Segunda-feira, 23 de Abril de 2012

Portugal, onde o regime pressupostamente democrático se tornou, quase exclusivamente, numa partidocracia apodrecida está a constituir-se ao mesmo tempo um oásis para investidores especulativos e de cujos financiamentos, algumas vezes, parecem de origem duvidosa, tornou-se, também por isso, numa espécie de loja dos trezentos ou magazine chinês, tal é o número de empresas do estado a colocar no mercado.

Desde o sector dos transportes, aeroportos, águas, energia, correios, comunicação e imagem, tudo é colocado na feira das vaidades da economia neoliberal destes vendilhões de bens alheios que nos vão desbaratando o património que é nosso, o património nacional.

Segundo o representante do FMI em Portugal, as empresas portuguesas colocadas à venda pelo governo português são, dada a sua qualidade, atractivas aos interesses dos capitalistas internacionais que vêm potencialidades de geração de lucros elevados e de rápido retorno dos capitais investidos.

Deste modo, o tão almejado investimento estrangeiro, que os nossos actuais ministros tanto se esforçam em captar, mais parecendo caixeiros-viajantes do que dignos representantes dos interesses nacionais, do Estado e do povo português, será sol de pouca dura se o mesmo não acrescentar valor na economia nacional e vise apenas e só, como tudo parece evidenciar, obter empresas rentáveis cujos lucros passam a ser exportados espoliando dessa forma a economia nacional.

Assim, os senhores ministros, teleguiados pelos interesses partidocraticos, que no tem governado a coberto de uma suposta democracia mais não fazem que defender os interesses de seus senhores.

Portugal tem vivido sob um regime de democracia libertina em que a dita liberdade democrática não tem servido para mais do que lamuriar e enganar os falseados direitos constitucionais e de cidadania não exercida.

O povo tem sido levado ao engano e, parece que com gosto, se engana a si mesmo fingindo viver num regime democrático cuja realidade não passa de uma pornocracia em que os ditos representantes do povo se prostituem com quem explora o mesmo povo em nome de quem, dizem, governar.

Depois de amanhã, dia 25 de Abril, comemora-se a data do fim da ditadura, do fim do regime que governou este país durante 48 anos, mas só isso não há mais nada nem nenhuma razão para comemorar qualquer outra coisa. Tudo o mais o que há é necessidade de construir: a liberdade, , a responsabilidade, os direitos as obrigações, a cidadania e a democracia, só depois poderemos comemorar.

P.S.

Espero que os socialistas consigam, efectivamente, ganhar a presidência e, concomitantemente, o governo de França. Mas espero, mais ardentemente, é que esses socialistas assumam uma governação verdadeiramente socializante e de responsabilização, numa nova construção de um renovado e actualizado contrato social capaz de repor novamente a Europa na senda dos seus mais elementares e genuínos princípios culturais da igualdade, da fraternidade, da justiça social e económica e da paz.

 



Publicado por DC às 15:18 | link do post | comentar

2 comentários:
De Democracia? a 23 de Abril de 2012 às 23:31
Chamar ao actual parlamente (Assembleia da Republica) "a casa da democracia " é bem ilustrativo da democracia que temos. Aquela casa tornou-se num verdadeiro covil de prostitutos e prostituas travestidos/as pelos mais diversos promíscuos interesses.


De MoKa a 24 de Abril de 2012 às 15:51
»O povo tem sido levado ao engano e, parece que com gosto, se engana a si mesmo fingindo viver num regime democrático ...»
Pois aí é que está o busilis!
É que de democracia a única coisa a que se assemelha é o método de eleião dos governantes... e mesmo assim as condicionantes quer para a vaiabilização de novas forças políticas partidárias ou o acesso ao cidadão comum ao cargo de poder político está muito dificultado.
E, como se tem visto, ser eleito pelo método eleitoral «democrático» não faz do cidadão eleito um democrata! E ste é que tem sido o «matar« da democracia e do regime. É que só os «xicos espetos» tem tido acesso ao poder e as cunivências e telhados de vidro que todos estes cidadãos elegíveis têm, faz com que não vivamos em democracia mas sim numa espécie de salve-se quem puder.
Só há «bons» discursos quando se está na oposição... e actualmente já nem isso...
A democracia morreu. Paz à sua alma.


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