De .indignidade 3ºmundista ! a 2 de Maio de 2012 às 13:57
Todos ao 1º de Maio do Pingo Doce !
(-por Daniel Oliveira, Arrastão)

Dia 1 de Maio. As imagens na televisão são o retrato de um país que vive em degradação evidente.
Milhares de pessoas invadem os supermercados do Pingo Doce. Confusão, incidentes, cenas de pancadaria, polícia de choque em algumas lojas, prateleiras vazias, saque de produtos alimentares.
A Jerónimo Martins ofereceu descontos de 50% para quem fizesse compras superiores a 100 euros.

Num dos feriados que ainda eram respeitados pelas grandes superfícies, a filantrópica família Soares dos Santos, a que, nos intervalos de lições de responsabilidade aos nossos governantes procura e encontra esquemas para fugir ao fisco, a que, descobrindo que os seus mal pagos funcionários estão na miséria lhes dá umas esmolinhas em géneros, assinala assim o dia do Trabalhador.
É esta a nossa elite económica:
tudo o que represente a dignidade de quem trabalha merece dela um olímpico desprezo.

No mesmo dia em que Passos Coelho tem, como única mensagem a dar aos portugueses, o anúncio de que o desemprego, que já atingiu recordes nunca vistos, vai continuar a aumentar, muitos portugueses dedicaram o seu dia à corrida às compras.
Não os condeno.
Quando não há dinheiro um desconto destes, com venda de produtos abaixo do preço de custo (dumping quase sempre pago pelos fornecedores) faz diferença.
E não é seguramente por consumismo que alguém se planta, às 4 da manhã, à porta de um supermercado.

Nada obrigava a Jerónimo Martins a fazer esta promoção neste dia.
Mas a pobreza tem mais força que a repressão.
Enquanto as pessoas lutam para comer não lutam por direitos.
Nenhuma ditadura conseguia resumir um dia de resistência àquelas imagens degradantes.
O que ficará do 1º de Maio de 2012 em Portugal é isto: um povo a esbofetear-se por um desconto em comida.
Uma empresa que é incapaz de compreender qualquer ideia que se assemelhe a "dignidade".
Um poder político que nos atirou para este humilhante retrato terceiro mundista.


De Mortos-vivos-estúpidos-provocadores-... a 2 de Maio de 2012 às 14:04
O dia dos mortos-vivos
(-por Sérgio Lavos, Arrastão)

A rede de mercearias que recentemente decidiu mudar a sua sede fiscal para a Holanda teve um dia em cheio.
Numa PROVOCAÇÂO aos sindicatos que convocaram uma greve, decidiu oferecer cinquenta por cento de desconto aos clientes que fizessem compras de cem euros.
O departamento de marketing do grupo está de parabéns: a maioria das lojas ficou em estado de sítio com a horda de zombies consumistas que esvaziaram prateleiras e lutaram por um pedaço do sonho proporcionado pelo magnânimo Alexandre Soares dos Santos, um dos pais da pátria.
Estão todos bem uns para os outros:
a rede de mercearias pode até ter tido prejuízo hoje - a prática de DUMPING (venda de produtos abaixo do preço de custo) é probida por lei mas ninguém reclamou;
contudo, a publicidade gratuita que está a conseguir irá repercurtir-se por muitos dias.
Para além disso, parte do PREJUÍZO será assumido pelos FORNECEDORES/ produtores - cada campanha dos grandes grupos é sempre em parte financiada por quem coloca lá os seus produtos, numa perversão das leis da concorrência que torna a posição negocial destes grupos incontestável.

Mas também os zombies estão de parabéns:
os milhares (milhões?) de clientes que hoje gastaram dinheiro em mercadorias a granel - é para isso que estes estímulos ao consumo desenfreado servem - não chegarão a perceber que parte daquilo que compraram não era absolutamente necessário e por isso viverão felizes na IGNORÂNCIA dos ESTÚPIDOS.

Mas os sindicatos que andaram a fazer campanha contra as cadeias de hipermercados que abriram também não ficam bem na fotografia.
A verdade é que os trabalhadores desta rede vão receber a triplicar e terão um dia de férias a mais.
E o "POVO", essa entidade que, quando quer, sabe comportar-se como uma HORDA de ZOMBIES, esteve literalmente a borrifar-se para a crise e para os direitos dos trabalhadores.
As coisas são como são.

Mas tenhamos uma coisa em mente:
nas alegorias políticas em forma de filme de zombies de George Romero, os mortos-vivos acabam quase sempre por ganhar consciência e tomar conta de tudo.
Os neoliberais contentinhos com o êxito passageiro de Soares dos Santos poderão ser os humanos do futuro, carne para os zombies de agora.
Nada dura para sempre.

Adenda:
parece que falta uma coisa muito simples a quem critica o Pingo Doce:
uma tomada de posição sobre a cadeia e a atitude deplorável que tomou.
A minha vale o que vale, muito pouco, mas aqui está:

não voltarei a pôr lá os pés.
Ponto.


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