sociais folheia um jornal. Pode ser o do dia, o da véspera ou o da semana anterior, "não interessa", diz - "Todos os dias há algo de novo: o acordo de concertação social, o anúncio de uma nova vaga de excedentários na função pública, o abandono da universidade pelos estudantes, as novas vagas de desemprego, o aumento das taxas moderadoras, a desmontagem do Estado Social – está tudo a acontecer de uma forma extraordinariamente rápida e intensa", comenta. Aponta o livro editado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, que este fim-de-semana chega às bancas com o título «A Classe Média: Ascensão e Declínio», e admite: "Se fosse hoje, provavelmente trocaria o termo "declínio" por "queda"".
    No ensaio, Elísio Estanque vai para além da sistematização teórica. A segunda parte do livro é dedicada às particularidades do caso português, no que respeita "à célere e pouco sustentada ascensão da classe média" e também à forma como ela "agora se desmorona, de maneira igualmente rápida e abrupta, na sequência do "empurrão" da crise e das medidas de austeridade".
    O ponto de chegada do sociólogo é uma classe média " fraca e ameaçada de ‘proletarização’"; o ponto de partida de uma sociedade "que em escassas dezenas de anos passou de predominantemente rural a marcadamente urbana". Os dados são objectivos: a população activa no sector primário encolheu de 43,6 por cento em 1960 para 11,2 em 1991 e a do sector terciário cresceu, no mesmo período, de 27,5 para 51,3 por cento.
    O peso da classe média - "que até 1974 era absolutamente residual", nota o investigador – resulta, na sua perspectiva, de vários factores conjugados. Refere-se à progressiva generalização da frequência do ensino superior que se reflectiu na proliferação das profissões liberais; e também ao crescimento do sector público, que vê como o principal canal de mobilidade ascendente para as classes trabalhadoras, graças às políticas centradas em áreas como a Educação, a Saúde, a Justiça ou a Administração Pública.
    A afirmação do Estado Social e os fenómenos de litoralização do país e de concentração urbana são outros dos factores que na sua óptica "se viriam a mostrar decisivos quando, após a instabilidade dos anos 80, Portugal entrou numa espécie de euforia política e económica", acentuada pela entrada de fundos da Comunidade Europeia.
    Despido da fundamentação teórica, o retrato é quase caricatural. Elísio Estanque fala dos grupos instalados nas periferias urbanas que alimentam a ambição de ascensão social tendo como termo de comparação o mundo rural, contingente e precário da geração dos pais. Considera que aqueles grupos, ao conquistarem empregos "limpos", que imaginavam estáveis e seguros, acreditaram estar, "desde logo, confortavelmente instalados na classe média". É neste contexto, analisa, que se dá o "casamento" que o investigador considera "fatal": a ânsia daqueles grupos de adoptarem padrões de vida europeus, modernos e urbanos coincide com o florescer do mercado do crédito.
    "Não responsabilizo especialmente as pessoas, do ponto de vista individual. Não tenho dúvidas de que se tratou de um programa de facilitação do crédito estrategicamente montado, planeado e orientado por parte da própria banca", comenta Elísio Estanque. Considera que as consequências, "que hoje estão à vista", "foram agravadas, por um discurso político que, ao invés de ter um teor pedagógico e preventivo, instigou ao consumo e ao progressivo endividamento". São inúmeras as testemunhas directas dos acontecimentos de que fala o investigador, algumas delas colocadas em postos de observação privilegiados. É o caso de Natália Nunes, responsável pelo Gabinete de Apoio ao Sobreendividado (GAS) desde que aquele foi constituído, em 2000.
    Recorda-se de que os primeiros consumidores a pedirem auxílio à DECO tinham recorrido ao crédito para comprar casa, carro, mobílias, computadores ou electrodomésticos". Hoje a situação é diferente: de uma forma genérica, diz, as pessoas não conseguem identificar o que as levou a pedir empréstimos. Por uma razão simples: "A maior parte das famílias tem cinco ou mais créditos, sendo que os mais recentes são contraídos para fazer face aos antigos...", explica Natália Nunes.
    Em 11 anos multiplicaram-se os pedidos de apoio ao GAS, que em 2000 deram origem à abertura de 152 processos, em 2010, a perto de três mil, e no ano passado a 4288. E Natália Nunes não hesita em situar as pessoas que hoje vivem as situações mais graves no grupo estudado por Elísio Estanque, a classe média. Do total de consumidores apoiados, 61 por cento têm idades compreendidas entre os 30 e os 50 anos; 45 por cento concluíram o ensino secundário ou universitário e a maior parte tem rendimentos superiores a 1500 euros por mês. São pessoas reais, que aparecem diluídas no ensaio de Elísio Estanque, enquanto membros de um segmento social que se tornou vítima da "progressiva redução dos direitos sociais e laborais, do consequente aumento da insegurança, do desemprego e das medidas de austeridade".
    No livro, o investigador fala desta classe média atribuindo-lhe "vivências de carácter bipolar", em que "um quotidiano depressivo se conjuga com técnicas de dissimulação e disfarce". Estanque chega a afirmar que o quadro roça "a patologia social", já que um grupo continua "a negar a todo o custo uma realidade, mesmo quando já mergulhou nela até ao pescoço".
    A descrição corresponde ao mundo em que se move, diariamente, o presidente da Caritas, Eugénio Fonseca. "As pessoas recusam-se a assumir a perda de status, aguentam muito para além do limite do razoável, procurando manter a aparência de um estilo de vida que já não são capazes de pagar. E quando finalmente nos procuram, a gravidade das situações é tal que ultrapassa, em muito, a nossa capacidade de intervenção", lamenta.
    Natália Duarte lida com o mesmo tipo de comportamento: "As pessoas pedem ajuda sob a condição de total confidencialidade. Escondem a sua situação dos vizinhos e até dos familiares que, temem, se afastariam se dela tivessem conhecimento", afirma. O presidente da Confederação Nacional das Instituições Particulares de Solidariedade Social (CNIPE), o padre Lino Maia, confronta-se com os mesmos problemas, mas sublinha que as pessoas sobreendividadas "preocupam-se, principalmente, com a iminência de as dificuldades afectarem os filhos, aos quais procuram proporcionar o mesmo estilo de vida que tinham antes, ainda que eles próprios estejam, já, a cortar na sua alimentação".
    As próprias instituições de apoio social têm vindo a ajustar protocolos para acolher estas pessoas, que na necessidade de ajuda e na situação de pobreza se somam aos sem-abrigo, mas têm um perfil muito diferente.
    "São professores, juristas, arquitectos, engenheiros", enumera Eugénio Fonseca. E não procuram apenas o que comer: "Pedem ajuda para pagar a renda, a água, a luz, as propinas dos filhos", completa Lino Maia. Deram origem a um novo conceito: o de pobreza envergonhada, e começaram há dois ou três anos a aparecer nos noticiários sob a designação de "novos pobres", falando sempre sob anonimato, com a voz distorcida, filmados ou fotografados de costas ou em contraluz. "Nesse aspecto, a situação piorou: hoje dificilmente se consegue que estas pessoas falem, mesmo nessas condições", diz Lino Maia.
    O que aconteceu? "As pessoas estão deprimidas", diagnostica o presidente da Caritas. Elísio Estanque hesita em falar de um grupo social "doente". Mas acaba por assumir a expressão, para designar "o estado de segmentos da população que em duas décadas alimentaram expectativas fortíssimas e legítimas de mobilidade social ascendente e que agora caem na pobreza, sem perspectivas de retornar, sequer, à posição anterior". "É doentia", considera, a forma "envergonhada, calada e silenciosa" como esta frustração está a ser vivida por aqueles que ao mesmo tempo "encenam uma normalidade que já não existe".
    "Quando falam dos perigos da conflitualidade social, os agentes políticos só pensam nas manifestações de rua. Esquecem que esta forma de sofrimento é uma outra forma de conflitualidade, muito mais corrosiva, muito mais destruidora da afirmação do sujeito na sua relação com os outros", alerta o sociólogo.
    Elísio Estanque considera que "não estão a ser devidamente avaliados os custos, a médio prazo, de uma sociedade doente, incapaz de responder às necessidades do país". Eugénio Fonseca, da Caritas, recorre à experiência de contacto com estes grupos, no terreno, para avisar que, "só do ponto de vista da saúde pública, os custos já serão tremendos". "Não há dados, não há estudos, ainda está tudo a acontecer. Mas temo bem, devido a alguns casos concretos que conheço, que estes "novos pobres", com qualificações superiores e sem perspectivas de recuperar o estatuto social perdido, sejam os responsáveis pelo engrossar das estatísticas do consumo de ansiolíticos e até de suicídios", avisa o presidente da Caritas.
    O próprio Elísio Estanque prepara um trabalho académico nesta área, centrado nestes segmentos "que caíram um ou dois degraus na pirâmide social". Afirma que não quer ser dramático e que "confia na capacidade da sociedade de se regenerar", mas em relação à forma como tal acontecerá não arrisca qualquer hipótese. Tem "poucas ou nenhumas dúvidas", no entanto, "de que as consequências serão gravíssimas no que respeita ao acentuar das desigualdades entre ricos e pobres" – "Nesse aspecto, não sei como é que se pode evitar um retrocesso".


