2 comentários:
De Tugas: Porcos magros e obesos ... a 2 de Maio de 2012 às 18:18
*Ponto da situação*
(- Crónica de Ricardo Araújo Pereira)

Passos Coelho bem avisou que iria fazer cortes na despesa.
Só não disse que era na nossa.
A nossa despesa com alimentação, habitação e transportes está cada vez menor...

Os portugueses vivem hoje num país nórdico:
pagam impostos como no Norte da Europa;
têm um nível de vida como no Norte de África.
Como são um povo ao qual é difícil agradar, ainda se queixam. Sem razão, evidentemente.

A campanha eleitoral foi dominada por uma metáfora, digamos, dietética:
o Estado era obeso e precisava de emagrecer.
Chegava a ser difícil distinguir o tempo de antena do PSD de um anúncio da Herbalife.
"Perca peso orçamental agora! Pergunte-me como!

O problema é que, ao que parece, um Estado gordo é caro, mas um Estado magro é caríssimo.
Aqueles que acusavam o PSD de querer matar o Estado à fome enganaram-se.
O PSD quer
engordá-lo antes de o matar, como se faz com o porco.
Ninguém compra um bácoro escanzelado, e quem se prepara para comprar o Estado também gosta mais de febra do que de osso.

Embora o nutricionismo financeiro seja difícil de compreender, parece-me que deixámos de ter um Estado obeso e passámos a ter um Estado bulímico.
Pessoalmente, preferia o gordo.
Comia bastante mas era bonacheirão e deixava-me o décimo terceiro mês (o actual décimo segundo mês e meio, ou os décimos terceiros quinze dias) em paz.

Enfim, será o preço a pagar por viver num país com 10 milhões de milionários.
Talvez o leitor ainda não tenha reparado, mas este é um país de gente rica:
cada português tem um banco e uma ilha.
É certo que é o mesmo banco e a mesma ilha, mas são nossos. Todos os contribuintes são proprietários do BPN e da Madeira.

Tal como sucede com todos os banqueiros proprietários de ilhas, fizemos uma escolha:
estes são luxos caros e difíceis de sustentar.
Todos os meses, trabalhamos para sustentar o banco e a ilha, e depois gastamos o dinheiro que sobra em coisas supérfluas, como a comida, a renda e a electricidade.

Felizmente, o governo ajuda-nos a gerir o salário com inteligência.
Pedro Passos Coelho bem avisou que iria fazer cortes na despesa.
Só não disse que era na nossa, mas era previsível.
A nossa despesa com alimentação, habitação e transportes está cada vez menor.

Afinal, o orçamento gordo era o nosso.
Agora está muito mais magro, elegante e saudável.
Mais sobra para o banco e para a ilha.



De http://esquerda-republicana.blogspot.pt/ a 30 de Abril de 2012 às 16:55

Liberal Insurgente

Ao ler uma discussão na caixa de comentários do Insurgente, a propósito da oposição de Ricardo Lima (e Miguel Noronha nos comentários) à ocupação da Escola da Fontinha, encontrei palavras de alguém que assina como JoanaOutono que traduzem aquilo que sinto em relação àquele blogue e aos seus autores:

«Na cabeça de um liberal insurgente, o Estado está lá apenas para punir exemplarmente, seja de que modo for.
A única liberdade que conhecem é a liberdade de ter.
A única iniciativa privada que conhecem é a de ter mais.
A única função do estado que conhecem é a de proteger à bastonada o que têm e o que querem ter.
Por isso é que ficam neste alvoroço quando suspeitam da liberdade dos outros.»

Para ser sincero, conheço o blogue e seus autores apenas superficialmente, mas precisamente porque, em relação ao que conheci, fiquei com a percepção acima descrita.
O Blasfémias ainda tem um ou outro que parecem ter um genuíno apreço à liberdade, mesmo que desses também discorde significativamente em relação a vários assuntos.

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O Insurgente & etc.

Eu não acho que os neoliberais tenham apreço pela liberdade, ou deixem de ter. Nem acho que os neoliberais tenham uma filosofia. A "filosofia" deles é a "filosofia" da Ayn Rand: possidónia, lambida, infantil, pomposa e dramática. Há 14 anos a ouvi-los aqui no Texas, todos os dias, há muito que deixei de considerar "as ideias" da direita neo-liberal como uma coisa séria. Os argumentos deles são argumentos de miúdos com uma idade mental de sete anos. São contra ou a favor do estado consoante a discussão em que se empenham em cada dado momento. Quando se apanham no governo gastam mais que os socialistass, apertam os direitos dos cidadãos o mais que podem, impõem as ideias da semana com uma raiva evangélica e um desprezo total pela democracia ou pela liberdade. Não há lógica no discurso deles, nem regras, nem coerência interna. Por isso é tão cansativo lê-los e ouvi-los, ou tentar discutir com eles. O discurso da direita neo-liberal é um discurso fora da lógica e das regras do discurso intelectual. Não vale a pena lê-los nem ouvi-los. ...
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Contas furadas


Este texto de Paulo Morais exprime bem parte daquilo a que me refiro quando escrevo que «[Passos Coelho] não preside a um governo que ponha em prática as políticas e valores da «direita liberal». Lutarei politicamente contra tais políticas, mas não me revolta visceralmente que alguém que prometeu concretizá-las o faça: é o seu mandato democrático. Aquilo que verdadeiramente me indigna é a avassaladora onda de corrupção, desperdício»

Felizmente, não é só a mim. Eis um destaque do dito texto:

«Além do mais, Gaspar falhou as promessas de cortar nas enormes gorduras do Estado, de terminar com os negócios em que o Estado favorece os grupos económicos do regime e de combater a corrupção. Gaspar não renegociou as escandalosas parcerias público-privadas, para não incomodar as concessionárias. Não reestruturou a dívida pública, o que pouparia milhares de milhões, optando por continuar a favorecer os bancos. As finanças nem sequer ousaram reduzir os valores de alugueres e rendas de favor que o Estado paga pelas suas instalações, muito acima do valor de mercado.

Até agora, os únicos beneficiários destas políticas desastrosas são os grupos económicos do regime, que continuam, intocáveis, a lambuzar-se na gamela do Orçamento do Estado. Está pois na hora de mudar de políticas nas finanças e trocar de protagonista.»

http://esquerda-republicana.blogspot.pt/2012/04/contas-furadas.html#comment-form

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xatooApr 26, 2012 11:53 AM
amanhã, a não perder,
vai-se fazer um debate sobre as mentiras da dívida com Charles-André Udry, António Garcia Pereira e Renato Guedes.
O CADPP convida todos os interessados a assistirem e participarem neste debate que visa expôr as mentiras da dívida, tais como esta "ser de todos


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