De .Cegueira ou Finança assassina . a 14 de Fevereiro de 2012 às 12:20
A cegueira que mata
(-por Daniel Oliveira, Arrastão 14.2.2012, e Expresso online)

Wolfgang Münchau é um perigoso radical que escreve num jornal obscuro dirigido por anarquistas, socialistas e mais uns tantos irresponsáveis: o Financial Times. Para piorar a coisa, é alemão. Suspeito, portanto.

Ontem, Münchau juntou a sua voz à de mais uns tantos economistas sem mais credenciais do que umas medalhinhas suecas que têm lamentado a irresponsabilidade europeia na sua relação com a crise grega e portuguesa.

Gente que não acompanha a profundidade teórica e a sofisticação política dos nossos Eduardo Catroga, Cantiga Esteves, Medina Carreira e tantos teleconomistas doutorados na arte de explicar a crise ao povo e às crianças com metáforas domésticas e aforismos em saldo.

Diz Wolfgang Münchau que a Grécia e Portugal deveriam entrar em default e continuar no euro.
O louco contraria a nova tese em voga: correr os gregos do euro e, quem sabe, usar o dinheiro para salvar Portugal.
Supõem-se que, para depois da graça, aplicar a mesma terapia que deixou a Grécia em coma. Percebe-se o raciocínio:
como escrevi esta semana no "Expresso", nos últimos dois anos a banca francesa e alemã conseguiu livrar-se da dívida grega, a que estava muito exposta. E a Europa limitou os riscos de contágio grego para todo o sistema financeiro.
Agora está disposta a abandonar a Grécia na beira da estrada.
Ou a Grécia leva até às ultimas consequências mais um pacote de austeridade e morre no hospital ou sai do euro e morre em casa.
Como disse o ministro da Economia alemão, Philipp Rösler, "o dia D mete cada vez menos medo".
Não podia ser mais claro sobre a forma como a Alemanha olha para os problemas das suas "provícias".

Não faltará quem veja com bons olhos, em Portugal, esta saída:
ficar com os despojos gregos. Triste ilusão.
Ou se trava este caminho ou teremos, daqui a um ou dois anos, o mesmo tratamento.

E como vamos com um bom avanço - somos o país em processo de "resgate" a afundar-se mais depressa - o colapso acontecerá num instante.
Os fortes, quando julgam zelar pelos seus interesses, costumam ter igual compaixão pelos que lhes são subservientes e pelos que lhe fazem frente. Nenhuma.

A proposta de Wolfgang Münchau é outra:
gregos e portugueses entram em default, pondo fim a estes resgates absurdos para impedir um incumprimento inevitável.
Reforça-se o fundo de resgate do euro para reerguer as economias da Grécia e de Portugal e estanca-se, com coragem, a doença, impedindo que ela continue a alastrar.
Será caro, diz ele. Mas muito mais barato do que continuar a enterrar país atrás de país.

Münchau, talvez tomado por um profundo chavinismo anti-germânico, acusa os líderes europeus de "arrogância e ignorância".
De, sem qualquer experiência na gestão de crises financeiras, nunca se terem dado ao trabalho de consultar quem, em décadas anteriores e noutras partes do Mundo, tenha passado por crises destas.
E explica o óbvio:
não só o novo pacote de austeridade grego não vai resultar como é muito improvável que venha a ter condições políticas para ser aplicado.

Uma sondagem recente revelou que a maioria dos alemães quer a Grécia fora do euro.
Não entendem que isso será o principio do fim do euro.
Porque a Grécia é o sintoma, não é a doença.
E que sem euro a economia alemã pode começar a despedir-se dos seus anos gloriosos (pouco sentidos pelos trabalhadores alemães, diga-se de passagem).

A cegueira não é responsabilidade do alemão comum, que não tem obrigação de compreender as complexidades desta crise.
É do populismo mediático, político e académico que está a estupidificar a Europa.
E a matá-la.


De . Custo demasiado NÃO ! a 14 de Fevereiro de 2012 às 14:14
«Custe o que custar»
...
Será este o único e inevitável caminho? Custe o que custar terá de haver outro rumo esse sim gerador de esperança e capaz de dar sentido aos inevitáveis sacrifícios.

Esse outro rumo é colocar o crescimento e o emprego como primeira prioridade não só na agenda do Governo mas como um desígnio da comunidade nacional.

Custe o que custar é necessário dar crédito às empresas que estão a morrer por falta de procura ou por falta de financiamento às encomendas que recebem; custe o que custar é necessário que a energia e a logística estejam ao serviço das empresas e não de interesses particulares; custe o que custar é necessário que o sistema fiscal seja um instrumento de crescimento económico e não uma forma de continuar a esbulhar sempre os que trabalham; custe o que custar é necessário desburocratizar e colocar a Administração ao serviço do crescimento económico. Desenvolveremos estes temas em próximo artigo.»
[DE] Basílio Horta.


De Colaboracionistas, títeres e capatazes. a 14 de Fevereiro de 2012 às 14:19
Nem bom vento, nem ...
...
Os tempos são difíceis, mas como escreveu Sá de Miranda somos gente de “antes quebrar que torcer”.
No passado, o COLABORACIONISMO não deu bons resultados. No presente também não dará, certamente.

PS – A manifestação de sábado à tarde, que encheu o Terreiro do Paço, é um sinal importante da crescente disponibilidade dos portugueses para exprimirem o seu DESCONTENTAMENTO com as medidas de austeridade do governo.
A CGTP e o PCP são as únicas forças políticas capazes de levar à rua, com pujança, o inconformismo e o descontentamento, já que o PS tarda em encontrar o seu espaço na oposição.
Não ganham um único voto com isso, como as últimas eleições legislativas o demonstraram, depois das memoráveis manifestações dos professores, porque não entendem o que move a sua actual base social de apoio.
Mas sem o PCP e o seu braço sindical, a CGTP, a nossa democracia era mais pobre e vulnerável do que já é.»

[i], Tomás Vasques.


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