Publicado por Xa2 às 13:34 de 30.01.12 | link do post | comentar |

12 comentários:
De Comércio-Generosidad à custa dos pobres. a 6 de Fevereiro de 2012 às 09:46
UE vai rever o sistema de vantagens comerciais/ Taxas de import. mas
Comissão Europeia deixa muito a desejar, visto que nem privilegia os países mais pobres nem salvaguarda devidamente os interesses da indústria europeia, incluindo a portuguesa.
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Striking the right balance on trade access
(-By Vital Moreira - 02.02.2012 )

A European Commission revision of trade privileges risks harming poor countries both inside and outside the EU.
The EU has, for the past 40 years, given trade advantages to developing countries via its Generalised System of Preferences (GSP). This system is now up for review with, for the first time, the European Parliament and the Council of Ministers both having equal decision-making rights.

The guiding philosophy of the GSP has been to help poorer countries, by giving them privileged access to the EU's markets. To reflect the differences in wealth between developing countries, the GSP consists of three different schemes.

The Commission's proposals for the standard GSP regime are welcome. The Commission wants to tighten the conditions for eligibility in order to “focus on those [countries] in need”. Accordingly, countries with upper-middle income (as defined by the World Bank) will cease to benefit from the GSP. This is a sensible and necessary suggestion since the self-proclaimed developing countries include countries such as Russia and Saudi Arabia that no longer need unilateral trade preferences to gain access to the European market.

But the Commission's review does not strike the right balance of privileges for the two other schemes.

The second arrangement, GSP+, grants ‘vulnerable' developing economies additional preferences, in the form of duty-free and quota-free access for an extended list of products, provided they commit themselves to ratifying and implementing international conventions on human and labour rights, on the environment and on governance. The third category, comprising the least-developed countries (LDCs), benefit from the ‘Everything but Arms' regime, an even more generous regime under which all goods except arms and ammunitions enter the EU duty-free and quota-free.

Any changes that the EU makes to these categories should have two objectives. First, they should concentrate trade preferences on poorer countries, particularly the LDCs. Second, they should avoid doing significant harm to EU industry, particularly in member states that are struggling to remain afloat in the face of fierce competition from developing economies with low wages and low social standards. Unfortunately, the proposal of the Commission fails to secure either objective.

At fault are two proposals. While tightening conditions for the GSP regime, the Commission wants to ease the conditions for reclassification as a GSP+ country. As a result, some countries that are already competitive on the global market (such as Pakistan) would be able to place some of their exports on the European market on the same terms as enjoyed by LDCs. Since GSP+ countries and LDCs export many of the same products, the more developed countries will enjoy most of the benefits at the cost of the poorest. How does this serve the guiding purpose of privileging the poor?

As if this were not enough, the Commission is also proposing to get rid of the ‘graduation clause', under which an industrial sector of a GSP+ beneficiary country loses preferences when it reaches a certain level of competitiveness. This is the only mechanism that would safeguard the competitiveness of LDCs' exports. The Commission's proposal will therefore once again give the more competitive developing economies a greater advantage over the poorest countries.

This will also have an impact on growth and job creation in the EU. The more open-handed the GSP+ is, the more its cost will be borne by the less wealthy countries of the Union. In particular, the withdrawal of the ‘graduation clause' could devastate a number of EU industries, including textiles.

