Educação, delação, assédio, produtividade, economia ... e nossas ruas

                Educação para a delação
     «Mais tarde ou mais cedo tinha que acontecer algo assim. Conta o "Público" que uma escola do 1º Ciclo pôs alunos (crianças entre os 6 e os 10 anos) a fazer patrulhas durante as horas de recreio, com instruções, acusam os pais dos alunos de uma turma do 4.oº ano, como "tomar nota do nome dos colegas que apresentam comportamentos inadequados", nomes depois "colocados em local público para que toda a comunidade escolar tenha conhecimento dos mesmos". E, pelo andar que as coisas levam em Portugal, ainda vamos no princípio...
     Fardadas com uma "t-shirt" com a inscrição "PSP", significando "Patrulha de Segurança do Pontal", as crianças da escola do Pontal (Portimão), duas por turma, são enquadradas por graduados, digo, professores, devendo efectuar "rondas no recinto escolar nos horários críticos da escola, valorizando sempre o diálogo".
     Os pais contestatários pensam antiquadamente que "as crianças têm como principal função aprender, tendo direito a um intervalo para brincar; não têm de 'espiar' os colegas". Presume-se que a maioria, ciente da sociedade de novo tipo hoje em construção, veja na educação para a delação dos seus rebentos apenas a preparação destes para um paisano futuro profissional brilhante a denunciar colegas de trabalho ou, se fardado, a espancar manifestantes e jornalistas "valorizando sempre o diálogo".»  ([JN], Manuel António Pina, via OJumento)

                 PRODUTIVIDADE  E  ASSÉDIO  MORAL ! 

    «O objetivo deste artigo é mostrar o modo como as práticas organizacionais e a cultura dos locais de trabalho podem levar a experiências de humilhação e a situações constrangedoras no trabalho. A discussão baseia-se em entrevistas realizadas no decorrer de 2007, com 20 trabalhadores de três fábricas de calçados localizadas no Ceará (Brasil).

     A análise de conteúdo das entrevistas indica que, apesar da humilhação e do constrangimento serem formas de violência conduzidas por indivíduos investidos de poder e autoridade na empresa, essas práticas transcendem as relações interpessoais e estão relacionadas às políticas de gestão organizacional centradas no estabelecimento de metas de produção a serem cumpridas pelos trabalhadores. As políticas determinam quanto e como produzir e, ao mesmo tempo, as relações interpessoais que se estabelecem dentro das fábricas.»

     Um artigo de investigadores brasileiros com muito interesse sobre uma temática cada vez mais pertinente e atual !Infelizmente os nossos investigadores tardam na abordagem destas questões naturalmente incómodas porque têm uma dimensão social.VER   (-p 
                       Na minha rua
Lisboa     Na minha rua existem dois organismos do Estado. Nota-se que as pessoas que neles trabalham passaram a transportar uma marmita com os restos do jantar.
      O vai-e-vem que animava a minha rua transformou-se no lá-vai-um.
      Na minha rua existem dois cafés. O do Sr. José, com o anúncio na montra a avisar que o Joaquim e o Francisco já não trabalham lá porque o estabelecimento assumiu o aumento do IVA sem o reflectir nos preços e o da Dona Maria, que deixou de fornecer refeições por falta de pessoal.
      Na minha rua havia uma papelaria que fechou. Os funcionários da marmita deixaram de comprar o jornal e os empregados dos cafés deixaram de lá entrar.
      Na minha rua há uma farmácia onde os avós iam com os netos para se aviarem. A farmácia despediu a Sara e a Sofia porque as receitas do fim do mês não chegavam para os parcos vencimentos que tinham.
      Os avós da minha rua já não ficam com os netos. As reformas não aguentam e os pais que trabalhavam no escritório, que entretanto fechou, e no infantário, que tem cada vez menos miúdos, dispensam esse apoio.
      Consta que, lá para a Guarda, encerrou a fábrica de peças de automóveis depois da oficina, que havia na minha rua, ter fechado as portas.
      Na minha rua já não passa o autocarro porque as pessoas que o apanhavam ficam em casa.
      Na minha rua já não se ouvem lamentos piegas. O último foi aquele que o vizinho do 76 proferiu durante o voo que fez do sexto andar.
      Na minha rua o silêncio inquieto que sempre antecedeu barulhos violentos só é quebrado pelo ruído das persianas que se abrem para deixar à mostra o anúncio de venda e pelo grito de quem se aventura ao assalto frequente.    (- LNT [0.250/2012], A Barbearia do sr.Luís)


Publicado por Xa2 às 07:51 de 08.05.12 | link do post | comentar |

6 comentários:
De Esta austeridade NÃO funciona: Romper Tr a 8 de Maio de 2012 às 14:12
Lisboa, 08 mai (Lusa) - O fundador do PS e antigo Presidente da República Mário Soares defende que o Partido Socialista deve ROMPER com o acordo da 'troika', alegando que a situação evoluiu e que a austeridade não funciona no país.

