"Custe o que custar", iremos pagar (-por Sérgio Lavos)
«Um "default" é acidente. Dois já é uma crise sistémica. Quem o diz é Matthew Lynn, presidente executivo da Strategy Economics, sublinhando que Portugal voltará a ter um importante papel no palco mundial. Mas pela negativa. Ao Negócios, diz que o incumprimento português é inevitável. "É apenas uma questão de tempo". (...)
“A Grécia já estoirou – e o seu incumprimento está já descontado pelo mercado. Mas Portugal está precisamente na mesma posição (…). Está também a resvalar para um inevitável ‘default’ das suas dívidas – e quando isso acontecer, vai ter um efeito devastador para a moeda única e infligir danos ao sistema bancário europeu, que poderão revelar-se catastróficos”, escreve Lynn, autor de dois livros de economia: "The Billion-Dollar Battle: Merck v. Glaxo and Birds of Prey: Boeing v.Airbus" e Bust: Greece, the Euro and the Sovereign Debt Crisis.
O analista e consultor britânico compara a situação de Atenas e de Lisboa, destacando que “Portugal - um dos países mais pobres da União Europeia, com um PIB per capita de apenas 21.000 dólares, significativamente abaixo dos 26.000 dólares da Grécia – fixou metas de redução do seu défice de 4,5% em 2012 e de 3% em 2013”.
“Então e como está a sair-se?”, questiona-se. E responde: “Quase tão bem como a Grécia – ou seja, nada bem. Prevê-se que a economia grega registe uma contracção de 6% este ano e Portugal não fica muito atrás – o Citigroup estima que a economia ‘encolha’ 5,7% em 2012 e mais 3% em 2013”. (...)
“O resultado qual será?”, pergunta. E volta a responder: “Os objectivos de redução do défice não vão ser cumpridos. No início deste mês, o governo reviu em alta a previsão do défice, de 4,5% para 5,9% do PIB este ano. Se a experiência grega for válida, esta meta continuará a ser revista em alta. A economia encolhe, cada vez mais pessoas transitarão para a economia subterrânea para sobreviverem e o défice continuará a crescer”.
“Em resposta, a União Europeia exige mais e mais austeridade – o que significa, muito simplesmente, que a economia continuará a contrair-se ainda mais. É um círculo vicioso. Se alguém souber como sair dele, então está a guardar o segredo para si próprio”, comenta Lynn. (...)
“E isso é importante”, sublinha. Isto porque, adianta, a crise grega poderia até ser vista como um caso especial. “Mas não a de Portugal. Não houve ‘manipulação’ nos números [Portugal] não registou défices excessivos – com efeito, quando caminhávamos para a crise de 2008, o País apresentava défices de menos de 3% do PIB, bem dentro das regras impostas pela Zona Euro. Não era irresponsável*. O problema, muito simplesmente, é que Portugal não conseguiu competir no seio de uma moeda única com economias muito mais fortes. Agora, o País está a mergulhar numa depressão em toda a escala – tão má como o que se testemunhou nos anos 30 [Grande Depressão] – devido à união monetária”.
“Vai ser tão grave como na Grécia. E talvez até pior”, vaticina.» No Jornal de Negócios.
Forte com os fracos, fraco com os fortes (-por Sérgio Lavos)
Uma vez mais, iremos assistir ao financiamento da banca pelo Estado. O mesmo
Estado que está a despojar os contribuintes de parte dos serviços que lhe compete assegurar - na Saúde, na Segurança Social e na Educação -, aumentando no mesmo passo impostos. Os
bancos portugueses, cujos rendimentos vêm em parte do dinheiro que lá depositamos, tiveram prejuízo em 2011, mas rapidamente anunciaram que
irão recapitalizar-se recorrendo ao fundo do Estado destinado a esse efeito. O
Governo que anda a privatizar empresas lucrativas - no caso da EDP e da REN, não foram privatizações, mas sim transferências de bens do Estado português para o Estado chinês -
financia ao mesmo tempo os prejuízos de empresas privadas.
O nosso capitalismo continua a ser sui generis: não existe verdadeira concorrência em muitos sectores, as leis da oferta e da procura não funcionam, e, se por acaso há prejuízos, resultado das decisões dos gestores que estão à frente dos bancos, o Estado chega-se à frente e dá uma esmolinha. De milhões. Que, vá lá, sejamos demagógicos, saem do nosso bolso.
Na Irlanda, foi esta receita que levou à crise de financiamento e depois económica.
Na Islândia, o contraponto a este tipo de política, foi uma posição de força irmanada do poder do povo que acabou com o regabofe do financiamento da banca pelos impostos dos contribuintes privados. Várias instituições que se tinham envolvido durante anos em jogadas financeiras altamente
especulativas foram deixadas falir, os seus responsáveis foram ou estão a ser julgados, e o primeiro-ministro que deixou o país ir à bancarrota também
foi incriminado pelas decisões tomadas. Ah, e o
pagamento da dívida islandesa aos seus credores está suspenso, até que o país recupere. E está a recuperar, com um crescimento da economia que já chegou aos 3%.
Por cá, Passos Coelho promete continuar com a austeridade, "custe o que custar". Aos bancos, claro está, não irá custar assim tanto. Com uma condução destas, alguém achará ainda que o desastre é evitável?
De Raposas, vampiros, polvos ... bestas $$. a 6 de Fevereiro de 2012 às 14:18
Ajuda ( " ")
Depois de ter fugazmente passado pelo FMI, o antigo funcionário da Goldman Sachs – “gigantesca lula-vampiro enrolada na cara da humanidade, com o seu tubo de sucção alimentar incansavelmente fossando em busca de tudo o que lhe cheire a dinheiro” –
vem ajudar as várias lulas-vampiro a acabar de sugar o país:
António Borges vai liderar equipa que supervisiona as privatizações.
(-por João Rodrigues , 3.2.2012, Ladrões)
------- meirelesportuense disse...
Ora aí está mais um Tubarão - estes não emigram, regressam -
a mostrar a dentição para a lauta refeição que se prepara ser servida aos Privados ...
Estou a ficar sem paciência e como eu, se calhar muitos mais...
Eles que se ponham a pau, que de repente as coisas podem aquecer:
"E quando se julgarem bem seguros, cercados de bastões e fortalezas, hão-de ruir em estrondo os altos muros e chegará o dia das surpresas..."
----- Orlando Gonçalves disse...
Face ao seu percurso profissional e político,ésta decisão de o pôr a chefiar o processo das privatizações
é como põr uma raposa a guardar um galinheiro....
------ João Menezes disse...
Meus caros, não exagerem! !
o homem que foi corrido do FMI e estava no desemprego apenas agarrou um taxozito... como diz o outro : "foi ao pote"...
------ Hoje, a Manuela no debate com o Vieira dizia que
a classe média que não pagava pelos serviços públicos tinha de começar a pagar para que os "pobrezinhos" pudessem ter serviços gratuitos e condignos.
Porra !
então levam-me quase metade do orenado dos meus impostos e ainda me dizem que tenho que pagar outra vez poque não pago nada?
------- D., H disse...
(Ainda sobre o lula e o polvo…)
Eis finalmente o assalto final ao pote.
Sob o manto ideológico, a clientela de eleição do PSD e muleta prepara-se para tomar conta dos lugares de decisão (e de favor) do que resta do sector público.
Nesta fase interessa muito pouco que receitas vão gerar as famigeradas privatizações.
A julgar pelas da EDP e da REN, não dão para tapar o maior buraco, quanto mais para amortizar efectivamente uma impagável dívida…
Uma certeza:
os utentes do serviço público já estão a perder, os seus trabalhadores estão na calha para o mesmo.
------- meirelesportuense disse...
Goldman Sachs a matriz do monstro...
Se alguém acredita em quem vem daqueles lados, ou é inocente ou maldoso...
Criaram o Monstro e agora distribuem-se pelo Mundo a sugar o sangue fresco da manada...
São os Vampiros da Era actual, mas atenção em Portugal são muitos - que me desculpem os vampiros originais -, muitíssimos,
recordem o Beleza...Gordo, careca, mas de olhos vidrados nas veias do Povo !
O Aleixo tem razão, "aquele ar polido e de competência aparente" é só para enganar as vítimas, como o Lobo no conto do Capuchinho Vermelho...
------- meirelesportuense disse...
Lagarde na Arábia Saudita para pedir fundos, para o Fundo (FMI) !... O Fundo está garantidamente, sem fundos!
Estará a ser mal gerido?
Estarão viciados - Passos deve achar que sim - no recurso ao Crédito?...
Aqui o Passos deve dizer coisa um pouco diferente, apostam?
-E agora, será que os Sauditas também impõem condições económicas e políticas ao FMI?...
De .Atrasada: Renegociação da Dívida... a 6 de Fevereiro de 2012 às 14:50
O inevitável afinal é inviável
por Sérgio Lavos, Arrastão
"O quê ?? Reestruturação da dívida ? Nunca !!
Isso é coisa de comunas, do BE e do Sócrates !
As dívidas são para se pagar, e não para se ir pagando..."
Confirma-se:
o que seria a boa solução há um ano, será agora a única solução possível, com todas as implicações que isso terá.
Um ano perdido a acelerar contra a parede, com milhões de euros a mais pagos em juros aos nossos credores, a economia de pantanas e os portugueses muito mais pobres.
De .. a 6 de Fevereiro de 2012 às 15:29
Novos Ditadores com excepções bancárias.
Passos Coelho no seu melhor
"Custe o que custar" disse Passos Coelho sobre o cumprimento do acordo com a Troíka.
Não gostei de tamanha insistência.
Depois de alguma volta à minha cabeça lembrei-me que esta era uma frase dita e repetida por gente célebre normalmente ditadores.
E não é que Passos Coelho limitou-se a repetir uma frase do ditador espanhol, o generalíssimo Franco como ficou conhecido na história quando no princípio da guerra civil de Espanha ainda estava no Norte de África afirmou que a guerra era para levar até ao fim, derrotar os republicanos.
E face a uma pergunta incómoda de um jornalista que lhe disse "vai ter que matar metade dos espanhóis" para isso.
Franco responde indirectamente, é para levar até ao fim "custe o que custar".
Passos Coelho está nessa, menos para a banca, que já prometeu negociar prazos com a Tróika para o cumprimento de certas cláusulas.
"Custe o que custar" sim menos para a banca.
(# posted by Joao Abel de Freitas, PuxaPalavra, 2012.2.5)
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