Há alternativas económico-políticas

          Perguntas de indignação

Hoje, no jornal Público, o economista e investigador Domingos Ferreira termina com estas perguntas o seu artigo intitulado "A desvalorização interna":
     Outro erro histórico será o de privatizar a Segurança Social e o Sistema Nacional de Saúde.

Estes senhores não sabem que nos EUA milhões de americanos perderam as suas poupanças e foram lançados na pobreza em resultado da falência de algumas companhias de seguros e de bancos?

Será que não sabem que uma em cada três famílias fica insolvente em resultado das elevadíssimas despesas do sistema de saúde privado americano?

Então não sabem que as despesas de saúde do tão "eficiente" sistema privado americano é duas vezes superior ao sistema de saúde público alemão ou sueco e três vezes superior ao Sistema Nacional de Saúde?

Porque insistem no erro?

Porque não reformam o cancro nacional que são as PPP?

Onde estão as reformas fundamentais para a modernização e revitalização da economia nacional?

Porque não abrem a economia fortemente oligopolizada e cartelizada à concorrência?

Porque não baixam os impostos às depauperadas pequenas e médias empresas?

Porque não introduzem moralidade no sistema e põem fim aos indevidos privilégios de alguns influentes?

Porque são sempre os mais vulneráveis a pagar?

Pois, disto nem se ouve falar.      

 

        Nuestros hermanos

Mas estas políticas de austeridade, com a baixa de salários, a diminuição da proteção social e os cortes do gasto público, estão a criar um problema gravíssimo que se chama Grande Recessão, causada pela enorme queda da procura interna e pela escassez de crédito, e que é a causa da diminuição da atividade económica e com isso da descida das receitas do Estado (e o consequente aumento do défice e da dívida pública).
 Vicenç Navarro sobre as causas reais da crise. Quem quiser saber mais sobre a frente espanhola da crise e da austeridade e sobre as alternativas para as superar deve ler o livro Hay alternativasque está disponível gratuitamente. De resto, e para escapar às vulgaridades quotidianas da sabedoria económica convencional em Espanha, é acompanhar os sítios de Navarro e de Torres López.

          Vencer a dividocracia  (-por Daniel Oliveira, Arrastão e Expresso online )

...

Só senti vontade de vos contar um pouco - muito pouco - da complexa situação islandesa - quase incompreensível para nós - quando li este título: "Deco recebe 15 pedidos de famílias aflitas com dívidas". O exemplo extremo da Islândia, onde as coisas atingiram, graças à deriva ultraliberal do anterior governo, proporções dantescas, e as feridas profundas que isso deixou na pacata sociedade islandesa, são uma excelente lição. A dívida tem uma natureza absolutamente diferente de todos os problemas sociais. Até em países que há muito não conhecem a pobreza e que, sejamos francos, continuam a nem a cheirar. Ela cria um ambiente de ansiedade insuportável. Mesmo quando não está a ser paga. E, mais importante do ponto de vista da saúde democrática, criam uma asfixiante sensação - a maioria das vezes é mais do que uma sensação - de perda de liberdade. É como viver com um cutelo sobre o pescoço. E ninguém é autónomo nas suas escolhas se passar uma vida à beira da morte.

 

A dívida e o desemprego são as duas mais eficazes armas sociais de destruição de uma democracia. Provocam, como a violência arbitrária e incontrolável, uma constante sensação de insegurança. Por uma questão de auto-preservação, têm de ser as duas principais prioridades de uma democracia.

O endividamento das famílias, das empresas e dos Estados tem servido para discursos simplistas, que ignoram a mutação que se operou no capitalismo desde os anos 80. Hoje, toda a economia e toda a sociedade vive para financiar a banca e os mercados financeiros em vez de acontecer o oposto. O que tem de acontecer para voltar a pôr as instituições financeiras no lugar que lhes tem de caber é global e exige uma extraordinária coragem política - aquela que nem aos islandeses está a chegar.

 

dividocracia - socorro-me do título de um documentário sobre a Grécia - é, depois das ideologias totalitárias dos anos 30, o mais poderoso instrumento de subjugação dos cidadãos e dos Estados a poderes não eleitos. Vencer a chantagem do poder financeiro - que alimenta a dívida e se alimenta da dívida - é, neste momento, a primeira de todas as batalhas de quem se considere democrata. É aqui que se fará a trincheira de todos os combates políticos deste início de século.



Publicado por Xa2 às 13:22 de 30.04.12 | link do post | comentar |

2 comentários:
De Tugas: Porcos magros e obesos ... a 2 de Maio de 2012 às 18:18
*Ponto da situação*
(- Crónica de Ricardo Araújo Pereira)

Passos Coelho bem avisou que iria fazer cortes na despesa.
Só não disse que era na nossa.
A nossa despesa com alimentação, habitação e transportes está cada vez menor...

Os portugueses vivem hoje num país nórdico:
pagam impostos como no Norte da Europa;
têm um nível de vida como no Norte de África.
Como são um povo ao qual é difícil agradar, ainda se queixam. Sem razão, evidentemente.

A campanha eleitoral foi dominada por uma metáfora, digamos, dietética:
o Estado era obeso e precisava de emagrecer.
Chegava a ser difícil distinguir o tempo de antena do PSD de um anúncio da Herbalife.
"Perca peso orçamental agora! Pergunte-me como!

O problema é que, ao que parece, um Estado gordo é caro, mas um Estado magro é caríssimo.
Aqueles que acusavam o PSD de querer matar o Estado à fome enganaram-se.
O PSD quer
engordá-lo antes de o matar, como se faz com o porco.
Ninguém compra um bácoro escanzelado, e quem se prepara para comprar o Estado também gosta mais de febra do que de osso.

