Dia do Trabalhador e amarguras

            Hoje não é dia do colaborador...  (

     Todos nós, quando nos levantamos da cama, de segunda a sexta, não o fazemos para ir colaborar. Não chegamos ao fim do dia cansados por termos estado a colaborar. Não é a nossa colaboração que enche de orgulho – ou de frustração. Grande parte do que somos, fazemos e representamos está no nosso trabalho. Por isso, somos trabalhadores. No fundo, é isso que se celebra no 1.º de Maio. E para que possa ser festejado é feriado. Um feriado que homenageia o trabalho no seu sentido mais nobre, o trabalho que não é apenas fonte de rendimento, mas também de realização e de prazer. E de respeito. A isso chama-se trabalho. Nunca colaboração.
Manuel Esteves no Negócios. As palavras são importantes e as lutas dos trabalhadores pelo trabalho com direitos, pelo respeito, fazem-se com elas. Tal como acontece por toda a imprensa, também neste jornal a palavra colaborador enxameia as notícias sobre o mundo do trabalho. Hoje, pode ler-se no sítio, por exemplo, que um jornal espanhol vai despedir um terço dos 600 colaboradores...

                                               

               Porque ontem foi dia do trabalhador...       (-por João Rodrigues )



Publicado por Xa2 às 07:36 de 02.05.12 | link do post | comentar |

10 comentários:
De .indignidade 3ºmundista ! a 2 de Maio de 2012 às 13:57
Todos ao 1º de Maio do Pingo Doce !
(-por Daniel Oliveira, Arrastão)

Dia 1 de Maio. As imagens na televisão são o retrato de um país que vive em degradação evidente.
Milhares de pessoas invadem os supermercados do Pingo Doce. Confusão, incidentes, cenas de pancadaria, polícia de choque em algumas lojas, prateleiras vazias, saque de produtos alimentares.
A Jerónimo Martins ofereceu descontos de 50% para quem fizesse compras superiores a 100 euros.

Num dos feriados que ainda eram respeitados pelas grandes superfícies, a filantrópica família Soares dos Santos, a que, nos intervalos de lições de responsabilidade aos nossos governantes procura e encontra esquemas para fugir ao fisco, a que, descobrindo que os seus mal pagos funcionários estão na miséria lhes dá umas esmolinhas em géneros, assinala assim o dia do Trabalhador.
É esta a nossa elite económica:
tudo o que represente a dignidade de quem trabalha merece dela um olímpico desprezo.

No mesmo dia em que Passos Coelho tem, como única mensagem a dar aos portugueses, o anúncio de que o desemprego, que já atingiu recordes nunca vistos, vai continuar a aumentar, muitos portugueses dedicaram o seu dia à corrida às compras.
Não os condeno.
Quando não há dinheiro um desconto destes, com venda de produtos abaixo do preço de custo (dumping quase sempre pago pelos fornecedores) faz diferença.
E não é seguramente por consumismo que alguém se planta, às 4 da manhã, à porta de um supermercado.

Nada obrigava a Jerónimo Martins a fazer esta promoção neste dia.
Mas a pobreza tem mais força que a repressão.
Enquanto as pessoas lutam para comer não lutam por direitos.
Nenhuma ditadura conseguia resumir um dia de resistência àquelas imagens degradantes.
O que ficará do 1º de Maio de 2012 em Portugal é isto: um povo a esbofetear-se por um desconto em comida.
Uma empresa que é incapaz de compreender qualquer ideia que se assemelhe a "dignidade".
Um poder político que nos atirou para este humilhante retrato terceiro mundista.


De Mortos-vivos-estúpidos-provocadores-... a 2 de Maio de 2012 às 14:04
O dia dos mortos-vivos
(-por Sérgio Lavos, Arrastão)

A rede de mercearias que recentemente decidiu mudar a sua sede fiscal para a Holanda teve um dia em cheio.
Numa PROVOCAÇÂO aos sindicatos que convocaram uma greve, decidiu oferecer cinquenta por cento de desconto aos clientes que fizessem compras de cem euros.
O departamento de marketing do grupo está de parabéns: a maioria das lojas ficou em estado de sítio com a horda de zombies consumistas que esvaziaram prateleiras e lutaram por um pedaço do sonho proporcionado pelo magnânimo Alexandre Soares dos Santos, um dos pais da pátria.
Estão todos bem uns para os outros:
a rede de mercearias pode até ter tido prejuízo hoje - a prática de DUMPING (venda de produtos abaixo do preço de custo) é probida por lei mas ninguém reclamou;
contudo, a publicidade gratuita que está a conseguir irá repercurtir-se por muitos dias.
Para além disso, parte do PREJUÍZO será assumido pelos FORNECEDORES/ produtores - cada campanha dos grandes grupos é sempre em parte financiada por quem coloca lá os seus produtos, numa perversão das leis da concorrência que torna a posição negocial destes grupos incontestável.

Mas também os zombies estão de parabéns:
os milhares (milhões?) de clientes que hoje gastaram dinheiro em mercadorias a granel - é para isso que estes estímulos ao consumo desenfreado servem - não chegarão a perceber que parte daquilo que compraram não era absolutamente necessário e por isso viverão felizes na IGNORÂNCIA dos ESTÚPIDOS.

