De .Desaparecer a Classe Média... e equilib a 13 de Fevereiro de 2012 às 11:32
“A classe média está a ponto de desaparecer, como factor de equilíbrio indispensável da nossa sociedade”
-- • Mário Soares, Cimeira quase inútil:

‘E Portugal? Devo reconhecer que a DEGRADAÇÃO da situação portuguesa me preocupa imenso.
Sei que o atual Governo tem apenas um pouco mais de seis meses de vida. E, como diz o povo, "Roma e Pavia não se fizeram num dia".
Mas é PERIGOSO não ter uma estratégia clara, quanto ao futuro, para dar alento aos portugueses, na situação tão difícil em que se encontram. Ora, o Governo, parece tão-só OBEDECER à troika.
A qual, aliás, se comporta, sem pudor, como se fosse ela a governar. Não é.
Porque cumprir o acordo assinado é uma coisa; ultrapassá-lo, modificá-lo, segundo os interesses e ir além dele, para agradar ou ser "bom aluno", é outra, muito diferente.
Portugal, para além de não deixar de ser um Estado soberano, deve comportar-se como tal. Sobretudo, quando está em jogo a defesa dos INTERESSES portugueses.
É óbvio que a austeridade é necessária, mas está longe de ser tudo. Hoje, todas as pessoas, com bom senso, reconhecem que sem pôr um travão à RECESSÃO e ao DESEMPREGO não iremos a parte nenhuma. (…)

A CLASSE MÉDIA está a ponto de DESAPARECER, como factor de equilíbrio indispensável da nossa sociedade.
Os cortes no Serviço Nacional de Saúde e noutras conquistas sociais são tremendos para os desempregados ou para os pensionistas com pouco dinheiro.
É, por isso, indispensável valer às PESSOAS em estado de verdadeira NECESSIDADE, custe o que custar, como disse o primeiro-ministro, a respeito do cumprimento das instruções da troika.
Porque a troika tem na sua estrutura representantes de três instituições, duas das quais já não pensam só na austeridade, mas também no crescimento e na criação de mais EMPREGO. São o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu.
Portanto, as instruções da troika vão necessariamente mudar. É uma questão de tempo.

Sempre fui CONTRÁRIO, neste momento de crise, a fazer PRIVATIZAÇÔES. Mas já se fizeram duas, sem qualquer debate prévio e sem se saber o que o Estado português ganhou com elas.
Foram, aliás, verdadeiras nacionalizações feitas por empresas de Estados que não primam, por ser democracias.
O que ganhou com isso o povo português? E Portugal? Era importante sabê-lo.
Julgo que o Governo não quer destruir o nosso Estado, não só no plano económico como também geoestratégico. Mas é isso o que parece.

É, pois, necessário que o Governo - não obstante a legalidade que tem, vinda do voto popular - e os partidos que o compõem expliquem claramente ao nosso povo para onde o conduz a política até agora seguida.
Será que em vez de emagrecer o ESTADO, como disse querer fazer, está pura e simplesmente a DESTRUÍ-lo? Que tremenda responsabilidade !
Note-se que, ao contrário do que se diz, há muito dinheiro a circular e a ir para o estrangeiro. Mas não se sabe como nem por quem.
É como a economia paralela. Com os cortes cegos, o dinheiro esvai-se sem se saber como nem porquê...’

(-por Miguel Abrantes em 7.2.12 CamaraCorporativa)


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