Em entrevista hoje publicada no jornal i, Mário Soares diz que o CAMINHO certo para o PS e para o socialismo europeu é cortar com o programa da 'troika' constituída pelo Banco Central Europeu, o FMI e a Comissão Europeia.

"Acho que é esse o caminho.
A austeridade, tal como a definem, não tem sentido", afirma, considerando que a obrigação já foi assumida há um ano, mas que "chegou ao fim".

Para Mário Soares, não há razões para o PS se manter fiel ao acordo assinado em 2011 com aquela entidade, porque
"tudo evoluiu: o acordo da 'troika', a 'troika' e o país".

Admitindo que a obrigação de cumprir o acordo que o PS sentiu durante um tempo fez sentido - já que o pedido de ajuda financeira foi feito pelo então primeiro-ministro e líder do PS, José Sócrates -, Mário Soares refere que, hoje, se vive uma situação de PRÉ-RUPTURA.

Se a ruptura não acontecer devido ao PS, "poderá ser a própria 'troika' que vai ao ar", afirmou o ex-Presidente da República.

"A 'troika' está dividida.
O Fundo Monetário Internacional tem uma posição, o banco Central Europeu tem outra, a Comissão Europeia tem outra", afirmou, considerando que esse desacerto de posições e a situação que a Europa atravessa podem levar à implosão da 'troika'.

"Os dirigentes europeus, quase todos já perceberam que reduzir a União Europeia à austeridade e aos equilíbrios financeiros para FAVORECER os mercados USURÁRIOS
e sem ter em conta a recessão económica e o desemprego avassalador que está a crescer implica que a Europa vai de MAL a PIOR", considerou.

PMC. Lusa/Fim


De .GOV. DESTRÓI PORTUGUESES.. a 8 de Maio de 2012 às 14:19
Coimbra, 05 mai (Lusa) -
O secretário-geral do PCP acusou hoje o Governo de contar uma história da "carochinha" aos portugueses na questão da reintrodução do pagamento dos subsídios de Natal e de férias à função pública e aos reformados.

Em Coimbra, no encerramento da sétima assembleia regional do partido, Jerónimo de Sousa acusou o executivo de Passos Coelho de ter "um projeto de AFUNDAMENTO do país, assente numa falaciosa PROPAGANDA que anuncia um curto período de sacrifícios, mas que à medida que o tempo passa vai alargando com afirmações capciosas".

Segundo o líder comunista, "o ministro das Finanças, secundado por Passos Coelho, no seguimento do Conselho de Ministros que aprovou o documento de estratégia orçamental,
vieram contar uma espécie de história da carochinha acerca dos subsídios de Natal e das Férias".

"Confirmaram, depois de muitos lapsos e trocadilhos, que os subsídios serão repostos a partir de 2015 a um ritmo de 25 por cento ao ano, mas agora dizendo mais:
diz Vítor Gaspar que esta é uma hipótese de trabalho, não um compromisso político, nem uma decisão política que estará condicionada pela existência de espaço orçamental", enfatizou o dirigente.

Para Jerónimo de Sousa, "trata-se da mais ardilosa e fraudulenta forma de jogar com a vida dos portugueses, com o ar mais sério deste mundo".

"Amanhã dirão que a situação se complicou ou que não é possível concretizar a hipótese de trabalho:
quem é que pode acreditar nestes MANOBRAdores de expetativas sem princípios", questionou o secretário-geral do PCP.

O dirigente comunista lembrou que, antes das eleições, o primeiro-ministro, Passos Coelho, dizia que acabar com o 13.º mês era um "DISPARATE, para de seguida fazer o que fez, depois passou a dizer que 'se nós pudéssemos não retirávamos os subsídios aos portugueses'".

Depois, acrescentou, vieram dizer que "'vamos tentar repor os subsídios o mais depressa possível', uma frase pomposamente repetida com que o Governo procura atirar poeira aos olhos dos portugueses".

"O TRUQUE é velho, primeiro diz-se que estávamos perto da BANCARROTA, que não havia dinheiro para pagar a professores, a médicos, às polícias, que o défice público era muito grande, para criar um CLIMA de aceitação e RESIGNAÇÃO perante draconianas medidas sobre os salários, as pensões, os subsídios e serviços públicos", sublinhou.

Perante a plateia que o escutava, Jerónimo de Sousa defendeu que o Governo tem condições para repor imediatamente os subsídios de férias e de Natal e outros direitos sem "agravar o défice orçamental.

Para isso, frisou, é preciso que o Governo "deixe de ser o principal agente de desENDIVIDAMENTO do setor FINANCEIRO, quer direta quer indiretamente, pela subserviência à política do banco central Europeu,
e faça pagar às grandes fortunas, aos grandes acionistas, às grandes empresas e aos bancos uma fatia do muito que recebem".
AMV


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