Mas os sindicatos que andaram a fazer campanha contra as cadeias de hipermercados que abriram também não ficam bem na fotografia.
A verdade é que os trabalhadores desta rede vão receber a triplicar e terão um dia de férias a mais.
E o "POVO", essa entidade que, quando quer, sabe comportar-se como uma HORDA de ZOMBIES, esteve literalmente a borrifar-se para a crise e para os direitos dos trabalhadores.
As coisas são como são.

Mas tenhamos uma coisa em mente:
nas alegorias políticas em forma de filme de zombies de George Romero, os mortos-vivos acabam quase sempre por ganhar consciência e tomar conta de tudo.
Os neoliberais contentinhos com o êxito passageiro de Soares dos Santos poderão ser os humanos do futuro, carne para os zombies de agora.
Nada dura para sempre.

Adenda:
parece que falta uma coisa muito simples a quem critica o Pingo Doce:
uma tomada de posição sobre a cadeia e a atitude deplorável que tomou.
A minha vale o que vale, muito pouco, mas aqui está:

não voltarei a pôr lá os pés.
Ponto.


De o país q temos... e quem manda... a 2 de Maio de 2012 às 14:33
agent
A PSP emitiu um comunicado via facebook (http://www.facebook.com/policiasegurancapublica) onde acaba por dizer que
não existiram “registos de detenções ou graves situações de alteração de ordem”.
Portanto, excluindo uns problemitas pontuais ligeiros aqui e ali, foi um dia normal de compras no Pingo Doce.

Ou seja, aquilo que mais me pareceu uma espécie de simulação de um dia apocalíptico, onde uma cadeia de supermercados aproveita-se da situação miserável (não me refiro exclusivamente ao seu perfil económico)
dos seus clientes para fazer marketing estratégico e ganhar uns pontos na guerra com o Continente e Ca.

– espero que ninguém tenha caído naquela da “ajuda”, pois se o PD quisesse efectivamente ajudar os portugueses, não acumulava uma megapromoção destas num único dia (e justamente num dia simbólico como o 1º de Maio), mas distribui-a proporcionalmente por todos os restantes dias do ano –

para a PSP não passou de uma operação rotineira, de um dia normal, lá está.

O facto de toda aquela gente não ser malta freak, não fumar o seu charrito, nem serem fotojornalistas com a câmara em riste, entre outro tipo de gente “ameaçadora” com especial predilecção para ocupar espaços, em vez de os esvaziar, contribuiu certamente para tanta normalidade.

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A cada dia que passa, damos um novo significado à expressão ´bater no fundo´...

Como os cobardes que são, os nossos governantes vão olhar para o que se passou ontem e assobiar para o lado.
Mas que não haja ilusões, a vergonha fica TODA do lado de quem nos conduziu a este estado.
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... estamos a caminhar para uma sociedade "Mad Max"
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Esta foi uma acção de manipulação politica com um statement bem definido.
O mais baixo preço vence os mais altos valores.
Caracteristicas de uma sociedade facebookiana e apolitica.
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Muitíssimo bom este seu texto! Está cá tudo dito.

"enquanto as pessoas lutam para comer não lutam por direitos".

Porque não escolheu o Pingo Doce outro dia para este desconto?
Foi muito triste o que se assistiu.

Um funcionário do Pingo Doce disse à minha mãe que esse dia lhe era pago a triplicar e ainda gozaria de uma folga extra neste ano.
Não posso garantir que assim o seja, evidentemente, mas a ser verdade é uma "boa forma" de manter os empregados calados
(- se fossem apanhados a falar, especialmente com jornalistas, ou se se recusassem a ir trabalhar nesse dia ... era despedimento imediato !!)

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a falta de respeito está todos os dias presente nas lojas pingo doce, em mais ou menos pequenas doses. ontem pelos vistos foi em dose cavalar.

a administração pública, a administração fiscal, a edp, a pt, etc, tratam-nos constantemente sem respeito.
os livros de reclamações são uma anedota. os advogados são caros e ineficazes.
e acabamos por nos habituar a engolir sapo atrás de sapo. e a dignidade, acabamos por nos esquecer do que ela é.

cada vez mais acredito que a revolução será primeiro uma revolta de consumidores e uma revolução no consumo.
-------

A luta pelo direito ao comer, sobrepôs-se à luta pelo direito ao trabalho.
E no intervalo, há os sem escrúpulos de espécie alguma.

Se há trabalhadores que não podem deixar de trabalhar para aqueles que não têm escrúpulos, também os há que trabalhando para estes, não precisam deles para nada.
Refiro-me mais exactamente ao António Barreto - e eventualmente outros - que neste momento, se tiver dignidade - como eu julgo que tem - o minimo que deve fazer, é abandonar a actividade que têm numa fundação da família Soares.
---------

O que mais custa é ver os "Governantes" a olhar para esta notícia e não pensarem para si mesmos
"f###-se, algo está mal"...

Aquilo foi digno de um Haiti pós-terramoto, sem ofensa aos haitianos...
-----
Era bom ver a magnanimidade do senhor ASS nos prazos de validade de cada produto vendido hoje.

Como sabem, os supermercados deitam para o lixo consideráveis quantidades de produtos por terem expirado os respectivos prazos de validade.
Hoje a cadeia Pingo Doce abateu prejuízos presentes e futuros renovando os stocks.

Às vezes, sob a capa da «bondade», escondem-se outros propósitos)muito menos nobres.

Este PD é um ACTOR POLÍTICO (de mau gosto).


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