SER SOCIALISTA HOJE

Toda e qualquer organização que se prese é consubstanciada por princípios e persegue determinados objectivos.

Assim, pertencer a uma organização, eminentemente, de caris associativo, como é suposto que sejam os partidos políticos, deveria corresponder, muito naturalmente, a respeitar os primeiros e trabalhar, solidariamente, para alcançar os segundos.

No caso do Partido Socialista que tem um conjunto tão vasto de princípios, dispersos em 20 pontos, é natural mas pouco aceitável que os seus dirigentes e principais responsáveis se percam em tal emaranhado e que os militantes nem sequer os cheguem a conhecer a todos.

Recordo, aqui e agora, apenas, partes de dois desses princípios, inscritos na referida declaração

14. O PS apoia o desenvolvimento de acções que aprofundem a intervenção democrática dos trabalhadores na vida económica e social e a cooperação entre todos quantos, pelo trabalho, a iniciativa e o empreendimento, contribuem para a criação de riqueza e a promoção do bem-estar.

O trabalho não é apenas uma necessidade, nem é apenas uma mercadoria. No seu sentido mais pleno, o trabalho é um direito, o direito que tem todo e qualquer cidadão de assegurar a sua realização pessoal e o seu bem-estar pessoal e familiar, assim como de contribuir para o progresso e o bem-estar colectivo. Esse direito não pode ser negado; e a sua afirmação implica a protecção do trabalhador, sempre que a relação de trabalho for estruturalmente desigual.

20. O PS é um partido republicano, que emana dos cidadãos. Por isso, concebe a acção política como tarefa colectiva de mobilização de pessoas e grupos para o projecto da plena realização da democracia e da afirmação dos ideais da liberdade, da igualdade e da solidariedade. Por isso, é um partido plural, coeso e fraterno, aberto à comunicação permanente com as diferentes organizações e correntes de opinião que fazem a riqueza da sociedade civil, e assente na intervenção social e cívica dos seus membros, militantes e simpatizantes, cidadãos livres e activos unidos pela ampla plataforma política da democracia e do socialismo democrático.

Alguns dos militantes socialistas respeitam-nos por ser da sua natureza de gente cumpridora de direitos e obrigações, enquanto cidadãos e não por eles estarem inscritos na declaração (re)aprovada no XIII congresso realizado em 2002.

Perante tanta sacanagem do actual governo e considerando as respostas tão frouxas do PS como principal partido da oposição não admira que um considerável número de cidadãos, ainda que cultural e ideologicamente continuem a ser socialistas o deixaram de ser organicamente.

Será que se aproxima, cada vez mais, um tempo em que se generaliza aquela resposta que um dia Piteira Santos terá dado a Mário Soares quando este lhe perguntou: "Porque é que você não se inscreve no Partido Socialista?" Piteira, terá respondido; "Porque sou socialista."

Eu, ideologicamente, socialista me confesso… ainda que não seja fácil sê-lo nos tempos correntes



Publicado por Zé Pessoa às 14:04 de 09.04.12 | link do post | comentar |

1 comentário:
De Mudar a França e a UE ... e Portugal a 25 de Abril de 2012 às 19:03

Eleições presidenciais em França : Mudar a governação da UE...
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Hollande (3)
(-por Vital Moreira , CausaNossa)

...nos resultados da 1ª volta das presidenciais é a elevada percentagem do voto anti-europeísta na extrema-esquerda e na extrema-direita (30%).

A demonstraçao de força da "França do Não", boa parte da qual votará em Hollande, constituirá um (... factor ) para a política europeia do novo Presidente da República.

Hollande (2)

O problema de Hollande é que com a desconfiança que algumas das suas propostas podem criar nos mercados financeiros a França pode vir rapidamente a defrontar-se com um agravamento dos custos da sua elevada dívida pública,
obrigando-o a enveredar por um programa de austeridade orçamental que obviamente não está nos seus planos.

Hollande (1)

Tal como Seguro propôs em Portugal e depois propôs aos demais partidos socialistas europeus, também Hollande pretende complementar o « Pacto Orçamental da UE » com uma adenda sobre o investimento e o crescimento na Europa (sem porém pôr em causa a disciplina orçamental).

Como é óbvio, sendo eleito, tem outras condições políticas para lutar por esse objectivo.
Consegui-lo-á?


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