Even with the reduction in the number of countries eligible, the EU's GSP will still be the most ambitious and generous in the world. We should ensure that the EU's trade policy does more good than harm, inside and outside the EU's borders.
© 2012 European Voice.


De .Retrocesso social e civilizacional. a 1 de Fevereiro de 2012 às 11:15

Presidente do Supremo defende direitos

«"Defender que não há direitos adquiridos
é dizer que todos eles, mas todos podem ser atingidos, diminuídos ou, no limite, eliminados;
ou seja, é admitir o regresso ao tempo das ocupações, das auto-gestões ou do confisco porque estamos perante direitos adquiridos alteráveis perante situações excepcionais".

Noronha do Nascimento elegeu hoje o tema dos direitos adquiridos no seu discurso da abertura solene do ano judicial.
Sem nunca se referir directamente aos cortes salariais na função pública, previstos no Orçamento do Estado para 2012, nem aos cortes já realizados em 2011,o presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) afirmou que
"não se nega que em situações excepcionais possa haver situações excepcionais", mas acrescentou que
nem só "as pensões fixadas ou os salários estabilizados" são direitos adquiridos.
Ou seja, há outros, igualmente importantes, e a partir do momento em que se abre uma excepção,
abre-se também a porta a muitas outras.» [Jornal de Negócios]

Parecer do Jumento :
Há quem confunda direitos adquiridos com oportunismos adquiridos.


De .Perdidos entre Bruxelas e S.Bento... a 1 de Fevereiro de 2012 às 15:05
Nem todos estão perdidos em Bruxelas

Ao ver um directório governando a Europa, retirando-nos quaisquer condições de crescimento económico, e a insistência alemã em destruir a soberania dos endividados, talvez cheguemos à conclusão de que

teremos de regressar aos três "D" do 25 de Abril. Democracia, desenvolvimento e descolonização.
Só que desta vez os descolonizados seremos nós.

Rui Tavares, Público.

Portugal está a perder muito mais do que a sua autonomia financeira com o pedido de resgate.

O País está a abdicar de ter qualquer objectivo na política europeia que não seja o de ouvir a satisfação de Berlim com o esforço que está a ser feito em Lisboa.

Luís Rego, Diário Económico.
(-por João Rodrigues , Ladrões)


De .e a Dívida alemã à Grécia.?! a 1 de Fevereiro de 2012 às 15:09

A dívida alemã,
por Manuel António Pina
por Sérgio Lavos

"Gostaria de ver os arautos dos "mercados" que moralizam que "as dívidas são para pagar" (no caso da Grécia, com a perda da própria soberania) moralizarem igualmente acerca do pagamento da dívida de 7,1 mil milhões de dólares que, a título de reparações de guerra, a Alemanha foi condenada a pagar à Grécia na Conferência de Paris de 1946.

Segundo cálculos divulgados pelo jornal económico francês "Les Echos", a Alemanha deverá à Grécia em resultado de obrigações decorrentes da brutal ocupação do país na II Guerra Mundial 575 mil milhões de euros a valores actuais (a dívida grega aos "mercados", entre os quais avultam gestoras de activos, fundos soberanos, banco central e bancos comerciais alemães, é de 350 mil milhões).

A Grécia tem inutilmente tentado cobrar essa dívida desde o fim da II Guerra. Fê-lo em 1945, 1946, 1947, 1964, 1965, 1966, 1974, 1987 e, após a reunificação, em 1995. Ao contrário de outros países do Eixo, a Alemanha nunca pagou. Estes dados e outros, amplamente documentados, constam de uma petição em curso na Net reclamando o pagamento da dívida alemã à Grécia.

Talvez seja a altura de a Grécia exigir que um comissário grego assuma a soberania orçamental alemã de modo a que a Alemanha dê, como a sra. Merkel exige à Grécia, "prioridade absoluta ao pagamento da dívida."


De .Ai se eu ti pego (desgovernante)... a 1 de Fevereiro de 2012 às 11:08

Ai se eu ti pego

Quando uma política económica em vez de procurar o bem-estar dos cidadãos visa empobrece-los,
quando a sua justificação é feita com base em falsidades e manipulações da informação orçamental,
quando os sacrifícios resultantes dessa política são distribuídos em função de critérios eleitorais e
quando se busca o apoio através da manipulação das opiniões promovida por patrões da comunicação social sem princípios ou escrúpulos,
essa política económica mais cedo ou mais tarde conduzirá ao conflito social, fragmentará a base de apoio do governo e conduzirá à sua queda.

