De Propaganda agitação 'jornalísta'-Jumento a 5 de Março de 2012 às 13:54
Francisco Almeida Leite, cronista governamental no DN

Francisco Almeida Leite seria considerado um jornalista exemplar se a avaliação fosse feita pelo Luís Duque e trabalhasse na RTP, o jornalista considera o governo uma entidade acima da Nossa Senhora da Conceição e possuidor de uma verdade absoluta e inquestionável.


A última vez que este cronista governamental com gabinete no DN escreveu uma verdade oficial foi num dia de greve dos transportes, nesse dia coube-lhe encher a primeira página com uma manchete digna da contra informação de uma política: "Trabalhadores não pagam medicamentos e recebem baixa por inteiro". Portanto, no dia em que esses trabalhadores estavam em greve o DN decidiu chamar-lhes chulos na primeira página. A coisa foi tão vergonhosa que até o provedor do jornal não se sentiu bem e terá vomitado depois de "provar" aquela notícia.

Mas alguém pensa que o cronista se sentiu incomodado? Nem por isso, porque para o homem o que governo lhe manda escrever é a verdade absoluta. Por este andar ainda canonizam o Pinochet e algum jornalista do DN se lembra de o propor para santo protector dos jornalistas portugueses.

Vale a pena ler o artigo de opinião de Óscar Mascarenhas, provedor do leitor do DN, com o título "Contraditório para quê se a fonte da notícia foi alguém do Governo?".

«Ainda não tinha aberto o DN online de 21 de fevereiro, terça-feira de Carnaval, e já um leitor "meio ensonado" me alertava para a manchete do jornal: "Trabalhadores dos transportes não pagam medicamentos e recebem baixa por inteiro." O leitor, AJF, que me escrevera "às 5 e 43" da manhã, declarava-se "incrédulo": "Sou funcionário da CP e não tenho essas benesses (nem outras que alguns jornais têm vindo a anunciar)."

A manchete saía no primeiro dia de uma greve de trabalhadores da CP e do metro de Lisboa.

Pouco depois, chegava-me outro e-mail: "Os trabalhadores dos transportes nem têm medicamentos gratuitos nem recebem o salário quando estão de baixa", escreveu o leitor MH. "Nisso são iguais a todos os restantes trabalhadores. Não sei quem deu essas informações, o certo é que o DN não se preocupou sequer em confirmar as mesmas."

Solicitei esclarecimentos à Direção do DN, que remeteu as explicações para o autor da notícia, Francisco Almeida Leite, o qual respondeu: "A notícia a que se refere o provedor é de interesse público manifesto. Nesse dia realizava-se mais uma greve na CP, daí que o dever de informar os nossos leitores sobre as regalias e benefícios dos trabalhadores de algumas empresas de transportes seja mais do que óbvio. [...]"

O jornalista acrescenta: "Sobre o conteúdo da notícia por mim redigida e assinada, reafirmo a sua veracidade e faço notar que as queixas ao provedor são apresentadas através de duas cartas anónimas que pretendem pôr em causa o trabalho de um jornalista sénior da casa. Os dados que constam da notícia fazem parte de um documento interno do Governo, usado pela tutela no desempenho da sua ação política. A sua divulgação não era suscetível de obter um contraditório junto dos sindicatos porque a matéria que ali está vertida faz parte dos acordos de empresa. Quem tiver dúvidas sobre o assunto, faça o favor de consultá-los. O DN pensa no interesse dos leitores, milhares dos quais são utentes da CP e de outras transportadoras também referidas no texto, e têm o direito de conhecer as regalias e benefícios que ali vigoram e que todos nós pagamos com os nossos impostos. O dever do jornalista é divulgá-los, sobretudo num tempo em que, por exemplo, são cortadas isenções de taxas moderadoras a idosos que têm dificuldades graves no acesso à saúde, comparticipações em remédios de doentes crónicos em fase terminal ou prestações sociais como sejam complementos de reforma. Por muito que isso custe a certos leitores anónimos."

Preciso, desde já, esclarecer que os dois leitores que citei se identificaram perante mim de modo suficiente, não podendo ser considerados anónimos. Não dou atenção a correspondência anónima. No caso, fui eu que guardei a confidencialidade das suas identidades - e dispenso-me de explicar porquê.

Confesso que a resposta de Francisco Almeida Leite me deixou perplexo porque conseguiu a proeza de não me dar um único argumento jornalístico ...


Comentar:
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres