É preciso empobrecer mais e muitos porque...

O enriquecimento de alguns é a miséria de muitos

São só 7 mas ganham mais do que 12.500. Aqueles são os administradores da EDP a quem o governo obedece. Estes são os portugueses do salário mínimo, licenciados ou de poucas letras que, como às classes médias, o governo trata por cima da burra. A quem corta salários, férias, acessos à saúde e ao ensino, lança no desemprego e convida a que emigrem, reduzidos pelo governo a hodiernos servos da gleba .
     Os 7 membros do Conselho de Administração da EDP receberam, o ano passado, 6 milhões e 90 mil euros. O que de acordo com as contas do CM corresponde a mais do que 2.569 salários mínimos, em Portugal.
Só o presidente da elétrica nacional, António Mexia, aquele Sr que mandou o Sr. Passos Coelho demitir o Secretário de Estado da Energia porque o estava a incomodar, auferiu 1,04 milhões de euros em remunerações em 2011. São 2.859 euros por dia o que lhe dá em dois meses e meio o que um trabalhador de salário mínimo ganharia em 40 anos de actividade. O que ganhará a minha amiga Dalila, socióloga, caixa no Pingo Doce, se não mudarmos Portugal, ou ela não mudar de emprego. 
        Da remuneração - diz a notícia do jornal de escândalos - 712 mil euros referem-se à remuneração fixa, ou seja, ao salário. Os outros 331 mil euros respeitam à remuneração variável, isto é, a prémios por terem sido atingidos os objetivos.
Mas falta somar o prémio trianual, correspondente ao mandato, que lhe dará, por ano, mais umas centenas de milhar de euros.
     A mesma fonte que, de acordo com o relatório e contas, entregue à CMVM, o presidente do CA da EDP conseguiu mesmo arrecadar a classificação de «excelente» ou «acima das expetativas» por parte do Conselho Geral e de Supervisão, agora dirigido pelo Senhor Eduardo Catroga que ganha pelo seu trabalho de avaliar o Senhor Mexia, 45 mil euros por mês.
     Que estes senhores não recusem estes salários e os achem merecidos num país em que 11% dos trabalhadores ganham o salário mínimo (485 € por mês) eu compreendo. É da natureza humana. Agora que o Governo, o Sr Passos Coelho e c.iª, permita isto, é que é assunto de todos nós, que deveríamos rapidamente libertar o país de um governo que considera ser sua missão obrigar os trabalhadores e as classes médias a pagar os milhares de milhões de euros de dívidas do Estado e dos bancos. Dívidas que serviram para enriquecer uma multidão de amigos e a aristocracia do dinheiro recriada após os anos de susto da revolução de Abril.  

      Perguntará o leitor mas que temos nós ou o governo a ver com a remuneração destes senhores, para mais empregados de uma empresa privada? É assunto - dir-se-á - apenas entre a empresa, os seus accionistas e estes, certamente excelentes, gestores. 
     Temos, de facto, todos a ver com isto. Por muitas razões. Uma delas é que estes milhões são pagos por nós na conta de electricidade a uma empresa que vende o seu produto praticamente em regime de monopólio. Depois porque a EDP goza de apoios do Estado (pagos por nós através dos impostos) muito para além do que seria legítimo e justificável. Foi aliás a tentativa do Secretário de Estado da Energia de acabar com tal escândalo que levou Passos Coelho a demiti-lo.
  -- Mas que pode, o governo fazer, sem subverter a boa ordem democrática e capitalista ? 
Pode fazer o que fizeram os presidentes dos Estados Unidos da América, Franklim D. Roosevelt (1933-45) e Eisenhower (1953-61) na sequência da grande depressão de 29, criaram escalões de impostos no equivalente ao nosso IRS, até 80% e Eisenhower, depois, até 90% para as remunerações "obscenas" e criaram impostos sobre o património da cúpula super-milionária. Isto é, redistribuiram parte da riqueza nacional do EUA tirando aos ultramilionários parte do que tinham sugado ao mundo do trabalho e às classes médias e devolvendo àquele e a estas, parte da riqueza que eles próprios tinham criado
     Manuseando a útil e legalíssima arma dos impostos é possível, sem ofensa da ordem capitalista, reduzir um salário obsceno de 100 mil euros mensais a uns honestos e muito razoáveis 10 mil euros, por exemplo e reduzir as aristocráticas remunerações invisíveis da gentinha das "grandes famílias", uns degraus acima destes felizes gestores, que recolhem por ano muitos milhões em dividendos.
     Mas Passos Coelho é um devoto da doutrina neoliberal e aplica-a com fervor, como um zeloso prosélito da religião dos mercados, redistribuido a riqueza nacional mas agora ao contrário, tirando aos que menos têm para enriquecer mais os que mais possuem.
     A pouco e pouco, demasiado lentamente para meu gosto, os eleitores perceberão o grande embuste que é esta governação do "simpático" rapaz do aparelho do PSD que subverteu o próprio PSD, conservador mas com matizes social-democratas e o transformou no partido extremista neoliberal que sofremos.                      (# posted by Raimundo Narciso, PuxaPalavra)


Publicado por Xa2 às 07:58 de 20.03.12 | link do post | comentar |

2 comentários:
De ACABAR com Carteis e 'mercado livre' a 20 de Março de 2012 às 15:13
O Passos candidato, o Passos primeiro-ministro e o preço dos combustíveis
(-por Sérgio Lavos, http://arrastao.org/2491753.html#comentarios 20.3.2012)

Quando José Sócrates era primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho indignava-se com o preço dos combustíveis e pedia uma descida urgente do imposto sobre os mesmos.
Agora que Passos Coelho é primeiro-ministro, está preocupado mas acha que pouco pode fazer, porque o mercado dita as regras e o Governo não pode intervir.
Parece impossível, mas os dois Passos - o candidato a primeiro-ministro e o primeiro-ministro - estão errados.

A proposta do candidato para resolver o PROBLEMA da CARTELização e ESPECULação das gasolineiras - baixar os impostos - não colhe na realidade.

Em meados de Janeiro deste ano, Portugal estava apenas no 11.º lugar entre os países da UE em termos de percentagem de imposto por cada litro de gasolina, com 55%, e em 9.º lugar ao nível do preço por litro deste combustível. No que diz respeito ao gasóleo, a discrepância é ainda maior: 17.º lugar nos impostos cobrados - 44% - e 10.º no preço por litro. Se cruzarmos estes dados com o o rendimento médio dos cidadãos da EU, aí deveremos estar muito mais acima, apenas ultrapassados pela... Grécia, curiosamente.
Pagamos muito mais do que a média da UE pelos combustíveis e certamente mais do nos países mais ricos.
Culpar o peso da carga fiscal no preço final dos combustíveis é pura ideologia, nada mais do que isso.

A escalada desde a liberalização dos preços dos combustíveis não tem paralelo.
A AUTORIDADE da CONCORRÊNCIA é um FANTOCHE das gasolineiras, NÂO EXISTE :
a cartelização é evidente;
a autoridade afirmar o contrário é gozar com a cara dos portugueses.
Como afirmou ontem o presidente do ACP, em 2008 o preço do barril do petróleo era 160 dólares; agora, está nos 125 dólares.
No entanto, os combustíveis neste momento estão muito mais caros do que há 4 anos.
Quem é que ganha com isto?
Sobretudo a Galp, que tem o MONOPÓLIO da refinação, através da Petrogal.
De ano para ano, apresenta LUCROS BRUTAIS, lucros esses que são distribuídos pelos accionistas.
Mas o problema não é haver lucro, isso não me incomoda, o problema é estes lucros serem conseguidos À CUSTA do EMPOBRECIMENTO dos portugueses e da DESTRUIÇÂO da ECONOMIA nacional - há cada vez mais empresas em dificuldades por causa do agravamento destes custos, sobretudo empresas de camionagem.

A segunda MENTIRA de Passos Coelho está portanto na afirmação de que nada pode fazer para mudar este estado de coisas.
PODE, a Galp é, maioritariamente, uma empresa pública.
E não é necessário descer os impostos - e assim o Estado obter menos receita fiscal.
Basta repôr o CONTROLO de PREÇOS.
Se as leis da concorrência não funcionam neste sector, se os preços não baixam quando o valor do crude desce, ACABE-SE com "o MERCADO LIVRE".

Ponto final.
Mas esperar que um Governo forte com os fracos e FRACO com os FORTES avance com esta medida é sonhar demasiado alto.
Quem votou neles, que os aguente.


De FALSO mercado livre e Falsa Democracia. a 20 de Março de 2012 às 15:21
------Anónimo
Se a palhaçada do (SUPOSTO) mercado LIBERALizado dos COMBUSTÍVEIS é esta que vemos, estou para ver o circo que será com a liberalização do mercado da energia ELÉCTRICA.

Aqueles que berram contra a intervenção do estado em monopólios naturais devem gostar que lhes vão ao c...arteira todos os meses.

É com estas situações que se vê que a bota não bate com a perdigota, ou seja, apregoam as virtudes da não intervenção mesmo quando esta claramente não funciona
(e mesmo assim continuam a teimar nas virtudes).

------- PJL
Um excelente exemplo para a miragem que o mercado livre representa em vários sectores da economia.
Todos sabemos que o mercado LIVRE idealizado por Adam Smith (entre outros) é continuamente CONTRARIADO pela dinâmica da CONCENTRAÇÂO do CAPITAL .
Aqueles que o defendem e, ao mesmo tempo, defendem o actual "estado de coisas", ou são ignorantes, ou são hipócritas (e ganham com essa defesa/afirmações).
Jamais os clássicos imaginaram que as suas ideias, assentes num espírito de comércio pautado por pequenos negócios (PMEs), fossem aproveitadas por aqueles que defendem este capitalismo aristocrático e ultra hierarquizado!
(é a OLIGARQUIA económica e FINANCEIRA que domina o/s país/es e as organizações Europeias e internacionais)

-------- Exilado no Mundo
"Quem votou neles, que os aguente"
O grande drama é que também aguenta quem não votou neles!


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