O aspecto mais indigno da política económica de Vítor Gaspar, para além da falta de legitimidade política, da pouca consideração demonstrada pela soberania nacional e da destruição da sociedade portuguesa que está nos seus pressupostos,
é a falsa acusação aos portugueses, melhor, à classe média e aos mais pobres,
de que consumiram acima das suas possibilidade e agora devem espiar os seus pecados, cabendo a um economista de formação cristã o controlo da penitência a que deverão ser sujeitos.

Não foram os filhos dos banqueiros que escolheram as melhores estâncias de neve, viajaram em executiva, alugaram carros de luxo e ficaram nos melhores hotéis que consumiram recursos acima do que o país podia.
Foi a cabeleireira ou o funcionário público que ousaram ir num avião atafulhado passar uma semana na República Dominicana que consumiram os parcos recursos nacionais.
Não foram os gestores, que agora apelam à reintrodução do ESCLAVAGISMO em part-time, que comeram à grande e à francesa nos restaurantes de luxo por conta dos cartões Visa das empresas
e contando com essas despesas para reduzir os impostos que consumiram em excesso,
foram os pensionistas que recebem quatrocentos ou quinhentos euros que ousaram visitar uma grande superfície e tiraram por algumas vezes a barriga da miséria.

A canalhice deste governo na condução da política económica é tão grande e revela um tal desprezo que ao mesmo tempo que
adoptam mais medidas de austeridade para compensarem falsos desvios ou os que resultam da incompetência de Vítor Gaspar, vão distribuindo benesses e ordenados chorudos pelos seus.
A podridão moral chega ao ponto de um velho guloso justificar a fortuna que vai receber na EDP com o efeito redistributivo dos impostos que vai pagar.

Esperemos que um dia destes os portugueses não perceberam o logro em que caíram, se isso suceder é muito provável que
muitos milhares decidam ir cantar o “ai se eu ti pego” à frente do ministério das Finanças
e o ministro terá de pedir a uma auxiliar que vá à loja mais próxima comprar fraldas descartáveis, o que não seria o primeiro a encomendar estes recados, em tempos havia um que encomendava preservativos.

(- OJumento, 31.1.2012)


De .Agradecido p.desemprego de 2/3 !! a 31 de Janeiro de 2012 às 10:51
Especial agradecimento ao Dr. Gaspar pela sua política de empobrecimento do país.

Conforme o título, através desta agradeço ao sr. dr. Gaspar e ao sr. dr. Coelho pela sua política.
Cá por casa, desde ontem, oficialmente já temos mais um desempregado.
De 3 possíveis activos, apenas um, para já, mantém o emprego.

Caros senhores dótores. Gaspar e Coelho, em meu nome e da minha família o meu eterno reconhecimento, lembrem-se que só falto eu !


(- Carlos Alberto , Janeiro 05, 2012 , http://cadsf.blogspot.com/ )


De .FALÊNCIA de Famílias, Empresas, Estado. a 2 de Fevereiro de 2012 às 10:02
Famílias em falência

As insolvências das famílias decretadas pelos tribunais apresentam um ritmo de crescimento elevado.

O máximo histórico até à data de 3.839 famílias falidas ocorreu entre Janeiro e Setembro de 2011 equivalendo a 14 famílias/dia.

Estes números ultrapassam já as falências das empresas (3.264).

As expectativas para o ano de 2012 apresentam-se bem negras atendendo aos cortes de salários e pensões, que atingem um grande número de famílias, à elevação dos preços e ao desemprego.

Muitas são já as casas entregues aos bancos e famílias inteiras a recorrer às refeições sociais. E atenção esta situação atinge uma vastidão de pessoas, muitas que nunca pensaram na vida ser possível defrontar-se com esta realidade, por exemplo, quadros técnicos.

Etiquetas: Famílias, Insolvência
(# posted by Joao Abel de Freitas , PuxaPalavra, 1.2.2012)


De .Carvalho da Silva (sindicalista e ...) a 30 de Janeiro de 2012 às 16:31
O que podemos esperar de Carvalho da Silva?
(-por Daniel Oliveira)

Ninguém pode negar o que, em 25 anos de liderança, Manuel Carvalho da Silva fez pelo sindicalismo português e pela CGTP.
Não conseguiu estancar o refluxo que o sindicalismo vive em Portugal, semelhante ao que conhecem muitos países do Ocidente.
Especialmente grave num País onde, depois de meio século de ditadura, os sindicatos livres se implantaram tardiamente.
Mas deu à organização com mais filiados em Portugal um outro papel político.
Credibilizou a CGTP e garantiu-lhe, com todos os constrangimentos inevitáveis, algum grau de autonomia e decapacidade agregadora.
Uma organização com dezenas de uniões e federações e centenas de sindicatos não vive do seu líder.
Mas, pelo menos na imagem pública da Intersindical, Carvalho da Silva conseguiu muito mais do que, há duas décadas, poderíamos esperar.

Esperemos que o novo coordenador, muito mais dependente da direção do PCP, muito mais marcado na sua imagem e muito menos consensual na central, consiga aproveitar este legado.
Espero que Arménio Carlos saiba que a "unidade na ação" depende mais de práticas quotidianas do que de apelos públicos.
Tem como primeira tarefa conseguir o consenso dentro de casa.
Acredito sinceramente que se consiga moldar à enorme responsabilidade que tem pela frente.

Perante a violência do ataque que os trabalhadores portugueses estão a sofrer, o vergonhoso colaboracionismo de João Proença e a fragilidade dos restantes movimentos sociais, não me posso dar ao luxo de ser pessimista nesta matéria.

Eletricista e sindicalista, Carvalho da Silva não descurou, nos anos em que liderou a CGTP, a sua formação académica e ideológica.
Não se trata de um pormenor biográfico.
Também foi esse seu empenhamento pessoal, a que não parecia obrigado, em garantir que o seu peso intelectual e político não dependeria exclusivamente do lugar que ocupava, que lhe valeu uma crescente simpatia, mesmo fora dos círculos sindicais.
Isso, a heterodoxia e abertura do seus discurso e um sentido tático muito apurado.

Da sua clarividência táctica foi exemplo o encontro que teve com os senhores da troika, para lhes dizer, olhos nos olhos, aquilo que defendia e aquilo que não aceitava.
Ao contrário do que alguns pensavam, esse gesto deu-lhe mais, e não menos, autoridade para se opor ao que veio depois.
Carvalho da Silva percebeu que entre a capitulação e a cegueira há um espaço de luta que procura maiorias sociais.
Penso que não exagero se disser que é hoje o ativista político à esquerda mais respeitado em Portugal.
Por os que, como eu, se consideram próximos da sua tradição política, e por outros bem mais distantes do seu percurso.

Depois de 25 anos de liderança da CGTP e tantos outros de sindicalismo, Carvalho da Silva entrará numa outra fase da sua vida pessoal, pública e política.
Caberá apenas a ele decidir o que fazer com a sua vida.
No entanto, quem leu as suas entrevistas com atenção terá percebido que não tenciona desperdiçar este património.
Faz bem.
A esquerda, no estado comatoso em que se encontra, não pode desperdiçar a sua experiência e o seu capital de simpatia.
Sem messianismos ou cultos de personalidade (dispensam-se sempre, e Carvalho da Silva nem sequer tem, felizmente, esse perfil), o seu espaço de influência ultrapassa largamente a organização de que é militante e é transversal a todos os partidos e movimentos sociais de esquerda.
Não me recordo de mais nenhum ator político capaz de recolher apoios e simpatias em franjas importantes do PCP, do BE e do PS, em abstencionistas e descontentes, em sindicatos tradicionais e movimentos mais ou menos espontâneos de contestação.

Não sei o que Carvalho da Silva quer fazer depois de terminada esta longa fase da sua vida.
Acredito que não tencione reformar-se da vida pública ou procurar um refúgio confortável.
Não sei se esperará por umas eleições presidenciais, o que me pareceria pouco e demasiado distante para o estado de emergência em que nos encontramos. Sei que, seja qual for o papel que reserve para si próprio, não deve desperdiçar a sua capacidade de construir pontes entre todos os que convictamente olham para o caminho deste país com indignação e desespero.

Repito: ...


