De oligopólio/cartel destrói famílias/ país a 10 de Maio de 2012 às 15:40
Sai tão caro pagar tão pouco
(-por Daniel Oliveira, Arrastão)
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[ PD sabe bem pagar tão pouco ( !! aos empregados e fornecedores) ]

Muitos dos que sofrem do síndrome do capataz e estão convencidos que se defenderem quem mais tem passam a ser um deles revoltaram-se conta as críticas à promoção do Pingo Doce, porque toda a gente teria ficado a ganhar.
O Pingo Doce promoveu-se e renovou o stock, os fornecedores escoaram os seus produtos, os clientes compraram mais barato.
São estranhos estes liberais que nem o b-a-ba das regras do capitalismo entendem.
O dumping é proibido porque destrói a concorrência, favorece a concentração e põe, a médio prazo, os consumidores nas mãos de uma só empresa.
Em Portugal não nos faltam - fiquemos na eletricidade - exemplos do preço que pagamos por monopólios privados.

Escrevi aqui que o "dumping é pago quase sempre pelos fornecedores". Meu dito, meu feito.
Vários fornecedores já fizeram saber que lhes chegou a factura de uma promoção em que ninguém lhes perguntou se queriam participar. Não sou adivinho.
É costume das grandes superfícies cobrar aos produtores o que é decisão sua. (i,e. os grandes abusam do seu poder de negociação:
contratam as quantidades, qualidade/controlo, prazos a adquirir aos fornecedores (pescadores/horticultores/...) e depois pagam, a três meses!!, uma % (de metade a 1 décimo do preço a que venderam, se venderem ...!! ).
Esta inacreditável forma de fazer negócios só é possível porque os produtores, mesmo depois de esmifrados até ao último cêntimo, têm poucas alternativas.
As grandes superfícies esmagaram todo o comércio e três delas controlam quase toda a distribuição de bens de primeira necessidade.
Num país onde a regulação é apenas um conceito teórico, elas foram, com um euro forte, uma política agrícola europeia criminosa e escolhas erradas no modelo desenvolvimento, uma doença letal para a agricultura e pescas.

Muitos responderão:
mas sem os grandes supermercados os preços de consumo de bens de primeira necessidade seriam bem mais altos. Não contesto.

Mas esse é um problema de um país que baseia a sua economia em salários baixos: apenas pode viver com preços baixos.
E salários e preços baixos, numa economia aberta, matam as empresas mais pequenas, incapazes de competir com quem tenha economia de escala.
Preço baixo garante salário baixo que depende do preço baixo que leva ao salário baixo.

Como as grandes superfícies importam quase tudo o que vendem (ganhando muito com o défice na balança de transações), esmifram os produtores nacionais e rebentam com o pequeno comércio, têm o efeito de um eucalipto (: sugam e secam tudo à volta !!).

A nossa pequeníssima classe média - o nosso modelo económico, de que a proliferação das grandes superfícies e o desaparecimento dos mercados e do comércio tradicional são exemplo,
favorece a polarização social - não chega para alimentar alternativas ao comércio barato e de má qualidade.

A solução não é proibir ou fechar hipermercados. É, antes de mais, criar regras.
Como existem em vários países europeus, para defender a economia e a vida nas cidades.
Mas, a longo prazo, passa por perceber que o modelo de crescimento económico que baseie a nossa competitividade em salários baixos não encontrará nunca um equilíbrio virtuoso.
A pobreza de muitos é, ela própria, causa de empobrecimento dos restantes.
E num país pobre não há pequenas e médias empresas capazes de competir, no mercado interno, com gigantes.

Infelizmente, há quem acredite que promoções como as do Pingo Doce fazem parte da solução.
Como prova a factura que agora está a chegar a produtores que trabalham no limiar da sobrevivência, faz parte do problema.
Quando estes fornecedores falirem teremos mais alguns desempregados.
O desconto de 50% no consumo custar-lhes-á uma perda de 100% no rendimento.
Sabe bem pagar tão pouco? (aos empregados e fornecedores) .Sabe.
(E melhor ainda quando esmaga concorrentes e depois pode aumentar "liberalmente" os preços, porque se tornou monopolista ou oligopolista e concerta preços com os 'poucos concorrentes/ parceiros do CARTEL ).
Mas custa tão caro. (custa demasiado !! aos clientes, fornecedores e pequenos concorrentes, aos cidadãos e ao país- destruindo sua econ)


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