Embora o nutricionismo financeiro seja difícil de compreender, parece-me que deixámos de ter um Estado obeso e passámos a ter um Estado bulímico.
Pessoalmente, preferia o gordo.
Comia bastante mas era bonacheirão e deixava-me o décimo terceiro mês (o actual décimo segundo mês e meio, ou os décimos terceiros quinze dias) em paz.

Enfim, será o preço a pagar por viver num país com 10 milhões de milionários.
Talvez o leitor ainda não tenha reparado, mas este é um país de gente rica:
cada português tem um banco e uma ilha.
É certo que é o mesmo banco e a mesma ilha, mas são nossos. Todos os contribuintes são proprietários do BPN e da Madeira.

Tal como sucede com todos os banqueiros proprietários de ilhas, fizemos uma escolha:
estes são luxos caros e difíceis de sustentar.
Todos os meses, trabalhamos para sustentar o banco e a ilha, e depois gastamos o dinheiro que sobra em coisas supérfluas, como a comida, a renda e a electricidade.

Felizmente, o governo ajuda-nos a gerir o salário com inteligência.
Pedro Passos Coelho bem avisou que iria fazer cortes na despesa.
Só não disse que era na nossa, mas era previsível.
A nossa despesa com alimentação, habitação e transportes está cada vez menor.

Afinal, o orçamento gordo era o nosso.
Agora está muito mais magro, elegante e saudável.
Mais sobra para o banco e para a ilha.



De http://esquerda-republicana.blogspot.pt/ a 30 de Abril de 2012 às 16:55

Liberal Insurgente

Ao ler uma discussão na caixa de comentários do Insurgente, a propósito da oposição de Ricardo Lima (e Miguel Noronha nos comentários) à ocupação da Escola da Fontinha, encontrei palavras de alguém que assina como JoanaOutono que traduzem aquilo que sinto em relação àquele blogue e aos seus autores:

«Na cabeça de um liberal insurgente, o Estado está lá apenas para punir exemplarmente, seja de que modo for.
A única liberdade que conhecem é a liberdade de ter.
A única iniciativa privada que conhecem é a de ter mais.
A única função do estado que conhecem é a de proteger à bastonada o que têm e o que querem ter.
Por isso é que ficam neste alvoroço quando suspeitam da liberdade dos outros.»

Para ser sincero, conheço o blogue e seus autores apenas superficialmente, mas precisamente porque, em relação ao que conheci, fiquei com a percepção acima descrita.
O Blasfémias ainda tem um ou outro que parecem ter um genuíno apreço à liberdade, mesmo que desses também discorde significativamente em relação a vários assuntos.

-------------
O Insurgente & etc.

Eu não acho que os neoliberais tenham apreço pela liberdade, ou deixem de ter. Nem acho que os neoliberais tenham uma filosofia. A "filosofia" deles é a "filosofia" da Ayn Rand: possidónia, lambida, infantil, pomposa e dramática. Há 14 anos a ouvi-los aqui no Texas, todos os dias, há muito que deixei de considerar "as ideias" da direita neo-liberal como uma coisa séria. Os argumentos deles são argumentos de miúdos com uma idade mental de sete anos. São contra ou a favor do estado consoante a discussão em que se empenham em cada dado momento. Quando se apanham no governo gastam mais que os socialistass, apertam os direitos dos cidadãos o mais que podem, impõem as ideias da semana com uma raiva evangélica e um desprezo total pela democracia ou pela liberdade. Não há lógica no discurso deles, nem regras, nem coerência interna. Por isso é tão cansativo lê-los e ouvi-los, ou tentar discutir com eles. O discurso da direita neo-liberal é um discurso fora da lógica e das regras do discurso intelectual. Não vale a pena lê-los nem ouvi-los. ...
--------------
Contas furadas


Este texto de Paulo Morais exprime bem parte daquilo a que me refiro quando escrevo que «[Passos Coelho] não preside a um governo que ponha em prática as políticas e valores da «direita liberal». Lutarei politicamente contra tais políticas, mas não me revolta visceralmente que alguém que prometeu concretizá-las o faça: é o seu mandato democrático. Aquilo que verdadeiramente me indigna é a avassaladora onda de corrupção, desperdício»

Felizmente, não é só a mim. Eis um destaque do dito texto:

«Além do mais, Gaspar falhou as promessas de cortar nas enormes gorduras do Estado, de terminar com os negócios em que o Estado favorece os grupos económicos do regime e de combater a corrupção. Gaspar não renegociou as escandalosas parcerias público-privadas, para não incomodar as concessionárias. Não reestruturou a dívida pública, o que pouparia milhares de milhões, optando por continuar a favorecer os bancos. As finanças nem sequer ousaram reduzir os valores de alugueres e rendas de favor que o Estado paga pelas suas instalações, muito acima do valor de mercado.

Até agora, os únicos beneficiários destas políticas desastrosas são os grupos económicos do regime, que continuam, intocáveis, a lambuzar-se na gamela do Orçamento do Estado. Está pois na hora de mudar de políticas nas finanças e trocar de protagonista.»

http://esquerda-republicana.blogspot.pt/2012/04/contas-furadas.html#comment-form

-----------------
xatooApr 26, 2012 11:53 AM
amanhã, a não perder,
vai-se fazer um debate sobre as mentiras da dívida com Charles-André Udry, António Garcia Pereira e Renato Guedes.
O CADPP convida todos os interessados a assistirem e participarem neste debate que visa expôr as mentiras da dívida, tais como esta "ser de todos


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