De .CGTP e Carvalho da Silva (...?). a 30 de Janeiro de 2012 às 16:35
.
O que podemos esperar de Carvalho da Silva?
(-por Daniel Oliveira)

...
Repito:
a esquerda não precisa de messianismos nem de homens providenciais. Isso é mais apanágio da direita portuguesa e nem ela hoje os encontra. Mas precisa da experiência e da militância cidadã deste homem. Não por ele. Mas pelas experiências e pela cidadania que ele pode mobilizar. E pela tolerância, espírito unitário e inteligência política que tem demonstrado. Como cidadão, espero que a política possa vir a contar com ele.

Publicado no Expresso Online
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Por muitas e justas (?) críticas que possam existir à actuação da CGTP/sindicatos e de Carvalho da Silva, a maioria dos trabalhadores por conta de outrém devem estar-lhe/s agradecidos pois, sem o seu sindicalismo, estariam bem pior e há muito mais tempo.
Sim, há que melhorar a actuação sindical, sindicalizar mais, reivindicar/manifestar e negociar melhor...
mas não é anulando o sindicalismo ou confiando apenas na UGT (dominada pelo centrão de interesses no Poder) e nos partidos, que os trabalhadores melhoram (ou evitam piorar mais) a sua situação.
Quanto às posições dos partidos da direita/ neo-ultra-liberais e seus mandaretes e capatazes ... é 'normal' que não consigam 'engolir' o Carvalho da Silva e temam que ele ainda se torne um líder capaz de ajudar a 'virar isto'...
Por mim, acompanho os votos de D.O..
Zé T.


De Contra Monstruosidade economico-social a 30 de Janeiro de 2012 às 16:48

Líder da CGTP diz que acordo de concertação social é uma "monstruosidade"
28.01.2012 - Por PÚBLICO

O novo secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, classificou como “inadmissível” e uma “monstruosidade económica e social” o recente acordo de concertação social, o qual deverá ser combatido "antes de ser aprovado".

( http://economia.publico.pt/Noticia/armenio-carlos-1531190 )


De .org.Cívicas e Sindicais: MOBILIZAR. a 30 de Janeiro de 2012 às 15:25
Economia, Política e Sociedade - de Portugal à Europa e à CGTP...

Na passada 3ªfeira, o Wall Street Journal escrevia, na página 5, que
um segundo "resgate" da dívida era o desenvolvimento mais provável para a economia portuguesa.
Citando o ex-ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, em declarações sobre o facto das medidas de austeridade não dependerem exclusivamente do desempenho nacional relativamente aos compromissos internacionais assumidos,
o artigo foi ilustrado com uma imagem dos conflitos que marcaram a última manifestação pública dos "indignados" em Lisboa, cuja legenda assinalava, na iniciativa, a presença de um grupo de extrema-direita.

Referindo que as palavras de Christine Lagarde, do FMI, esclarecem o curso da economia da zona euro (apesar das palavras do Primeiro-Ministro Passos Coelho sobre o estado do país que "não precisa de mais dinheiro"), o texto continuava numa expressiva configuração da imagem real da crise aos olhos dos investidores e, obviamente, dos mercados...
no dia seguinte, 4ªfeira, os noticiários, na Finlândia, abriram com destaque para a afirmação do risco de diminuição do rating da Espanha, Itália, Bélgica, Eslovénia e Chipre (ler aqui), para, em seguida, a televisão finlandesa transmitir, com um imenso e variado número de depoimentos directos, uma
reportagem impressionante sobre a pobreza na IRLANDA onde jovens, idosos e adultos em idade activa assumiam, entre expressões de MEDO e de REVOLTA, a insustentabilidade económica e social do DESEMPREGO e das medidas de austeridade, ilustrada com imagens de um significativo número de "NOVOS SEM-ABRIGO"...

Contudo, apesar de todos os sinais e de todas as evidências, a orientação política EUROPEIA persiste INCAPAZ de encontrar respostas sérias à situação EXPLOSIVA que, diariamente cresce no "velho continente", como o comprovam as previsões da próxima reunião de líderes (ler aqui)...
por tudo isto, a devolução da esperança e da confiança aos cidadãos encontra-se reduzida à capacidade que as organizações CÍVICAS e SINDICAIS tiverem de definir e apresentar propostas eficazes e alternativas
vocacionadas para a revitalização económica, capazes de MOBILIZAREM as pessoas para a defesa do direito ao TRABALHO e à DIGNIDADE social, no quadro dos direitos dos trabalhadores que não podem, nem devem!, continuar a ser hipotecados -
designadamente porque está mais que provado que não é aí que reside qualquer hipótese de solução para a crise
(a este propósito vale a pena acompanhar o desenvolvimento da Carta Reivindicativa da nova liderança da CGTP).

(-por AnaPaulaFitas, 29.01.2012, ANossaCandeia http://anapaulafitas.blogspot.com/ )


De .Trabalhadores conscientes eCGTP lutarão a 30 de Janeiro de 2012 às 15:29
De CGTP lutará a 30 de Janeiro de 2012 às 15:04
CGTP vai entregar carta reivindicativa ao Governo
Documento prevê medidas em 15 sectores

(-Por 2012-01-28, http://www.agenciafinanceira.iol.pt/economia/cgtp-congresso-cgtp-medidas-cgtp-carta-reivindicativa-crise-governo/1321005-1730.html )

O XII Congresso da CGTP (Intersindical) aprovou este sábado por unanimidade uma carta reivindicativa que prevê medidas em 15 áreas de cariz económico, social e laboral que será entregue ao Governo e ao patronato. Também já foi aprovado o documento programático da Intersindical, agora liderada por Arménio Carlos, para os próximos quatro anos.

A «Carta Reivindicativa de Todos os Trabalhadores» propõe a valorização dos direitos dos trabalhadores como factor de progresso social e rejeita a desregulamentação laboral e o retrocesso social.

Para criar emprego e combater o desemprego, a CGTP quer que sejam implementadas medidas que garantam o crescimento económico. Medidas estas que, segundo a central, iriam contribuir para a redução do défice, que seria uma forma de responder à crise da dívida soberana.

Nesta matéria concreta, a Intersindical defende ainda a redução dos prazos, dos juros e dos montantes do empréstimo acordado com a troika.

Na Carta é também defendido o combate à economia clandestina, a efectivação do direito de contratação colectiva, o combate à precariedade laboral, a melhoria dos salários e uma mais justa repartição da riqueza.

É igualmente reivindicado o respeito pelo tempo de trabalho, a redução progressiva do horário de trabalho para as 35 horas semanais como forma de promover a conciliação entre a vida profissional e a vida privada, lê-se no documento, citado pela Lusa.

A garantia de um sistema público solidário e universal de segurança social, como instrumento para assegurar a coesão da sociedade é outra das reivindicações apresentadas no documento.

CGTP preparada para «todas as acções de luta»

Os sindicalistas assumiram, no congresso, o compromisso de defender as funções sociais inscritas na Constituição da República e os serviços públicos enquanto factor de desenvolvimento e coesão social.

Na resolução aprovada, a Intersindical condena «veementemente o paradigma do Estado neoliberal que o Governo do PSD/CDS procura impor» ao país.

Ao aprovarem esta resolução, os delegados ao congresso declararam-se disponíveis para «todas as acções e luta» em defesa de uma Segurança Social pública solidária e universal, um Serviço Nacional de Saúde (SNS) universal e gratuito e uma escola pública com qualidade.

Foi igualmente aprovada uma resolução em defesa da alteração às políticas económicas e sociais seguidas pelo actual Governo.

«O programa do Governo, cujas medidas integram, completam e aprofundam o memorando de entendimento com a troika, assim como a própria acção governativa, constituem instrumentos internos da política neoliberal que, para satisfazer as exigências dos grupos económicos e financeiros, impõem cada vez mais sacrifícios aos trabalhadores e à generalidade da população».

E, depois, «as medidas de austeridade são desastrosas, não resolvem a crise da dívida nem nenhum dos problemas com que o país está confrontado, antes o agrava».

Nota ainda para o facto de a CGTP prever 100 mil novas adesões à Intersindical até 2016.

«A situação exige uma resposta articulada e concretizada a um só tempo: a acção sindical integrada entre a organização e a acção reivindicativa nos locais de trabalho».


Tags: CONGRESSO CGTP, MEDIDAS CGTP, CARTA REIVINDICATIVA, CRISE, GOVERNO, CGTP


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